After a While
1 Capítulo 1
Amanheceu. O dia estava lindo, havia uma leve harmonia entre o sol e o céu, era até possível ouvir o som dos passarinhos cantando. Sem dúvidas seria um dia bonito.
Como de costume todos estavam acordados, menos Isabella, que sempre era a última a acordar. Seus pais trabalhavam numa mansão, sua mãe como cozinheira (ela era uma das chefas de cozinha mais renomadas da região) e seu pai como chefe administrativo dos funcionários, sem dúvida eram empregos muito bons.
—Mocinha hora de acordar! Você vai se atrasar para a escola. – Disse a mãe de Isabella.
—Ah mamãe, por favor, mais cinco minutinhos!
—De jeito nenhum! Alias já está todos acordados, inclusive sua irmã, que esta te esperando para ir à escola.
—O papai não pode nos levar hoje? Assim eu posso aproveitar mais um pouquinho essa cama quentinha!
—Ah filha – Ela solta uma pequena risada do modo de sua filha ser- hoje seu pai vai receber a confirmação da mudança dos donos, ele não pode levar você e a Lia.
—Confirmação da mudança? Que? Não entendo.
—Sim, Isabella esqueceu que os donos vão se mudar?
— Mas e nós? O que vai acontecer com a gente mamãe?
—Isso ainda a gente não sabe, vamos ter que esperar mais um pouco. Mas nada que não conseguimos resolver, pode ficar calma, deixa que nós resolvemos.
—Tudo bem... Está tarde! Eu não posso perder a aula, a Sr. Garcia não tolera atrasos!
Depois de toda a rotina monótona de sempre, as irmãs foram até o ponto, onde esperavam o ônibus. A escola em que estudavam estava entre os melhores colégios da cidade, o mesmo era pago pelos donos da mansão. Lá elas tinham uma educação com todo tipo de aula que possa imaginar: etiqueta, inglês, espanhol, artesanato, natação e diversas outras.
De repente Lia começa a puxar assunto com Isabella, tudo que ela queria naquele momento era quebrar o silêncio que ali permanecia.
—E-e-e, o que você acha que será a decisão dos donos?
—Que decisão? E sobre o que?
—Uai, sobre nossos pais.
—O que têm eles dois? –Isabella não estava a fim de papo, ela sabia da situação dos patrões de seus pais, assim como sabia que algo estava por vir.
—E se os donos demitirem eles Isa? E se nós ficarmos sem casa, sem emprego? E a escola?
Lia fazia diversas perguntas, quando Isabella solta um sorriso tímido ao ver tamanha empolgação da irmã, instantaneamente a menina conforta a irmã, alias esse era seu jeito, era doce e gentil, e o que ela detestava era ver alguém sofrer.
—Calma maninha, tudo vai se resolver! Vamos sair dessa, juntas! Mamãe e papai vão conseguir resolver, eu te prometo.
—Obrigada Isa, você não sabe como essas palavras me aliviaram um pouco, o pior é perder a oportunidade de estudar na nossa escola, perder as amigas então, pior ainda!
—O que resta é esperar... –Isabella tenta enunciar com tom confortante- Além disso, você é uma menina esperta, bonita e muito talentosa! Não vai ser difícil novas amigas na nova escola.
—Isa, pra mim não importa se vou conseguir mais amigas, sabe vou sentir saudades daqui, da nossa casa, escola, delas...
Antes que Isabella pudesse dar uma resposta decente a sua irmã, de modo ao qual lhe confortasse diante aquela situação o ônibus chegou, e as duas garotas seguiram viagem até a escola, cada uma sentou-se com seu grupo de amigos.
Ao chegar à escola, Isabella e Lia foram as suas salas, como de costume deram um “até mais” com um gesto com as mãos. Lia era um ano e meio mais velha que sua irmã, e não hesitava em dizer que era a mais velha entre as duas, mesmo que nos olhos de seus colegas Isabella tinha um comportamento mais responsável, sem deixar seu jeito meigo e desjeitoso.
—Isa, como vai? Ta com uma carinha meio tristonha. O que aconteceu- Preocupou-se a amiga da menina.
—O que? E-e-eu triste? Nãoooo! Só pensamentos aleatórios. –Isa tenta disfarçar, mesmo que seja difícil ser forte naquele momento de tensão.
—Certeza? Você sabe que pra mim não precisa mentir, não é?
—Bem. É que. É sobre meus pais amiga, os patrões pretendem se mudar, e pelo visto para um lugar longe, e de qualquer forma terei que ir com eles ou o que menos espero e que torço para não acontecer –Isabella suspira- eles serem demitidos.
—Mas e a escola? Como vai ficar?
—Isso eu não sei, mais de certa forma creio que terei que mudar de escola, se meus pais forem demitidos não teremos como pagar a escola –O preço era absurdamente alto, pensou a menina- e se tiverem que fazer transferência para a nova casa dos patrões, terei que ir junto, pois ainda sou de menor.
—Entendi, é uma pena! Você já contou pro Théo?
—E por que eu deveria contar a ele, b-e-e-m ele é meu melhor amigo e tudo que não quero é que ele sofra.
—Mas se você não contar agora poderá ser pior na hora de você ir embora!
—Não sei, espero que ele entenda, ele é muito importante pra mim, sabe?
—Bom sei que ele vai entender. Você sabe né?
—Tem algo que eu precise saber?
—O Théo é apaixonado por você, e pela sua preocupação, tenho certeza que você também é. –Diz com um tom mais “Romântico”.
—Aí você esta pensando bobeiras, é só mais um dessas histórias fictícias que você inventa nessa sua cabecinha, agora vamos nos concentrar aqui no estudo, a professora já deve estar chegando...
—Isabella? É Você mesmo –Ela solta uma pequena gargalhada- Porque a Isabella que conheço bem ela não é muito a favor da escola, não é mesmo?
—Bem, mas hoje é uma exceção! Quero me distrair um pouco desses assuntos.
—Sabe que se precisar de mim, sempre estarei aqui, a sua a disposição, ok?
Isabella mostra um “joinha” a sua amiga, a fim de dizer sim e também disfarçando a conversa quando a Sr. Garcia entra na sala para começar a aula.
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