After the darkness

4 Pedindo permissão


Quando voltou para a sala comunal da Grifinória com Gina foram abordados por Rony que havia esquecido de contar ao Harry que ele foi convidado a passar o recesso na Toca.

– Foi mal cara. Mamãe vai estar nos esperando às 10h lá em casa. Nós vamos por meio da Rede de Flu, já está tudo combinado e parece que toda a minha família vai estar lá, então é melhor a gente não se atrasar.

– Ok.

– Eu tenho que arrumar as minhas e é melhor começar logo. Boa noite, Harry – falou Gina dando um selinho na boca do namorado.

– E a Hermione também vai? – perguntou Harry ao amigo enquanto olhava Gina subir os degraus do dormitório das meninas.

– Ela falou que ia passar a primeira semana com os pais. Ela já os localizou e amanhã mesmo ela falou que já estarão em casa como se nada tivesse acontecido. Ela não para de falar deles. Está com saudades.

– E quando você vai conhecer o senhor e a senhora Granger?

Rony ficou muito vermelho.

– É. A Hermione estava falando disso...Conhecer os p-p-pais dela...

Harry começou a rir da cara de espanto do amigo, parecia que ele fora convidado a tomar chá com dois trasgos em vez de um casal de dentistas.

– Mas isso será daqui a uma semana. – Rony estava se reconfortando enquanto Harry ainda ria – Mas você não vai ter essa mesma sorte.

Harry parou de rir no mesmo instante.

– O que você quer dizer?

– Bem, você está indo pra minha casa amanhã. Terá que falar com meu pai sobre o namoro de você e Gina.

Agora era Rony quem ria. Harry ainda não havia pensado nisso. Sentiu algo gelado descer por seu corpo. Não consegui nem unir as palavras Sr. Weasley, Gina e namoro na mesma frase de tanto pânico. O que iria dizer?

Rony, vendo a cara desolada do amigo, percebeu que pegara pesado e tentou tranquiliza-lo.

– Ah, relaxa Harry. Minha família te adora. Vai dar tudo certo.

Harry não conseguiu responder o amigo. Acenou com a cabeça e rumou para o dormitório com a desculpa de arrumar suas coisas. Como falaria para o senhor Weasley que estava namorando sua única filha? Ele continuaria a gostar do Harry depois que soubesse que eles estavam namorando desde o ano passado? O que aconteceria se ele não gostasse nada disso? Será que Gina iria ficar com ele mesmo que seu pai proibisse? Uma voz na cabeça de Harry dizia que isso tudo era bobagem, que ia dar tudo certo e que ele estava fazendo uma tempestade em um caldeirão, mas não conseguia deixar de lado as hipóteses cada vez mais apavorantes.

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A manhã seguinte em Hogwarts foi mais movimentada do que de costume. Como já havia sido arranjado, alunos e pais iriam voltar para casa através da Rede de Flu após o café da manhã. O Salão Principal estava mais lotado que o habitual e cheio do som de conversas. Na mesa dos professores, a cadeira do diretor agora era ocupara por Minerva McGonagall que conversava animadamente com os professores Flitwick, que agora também era o vice-diretor, e a professora Sprout. Os outros professores conversavam entre si, exceto Hagrid que parara de falar para acenar quando Harry, Gina, Rony e Hermione entraram no salão.

O banquete estava apetitoso, ou pelo menos parecia já que Harry não conseguiu colocar uma torrada se quer na boca por causa da expectativa. Gina estranhou a falta de apetite do namorado.

– Você está se sentindo bem, Harry?

– Hum... sim. Estou bem – disse Harry e Rony soltou um risinho que, depois de olhar ameaçador de Harry, foi transformado numa tosse.

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As 10h em ponto estavam parados em frente à lareira na antiga sala da McGonagall apanhando um punhado de pó de flu. Hermione já havia ido, estava ansiosa para rever os pais. Rony foi primeiro e depois foi Gina. Harry entrou nas chamas, jogou o pó nas labaredas que tornaram-se verdes e falou o nome de um dos prédios que mais gostava no mundo.

– A Toca – ao mesmo tempo pensou que poderia ser a última vez que seria convidado e sentiu suas entranhas se revirarem.

Um segundo depois estava parado em uma cozinha lotada. Antes que pudesse dizer alguma coisa, sentiu os braços da senhora Weasley se fechar em torno dele.

– Bem vindo, Harry querido.

– Molly assim você ai acabar enforcando o garoto – falou o senhor Weasley que estava sentado em pé logo atrás dela. – Bem vindo, Harry.

Harry olhou para o senhor Weasley e sentiu suas perdas darem uma ligeira tremida. Viu que Gina estava parada ao lado do pai com um olhar confuso pela reação dele. Ao olhar naqueles olhos doces teve certeza do que fazer, e tinha que ser logo antes que perdesse a coragem.

– Sr. Weasley, eu poderia falar com o você?

– Mas é claro. Algum problema?

Harry olhou para ou outros na sala e começou a sentir a boca seca.

– Não vão ficar todos parados. Tem muitas coisas para serem feitas. Vamos andando. – disse a senhora Weasley e Harry sentiu-se imensamente grato.

Quando todos começaram a se retirar, Harry segurou a mão de Gina para ela permanecer na sala. Os olhos do senhor Weasley se focaram por um instante nas mãos unidas deles mais ele nada disse até que todos se retirassem. Sua expressão era indecifrável quando começou.

– Sentem-se – ele indicou o sofá de dois lugares onde Harry sentou ao lado de Gina sem soltar sua mão, enquanto o senhor Weasley se acomodava na sua poltrona – o que você quer me falar?

Harry achou melhor acabar logo com aquilo de uma vez, como se faz com curativo, arrancando de uma vez.

– Sr. Weasley eu amo a sua filha e ela me ama. Nós começamos a namorar ano passado, mas devido aos fatos tivemos que nos separar por um tempo, mas agora que não a nada que nos empeça, gostaria de pedir permissão de namorá-la... quer dizer, voltar a namorá-la. Sei que devíamos ter falado com o senhor quando começou, mas...

Harry deixou a frase morrer e olhou para o senhor Weasley. Ele continuava sério.

– Me deixa vê se entendi. Você quer minha permissão para namorar minha filhinha?

Harry sentiu-se afundar no sofá a espera da resposta dele. Não ousava nem olhar para Gina, mas sentia sua mão tremer ligeiramente, na sua. Enquanto olhava para um ponto no tapete meio puído. O sr. Weasley começou a falar.

– Ao longo desses anos que nos conhecemos, não pode ficar mais evidente o seu caráter, coragem e companheirismo. Você demonstrou várias vezes que daria sua própria vida pelo que ama e já salvou os Weasley muitas vezes, sem falar na comunidade bruxa que lhe deve a paz do nosso mundo. E você ainda duvida que eu permita o namoro de vocês? – falava o senhor Weasley e Harry agora olhava em seus olhos – Se eu não te conhecesse e soubesse apenas que você a amava, isso já bastaria, Harry.

O sr. Weasley levantou e puxou Harry e Gina para um abraço. Harry percebeu que estava rindo e sentiu um alivio sem medidas em seu coração.

– Então o senhor deixa?

– Claro que deixo. Gina não poderia ter escolhido alguém melhor e você já é praticamente da família – falou sr. Weasley descontraído – E devo confessar que não é novidade. Vocês passaram as férias passada inteira se olhando. Só cego não perceberia que estavam se gostando.

As bochechas de Harry adquiriram uma cor semelhante à de um tomate.

– Agora que você já acertou tudo comigo, que tal subir para arrumar suas coisas no quarto do Rony?

– Sim, senhor.

Harry subiu correndo as escadas com Gina. Ao chegar no andar do Rony parou e virou-se para olhá-la, pois ainda sentia suas mãos tremerem. Mas ao se virar constatou que as mãos dela tremiam não pelo medo da resposta, mas sim por uma gargalhada que agora ela pode soltar com vontade. Harry não resistiu e riu com ela.

– Você tinha que ver sua cara – disse ela rindo – Você não ficou tão assustado assim quando enfrentou Lord Voldemort. Ele tudo bem, agora pedir permissão para me namorar a Arthur Weasley é verdadeiramente apavorante – caçoou dele ainda sem conseguir conter as gargalhadas.

– Eu espero nunca mais ter que fazer isso na minha vida – disse Harry em meio às risadas.

– É, eu também espero – disse Gina olhando-o ameaçadoramente com um riso ainda brincando em seus lábios.

Ele a puxou para si e deu-lhe um beijo de namoro que agora tinha um “selo” OFICIAL, aprovado por um funcionário do ministério.