Aftermath

13 Poder muda tudo


Notas iniciais
Olá, meu nome é Igor, e sou o criador do Aftermath. Este é meu projeto que venho desenvolvendo há meses, e pretendo engrandecê-lo e um dia expandí-lo pra outras plataformas (jogos, livros, produções audiovisuais). Agradeço aos que leram, e caso se interessarem pela trama poderão acompanhar também pelo blog, cujo link estará nas notas finais. Obrigado a todos, e boa leitura =)

As pedras das colinas eram imponentes e não se afetavam pelo vento da alta altitude. Canídeos bizarros corriam pelos vales lá embaixo, amedrontados por nós. Nenhum deles tinha o corpo igual aos demais: uns possuíam presas tão enormes que não os deixava fechar a boca, outros eram grandes como leões, e podia jurar que um deles tinha seis patas. O que tinham em comum era a cor da pelagem, completamente negra. Troca-peles, segundo Lucy havia contado. Espíritos que não foram resgatados pelos ceifadores a tempo. Eles vagam pelo Limbo à procura de sua verdadeira existência, alterando seus corpos de tempos em tempos. A maioria tende a copiar certas características físicas de quem os acompanha. O problema é quando eles encontram sua verdadeira forma, mudando-se totalmente. Assim, eles se tornam um enorme monstro ao qual chamam de colosso.

Com a falta de Lucy nas Colinas do Vento, todas as almas se tornarão troca-peles. Certamente, a Taiga Negra também devia estar cheia dessas criaturas, já que não há mais um ceifador por lá. Teremos bastante trabalho para organizar o Limbo depois que encontrarmos Mei.

Eva e eu subimos e descemos montanhas, à procura da ceifadora da Ásia. Era natural que ela cansasse de nos esperar e voltasse aos Campos Perpétuos, pois muita coisa aconteceu desde que combinamos de nos encontrar, quase três meses atrás.

–E se os ceifadores voltaram pra Terra? – indagou Eva. Era uma possibilidade.

–Não sei, mas acho mais provável que ainda estejam aqui. Vamos até a região dela, os Campos. Até agora, lá é nossa melhor alternativa.

As Colinas do Vento ficavam logo ao lado da Taiga Negra, e após atravessar esta chegaríamos aos Campos Perpétuos.

–Acho que teremos problemas – eu disse. – Vamos ter que atravessar a Taiga.

–A Taiga... – Eva fez um esforço para se lembrar. – Você era o ceifador da Taiga, não era? Porque teremos problemas? Deve conhecer o lugar como a palma de sua mão. Ou já esqueceu depois de tanto tempo?

–Ainda conheço, mas é justamente esse tempo que me preocupa... As coisas podem ter mudado. – aquela região estava abandonada há mais tempo do que as Colinas, então eu podia esperar vários troca-peles ou coisa pior.

Avistamos lá embaixo das últimas colinas uma imensa e escura floresta. As árvores eram altas e eretas, e nada podia se ver do lado de fora. Era a Taiga Negra, bastante assustadora e nada convidativa.

Adentramos a densa floresta com o maior cuidado possível. Algumas árvores eram tão próximas umas das outras que não permitiam a passagem; outras, mais afastadas, tinham as raízes à mostra, obstruindo nosso caminho. O cuidado dobrava pra não tropeçar e torcer o pé no solo irregular.

O silêncio mortal era quebrado pelo som assustador de galhos quebrando sob os passos dos vultos que volta e meia escapavam de nossa vista. Diferente das Colinas, a Taiga não nos permitia ver muito mais do que nada. Tímidos rugidos e lamentos gelavam nossas espinhas quando surgiam entre as árvores. Éramos fortes, sim, mas o medo não se importa: o desconhecido sempre é aterrorizante.

Olhos nos acompanhavam por onde passávamos, disso eu já desconfiava. Tive certeza quando o primeiro par de olhos se revelou, pulando do topo de um pinheiro em direção à Eva. Ela gritou de susto, e minha foice acertou o bicho quando estava a trinta centímetros de alcançar a garganta dela. O golpe foi vertical, de baixo para cima, e ele permaneceu empalado na lâmina. Sua cabeça triangular tinha dois pares de olhos, e um único chifre que erguia-se para trás da nuca. Os longos braços esguios arranhavam a foice na tentativa de escapar, enquanto esperneava um grito agudo sinistro.

–Coisa asquerosa – eu disse.

–Faz ele parar! – Eva tampava os ouvidos com as mãos, e evitou olhar para o espírito em agonia.

Com um puxão, retirei a foice de seu corpo. Ele caiu na hora, pois rompi os ossos que sustentavam seu tronco. As pernas, tão esguias quanto os braços, ajoelharam no chão quando aproveitei o embalo do puxão da foice para completar uma volta completa de cima pra baixo, em sua cabeça. O grito havia cessado, e a metade de cima de sua cabeça rolou para os pés de Eva.

–Que horrível – ela disse, e saltou por cima da cabeça.

–Fique atenta, Eva. Com certeza tem mais de onde esse veio.

Pouco mais da metade da Taiga já havia sido percorrida, e nada além de mais vultos apareceram, até o momento em que um som de arrastar se alastrou alto pela floresta.

–O que é isso? – Eva perguntou.

–Pode ser qualquer coisa! Olhos abertos!

O som vinha de todas as direções, afastando o pequeno gramado, arrastando-se no solo e fazendo um ronco lento e constante.

–Estão chegando perto – eu anunciei. – Prepare-se, Eva!

Do meio das sombras da floresta, surgiu alguma coisa, grande como uma rocha, contrariando a minha expectativa: não eram vários, mas um só.

A investida que deu me derrubou, mas Eva se afastou rapidamente.

–Colosso! – ela gritou.

Ele tinha quase o dobro da minha altura, uma cabeça de dragão e corpo de serpente dividido em diversos segmentos, espessos como uma armadura de pedra. Vários chifres saíam de sua cabeça e de seus segmentos, e os dentes tortos e monstruosos ficavam do lado de fora da boca. Um par de olhos em cada lado da cabeça, brancos sobre as escamas com pelagens negras.

Rolei para o lado e me levantei enquanto o monstro voltava para entre as árvores. Eva correu para uma árvore de raízes expostas, agarrou uma ramificação de raiz e deteriorou uma parte, a fim de arrancar aquele pedaço para si. Armada com um pedaço de madeira contra esse colosso, Eva? Obviamente a raiz vai ser inútil, mas era melhor que nada.

O colosso voltou rápido na minha direção, mas enquanto desviava de sua mordida ataquei-lhe com a foice no canto da boca. Nada aconteceu, mesmo ali sua pele era dura como aço. Seu corpo serpenteou e me rebateu para o chão, mas me levantei rápido com um rolamento.

Eva escondia-se perto dos pinheiros, e a fera voltava mais uma vez: agora fui mais rápido e corri para lado e o colosso bateu com força em uma árvore, que balançou e entortou para trás. Eva correu até o monstro e tocou seu corpo, decompondo a couraça maciça em um pequeno buraco.

–Sua vez! – ela gritou, enquanto o colosso voltava a se enfiar por entre as árvores, preparando um novo bote.

Desta vez ele nem tentou me morder, apenas se concentrou na velocidade para destruir o que estivesse na frente. Novamente fui mais rápido, desviei e acertei a ponta da foice no buraco que Eva fez. Abriu-se um corte horizontal naquele segmento, fazendo o colosso reagir à dor dando uma meia volta imediata até mim. Os roncos viraram rugidos que me ensurdeciam cada vez mais à medida que sua boca crescia na minha frente.

No momento em que ele me abocanhou, saltei para dentro de sua boca para evitar os dentes externos. Tudo balançava como se fosse um terremoto lá dentro, mas fiz a foice se tornar um pilar que abriu novamente sua boca. Saltei para fora, quando vi Eva correndo até o monstro, contaminando o pedaço de raíz de árvore com anthrax. “Nããão!” ela gritava, enfurecida. Se pendurou na cavidade ocular da criatura, e enfiou o galho em seu olho.

O colosso rugiu, se debateu e sangrou. Eva me viu, e correu para me ajudar a levantar.

–Tá doido? Pulou pra dentro da boca dele! – ela disse, zangada.

–Não tive tempo de esquivar, e precisei escapar dos dentes!

–Que seja, vamos embora rápido antes que ele volte!

Ele não voltaria. O colosso tentou escapar, mas não teve forças. O anthrax o consumiu por dentro quando entrou em seu olho. Em pouquíssimos instantes, restava ali só a carcaça dura, e seu interior oco. Os olhos e todo seu interior foram devorados, e suas cavidades estavam pintadas com seu sangue.

...

Finalmente, chegamos aos Campos Perpétuos. Era uma alívio para os olhos o modo como um grande campo se movimentava com sua vegetação balançando ao vento. Nada mais de ambientes claustrofóbicos.

Os Campos eram a região mais bonita do Limbo, mesmo com as cores quase ausentes. Nada de sol ou nuvens no céu, apenas algo entre branco e cinza sobre o gramado verde-aspargo. De vez em quando, enormes seringueiras quebravam a monotonia da paisagem, e o vento soprava leve como um beijo no rosto.

–Adoro esse lugar – Eva comentou, com um pequeno sorriso. – Apesar de me assustar um pouco.

–É muito bonito mesmo. Uma pena que é tão grande, vai ser meio difícil encontrar Mei.

–Pra que lado vamos?

Observei o céu por uns instantes, procurando os pontos de referência já conhecidos pelos ceifadores. O céu se enegrecia no sul e no norte, e ao combinar essa informação com os biomas vizinhos, tínhamos conhecimento de nossa localização.

–Para o norte – eu concluí. – Vê o efeito gradiente no céu? O jeito como está mais escuro no sul? Significa que estamos perto do castelo de Thanatos. Se Mei estiver aqui, é mais provável que esteja na outra direção.

Tomamos nosso caminho, bem no meio da planície. A Taiga era pouco visível à nossa esquerda, e o deserto do Mar de Cinzas à direita. Algumas horas e várias seringueiras depois, chegamos ao limite dos Campos Perpétuos, o extremo norte onde todos os biomas se encontravam: as ruínas da Caixa de Pandora.

Lá avistamos quatro silhuetas em combate: três contra uma.

–Isaac, olhe! – Eva me mostrou. – Estão lutando ali!

Corremos para o jardim na frente das ruínas, onde um estranho resistia ferozmente aos ataques de Mei, Azalee e... Lucy? Sim, definitivamente era ela.

Nossa chegada fez o estranho fugir assim que nos viu. As ceifadoras, apesar de terem nos percebido também, não esperaram um segundo sequer e colocaram-se atrás do fugitivo. Mei chamou-nos de longe.

–Isaac, Eva, venham! Precisamos de ajuda!

Eu e Eva nos juntamos às três, perseguindo o estranho. Seguimos por uma região à qual eu nunca havia visto. Era uma planície, assim como os Campos, só que sem árvores e com algumas pedras espalhadas sobre sua vegetação avermelhada. Além disso, era um lugar bastante gelado.

–Mei – eu chamei quando a alcancei. – O que está acontecendo?

–Isaac – ela respondeu. – Arthur roubou as almas da Caixa de Pandora! Ele está muito forte, nós três quase não conseguimos segurá-lo! Precisamos pegar as almas de volta, antes que ele faça alguma besteira!

–E como fazemos isso? Como tiramos as almas dele?

–Matando! É o único jeito!

A corrida atrás de Arthur levou-nos até o centro daquele bioma. Era a Grande Tundra, região do Limbo correspondente à Antártida. Quase não haviam almas ali, já que poucas pessoas morrem naquele continente. Talvez Arthur quisesse mais ação no seu além-vida? Certamente era um lugar tedioso.

–Isaac! – Eva me chamou de trás. Diminui a velocidade, de modo a ficar lado a lado com ela. – Você percebeu?

–Sim, Lucy está viva. Não faço a menor ideia de como.

–Não é isso! Acho que tem alguém nos perseguindo!

Não havia ninguém atrás da gente, pelo menos não que eu pudesse ver. Embora eu também havia tido a sensação de ter alguém de longe, olhando, ainda nas ruínas.

–Lucy – eu gritei, e me aproximei. – O que aconteceu? Nós vimos você morrer! Luke até fez um funeral pra você!

–Oi, Isaac. Desculpe não ter voltado, é que eu estava atrás de Arthur com as garotas. Acontece que um ceifador só morre se for lesionado por uma das armas sobrenaturais. Caso contrário, ele volta para o Limbo. Como meu irmão está? Ele está bem?

–Ele... Morreu. Eu acho, já não sei mais. Ele estava muito ferido, havia perdido um braço... Dias depois ele evaporou como fumaça, igual a você.

–Não é possível, ele não é um ceifador!

–Talvez seja... Ele precisou de uma transfusão de sangue, e eu doei o meu para ele.

–Não sei se isso é suficiente, mas quando pegarmos Arthur vou procurá-lo aqui no Limbo.

Seria possível que a alma de Luke se comportasse como a de um ceifador só por causa do meu sangue em suas veias? Neste caso, Eva provavelmente seria igual, já que o anthrax injetado em seu corpo possuía o sangue do meu pai. Se fosse verdade, Luke estaria em algum lugar do Limbo.

Aquilo não ia levar a nada. Arthur não parava, e nem nós. Os ceifadores não se cansavam com uma simples corrida, pois nosso fôlego era muito maior do que humanos comuns. Eva começou a perder velocidade, ela estava exausta e já não nos acompanhava. Correríamos por anos e não alcançaríamos Arthur. Mas algo aconteceu. De longe, uma árvore úmida e enegrecida, emaranhada em cipós, caía sobre Arthur, um arremesso certeiro. Arthur a viu chegando, rapidamente empunhou seu martelo negro, e de repente ele pareceu ter crescido, pois sua pele enrijecera e tornara-se uma couraça natural, uma armadura negra com filamentos avermelhados.

Ele marretou o tronco da árvore violentamente, e ela se entortou no ar até se partir em dois. Graças a esse atraso, conseguimos chegar perto o suficiente para ouvi-lo gritar.

–Já chega dessa palhaçada, seus inúteis! Eu tenho as almas, e ninguém pode comigo! Farei com que se ajoelhem perante o novo deus da morte!

–Este é o poder da arma dele – Azalee disse. – Essa armadura, é feita a partir do martelo dele!

Arthur martelou o chão com tanta força que fez causou um pequeno terremoto. O estrondo foi enorme, e todos fomos ao chão. Eva estava complemente esgotada da corrida, e nem tentou levantar.

–Lee, Lucy, distraiam ele! – Mei gritou antes de sair correndo na direção do inimigo, que também corria até ela.

–É pra já – Azalee, com um simples movimento de uma mão, fez aparecer no ar uma espada gigante, esculpida e ornamentada com metais escuros e azuis, e havia uma fumaça leve saindo dela. A espada pairou no ar por meio segundo, e seguiu direto até Arthur numa estocada mortal. Era uma grande espada, provavelmente do meu tamanho. Ela acertou em cheio no ombro direito dele, mas apenas o fez perder o equilíbrio. Lee empunhou sua arma, um machado negro de apenas um lado.

Lucy disparou uma sequência de flechas que foram rebatidas ao acertar a armadura.

–Ajude-as – disse Eva, no chão. – Eu tô exausta, me desculpa.

–Tudo bem – eu respondi. – Fique aqui.

Tentei levantar estacas do chão sob Arthur, mas também não perfuraram a armadura. A essa altura, Mei estava cara a cara com ele, e pareceu não se importar quando Arthur levantou o martelo em forma de cruz para trás, preparando o golpe. Com um grito de batalha, ele pôs toda a força naquele ataque, mas de alguma forma passou batido. Mei não fora tocada, e Arthur foi levado pelo peso do martelo, caindo de lado em cima de Mei. Ela atravessou seu corpo, demonstrando seu poder de intangibilidade. Agarrou-o pelas costas, e ele se ergueu com ela pendurada em sua nuca.

–Saia daí, pequeno ratinho! Eu vou esmagar seus ossos!

Mei sacou sua adaga negra das costas e arriscou apunhalar o inimigo nas costas. Sabia que a armadura era resistente, e botou toda a força que tinha no ataque. Mas ela falhou. A couraça era impenetrável, e a adaga acabou voando para o chão. Arthur a pegou pelo braço e a jogou no chão com violência, fazendo-a cair de costas com a cabeça em sua direção. Ela parecia ter desmaiado.

–Morra! – Arthur gritou, com o martelo erguido em cima da cabeça.

–Nããão! – Lee se desesperou, mas nada podia fazer àquela distância.

Antes que ele a golpeasse, levantei tentáculos de matéria negra do chão atrás dele e segurei o cabo do martelo. Ele não teve força para se soltar naquela posição, e Lee aproveitou para arremessar nele outra arma gigante: desta vez, uma lança cortou o vento na direção de sua barriga. Novamente, não funcionou. A lança negra e azul ricocheteou e sumiu no ar.

Arthur largou o martelo com os tentáculos, o que fez sua armadura desaparecer. Seu rosto ainda se mantinha parcialmente escondido atrás de uma barba espessa, mas era possível ver seus olhos azuis-escuros. Apanhou do chão a adaga de Mei e a perfurou no coração, enquanto estava inconsciente.

Lee saiu correndo, com o machado logo atrás de seu corpo. O golpe a seguir seria mortal, cheio de fúria. Corria com os olhos úmidos, prontos para desabar em lágrimas, enquanto o corpo de Mei se desfazia no chão em decomposição acelerada.

–Pode vir! – gritou Arthur, arrancando o martelo dos tentáculos. A armadura voltou a proteger seu corpo. Estava pronto para atacar de baixo pra cima, como se empunhasse um taco de golfe.

Antes que ela chegasse, surgiu uma corrente por trás de Arthur. A corrente enrolou-se em seu pescoço, cravando uma pequena foice da ponta por entre o pescoço e o ombro, e o puxou para trás. Lee parou onde estava, confusa.

Erick, o ceifador do Lago da Vida, região correspondente à América, pisou na parte de trás de seu joelho, fazendo Arthur ajoelhar.

–Você – o ceifador da Tundra disse. – Seu traidor! Achei que fôssemos amigos!

–Não sou traidor – Erick respondeu com frieza. Botou o pé nas costas de Arthur e o empurrou para frente enquanto puxava a corrente da kusarigama. De joelhos, Arthur sufocou até não ter mais forças, e a armadura desapareceu quando Erick tomou o martelo de suas mãos. Com o pescoço nú, Erick apenas puxou com um pouco mais de força, e decapitou o ceifador rebelde. – Ainda.

–Erick! – Lucy gritou. – O que está fazendo?

O corpo de Arthur lentamente apodreceu, e se desintegrou em questão de segundos. Uma esfera de energia branca, muito mais brilhante e maior do que as almas normalmente eram, surgiu do cadáver dele. Erick a pegou com a mão nua, e não com a arma sobrenatural como Thanatos dizia. Ele absorveu a esfera, e irradiou pequenos raios elétricos pelo corpo.

–Agora sou um traidor – ele disse. – As almas são minhas.

–Ah, droga – eu disse. – Mais um querendo brincar de deus.

Lucy disparou suas flechas em Erick, mas ele as parou no ar usando a telecinese, e em seguida lançou-as de volta nela. Lucy desviou habilmente das cinco flechas negras.

Azalee saltou em sua direção, ainda abalada pela morte de sua amiga. Pôs toda a raiva naquele golpe de machado, mas Erick simplesmente a ergueu no ar com a força da mente e atirou-a para o lado.

–Vocês não entendem – ele disse. – Não sou como esse imbecil do Arthur. Eu sei como aproveitar o potencial das almas. Vou mostrá-los meu verdadeiro poder.

Erick apontou para mim, e de repente o chão fugiu dos meus pés. Ele me ergueu no ar, junto com Eva ao meu lado.

–Vocês não merecem estar aqui – ele disse. – Estão aqui por mero acaso. Eu sou o verdadeiro ceifador, e me orgulho disso. Agora, vou me certificar de que vocês não retornem mais a esse mundo!

Tudo ao meu redor se escureceu, e uma ventania tomou conta do lugar, como se estivesse no meio de um furacão. Em seguida, caí de volta no chão, e ao levantar estava em Landshut com Eva novamente.

–Isaac – ela gritou por mim. – Tudo bem?

–Estou bem, e você? Se machucou?

–Não... Olhe, o que é aquilo?

O portal subiu ao céu em direção ao leste em altíssima velocidade, deixando um rastro vermelho no ar como a cauda de um cometa.

–Ele mudou o portal de lugar? – Eva perguntou.

–Sim, e provavelmente todos os outros.

–O que faremos? Lee e Lucy não vão ter chance!

–Vamos seguir o rastro do portal. Temos que chegar lá o quanto antes!

Eva já subia na moto, enquanto eu enfiei uma grande tábua de madeira que peguei dos destroços aos arredores no chão, e risquei nela uma mensagem. “Ingvarr, fomos para o leste. Siga o rastro vermelho do céu. Deixaremos marcas pelo caminho.”

Seguimos pela estrada o mais rápido que conseguíamos. De hora em hora, riscava uma árvore ou o vidro de um carro na estrada com nossos nomes. As horas passavam e o rastro do portal ainda estava longe de terminar.

Notas finais
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