After the pain
33 Novos amigos
Notas iniciais
Riley POV
Lyla e eu ainda andávamos à procura da prenda perfeita para Sarah mas nada surgia. Queríamos dar-lhe algo que demonstrasse que éramos amigas dela e que ela podia sempre contar connosco. Andávamos de montra em montra enquanto conversávamos animadamente. Ainda tínhamos algum tempo livre antes de irmos trabalhar e iríamos aproveitar esse tempo devidamente.
– Tanta loja e nada de jeito para dar à Sarah! — lamenta-se Lyla parando.
– Vais ver que vamos encontrar alguma coisa! — tento animá-la passando a minha mão carinhosamente pelo seu braço — Olha porque é que não vamos à ourivesaria ali à frente? Ainda não fomos lá!
– Está bem... vamos lá! — começamos a andar em direção à loja e quando lá chegamos entramos e começamos a observar o seu interior. Era uma loja muito completa e tinha uma enorme variedade de jóias. De repente Lyla fica estática e diz — Riley, olha só o que eu encontrei!
– Meus Deus Lyla! É perfeito!- disse surpreendida com a simplicidade daquela bela jóia que transmitia o carinho que nutríamos por ela apesar de ela não acreditar . Era um colar com um coração mas era sem dúvida uma jóia muito bonita. Sem dúvida era perfeita para Sarah. A senhora da loja fez um embrulho todo jeitoso. Já tínhamos a prenda comprada e já estava quase na hora do trabalho.
Acompanhei Lyla até ao café e aproveitei para comer alguma coisas.
– Olá! — saudou Michael.
– Olá! — dissemos as duas.
– Então foram passear as meninas? — pergunta ele sorrindo.
– Digamos que fomos comprar um presente para uma pessoa que pensa que não sabemos que faz anos! — diz Lyla orgulhosa.
–Deve ser uma pessoa especial.
– Sim é! — continua Lyla e olha para mim e trocamos um olhar cumplice.
– E qual seria o nome dessa pessoa? — Michael está muito curioso hoje. Será que terá ciúmes da
Sarah por pensar que é um rapaz... Lyla não sabe mas tem-nos a todos a seus pés!
Dirigi-me para o meu paraíso da leitura e Lyla permaneceu no café. O trabalho foi calmo tive mais uma vez que arrumar alguns livros que as pessoas deixam espalhados no sítio errado e mais tarde fechei a livraria porque o senhor O'Donnell teve assuntos a tratar.
Chegou o tão aguardado sábado e tínhamos combinado passar o dia todo juntas. De manhã íamos dar um passeio pela cidade, passar pelo shopping e depois íamos passar a tarde toda em casa da Sarah.
Eu imaginei que ela não convidasse muitos amigos por isso íamos ter um dia simples o que não quer dizer desprovido de diversão. Lyla e eu fomos juntas e a minha tia levou-nos a casa da Sarah. Como não sabíamos onde era andamos meias perdidas. E ver Gloria Davis perdida era cena digna de ver: ela andava de lado para lado desorientada e a olhar para o ar à procura de algum tipo de orientação. Finalmente encontrarmos a casa e era enorme, branca com um grande terreno. Sarah deveria pertencer uma família rica. Ela veio atender-nos à porta.
– Olá! — cumprimentou-nos sorridente.
– Olá Sarah! — respondo.
– Já estás pronta?- perguntou Lyla.
– Sim, vou só buscar a mala. Fiquem à vontade! — disse deixando-nos na sala que era mais um salão ricamente decorada. Quando ela voltou fomos as 3 de comboio até ao centro da cidade.
Foi uma risada quando um menino de 5 anos parou em frente à Lyla e disse: "-Mama, já encontrei a minha noiva!" Lyla corou e ficou mais vermelha que um tomate. Teve de dar um beijo ao menino e explicar-lhe que era demasiado velha para ele. Ele a principio ficou embufado mas acabou por aceitar. Eu e a Sarah quase que desmaiávamos a rir.
Chegamos ao café.
–Bom dia alegrias! Vejo que estão muito bem dispostas! — diz Michael quando nos vê a entrar.
– Sarah, Riley não se atrevam... Ninguém precisa de saber o que se passou! — Lyla avisa-nos com tom ameaçador. Sarah levantou a cabeça e encarou Michael. E ele, estranhamente, encarou Sarah. Ela então baixa o olhar e cora.
– Ah! — exclamo um pouco mais alto do que pretendia. Aqueles dois acabaram de ter um momento!
– "Ah" o quê? — pergunta Lyla.
– Nada... apenas me lembrei de uma coisa que tenho que fazer! — minto. Já sei que mais tarde ela irá perguntar-me o que passou porque Lyla parecia ter um radar para apanhar mentiras. Nunca lhe escapava uma!
– Então meninas, que vai ser? — pergunta Michael educadamente.
– Então meninas que vamos comer? — Lyla passou para o outro lado do balcão.
– Lyla sai daí! Hoje estás de folga! — ordena Michael.
– Mas... mas...
– Nem mas nem meio mas! — Michael responde.
– Está bem! — Lyla levanta os braços em sinal de rendição — Quando me ofereço para trabalhar não aceitam mas quando eu não quero bem que me obrigam! — diz ela deitando a língua de fora para Michael que apenas se ri enquanto olhava para Sarah.
Fizemos os nossos pedidos e sentamo-nos.
Michael trouxe os nossos pedidos e quando serviu Sarah, entregou também um queque com uma velinha.
E sussurrou-lhe um feliz aniversário quase no ouvido.
Eu e Lyla soltamos um riso cúmplice. Sarah quase que morria de vergonha.
– Sua tonta! Pensas-te que não sabíamos que fazias anos? — pergunto eu.
– Eu... eu... — ela nem sabia o que dizer.
Lyla tirou o presente e entregou-lho. Sarah envergonhada abriu o presente. Fiquei feliz quando vi um sorriso alegre surgir nos seus lábios enquanto o abria.
– Obrigada! Adorei! — diz ela.
De seguida após acabarmos o lanche mando uma mensagem a Lyla:
R: "Que tal darmos um pouco de espaço aos novos pombinhos??"
L: "Que pombos?? Não vejo nada a voar! :P"
R: "Sua tonta! Estou a falar da Sarah e do Michael! Não me vais dizer que quando entramos aqui não reparaste no momento deles??!!"
L: "Ahahah! Afinal não foi produto da minha imaginação fértil! Aconteceu mesmo! E tu que dizes que eu tenho uma pancada para estas coisas!"
R: "Se fosse só para este tipo de coisas :P!"
L: "Hey! Mas tens razão... vamos dar-lhes algum espaço! Conta como segunda prenda de aniversário: um possível namorado! Só para avisar que já faltou mais para o meu aniversário e tens que te esmerar :P!"
R: "Vá lá! Chega de conversa e mais ação! Mexe-te!"
– Tenho que ir à casa de banho... retocar a maquilhagem! — diz Lyla levantando-se da sua cadeira.
– Mas tu nem usas! — replica Sarah.
– Sabes... hoje como é um dia especial decidi colocar uma camada leve. Riley, por favor vem comigo ou eu ainda espeto alguma coisa no olho. — diz ela e eu tive que me conter para não rir.
– Ok . Vamos lá! Já voltamos! — e assim partimos pela escadaria acima. Mas não íamos a casa de banho nenhuma... íamos arranjar algum sítio para observar o que se iria passar e sendo assim escondemo-nos mesmo no topo das escadas.
– O que é que as tuas amigas te deram? — pergunta Michael assustando Sarah.
– Um colar. É muito bonito e atencioso da parte delas. — responde timidamente. Lyla e eu estávamos a conter-nos para não soltar guinchos de alegria perante a interação deles.
– Não tens muitos amigos pois não? — questiona Michael mais uma vez mas agora saindo de trás do balcão e aproximando-se da mesa que Sarah ocupava.
– Consegues saber isso a partir de um colar?!
– Não é só o colar! O facto de não lhes teres dito que hoje fazias anos ajuda um pouco... — responde ele dando-lhe um lindo sorriso e ela reponde timidamente — Sabes... esse colar ficava muito melhor ao teu pescoço do que dentro dessa caixa. Levanta-te que eu ponho-te! — Sarah levanta-se e põe-se à frente dele reparando-se que ela era um pouco mais baixa. Por breves momentos eles ficam perdidos no olhar um do outro até que Sarah sorri levemente, vira-se de costas para ele e Michael tira os cabelos suspensos pelo rabo de cavalo de seu pescoço ajeitando-os para o lado. Sarah dá um leve suspiro e o nobre empregado pega na caixa e tira de lá o colar e com uma enorme delicadeza coloca-o ao peito dela. Depois ele inclina-se ligeiramente sobre ela ficando mais ou menos ao nível da orelha dela e diz — Já agora... eu sou o Michael! — ela vira-se e ficam novamente frente a frente.
– Sarah!
– Muito encantado! — diz Michael brincando com ela e faz uma pequena vénia juntamente com um sorriso divertido — E novamente, os meus parabéns! Hum... também já me podes considerar um amigo! — e dá um leve beijo na bochecha de Sarah que ficou estática no seu lugar. Eu e Lyla com aquele gesto quase que caíamos das escadas abaixo e assim destruíamos o nosso disfarce... se bem que ele já era fraco pois ninguém demorava tanto tempo a retocar maquilhagem.
– É melhor irmos para baixo! — sussurra Lyla — Acho que já fomos boazinhas o suficiente em dar-lhes este pequeno momento! — e pisca-me o olho.
– Tens razão! Vamos lá! — o barulho dos nossos sapatos a bater no soalho de madeira das escadas despertou Sarah do seu transe e ela voltou a sentar-se no seu lugar.
– Então... passou-se algo na nossa ausência? — pergunta Lyla tentando disfarçar.
– Não! Eu e a Sarah falamos só um pouco de como malucas as suas amigas são! — responde Michael deitando agora ele a língua a Lyla.
– Bem... então já que comemos podemos ir embora ou preferem ficar por aqui? — questiono eu.
– Hum... está um dia tão bom! Vamos dar uma volta! — esta resposta vinda de Sarah surpreendeu-me. Lyla e eu começamos a tirar as nossas carteiras só que Sarah interrompe-nos — Deixem que eu pago! — já íamos reclamar mas — Nem vale a pena insistirem! — e ela vai até ao balcão e paga. Após receber o talão, analisa-o — Michael, o queque que me deste não está aqui!
– Eu sei! Oferta da casa... por isso, podes considerá-lo um presente!
– Obrigada!
– Xau! Até te convidava para vires connosco... mas alguns de nós têm que trabalhar! — Lyla provoca e sai porta fora a correr e eu atrás porque Michael atirou-lhe com o pano do balcão.
– Isso... é assim que se trata a pessoa que está a cobrir os teus turnos!
Demos uma pequena volta pela cidade e falamos de temas desconexos sem nunca tocar em Michael. Ainda era muito recente e tínhamos que lhe dar algum tempo para assimilar o que se tinha passado.
Depois seguimos para casa da Sarah.
– Então o teu pai não está? — pergunto eu quando entramos em casa pois não havia nenhum carro estacionado cá fora ou não parecia haver qualquer tipo de movimento pela casa.
–Não ele costuma trabalhar até tarde.
– O Michael é bonito não é? — diz Lyla de supetão. Meu Deus... esta moça não tem um filtro. Diz as coisas logo diretamente, objetivamente e sem margem para dúvidas. Sarah fica corada mas responde:
–Hum...é!
O meu telemóvel vibra. Olho e tenho uma mensagem:
L: "Missão cumprida!"
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