After the pain

29 Malditos bandidos


"- Tu nem acreditas em quem acabou de sair daqui após comer uma tosta mista e beber um sumo! — diz Lyla assim que entro às pressas."

– E tu nem acreditas quem é o neto do Sr. O'Donnell e quem acabou de entrar na livraria! — respondo eu. Lyla e eu olhamos uma para a outra e em coro dizemos:

– Valentine!

– E o neto do meu patrão é o Caleb! — digo sentando-se num banco ao balcão e Lyla vai para o outro lado ficando de frente para mim.

– O que será que irá acontecer agora que eles descobriram que trabalhamos nesta zona? — pergunta Lyla e com isto ficamos num silêncio horripilante durante algum tempo. A nossa sorte era que Michael tivera que sair pouco antes de eu entrar e assim não teve que assistir a esta nossa conversa.

– Conta melhor a história do Valentine por favor — pedi eu.

– Então... deve ter sido há 20 minutos. Ele entrou aqui e sentou-se numa mesa. Como estava sentado de costas para o balcão não reparei que era ela e então fui normalmente atende-lo mas quando vejo que era ele quase que deixava cair a bandeja. Ele reconheceu-me mas o mais estranho é que não disse nada. Apenas fez o seu pedido e sorria para mim o que me deixou muito assustada. Eu servi-o profissionalmente e ele comeu em silêncio, pagou a conta e saiu desejando-nos um bom dia que me causou arrepios por toda a minha coluna. O Michael acho que não reparou em nada porque também não perguntou e eu acho que disfarcei bem. Agora o que me preocupa é o que ele vai fazer a seguir.

– Pois a mim também... — digo suspirando. Estava realmente preocupada com o que poderia acontecer. Dentro da livraria não me podiam fazer mal porque tinha sempre o meu chefe comigo e Caleb não iria fazer mal ao próprio avô...acho — Ainda te falta muito para terminares o serviço? — pergunto pois estava mortinha para sair desta rua antes que o Valentine e o capanga voltassem e nos cercassem num beco qualquer e... é melhor afastar este tipo de pensamentos da cabeça antes que me dê alguma coisinha ruim. Ainda havia alguma luz natural por isso se atacassem seriam burros pois haveria gente a ver, se bem que, no mundo em que vivemos não sei se haveria alguém que nos ajudasse.

– Não, é só mesmo avisar o meu patrão que já vou embora e preciso de fechar a máquina registadora e as portas e podemos ir embora. — e assim Lyla fez. Em 5 minutos já estávamos a ir para casa. Hoje cada uma foi até sua casa mas claro que fomos juntas até à paragem.

O resto da noite ocorreu normalmente e sem percalços apenas na minha mente algo me incomodava e dizia que algo de mal ia acontecer mas resolvi ignorar porque já era negativa o suficiente.

No dia seguinte, novamente escola. Estranhava não ver as peruas pelos corredores a desfilar as suas penas ou Andrew. Era estranho passar tanto tempo sem o ver principalmente porque ele não me costumava largar. Estava perto de mim sempre que podia e estranhamente essa companhia agora fazia-me falta. Saber que ele está ao meu lado é reconfortante, saber que posso contar com ele mesmo após uma discussão, saber que ele me defende sempre, que está lá sempre para me ajudar quer precise ou não. Tipo uma versão masculina da Lyla só que diferente num aspeto que não sei explicar. Ele era querido e irritante, amável e chato, cavalheiro e intrometido na minha vida, corajoso e agia antes de pensar tudo misturado no seu corpo e emoções que ele transmitia com aqueles olhos verdes hipnotizantes.

Estava eu e Lyla, como de costume, a almoçar numa mesa no jardim para aproveitar o bom tempo que se fazia hoje até que ouço uma voz familiar chamar:

– Riley! Finalmente que te encontrei... andei à tua procura por toda à parte! Por onde é que te meteste?

– Hum... talvez sentada ao pé de uma mesa para poder almoçar e visto que está bom tempo, talvez ao ar livre, não Andrew?!

– Pronto... não vi aqui para discutir. Só te venho fazer um pedido — ele olhava para mim de forma suplicante. Notava-se que ele estivera a correr pois viam-se algumas gotas de suor nos seus cabelos — tens que desistir do teu trabalho. Eu sei que é algo que queres mesmo mas eu posso ajudar-te a encontrar alguma coisa. Posso até falar com Logan a ver se te encontra algo lá no hospital ou até mesmo com os meus pais a ver se podes ir para a empresa, mas por favor, saí daquela livraria! — ele sentasse ao meu lado e agarra na minha mão. Enquanto isto, uma Lyla divertida observa esta interação sem se deslargar do seu sorriso de orelha a orelha. Nem quero saber o que vai na cabeça dela a este ponto.

– Então porquê? E como é que sabes que eu trabalho lá?

– Respondendo à tua segunda pergunta, ouvi o Valentine a comentar isso com o Caleb e o Bryan hoje de manhã quando cheguei e desde aí tenho andado praticamente à tua procura- dá-me um olhar repreendedor — e acho que isso já responde à primeira questão. Para não falar que o Caleb é neto do dono da livraria. Toda a gente sabe que aquela livraria é da família dele! — ele olha para mim e apercebe-se que eu sabia desse facto — Espera... tu sabias e mesmo assim continuas a trabalhar lá? — pergunta ele elevando o seu tom de voz.

– Em minha defesa, e não que tenhas alguma coisa a ver com isso... eu só descobri ontem no fim do trabalho!

– Não tenho nada a ver com isso?! — pergunta retoricamente — É claro que tenho tudo a ver com isso — recebe um olhar incrédulo meu. Esta deixou-me mesmo desprevenida- eu importo-me contigo mesmo que tu não acredites e estou a falar muito a sério quando digo que quero que tu te demitas!

– Andrew, da última vez que vi, ninguém manda em mim! Ainda sou dona do meu nariz! Eu vou continuar lá a trabalhar enquanto o Sr. O'Donnell precisar de mim com ou sem Caleb. Ele é um bom homem e uma excelente pessoa e não tem culpa do neto que tem! Lyla, perdi o apetite. Vou para a sala. Vemo-nos lá. — digo recolhendo as minhas coisas e saio disparada.

– Meu amigo... quando é que vais aprender que não podes falar com ela assim, como se mandasses nela. Sabes que ela tem um problema com homens que lhe dão ordens! — diz Lyla calma pegando também nas suas coisas — Boa sorte garanhão! Estou a torcer por vós! — diz ela pondo a mão no ombro de Andrew e dando duas palmadas amigáveis antes de ir atrás de mim.

Valentine P.O.V. — algumas horas atrás durante a madrugada

– Valentine, não vamos vandalizar a livraria do meu avô. Ele é apenas um velhote! Breve, nem à casa de banho consegue ir sozinho durante a noite. — diz Caleb. No fundo ele tinha razão. Aliás o velhote provavelmente chamaria Caleb para arrumar aquilo que ele tinha feito, mesmo sem ele saber.

– Pronto, pronto. O velhote está fora de alcance. Eu percebo — digo pondo a mão no ombro de Caleb que se sentava ao meu lado — Família é sagrada e está fora de limites. Eu posso ser mau, mas respeito a minha família! — tiro a mão do ombro dele e apoio-a no meu queixo pensando — Então o que iremos fazer para fazer aquelas intrometidas pagarem pelo nosso último encontro?! — desde a última vez que nos encontramos que tenho estado a pensar numa maneira de as parar de vez. Ninguém se mete com o Valentine e sai impune! — Já sei! — digo — Caleb, Bryan cheguem-se aqui. Ninguém pode ouvir. Então é isto que vamos fazer... — este plano não tinha razões para falhar. Primeiro ia mandar-lhes um pequeno aviso, se elas não compreendessem a mensagem teria de ir mais longe.

Riley POV

– Sabes que ele tem razão, não sabes? — pergunta Lyla quando me alcança.

– Sim, eu sei. Mas não queria admiti-lo à frente dele. E aquilo que eu disse é a sério, eu vou continuar a ajudar o Charles. O pobre homem precisa de mim e eu vou lá estar. — Lyla ia falar mas eu interrompo-a — Vamos encerrar este assunto que não vale a pena insistir. Já decidi e sabes que não vou mudar de ideias.

Não voltei a ver o Andrew ou qualquer outro durante o resto do dia. No fim das aulas Lyla e eu voltamos para o café. Primeiro lanchávamos qualquer coisa, depois partíamos ao trabalho.

Ao chegar lá deparo-me com duas coisas que me deixaram boquiaberta: o café estava todo em pantanas com Michael a arrumar e Andrew comia calmamente o seu lanche.

– Que se passou? — pergunta Lyla começando a ajudar a arrumar e eu imito-a.

– Alguém vandalizou o café durante a noite e hoje de manhã estivemos fechados porque eu não pude vir trabalhar e só cheguei à pouco por isso não tive muito tempo para arrumar pois ainda estive a falar com o chefe. — responde Michael pegando no que antigamente devia ser um banco mas como estava todo estragado era difícil saber.

– Quem é que terá feito isto? — pergunta Lyla.

–Não sei... mas quem quer que fosse não o fez pelo dinheiro pois não roubou. Foi apenas pelo prazer de estragar. Que tivessem levado o dinheiro e não estragassem nada, assim o prejuízo seria menor! — diz Michael. Andrew levanta-se calmamente e dirige-se para a entrada.

– Obrigada pelo lanche Michael. Se precisares de ajuda eu ando por estes lados — diz antes de sair.

– Precisam da minha ajuda aqui? — pergunto-lhes enquanto andava até à porta.

– Não, vai trabalhar. Não te vais livrar do teu serviço só por causa disso — responde Lyla e eu sorrio para ela antes de sair. Quando saio Andrew estava cá fora encostado à parede como se estivesse à minha espera.

– Que estás aqui a fazer? — pergunto bruscamente.

– Boa tarde! Acho que ambos sabemos quem causou aquele estrago lá dentro e como previa tal acontecimento resolvi acompanhar-te até ao teu novo posto de trabalho. Assim enquanto te protejo, posso passar algum tempo contigo. Recuperar as horas que estivemos separados. — diz dando-me um sorriso de cortar a respiração.

– Nem pensar! — digo exaltada — Vai para casa que eu não preciso de guarda-costas!

– Não minha cara Riley. Tal como eu não mando em ti, tu também não tens autoridade sobre mim! Tu fizeste a tua escolha ao continuares a trabalhar aqui, agora é a minha vez de fazer uma!