After that Everything Changed
15 Confusion...
Notas iniciais
P.O.V Amber Connor
Depois de minha conversa com a Scar, o meu dia foi puro tédio, não tive com quem conversar, não quis sair, até porque não queria encontrar com o Scott seja lá onde fosse. Quarta-feira eu posso dizer que foi mais entediante ainda. Eu não tive escolhas, ou saía de casa, ou morreria de tédio. Então peguei uns trocados e meu cartão de crédito e fui dar uma volta no shopping da cidade, para ver se tinha algo que agradasse, até porque eu tinha que dar uma reformada no guarda-roupa para ir para a faculdade e festinhas que sempre aparecem.
***
Fui a várias lojas, não sei se eu estava consumista demais naquele dia, ou se as roupas eram todas incríveis, só sei que comprei muitas roupas. Mas de todas, eu me apaixonei mesmo por um vestido azul marinho justo em cima e rodado abaixo do quadril que era um pouco acima dos joelhos e era de costas nuas em forma de coração. Depois fui a lojas de calçados e comprei o salto perfeito para ele, fora outros calçados para os meus dias de aula em Stanford, sendo que nem sei se vou mesmo para lá. Eu não sei se mencionei antes, mas além da matrícula que fiz em Stanford, eu fiz também numa Academia de Artes em Londres, mas antes de saber que fui aceita em Stanford e, confesso que ainda tenho dúvidas de para onde ir...
Enfim, terminei de comprar tudo, parei para lanchar e o meu celular começou a tocar. Ajeitei minhas sacolas num canto e o peguei dentro da bolsa, dizendo:
— Alô?
— Amber?! Amiga, você não sabe o que eu consegui fazer? Meus pais liberaram a minha casa para fazer aquela festa e eu já comprei tudo, agora é só convidar a cambada lá da escola e curtir no sábado. Disse Kate falando parecendo nem respirar.
— O quê?! Kate, eu me lembro de ter pedido que você esperasse que eu ia decidir se faria ou não a festa... Respondi um pouco chateada.
— Amber, você pensa demais e no fim sempre faz a escolha errada, ser boazinha com quem não merece... Qual é? Vai ser divertido... Disse ela.
— Eu ainda vou me arrepender disso... Confessei.
— Então você vai seguir mesmo o plano? Wohoo! É isso aí, garota! Pode deixar que até a câmera eu já descolei. Eu não tenho contato com nenhum daqueles idiotas da escola, tem como você convidá-los? Disse ela.
— O que você não me pede rindo que eu não faço chorando? Perguntei enquanto o garçom da lanchonete me entregava meu lanche.
— Ok. Eu já comprei até as bebidas, mas não sei fazer ponches direito... Disse ela.
— Você nem precisava comprar bebidas, você sabe que os garotos sempre levam... Respondi.
— Amber, eu nunca fui nessas festas e não sei como funcionam, esqueceu? Disse ela.
— Ah é, me desculpe. Respondi pegando o suco para beber.
— Então tá. Divulga a festa e esteja aqui no sábado. Beijos. Disse ela desligando na minha cara.
A Kate é meio parecida com a Alice, irmã do Henry, sempre consegue o que quer e ninguém a contraria, é incrível! Que saudades dela, que saudades dele...
***
Peguei minhas compras e fui até o carro, eu estava com muitas bolsas e um pouco enrolada, quando abri a porta do carro, o chaveiro caiu.
— Droga! Murmurei enquanto me abaixava para pegar as chaves.
Senti que alguém se abaixou para me ajudar, quando fui ver quem era, puxei logo as chaves do chão e me levantei rapidamente querendo fugir.
— Eu só queria ajudar. Disse Scott.
— O que faz aqui? Que eu saiba, está no seu horário de trabalho. Falei estranhando.
— Eu sempre almoço aqui e está no horário de almoço, caso não tenha notado. Disse ele.
— Ah... Obrigada e tchau. Falei forçando um sorrisinho e abrindo a porta do carro.
Ele maneou a cabeça e disse:
— Não entendo o porquê de você fugir tanto de mim... O que mais eu tenho que fazer para provar para você que eu e me arrependi do que fiz no passado?
— Esquece isso, Scott... Aproveita e me esqueça também. Falei entrando no carro e deixando-o parado me olhando como idiota.
Liguei o carro, engatei a ré e fui embora.
P.O.V Scott Simpson
Essa garota está conseguindo me fazer sentir raiva, mas não sei se é dela, por ser tão seca e irritante comigo, ou se é de mim por ter sido um babaca... Eu poderia muito bem ter sido sincero com ela na época e deixado bem claro que não queria nada com ela... Mas eu já fiz isso, mas da forma errada. Merda! Eu poderia ter pegado ela e pronto, sem compromisso, mas ela não é dessas, ou não era... Por que eu estou pensando nisso tudo aqui, parado feito um idiota nesse estacionamento?
Fui até o meu carango, liguei e fui até a locadora para cumprir o resto do meu entediante horário de trabalho.
— Pela sua cara, vejo que o rango não estava bom. Disse Megan me notando.
— Não tem nada a ver com o rango. Respondi indo até o balcão.
— Bom... Se não é rango, será que é...
— Amber... Respondi antes que ela começasse a falar.
— Hm... Acho que está passando de estágio, de paixão para amor, daqui a pouco é obsessão, isso se já não for. Disse ela me zoando.
— Vai, pode zoar à vontade. Eu não estou nem aí mesmo. Respondi com a maior cara de bunda que eu poderia fazer.
— Imagine se estivesse aí... Disse ela rindo.
— Vai trabalhar que é o melhor que você pode fazer... Falei enquanto algum cliente veio entregar DVD’s.
— Boa tarde. Disse uma garota muito bonita.
E eu, claro, mudei rapidamente o meu humor, ou tentei mostrar-me simpático e respondi:
— Boa tarde, gatinha.
Ela sorriu timidamente e disse:
— Eu vim entregar esses DVD’s... — E colocou-os sobre o balcão.
— Claro... Vai querer mais alguma coisa? Perguntei ajeitando-os para que a Megan os colocassem nos seus lugares.
— Não sei... O que me sugere? Perguntou ela.
Hm... Ela estava afim...
— Um cinema por minha conta?! Sugeri.
— Quando? Perguntou ela pegando um pedaço de papel, a caneta no balcão e anotando algo.
— Amanhã, pode ser? Perguntei sorrindo.
— Claro. Aqui está o meu telefone, com o meu nome e abaixo está o meu endereço. Disse ela com um sorriso provocativo me entregando o papel.
Ela pagou os DVD’s e saiu me olhando. Eu sorri para ela e ela foi embora. Quando vi o nome dela, fiquei muito puto.
— Isso só pode ser perseguição... Murmurei.
— O que foi dessa vez? Achei que já estivesse todo alegrinho aí com essa garota. Disse Megan pegando os DVD’s.
— Eu estava até saber que o nome dela é Amber. Porra... Falei socando a cabeça.
E ela começou a gargalhar da minha cara, dizendo:
— É pior do que eu imaginava... Tá fodido.
— Ha! Ha! Ha! Muito engraçado, Megan... Queria ver se fosse você. Falei muito revoltado.
— Mas me diz, você vai mesmo sair com ela amanhã? Perguntou-me parando de rir.
— É claro que não... Não quero saber de mais Amber na minha vida, tô fora! Respondi ajeitando o dinheiro no caixa.
— Uma só já está de bom tamanho, né? Disse ela.
— Nenhuma estará perfeito. Respondi sendo sincero.
— Será Scott? Verdade mesmo? Perguntou ela ainda me zoando.
— Vai se ferrar, Megan. Falei sem pensar.
— Olha o respeito! Eu só estou brincando com você. Disse ela fingindo se sentir ofendida.
— Tá... Tá. Respondi revoltado.
P.O.V Henry Arnecker
Como eu já havia dito, Alie conseguiu convencer aos nossos pais de nos deixar ir para Ohio. Eu pensei em o que eu poderia fazer para surpreender Amber, mas nada me vinha em mente. Eu olhei para o meu violão no canto do meu quarto, o peguei e comecei a tocar uma música que me fazia me lembrar dela, então comecei a cantar e pensar, será que ela iria gostar se eu cantasse para ela? Eu a imaginei me assistindo e cantei da melhor forma que eu já havia cantado na vida, com todo o meu coração e sentimento. Depois que terminei de tocar, ouvi Alie dizer:
— Perfeito! Ela vai amar.
— O quê? Perguntei assustado.
— A Amber né. Ela vai adorar que você cante para ela, imagine só você e ela num lugar e você cantando para ela... Que perfeito! Eu preciso arrumar um namorado que cante... Disse ela pensativa.
— Está bem... Mas como vou fazer a surpresa para ela? Eu não sei os lugares onde ela costuma frequentar lá, eu não conheço nada lá. Falei.
— Mas o irmão dela conhece... Vai lá pedir uma força para ele, tapado. Disse Alie sendo “carinhosa” comigo.
— Boa ideia. Respondi indo pegar minhas chaves para ir logo até o apartamento do Josh.
— Boa não, ótima ideia! Ou melhor, perfeita! Disse ela.
— Tá bom. Respondi largando o meu violão em cima da cama e indo até a garagem pegar o meu carro.
***
Cheguei à porta do apartamento, apertei a campainha e Scarlett me atendeu, dizendo:
— Henry, como vai?
— Oi Scarlett. Vou bem... Josh está? Perguntei.
— Sim, entre. Disse ela me dando passagem.
Eu entrei e lá estava Josh jogando videogame na sala, como quase sempre que eu vinha quando namorava Amber.
— E aí, Henry? Disse ele pausando o jogo.
— Oi Josh. Respondi.
— Vai uma partida? Disse ele me oferecendo um controle.
— Claro. Respondi me sentando no sofá e pegando-o.
Ele colocou no jogo para dois e disse:
— Que ventos o traz aqui?
— Bom, eu estou para ir para Ohio, mas eu preciso da sua ajuda. Falei sem rodeios.
Ele começou a rir e disse:
— Até que estava demorando a você tomar essa decisão, mas do que precisa?
— Eu não conheço nada lá e gostaria de fazer uma surpresa para a sua irmã. Respondi.
— Ah, você pode ficar lá na casa dos meus pais, no meu antigo quarto. Disse ele.
— Mas e a surpresa? É que eu queria surpreende-la quando a encontrasse. Minha irmã me deu a ideia de cantar para ela, mas eu queria poder fazer isso num lugar que só estivéssemos nós dois, eu sou muito tímido e quero que seja algo especial, só para nós dois. Expliquei.
— Eu vou ligar para os meus pais e acertar isso. Como eu sei que a Amber não para quieta em casa, você pode fazer essa surpresa lá mesmo, só vou pedir para os coroas lá liberarem pelo menos uma noite a casa só para vocês. Disse ele pegando o telefone.
— Mas tem mais um problema... Falei.
— Qual? Perguntou ele.
— A minha irmã, Alice quer ir comigo, como vou fazer? Perguntei.
— Qualquer coisa meus pais a leva para conhecer a cidade, sei lá... Agora você me pegou. Disse ele pensativo.
— Tem a amiga da Amber, a Kate, se falar com ela, eu acredito que ela deixe a sua irmã ficar pelo menos um dia na casa dela. Disse ele.
— Ah, mas você tem contato com ela? Perguntei.
— Não... Mas eu vou falar com os coroas e eles conversam com ela, ela vivia lá em casa e sempre se deu super bem com os meus pais, tenho certeza de que se minha mãe conversar com ela, ela quebra esse galho. Disse Josh.
— Está bem. Respondi.
Ele ligou para os pais dele, conversou por um tempo e eles pareceram gostar da ideia e disseram que farão o que for preciso, pois querem muito me conhecer, me senti até importante. E eu sei que eles falaram isso porque Josh me falou depois que desligou o telefone. Depois disso, jogamos uma partida de futebol e eu fui embora.
***
Depois que cheguei a casa, conversei com Alice e ela adorou a ideia de ir para a casa da amiga da Amber de Ohio, já era de se esperar. Depois tomei um banho e fui dormir, porque além de estar cansado, eu precisava estar inteiro para a festa de amanhã.
No dia seguinte, eu acordei, fiz tudo o que sempre faço em minhas rotinas matinais, e brigar com Alice por causa do banheiro constam na lista. Não sei por que, mas Wallace resolveu fazer sua festa de tarde, na verdade o dia inteiro de festa, então eu me arrumei, tive que esperar a “princesinha” terminar de se arrumar, o que levou quase o dia inteiro e fomos até a casa dele no meu carro. Nós chegamos um pouco depois do horário marcado e a casa estava lotada, muita gente já estava bebendo e dançando, outros estavam na piscina. Liverpool não é um lugar quente, mas existem loucos que se arriscam a tomar banho de piscina mesmo assim. A maioria dos convidados eram o pessoal da escola e primos e primas do Wallace.
— Poxa, achei que não viria. Disse ele vindo me cumprimentar.
— Eu estava esperando a “princesa”. Falei me referindo a Alice.
— Sempre ela... Disse Wallace rindo e maneando a cabeça.
— Sempre eu o quê? Meu amor, eu preciso estar sempre linda nas festas, para isso eu preciso de tempo para realçar a minha beleza, amores. Disse ela mandando beijo para a gente e indo até um canto falar com algumas pessoas que estavam lá.
Nós ficamos rindo dela e Wallace disse:
— Então, agora que se permitiu curtir um pouco, que tal pegar umas gatinhas?
— Cara, eu não vim para isso, só vim para curtir um pouco, sem garotas. Respondi pegando uma bebida.
— Tem certeza? Tem umas cinco de olho em você. Disse ele apontando para elas e realmente, elas estavam me secando descaradamente.
— Eu só tenho olhos para uma e você sabe muito bem quem é. Respondi.
— Que gay... Mas você é quem sabe, tudo bem que a Amber era minha amiga e sua namorada, mas ela terminou com você, cara. E a vida é que segue. Se eu fosse você, não perdia essa oportunidade, ou melhor, essas oportunidades, olhe só. Disse ele tentando me convencer.
— A gente ainda está junto, nós voltamos. Respondi.
— Sério?! Exclamou ele.
— Mais ou menos... Eu vou atrás dela pedir para ela voltar para mim. Respondi.
— Enquanto você ainda não foi, que tal experimentar algo novo? Olhe, uma delas tomou coragem, boa sorte campeão. Disse ele saindo e me deixando a sós com uma ruiva.
Ela foi chegando de fininho, meio que disfarçando, parou do meu lado e disse:
— Oi.
— Oi. Respondi sorrindo de lado.
— Está sozinho? Perguntou como quem quer realmente puxar assunto.
— Mais ou menos. Respondi tentando ser pelo menos simpático.
— Concluindo, está... — Disse ela sorrindo — Quer dançar?
— Não... Eu não sou bom nisso. Respondi.
— Ah, é fácil... Vem comigo. Disse ela me puxando.
Fomos para o meio do pessoal que estava dançando e ela começou a se sacudir e disse:
— É só você me imitar, quer dizer, mais ou menos — e riu.
Eu ri e comecei a me balançar meio desengonçado, ela ficou rindo de mim e continuou dançando. Ela era boa nisso, dançava tão bem quanto a Amber. Eu fiquei me lembrando de como ela dançava, em minha mente parecia passar um flash dos momentos em que a vi dançar em festas ou só para mim e fiquei sorrindo como um idiota parado no tempo.
— Você se importa se eu te abraçar? Qual é o seu nome mesmo? Perguntou a ruiva.
Eu despertei um pouco quando ela disse isso e respondi:
— Henry. Perdoe-me, eu parei no tempo — Sorri envergonhado — Não, eu não me importo, afinal, a música pede isso, não é mesmo?
Ela sorriu para mim e ficamos dançando juntos uma música lenta, não sei porque aquela música tocou, ainda mais por ser uma festa na casa do Wallace, será que eu estava na casa errada? Ela encostou sua cabeça em meu peito e disse:
— Meu nome é Clarice.
— Bonito nome. Respondi dançando com ela.
— Obrigada. Respondeu ela saindo dos meus braços, como quem pede que a gire.
Então a girei e a trouxe para perto, ela ficou sorrindo para mim, me olhando nos olhos e, droga! Ela queria um beijo, mas eu não podia dar isso para ela. Eu virei o rosto, olhando para outro lado, tentando não ser grosseiro com ela ou magoá-la.
— Então você não quer? Perguntou ela.
— Do que você está falando? Perguntei como quem não a entendera.
— Beijar-me... Poderia ter dito antes. Disse ela se afastando de mim.
— Espere! Desculpe-me, mas eu não pensei nisso... Não é nada com você, mas eu sou comprometido. Respondi.
— Onde ela está? Perguntou ela olhando para os lados.
— Em Ohio... Eu sinto muito não poder te dar o que deseja. Falei me sentindo mal por ela.
— Tudo bem... A culpa foi minha, eu saí quase me jogando em cima de você, perdoe-me. Disse ela indo para outro canto da casa.
Fui procurar uma bebida para esquecer aquilo e não me sentir culpado. Bebi cinco doses de coquetéis de uma vez e fui procurar um canto para ficar sozinho.
P.O.V Amber Connor
Achei estranho na quarta feira o Henry não ter nem entrado no face, mas tudo bem. Convidei todos os idiotas da escola para a festa na casa da Kate e fui dormir bem cedo. No dia seguinte, eu não fiz nada de mais, fiquei quase o dia inteiro em casa, no maior tédio de novo, aquilo já estava me irritando demais. Entrei no face para ver se tinha alguma atualização, ou sei lá, se o Henry estava online, mas assim que abriu a página inicial apareceram várias fotos da festa do Wallace. Que rápido! Tinham fotos dele com o Henry, Alice, Lucy, Mary e Rubens, da Alice dançando, do Henry abraçado com uma ruiva... O quê? WTF? Ele estava dançando agarradinho com essa oxigenada, é isso mesmo que eu estou vendo? Não acredito nisso... Eu não posso acreditar que ele está me traindo, quer dizer, ele não está me traindo, até porque não estamos juntos, mas poxa, não é justo ele ficar com outra garota, enquanto eu estou aqui sozinha. Motherfucker! Mas ok! Beleza! Eu não ia fazer nada nessa droga de festa, mas agora eu vou, se ele tem direito de se esfregar nessa oxigenada, eu também tenho o direito de fazer a minha bagunça...
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