Again

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Notas iniciais
Então, gente bonita! Cá estou eu!
Essa fic deu muito trabalho, sério. Eu passei uns bons três meses para conseguir escreve-la. Não é um tema fácil e eu precisei de muitas visitas em blogs de pró-mia e pró-ana para conseguir fazer tudo certinho - acredite, o que essas meninas passam é horrível e eu não desejo isso para ninguém-.
Para alguém que estiver perdido: Ana= anorexia; Mia= bulima.
Nos vemos lá em baixo, espero que gostem :)

De novo.

De novo ela se entregara à Ana e Mia de modo completamente devoto, de novo havia se descuidado, de novo haviam ingerido gordura, de novo voltara à estaca zero, de novo Ana gritava em sua mente o quanto imperfeita ela era e de novo, ela estava jogada ao chão do banheiro debruçada sobre o vaso sanitário, que fora seu companheiro em inúmeras situações como essa.

Afinal, o meio mais rápido que ela encontrara de se livrar da imperfeição digerida, fora-lhe apresentada por Mia.

O descuido dessa vez, fora ainda mais sério e tinha nome e sobrenome. Uma paixão: a pior inimiga da perfeição, como Mia gostava e lembrar a cada cinco minutos.

Havia sido rápido e indolor, e quando ela percebeu, já estava completamente entregue aquele romance proibido. Ele a fazia sentir-se bem, segura. Fazia sentir-se como sendo a mais bonita de todas, a mais perfeita, porém encarando o espelho localizado atrás da porta de seu banheiro, em pé e com as roupas jogadas ao seus pés, apertava uma gordurinha localizada em sua cintura e seus ossos que estavam cobertos pela pele novamente.

“Você regrediu completamente! Todo meu trabalho, todos os dias em que te ajudei para nada! Para você me trocar na primeira oportunidade!” – berrava Ana em sua mente.

A garota ouvia em silencio a bronca e sabia que era merecida, Ana estava certa, ela não poderia simplesmente ter se entregue, ela deveria ter sido forte, pois isso não era mais só sobre ela.

“Como você pôde deixa-lo toca-la?! Acha que ele gostou do que sentiu? Acha que ele não percebeu essa gordura do seu lado direito? Ou que seus ossos do pescoço estão completamente cobertos por todo essa epiderme lipídica?! Lógico que ele percebeu! E é por isso que você está aqui de novo”

Ana estava inspirada e com razão. A garota sempre teve receio dele perceber o quão imperfeita ela era, o quão tinha que se esforçar para manter-se um dia inteiro com apenas uma barra e granola no estômago, mas quando estava com ele, só os dois, nada disso importava, pois ele fazia ela se sentir a garota mais especial e perfeita do mundo, mas agora nada disso importava já que estava novamente sozinha e pior: machucada e magoada.

“Oh querida, não chore! Você não está sozinha, eu estou aqui por você, sempre estive! Até quando você não me dava ouvido, mesmo quando você me esqueceu, eu ainda estava aqui, só esperando porque eu sabia que no final iria ser assim, agora pegue essa roupa do chão e se vista, me dá vergonha te ver assim”- Mia falou em tom mais brando, mas nunca deixando de lembra-la da vergonha que era vê-la, do quanto ela enojava a todos que a olhavam.

A menina, obediente, pegou suas roupas do chão e vestiu-se rapidamente a fim de fazer a imagem no espelho de si própria desaparecer mais rápido.

Não aguentava ver todas aquelas garotas lindas e magras de sua escola, todas elas eram com facadas em seu coração porque não precisavam se esforçar nem o dobro do que ela tinha para serem assim. Elas simplesmente eram. E a garota cultivava inveja por isso, ela tinha inveja de cada curva bem delineada de seus corpos, de cada grama de gordura a menos que possuíam.

“Isso minha querida, veja como elas são perfeitas. Você nunca chegará aos pés delas, a não ser com minha ajuda é claro” – Ana sussurrava persuasiva e a garota apenas assentia. É claro que precisava de Ana, como não precisaria? Quem mais lhe diria a verdade em momentos como esses? – “Aquela sua amiga... Como era o nome dela mesmo? Bem não importa. Ela não estaria sendo franca com você. Com certeza nesse momento vocês estariam se empanturrando de chocolate e vendo algum romance meloso. Comigo você irá ser a mais perfeita de todas, a mais bela e a mais invejável”

Ana não poderia terminar seu discurso de forma mais apropriada. Ser invejável a todas aquelas que sempre admirou. Oh, como ela queria isso.

Mas ainda precisava superara a dor de seu coração partido, pois ela sabia que não teria forças se a mágoa de um amor acabado continuasse em seu coração. Mas como sempre seus problemas duraram pouco, pois Mia trouxe-lhe a solução rapidamente.

“Sua dor, ela está te ferindo, tirando suas forças. Mas lembra do que lhe ensinei? Combata dor com dor” – Mia sussurrou e a garota de repente viu-se sem outra alternativa.

Foi lentamente até o armário de seu pequeno banheiro decorado com ladrilhos de tons verdes e decorados com flores. Horríveis, assim como ela.

Tudo estava silencioso o que era uma novidade. A menina parou a mãe meio caminho de alcançar a bolsinha onde guardava a lâmina para momentos como esse e suspirou alto. Finalmente um momento para pensar em paz.

Sentou-se na tampa do vaso sanitário e pôs a cabeça entre os joelhos. Permitiu-se lembrar de todos os momento que passou com ele, pois essas seriam lembranças que guardaria para sempre consigo, lembranças de momentos da mais pura felicidade. Felicidade por ser ela.

“Eu te dou um espaço e você já está pensando em me abandonar de novo?!” – Ana falou e a garota se arrepiou – “Já vi que terei mais trabalho do que imaginava. Ele te deu esperanças demais e para que? Olhe para si mesma nesse estado deplorável sentada sobre a tampa do vaso e me responda se valeu a pena ser você mesma. No final ele te abandonou, ele percebeu que você não era boa o bastante para ele” – Dor. Era isso que ela sentia. A mais profunda possível.

Parecia loucura, mas ela imaginou Ana e Mia sorrindo, como se finalmente tivessem chegado no ponto em que queriam.

Ela se levantou do vaso com pressa, estava desesperada. Abriu o armário de novo e não hesitou em pegar a lâmina já suja de sangue seco das outras milhares de vezes em que a usou. Se pegasse uma infecção... Bom, não que ela se importasse com isso.

Dobrou as mangas de sua camisa e encarou os braços: o esquerdo estava com muito mais cicatrizes do que o direito. Perfeito.

Ela preparou a lâmina sobre uma das cicatrizes rosadas, e fechou os olhos. Quando percebeu já tinha posto a lâmina muito fundo e a subiu de novo, passando por toda a extensão do braço, tomando o cuidado de se demorar em cada cicatriz, as reabrindo-as.

A dor física que sentia agora era reconfortante pelo simples fato de que era milhões de vezes mais fácil de lidar com ela do que com a do emocional, por isso reabria as cicatrizes.

Depois de terminado o processo ela levantou-se meio mole pois perdera considerável quantidade de sangue e só havia comido a janta o dia inteiro – esta que agora se aventurava pelos canos de esgoto da cidade – e foi até a pia lavar a lâmina e pô-la em seu lugar novamente.

Limpou o chão com um pano que separara exclusivamente para isso e não estranhou o silêncio tanto de Mia quanto de Ana; sabia que estavam mais confiantes agora que a tinham de volta para si.

Tomou uma ducha rápida apenas para limpar o sangue do braço com maior eficácia. Ela sabia que não importava quantas vezes tomasse banho, quantas vezes se lavasse, ela ainda estaria suja por dentro. Suja porque ela era fraca e imperfeita e nada mudaria isso, muito menos a água.

Pôs um pijama largo, para esconder todo seu corpo. A garota sentia vergonha por possui-lo, por ser assim. Sempre quis ser igual às garotas da escola, às mulheres das revistas que lia, qualquer coisa, menos ela, menos aquele corpo gordo.

“Não se preocupe minha querida, logo você estará ainda mais perfeita e bonita do que todas elas, agora durma. Amanhã começa nosso grande recomeço” – Mia lhe desejou boa noite e a garota fechou os olhos.

Era mais fácil pegar no sono quando pintava o futuro descrito por Ana e Mia: um futuro onde ela seria perfeita e ninguém poderia contestar isso.

Notas finais
E ai? Pesado neh? Imagina quem passa por isso todos os dias.. difícil. E ainda tem gente que, em vez de ajudar, fica julgando ¬¬
Enfim.
Bjkas paçoquinhas, reviews??
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!