After the pain

23 Tinhas que te armar em heroína!


Notas iniciais
capítulo não revisado. desculpem se houverem muitos erros

Mais um dia, mais uma luta. Sim porque desde que cheguei todos os dias tem sido uma autêntica batalha.

– Bom dia! — cumprimento eu dando um beijo nas mulheres da minha vida que estavam como sempre ao redor das panelas. Sentei-me. A minha mãe vinha com um prato de torradas quando o deixa cair. E fica com uma cara de susto e põe a mão no coração.

– Ai! — repreende-se ela.

– O que aconteceu mãe? Estás bem?

– Sim, foi só um aperto no coração. Tenho um mau pressentimento. — disse olhando para mim.

– Calma mãe! Não vai acontecer nada de mal, vais ver. — tento encorajá-la.

Quando sai de casa a minha mãe ainda não parecia descansada. Cheguei a escola e como sempre encontrei a Lyla à minha espera.

– Então que cara é essa? Morreu-te o gato? — digo eu num tom brincalhão.

– Não, não fales mal do meu Mr Bunny. É só que tive um pesadelo. E estou com um mau pressentimento.

– O quê? Também tu?! A minha mãe disse o mesmo.

– Acho que já chega de azar e merecemos paz.

A manhã correu bem apesar de Lyla parecer que estava sempre à espera que algo de mal acontecesse.

De tarde fomos ver a peça de teatro da pequenada. Contava a história de amor de um surdo e de uma menina cega. Assim que vi o Ben no palco fiquei feliz. Do outro lado da sala vi a Jenny a ralhar a uma criança que a pisou a tentar chegar ao palco.

– Sai diabrete! Pede já desculpa... — A menina recusou com a cabeça — vou fechar-te num quarto escuro e vou deixar que os monstros te comam!

Eu e a Lyla ficamos perplexas. Credo era só uma criança. Como e que ela podia ser tão má com alguém tão inocente. Então a menina deitou a língua de fora e chamou-lhe bruxa, eu e a Lyla rimo-nos e demos-lhe o nosso apoio mentalmente.

A peça era sem dúvida bonita até fiquei comovida e orgulhosa com o Ben.

Quando acabou e a Lyla saímos uma vez que já era hora de sair, mas antes fui ter com Ben aos bastidores onde fui bem recebida por uma multidão de crianças a correr na minha direção abraçando-me. O primeiro na fila foi Ben que se atirou para o meu colo e por sorte consegui segurá-lo e ele espetou-me um beijo na minha bochecha!

– Riley espera aqui que eu vou ver se a Sarah quer vir comigo. — diz Lyla após termos saído.

– OK.

Estava a espera da Lyla quando vejo os meninos todos de mão dada a sair da escola para uma carrinha que se encontrava do outro lado da estrada. Estava a apreciar aquele momento bonito e extremamente fofo quando reparo que um menino fica para trás para apanhar qualquer coisa que lhe tinha caído e que a educadora não se apercebeu do seu repentino afastamento. Apercebo-me de um carro que vinha lançado e que apita.

Ben. Não! Ele é surdo e só tenho tempo de correr e de o empurrar para fora do caminho do carro.

E depois vem a dor e a escuridão.

Pov Andrew

A peça até foi gira, para crianças do infantário não foi nada mal.

– Não achei piada nenhuma. — disse jenny pela milésima vez. Claro a Miss Gelo nunca acha piada a nada.

– Foi uma parolice. Assim as crianças crescem a pensar que o mundo é cor de rosa.- falou o Valentine. Juro aquele gajo não existe e tive que conter a minha raiva. Mas que anormal! Mundo cor de rosa?! Por amor de Deus o menino era surdo e a menina cega! Em que mundo cor de rosa, duas crianças inocentes e puras mereciam que a vida fosse tão dura com eles?!

– Amor, eu vou com as meninas às compras. Tudo bem para ti? — pergunta ela sem mesmo esperar uma resposta.

– Claro. Eu e o Josh vamos para minha casa. Xau! — tento parecer o mais carinhoso possível com a despedida mas verdade seja dita, cada vez menos me sinto atraído pela Jenny, se alguma vez cheguei a sentir essa atração. Despedimo-nos e ela foi embora bem como o Valentine.

– Então que se passa? — pergunta Josh enquanto caminhamos.

– Nada, é só aquele Valentine que quando abre a boca só sai porcaria.

– É só isso?

– Que mais haveria de ser.

–Uhm... não sei diz me tu. — O que é que Josh queria dizer com isso?! Fiquei calado. Não havia necessidade de dizer que me doía o peito de uma maneira estranha.

Íamos a sair da escola quando congelo ao ver um menino parado na passadeira, abaixado a tentar apanhar alguma coisa, um carro a buzinar freneticamente e a Riley a correr para a frente do carro. E um enorme estrondo. Naaaaaooooo.

Não! Não podia ser! Isto não estava a acontecer! Fui a correr e ajoelhei-me ao lado dela. A sua cabeça estava virada para o lado. O cabelo a tapar-lhe a cara e os seus olhos castanhos fechados. Fechados de uma maneira fria que me fez arrepiar. Aliviei-lhe o rosto para ver a sua expresso. O sangue escorria-lhe pela cara pálida e delicada. Saia-lhe do topo da cabeça e dos lábios. Num ato de desespero, encostei a minha cabeça ao seu peito e tentei escutar-lhe os batimentos cardíacos para salvar aquela menina dos olhos castanhos. Não, não isto não podia estar a acontecer.

– Chamem uma ambulância! — berro atraindo atenção de várias pessoas na rua.

– Calma Andrew! Ela vai ficar bem. — diz Josh percebendo que eu já me encontrava a chorar. Nisto chega a Lyla que se ajoelha muito preocupada e desesperada com lágrimas a correr-lhe pelo rosto.

– Riley! Oh meu Deus! Riley! — Disse pegando na sua cabeça e apoiando-a nos seus joelhos passando a mão pelos seus cabelos como se a fosse trazer de volta mas ficando com as mãos sujas com o seu sangue. Olho para as minhas mãos e reparo que também tenho algum do seu sangue.

Toda a gente estava a nossa volta. As crianças continuavam lá e Ben veio ter comigo aflito. Tinha só um arranhão na testa pois caiu quando a Riley o empurrou. Ele chorava agarrado à educadora e olhou para mim como que a perguntar se ela estava bem e eu sorri-lhe mas a verdade era que eu não sabia se ela ia ficar bem.

Se não fosse ela era ele que estaria ali parado frio no meio da estrada. Mas ela escolheu sofrer a dor dele. Porque é que ela é assim e não pensa nas consequências. Preferia morrer a deixar uma criança ser magoada. Preferia sofrer por um pé torcido a deixar uma criança derramar mais uma lágrima por uma ferida na perna. Ela era assim justa, teimosa e egoísta para consigo própria. Senti-me culpado por lhe ter dito aquilo que disse no outro dia. Riley não era feia, nem queria brincar com os sentimentos de ninguém. Ela era quente e sobretudo linda. Então percebi que a lyla começou a cair.

– Josh! A Lyla. — disse eu avisando-o. Josh correu para trás da Lyla e segurou-a antes que ela caísse. Tirei-lhe a cabeça da Riley das suas pernas e apoiei-a nas minhas, sem a mexer muito pois podia ser perigoso. Josh estava com a Lyla no colo.

A ambulância chegou. Meteram-na na maca e eu fui com eles. Mandaram vir outra por causa da Lyla que não acordava. Custou-me tanto vê-la assim com aquelas máscaras e os paramédicos trataram de começar a limpar as feridas da cara.

– Ela vai ficar bem? — pergunto eu a um paramédico que se encontrava a limpar a ferida da testa dela.

– É cedo para dizer algo, mas a situação não é a melhor.

– Agradeço a sua sinceridade. — sem querer uma lágrima correu me pelo rosto. Tinha de ligar a família dela. A tremer, lá liguei para a senhora Collins.

– Estou. — atende a mãe dela.

– Senhora Mary... a Riley... — hesitei.

– Andrew o que aconteceu?- pela sua voz notei que já se encontrava a chorar.

– Ela... ela... Sofreu um acidente.- tento evitar que um soluço me fugisse entre os lábios.

– Não...a minha menina não. Como é que ela está?

– Não sei... o paramédico disse que ela ia ficar bem. — eu não podia dizer o que ele me disse ou então haveria outra entrada nas urgências do hospital. — Estamos a ir para o hospital.

– OK eu vou já para ai. — e desliga.

Riley continuava com os seus olhos fechados. Nunca desejei tanto que ela os abrisse só para eu ver aquele brilho nem que fosse para berrar comigo, dar-me um sermão qualquer sobre ética e moral. Nunca desejei tanto que uma rapariga me chamasse convencido e parvo e idiota e outras coisas. Preferia mil vezes tê-la a ralhar comigo a estar assim numa maca quieta e fria.

Chegamos ao hospital rapidamente e os médicos que estavam à espera à entrada do hospital levaram-na logo.

Josh chegou logo depois. Vinha com uma cara triste.

– Então novidades? — pergunta ele abatido.

– Levaram-na agora para cirurgia. E a Lyla?

– Também a levaram. — Suspirou e sentou-se. Fiz o mesmo. Ficamos assim um pouco até que Josh quebra o silencio:

– Elas vão ficar bem — disse Josh na esperança de me animar.

– Eu não sei Josh. O paramédico disse que o caso da Riley era grave. — Entrou a mãe da Riley a chorar. parecia que tinha envelhecido 10 anos.

– Andrew... onde está a Riley... — abraçou-me. — por favor o que é que se passa?!

– Acho que Riley perdeu muito sangue e ainda não sei muito mais. Os médicos levaram-na para cirurgia — a mãe dela ao ouvir-me dizer isto caiu aos prantos pela sua filha e apertou-me ainda mais no seu abraço. Eu não me contive e algumas lágrimas começaram também a cair. Esperamos horas que pareceram uma eternidade. Avistei Logan, mas mais ninguém o viu.

– Logan, o que se passa? — pergunto-lhe tentando me manter longe do alcance de visão dos outros. Logan não parecia animado.

– Tens que ser forte- disse pondo a mão no meu ombro.- eu não te vou mentir. O estado da Riley é complicado e delicado. Ela vai ter de ser submetida a uma transfusão de sangue e cirurgia. Apresenta uma hemorragia interna, alguns arranhões, sofreu uma contusão na cabeca e tem duas costelas partidas. Vamos agora examina-la para ter a certeza que se algum fragmento não perfurou algum órgão.

– Logan...

– Eu sei Andrew... nós vamos fazer de tudo para a salvar.

Voltei para junto deles.

– Há novidades? — pergunta a Sra Collins.

– Eles ainda vão ter de fazer exames. Mas tudo aponta que a Riley vai precisar de uma transfusão sanguínea.

Chegou a família de Lyla. O caso dela não era tão preocupante, mas mesmo assim. Chegou também a mãe de Ben juntamente com ele. Ben vinha a chorar.

– Andrew, a Riley está bem? Eu soube o que aconteceu. O Ben contou-me. Oh meu Deus! Aquela menina salvou o meu filho. — falava a mãe de Ben sem parar. Ben abraçou-se a mim. E a sua mãe foi ter com a Sra Collins e agarrou-se a mãe da Riley. — A sua filha é um anjo.

Sentamo-nos todos a espera de notícias. Ben adormecera no meu colo. Tê-lo junto de mim era reconfortante. Era como se estivesse mais perto da Riley devido ao carinho que ela nutria por este rapaz. Eu sei que apesar de não se conhecerem à muito tempo grande parte do seu coração era preenchido pela Riley e vice versa. Tinham o mesmo brilho nos olhos castanhos. Um brilho travesso apesar de o da Riley ser mais apagado devido a todo o sofrimento. Tinham o mesmo sorriso puro e inocente.

A mãe da Riley começou a contar histórias que a orgulhavam como mãe.

– Quando ela era muito pequena tinha montes de brinquedos. Um dia eu encontrei-a a brincar com uma simples boneca de farrapos e perguntei-lhe pelas outras bonecas. Eu perguntei pela sua boneca favorita que tinha sido a tia que lha tinha dado. Ela nunca brincava com aquela e eu estranhei. E ela com um sorriso de orelha a orelha disse que a tinha dado a uma menina que não tinha nenhuma boneca quando estava a ir para a escola. Aquilo fez o meu coração aumentar e senti-me extremamente orgulha da minha filha. Provavelmente ela não se lembra, tinha apenas 5 anos. Ela deu a boneca preferida a uma menina pobre. E agora deu a vida pelo seu filho. — Olhei para Ben adormecido nos meus braços. Fazia-me tanto lembrar a Riley.

Nisto aparece Logan.