After the pain

21 Gotas traumáticas da minha memória


O fim de semana passou a correr. Já era segunda e eu estava nervosa pela parte da piscina. Preferia que fosse outra actividade qualquer. Fiz o saco apesar de não ter intenção de me molhar.

Não contei a Lyla que não fazia conta de por os pés na piscina para não a deixar desiludida antecipadamente. Depois pensaria numa desculpa plausível. Não prestei atenção às aulas por causa da piscina pois não parava de pensar e se alguma coisa corre mal!?

Fomos de autocarro mas a viagem foi muito rápida durou apenas 10 minutos. Lyla apercebeu se que se passava algo mas eu neguei. Estava em pânico só me apetecia fugir.

O pânico aumentou assim que chegamos aos balneário e tive de vestir o fato de banho enquanto todas as outras soltavam gritinhos de felicidade e Lyla cantarolava de alegria. A mim só me apetecia chorar.

As Barbies estavam todas contentes com os seus biquínis a mostrarem os seus corpos e gozaram assim que perceberam que eu estava de fato de banho mas quero lá saber, assim sentia-me mais confortável e não iria usar um biquíni com a intenção de apenas exibir o meu corpo como elas. Os biquínis que elas usavam eram minúsculos. Elas podiam usar uns mais tapados e que até se compreende aquelas pessoas que usam na praia no verão uns mais pequenos que é para não ficarem com a marca do bronzeado mas caramba ali não havia sol, a piscina estava coberta!

Fomos saindo e apetecia-me trancar-me na casa de banho e rezar para que ninguém desse pela minha falta. Sai e abracei-me numa tentativa de me acalmar. Era das últimas. Assim que chegamos o professor e outro homem que se encontrava ao seu lado talvez um monitor já estavam circulados por toda a gente. Avistei Andrew que estava com uns calções pelo joelho com uns desenhos brancos numa perna e de tronco nu mostrando assim os seus músculos abdominais definidos. A Jennifer parecia estar a fazer de tudo para que ele reparasse no seu corpo como metade dos outros rapazes o estavam a fazer mas Andrew parecia distraído e nem reparava.

O professor começou a fazer a chamada... afinal o meu plano de ninguém dar pela minha falta não ia dar certo. Assim que o professor disse o meu nome todos me encaram eu senti-me mal por ter todos os olhos postos em mim mas não me importei quero lá saber. O professor deu autorização e todos se atiram a agua e eu fiquei quietinha e sequinha cá fora.

O que e que eu faço? Toda a gente vai notar. Calma... eles tão tão entretidos que sento-me ali e ninguém da pela minha falta.

– Riley! — era o professor. Aí sorte dum pobre!! Estou tramada.

– Sim professor? — pergunto tentado fingir que não percebi o motivo de ele me estar a chamar.

– Porque não vais para a água ter com os outros?

– É só que não me apetece lá muito prefiro... ficar só a ver.

– Vai, vai lá — disse o professor empurrando-me até a beira da piscina. A minha respiração começou a ficar alterada. Sentia o meu peito a subir e a descer com demasiada violência e então decidi sentar me na beira da piscina ficando com os pés e parte da perna submersos só para fazer a vontade ao professor mas assim que vi as minhas pernas dentro de água pensei que me ia dar alguma coisa.

Flashback on

– Deixa a Riley ir aquela festa de aniversário. — insiste a minha mãe.

– Não quero a nossa filha perto dessas crianças riquinhas e mimadas. — protesta o meu pai.

– É só uma festa Albert e são apenas crianças...

– Não e não — disse batendo com o punho na mesa assustando-me a mim e à minha mãe.

– Calma... olha a pequena. — Então o meu pai levanta a mão e eu grito.

– Pára pai! Eu já não quero ir — era mentira, eu queria muito ir principalmente porque nunca tinha ido a uma festa de aniversário.

– Queres sim filha! Ainda hoje me pedis-te muito e o teu pai tem de se convencer que é só uma festa. — Então o meu pai dá um grande estalo à minha mãe sem que ninguém contasse e tudo começa outra vez: a minha mãe grita para eu sair dali e saio indo em direção ao jardim só que tropeço e caio dentro da piscina e como não sabia nadar quase que me ia afogando se não fosse a minha mãe ter me ido buscar a tempo. Quando me levantou da água gelada da piscina, a minha visão podia estar turva mas consegui distinguir as marcas vermelhas presentes no rosto da minha mãe. Foi uma das primeiras vezes de muitas mais em que vi a minha mãe naquele estado

Flashback Off

Sacudi a cabeça com aquela lembrança e senti as lágrimas a inundarem me os olhos. Lyla nadou até mim.

– Entra! A água está otima.

– Eu sei... mas não me apetece. — digo chapinhando a água com os pés e tento dar um sorriso encorajador para Lyla. Andrew estava perto e olhou para mim e parecia preocupado. Mas a perua logo se aproximou dele e beijou-o mesmo estando sobre supervisão dos professores. Lyla pareceu desistir e mergulhou. Depois alguém saltou perto de mim e muita água acertou me assustei-me e levantando-me num salto. Mas assim que me ia virar para me afastar sinto um empurrão e caio de chapa na agua. Não sabia nadar e comecei a entrar em pânico ainda por cima não tinha pé. Comecei a batalhar mas era em vão estava a afogar-me e ninguém parecia se estar a aperceber. Deviam pensar que era algum tipo de brincadeira. Não outra vez não!!! Até que sinto-me ser agarrada e arrastada para fora da água. Começo a tossir compulsivamente e sinto o meu peito a arder devido a quantidade de água que tinha bebido e que ido parar aos meus pulmões.

Senti uma mão forte e enrugada a massajar as minhas costas. Era Andrew será que foi ele que me tinha tirado da água?? Toda a gente se estava rir. Não aguentei. Levantei-me a correr e sai dali com as lágrimas nos olhos. Não podia ter corrido pior. Chamaram-me mas eu não me virei apesar de reconhecer a voz do Andrew, da Lyla e o professor também.

Fechei-me na casa de banho. E chorei com dificuldade pois ainda me doíam os pulmões. Sinto alguém bater na porta da casa de banho. Pensei que fosse Lyla e pensei em abri-la mas era uma voz masculina. Andrew??

– Por favor Riley, abre a porta!

– Não... vai-te embora. — disse tentando conter um soluço.

– Não enquanto não abrires a porta.

– Sai Andrew! Eu estou bem, sai.

– Vais abrir ou queres que arrombe!? Ambos sabemos que eu sou capaz disso!

– Por favor Andrew vai embora.

– 1 ...- será que ele é mesmo capaz de cumprir a ameaça??

– 2... — Num gesto impulsivo abri a porta e sai com a cabeça baixa evitando Andrew. Sai de perto dele. —
OK já sai e agora podes voltar à tua namorada que não deve ter achado piada. — Disse eu baixando a minha cabeça ainda mais para que ele não perceber que estou a chorar. Então ele foi se aproximando e senti um choque eléctrico percorrer o meu corpo inteiro quando ele me tocou no queixo levantando-o fazendo encara-lo e forçosamente olhei para ele. Ele estava molhado, o cabelo gotejava e sua pele morena brilhava devido as gotas de água. Fiquei envergonhada. Baixei o rosto novamente na tentativa dele desistir de me fazer encara-lo.

– Olha para mim por favor. — pede ele com uma voz suave quase em tom de suplica.

– Não quero — tento desenvencilhar-me da sua mão — agora por favor vai embora — disse eu saído de perto dele.

– Eu quero ajudar-te mas tu tens de me contar, por favor Riley deixa-me ajudar-te.

– Eu não quero a tua ajuda. Só preciso de estar sozinha. Sai. — Andrew deixou cair os braços em sinal de desistência e sai com uma cara de desiludido. Lyla veio logo a correr.

– Ah não agora vais falar comigo — disse ela agarrando-me evitando que eu me fechasse na casa de banho outra vez.

– Eu não quero. Volta estas a perder a diversão.

– Eu queria ter vindo em primeiro lugar mas o Andrew pediu para ser ele a vir. Devias ter visto a cara da Jennifer. Quase que lhe dava um ataque quando viu o Andrew a correr atrás de ti... o professor é que a impediu. Disse-lhe que talvez Andrew te ajudasse. Parecia uma criança. Sabes que foi ele quem te tirou da água.

– Foi? — nem sei porque fiquei surpreendida pois já suspeitava que tinha sido ele.

– Yap. Mas agora o que se passou? Eu depois conto-te quando me contares a tua. -Lyla pareceu ficar triste.

– Desculpa, mas eu não me quero lembra disso. Agora volta para a água... eu sei que tu adoras.

– Não, fico contigo!

– Não, vai lá... eu vou ficar pior se ficares. Vou sentir-me mal por perderes a diversão por causa de mim. Além disso quero ficar sozinha e evitar o contacto com os outras.

– OK... — disse e saiu.

Decidi preparar-me antes que elas voltassem.
Assim que entraram eu sai. Mas a Jennifer agarrou-me o braço com alguma violência.

– Sua sonsa, vê se ficas longe do meu namorado.

– Não te preocupes, eu não quero nada com o teu namorado. — falei olhando a nos olhos.
E sai.

Perguntei ao professor se podia ir andando e disse que a minha casa era perto. Menti claro. Não era nada aperto aliás era a dezenas de kilometros.

Deixei uma mensagem a Lyla a avisar para ela não entrar em pânico. Comecei a caminhar e depois decidi ligar ao senhor August mas este disse que estava na outra parte da cidade. Ainda perguntou se eu queria que ele ligasse a outro taxista ou assim. Mas eu disse que não era preciso e se fosse apanharia um.

O meu telemóvel toca.
Lyla, não me apetecia atender. Mas ela insistiu e eu acabei por atender.

Ligação on

– Riley, eu vou te matar! A tua casa é a kilometros! O que é que te passou pela cabeça para dizeres ao professor que moravas perto. Estive a um passo de dizer que mentiste só que tive medo que ele te castigasse ou assim. Até o Andrew se passou. Eu vou te matar moça e já tenho um cúmplice para me ajudar.

– Não se preocupem, eu estou bem. Olha tenho de correr se quero apanhar aquele táxi.

Desliguei e mais uma vez menti. Não havia táxi nenhum num raio de kilometros. Bonito Riley! Fiquei a pensar em como ultimamente mentia tanto principalmente às pessoas que se preocupavam comigo. Estava exausta. Devia estava a caminhar à mais de uma hora até que que avisto um táxi. Milagre. Corro e apanho-o.

Cheguei a casa. A minha mãe ainda não tinha chegado UFA.

Corri para o meu quarto e finalmente tinha sossego.

Deitei-me e assim que a minha mãe abre a porta finjo que estou a dormir e ela foi se embora. Depois ouço a campainha o que foi estranho pois não estava à espera de visitas. Ouço a minha mãe a conversar com uma pessoa e vou até a minha porta abrindo-a na tentativa de ouvir a conversa e ver quem era. O meu corpo retrai-se assim que vejo parte do rosto de Andrew. O que e que ele quer?? Será que ele não me pode deixar em paz??

– Olá Andrew! Como estás querido?? — pergunta a minha mãe que estava encantada com ele.

– Bem obrigado senhora Collins. Eu queria falar com a Riley.

– Oh, eu fui vê-la mas ela estava a dormir. Mas sobe pode ser que ela já tenha acordado. — Assim que ouço passos a subir as escadas corro e deito-me na cama fechando os olhos. Então ouço a porta a abrir-se de vagar rangendo um pouco e sinto uma presença. Apetece-me abrir os olhos mas cerro os com mais força e sinto a baixar. Até que sinto uma mão nos meus cabelos. Quase que não me descaia e os abria-a. Mas porque é que ele estava a fazer aquilo? Porque é que ele veio? Isto já eram demasiadas perguntas sem resposta. Então sinto-o a levantar-se a ouço a porta fechar-se.

Abro os olhos e fico a encarar o teto durante algum tempo e então decido sair do quarto tentando perceber se ele já se foi embora.

– Então Andrew? — pergunta a minha mãe.

– Ela estava a dormir. Se não se importa eu queria esperar que ela acordasse.

– Claro, fica à vontade. Eu vou adiantando o jantar que a minha irmã ainda não chegou e podes jantar connosco se quiseres.

– Não posso... a minha mãe hoje convidou uns familiares e tenho mesmo que ir. — recusa Andrew.

– É uma pena... fica para a próxima.

– Sem dúvida. Mal posso esperar para provar os seus cozinhados.

– Eu não me esqueço da promessa!

Eu fiquei na porta e passou algum tempo.

– Andrew eu vou chama-la para jantar mas antes eu quero saber o que se passou. Eu sei que aconteceu algo. Não estarias aqui se não tivesse acontecido.

Ai não por favor Andrew não digas.

– Estou preocupado com a Riley. Desculpe a minha intrumição senhora Collins mas eu descobri que o pai da Riley está preso. — A minha mãe olha para ele preocupada — Uma rapariga lá da escola descobriu que o pai dela foi preso e andou a espalhar a notícia pela escola.

– Que horror! Porque é que ela mão me contou? — Ouvia a minha mãe a chorar. Não não mil vezes não.

– Se não precisar não precisa de contar.

– Não... eu conto. Assim podes ajuda-la e ela bem que precisa. O pai da Riley está preso por violência doméstica... ele batia-me a mim e a agredi-la várias vezes.

– Eu não pensei que fosse tão grave! Que canalha. Oh desculpe senhora Collins.

– Não tem importância. Ele é mesmo um canalha!

Não acredito a minha mãe não podia ter lhe contado.

– Hoje a Riley não quis entrar na piscina e quase que se afogou. — diz Andrew

– O quê!? Aquela rapariga nunca me conta nada! — a minha mãe estava zangada.

– Se calhar foi para não a preocupar.

– Eu não devia ter insistido para ela ir.

– Desculpe, mas não podia adivinhar o que ia acontecer.

– Claro que podia! A Riley não sabe nadar e morre de medo da água. Ela tem um trauma de infância.

– Trauma!?

– Sim... ela tinha 7 anos e foi num dia em que o meu marido me bateu porque estava a tentar convence-lo a deixar a Riley ir a uma festa de aniversário. Ela queria tanto ir mas quando o pai levantou-me a mão ela meteu-se à frente e disse que já não queria ir mas eu continuei a tentar convencer o meu marido e ele bateu-me. Disse à Riley para sair e depois que o meu marido se esqueceu de mim, fui à procura da Riley e encontrei-a na piscina a boiar. Foi horrível... pensei que a tinha perdido. Desde aí nunca mais entrou em algo que levasse mais do que um litro de água. Nem numa banheira ela é capaz de entrar. Mas pensei que com os amigos ela fosse capaz de perder o medo.

– Ela não contou nada.

– Claro ela e tão teimosa que nunca conta nada. Nem mesmo a Lyla deve saber.

Então decidi descer.

– Mãe, porque lhe contaste? — pergunto surpreendendo-os a todos.

– Filha...

– Porquê?? — nem lhe dei oportunidade de formular uma resposta — Não tinhas esse direito. Eu não confio nele! — olhei para Andrew e ele pareceu desapontado com o que eu disse.

– Riley não sejas parva. O Andrew é teu amigo e ele preocupasse.

– Não, não se preocupa e sabes quem é que contou a escola toda que o pai esta preso? A namorada dele. Aposto que amanhã toda a gente já sabe o resto da história.

– Riley, eu não vou contar a ninguém. — pronuncia-se Andrew com um tom triste.

– Claro que não querido. Isso é um disparate. — defende-o a minha mãe.

Corri para o meu quarto. Fechei a porta. Assim que me deito a porta abre se e o Andrew entra. Bolas, esqueci-me de trancar a porta!

– Sai! — disse fria.

– Não, primeiro vais me ouvir.

– A minha mãe já te contou a história toda! Vai e liga à tua namorada! Aposto ela vai adorar a bomba.

– Pára com isso! Tu sabes perfeitamente que não lhe vou contar nada. Porque não podes simplesmente confiar em mim? Eu contei-te a minha história porque confio em ti, agora é a tua vez de confiantes em mim! — Andrew quase que berrava e os seus olhos estavam tristes. Será que eu exagerei? Talvez ele não contasse mesmo nada a ninguém.

– Desculpa- disse eu tentando parecer mais calma apesar de ainda estar fula com a minha mãe e ele — mas se não te importes prefiro estar sozinha agora.

– Ok. Xau Riley. — Disse ainda com um olhar triste.

Depois as lágrimas começaram a correr pelo meu rosto.

A minha mãe pediu para falar comigo, múltiplas vezes mas eu disse-lhe que não queria. Ela chorava até que a deixei entrar. Ela abraçou-me e choramos as duas e ela sussurrou no meu ouvido:

– Deixa as pessoas ajudar-te querida.