Aftermath

4 Fantasmas do passado


Notas iniciais
Olá, meu nome é Igor, e sou o criador do Aftermath. Este é meu projeto que venho desenvolvendo há meses, e pretendo engrandecê-lo e um dia expandí-lo pra outras plataformas (jogos, livros, produções audiovisuais). Agradeço aos que leram, e caso se interessarem pela trama poderão acompanhar também pelo blog, cujo link estará nas notas finais. Obrigado a todos, e boa leitura =)

Jacob pôs toda a inteligência da Ouroboros atrás do paradeiro de Sayid, mas deixou claro que demorariam para ter algum resultado, pois terroristas sabem se esconder como ninguém. Enquanto isso, nós nos preparávamos em um árduo treinamento para a missão na Nova Zelândia, onde tentaríamos encontrar a entrada do Limbo.

–Vai Eva, você consegue! Falta só alguns metros! – Luke gritava.

–Tô muito lenta, não vai dar tempo!

–Aperta o triângulo que você solta o turbo!

–Ah, porque não disse antes... – Eva apertou o botão, e o personagem pulou do carro em movimento, sendo ultrapassada por seus adversários. – Não! Seu idiota, você me enganou! – ela dava socos leves em Luke, que se acabava em gargalhadas.

–Para de ser chato Luke, ela podia ganhar. – falei.

–É só um jogo, gente. Relaxem aí. – ele recuperava o fôlego na poltrona da sala onde estava. – Não é o fim do mundo, dá pra recomeçar.

Evangeline havia escapado das masmorras há menos de uma semana, e foi incumbida a nós a tarefa de ajudá-la a se integrar na sociedade. Ela cresceu num espaço confinado com ninguém fora sua mãe, cercada de inimigos. Isso a tornou uma mulher séria e inocente, incapaz de compreender muitos hábitos humanos, tais como várias metáforas e outras figuras de linguagem. Várias vezes levava a sério pequenas brincadeiras, então precisávamos ter cuidado com o que falávamos.

–Agora não quero mais jogar. – Eva me entregou o controle e levantou-se do meu lado. Luke olhou pra mim e deu de ombros dizendo enquanto ela saía para seu quarto:

–Ela vai me perdoar.

–Tomara mesmo, se acontecer alguma coisa na missão de amanhã ela vai te deixar pra morrer. – terminei o deboche com um riso.

–Que coisa horrível, Isaac. Você não acha que... – começou a sussurrar – Você não acha que ela faria isso né? Tipo, me deixar na mão numa situação séria. Eu sei que ela tá conhecendo o mundo agora, mas qual é, foi uma brincadeira.

–Tô te zoando. Mas acho que você devia pegar leve por enquanto. Ela pode não saber reagir bem a brincadeiras.

Neste momento, Jacob entrou na sala, vestido com sua usual roupa social amassada.

–Está na hora, pessoal. Vai ser um longo voo, mas devemos chegar na Nova Zelândia antes do entardecer de amanhã.

Luke dirigiu-se ao hangar com Jacob, enquanto eu fui chamar Eva. Encontrei-a em um dos quartos, olhando pela janela.

–Eva? Você tá legal?

–Estou bem. – ela disse após dar uma olhada de canto de olho, mas ainda observando a rua.

–Olha, não se preocupe com o Luke. Foi só uma brincadeira.

–Tudo bem. Mas ele é um grosso.

–Não vou discordar. Bom, Jacob nos chamou. Estamos indo agora. Vou te levar até o avião.

Eva me seguiu pelos corredores sem dizer uma palavra. Estava chateada, mas vai passar. Saímos no hangar, e embarcamos no avião. Jacob e Luke nos esperavam, e assim que nos sentamos levantamos voo.

...

No dia seguinte, desembarcávamos em um aeroporto na Nova Zelândia. Jacob nos guiou até o lugar onde eu fui atropelado. Pude perceber alguns comerciantes locais me reconhecendo conforme esticavam os pescoços para me ver.

–Os paramédicos disseram que foi aqui. Sente alguma coisa? – Jacob disse.

–Não – respondi, procurando por alguma coisa. – Tudo parece muito normal pra mim. – cheguei perto da rua enquanto o semáforo estava fechado. Nada parecia acontecer, até que o vento soprou num redemoinho ao meu redor, e logo formou-se o portal. Os motoristas paravam onde estavam. Os de trás buzinavam, mas os da frente tinham medo de avançar. Transeuntes saíam correndo pela rua, derrubando sacolas na pressa.

–É isso! – Luke comemorou. – Não é?

–Com certeza. – respondi. – Rápido, entrem antes que nossos rostos caiam na internet.

Luke entrou na frente, seguido de Eva e Jacob enquanto eu esperava. Aparentemente, a entrada permanecia aberta com a presença de um Ceifador. Eu entrei, e do outro lado estavam os três me aguardando, na sala de portais por onde eu havia fugido. Agora mais calmo, eu notei melhor a galeria. Era escura e estávamos próximos ao centro de uma grande plataforma redonda feita de tijolos vermelhos, cercados por um abismo interminável. Uma dúzia de pontes ligavam a plataforma até as paredes cavernosas do lugar, onde estavam cada um dos doze portais. Os portais tinham cerca de três metros de altura, e pareciam tornados coloridos que oscilavam entre todas as cores possíveis. Ao chegar perto de um deles, notei que era possível ver o que havia do outro lado. Saí procurando em cada um, ignorando os três que me acompanhavam, que não paravam de falar sobre o lugar. Reconheci a Taiga Negra em um dos portais, mas não era meu objetivo. Eu queria encontrar Mei nos Campos Perpétuos, pois ela certamente me ajudaria. Talvez Azalee também o faria.

–Encontrei! Vamos, por aqui! – chamei-os para o portal até os Campos.

Saímos na planície, e começamos a caminhada em direção ao sul onde ficava o castelo de Thanatos. Os Campos Perpétuos eram uma planície de tamanho continental, com pequenas elevações e depressões no terreno cobertas de gramado rasteiro negro, com algumas plantas cinzentas mais altas, porém muito raras. O céu era de um branco pálido, e não existiam nuvens.

Jacob eventualmente colhia alguma coisa do chão e guardava nos bolsos para suas pesquisas. Luke tentava puxar assunto, mas era quase sempre ignorado, pois Jacob estava fazendo sua jardinagem e Eva ainda estava brava com ele. Caminhávamos por duas horas, quando Luke me envolveu em seu monólogo:

–Isaac, me ajuda cara! Diz pra ela que foi só uma brincadeira! Ei, porque você também não fala comigo? O som não se propaga no Limbo?

–Estou procurando uma pessoa, Luke. Pode me dizer se vir alguém?

–Claro. Mas como pode ter alguém aqui?

–É uma Ceifadora, assim como eu. Cada um de nós cobria uma região desse mundo, então nos levei pelo portal pra região dela. Ela pode nos ajudar se a encontrarmos.

–O que é “ceifadora”? – Eva perguntou.

–São pessoas que carregam as almas dos mortos – respondi. – Thanatos dizia que era pela paz dos mortos, mas ele as consumia para ficar mais forte.

–Isaac, aquilo lá na frente é um palácio ou coisa assim? – Luke interrompeu.

Olhei pra onde Luke apontava, e lá estava o castelo, no meio de um fosso tão grande que era mais perceptível que o próprio castelo. Sua única entrada visível era o portão de ferro pregado em madeira negra, terminando o caminho de uma ponte de pedregulhos.

–É o castelo, Thanatos deve estar lá.

–Certo, mas qual o plano?

–Primeiro temos que arranjar um jeito de entrar lá.

Estávamos perto o bastante do castelo para notar que havia alguém saindo pela ponte. A pessoa nos viu, e veio em nossa direção.

–Parados aí! – a voz era feminina. – Quem são vocês?

–Eu sou o Ceifador da Taiga Negra! – “Taiga?” perguntou Luke, sussurrando. “O que é taiga?” continuou Eva. Fiz um sinal para ficarem quietos.

–Isaac? Filho de Harry?

–Vocês se conhecem? – perguntou Jacob.

–Não estou reconhecendo a voz, mas ela deve saber quem eu sou. Talvez saiba que eu fugi.

–Sim, eu sei que você fugiu! – ela se aproximava cada vez mais, e revelava-se uma moça jovem, magra com quadris largos e de cabelos ruivos caídos sobre os ombros. Ela carregava um arco tão negro quanto minha foice, e apontava-o para nós. – Thanatos me contou. Mas fique sabendo que ele não se importou muito. Você é só mais uma vítima pra ele. Agora, quem são seus amigos? Sei que não são outros Ceifadores.

–Somos as primeiras pessoas do mundo que vão pegar um deus na porrada! – Luke gritou.

–E porque acham que podem? Estou pensando em deixá-los tentar, só pra ver vocês falharem.

–Por que nós temos isto! – Luke partiu pra cima da mulher, e soltou um jato de fogo de ambos os punhos. Ela rolou para o lado e quase não conseguiu escapar. Levantou-se nos joelhos e atirou uma flecha negra em Luke, mas ele desviou com facilidade.

–Quem é você? – ela perguntou. – Qual seu nome?

–Meu nome é Luke. Lembre-se do meu nome quando a luz deixar seus olhos!

–Não pode ser! Você cresceu em um orfanato em Dallas?

–Sim... Como sabe disso?

–Porque fui eu quem te deixou no orfanato... Luke, eu sou sua irmã.

Notas finais
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