After Tuna
1 One-short
Notas iniciais
Quando Setembro chegou, Sam estava surpreendentemente de férias. Era fácil demais estudar via internet já que os professores não poderia ouvir seus comentários maldosos e tirarem ela de sala.
Cat também estava de férias e a ruivinha aproveitava cada segundo delas fazendo coisas divertidas ou trabalhando como babá. Já Sam continuava apenas no sofá, como sempre. Certas coisas nunca mudam.
Sam via um programa de TV qualquer (na verdade não via nada, apenas procurava algo nos canais) quando Cat apareceu do quarto delas com o de Sam celular em mãos.
— Sam! Seu celular tem uma mensagem nova. — disse a doce ruiva sempre prestativa. Sam olhou de relance pra ela que havia estendido a mão pra ela pegar.
— Joga pra mim. — Cat jogou e Sam quase não agarrou, mas acabou agarrando. Pegou o celular e assim que viu a mensagem seu coração bateu mais forte. Era de Freddie.
“E aí, Puckett?”
“E aí, manezão?” Esperar a resposta dele era uma tortura. Saber que as simples palavras da voz mais irritante do mundo a causavam esse efeito também era.
“Já tá de férias?”
“Já e você?” Que pergunta mais idiota pra se fazer a um nerd, pensou e revirou os olhos. Será que tinha como cancelar?
“Já” digitou somente. Sam ficou com raiva. Fora pra isso que ele a mandou uma mensagem? Sam não era muito comunicativa, então quando conversava com alguém tinha de ser algo que valesse a pena. “Sabe... Acho que a minha mandíbula já pode comer de novo” O coração se acelerou ainda mais. Estaria ele sugerindo o quê ela estava pensando? E se estava, por quê ela estava sorrindo tanto apenas com a possibilidade?
“Algo duro como carne?”
“Talvez, mas eu não tenho ideia. Minha mãe só tem me permitido comer coisas amassadas ou trituradas desde o acidente” Sam revirou os olhos. Ela queria mesmo que aquela mulher fosse a sua sogra? Sim, ela queria. Porque aquela mulher poderia ser insana, mas o filho dela fazia Sam ficar do mesmo jeito [insana].
“Certo, venha pra cá e vamos descobrir nos divertindo em um restaurante que sirva uma boa carne. Se você ainda não puder comer, melhor pra mamãe aqui”
“Está sugerindo mastigar algo pra mim? Porque eu passo. Já tenho minha mãe pra me tratar igual filhote de passarinho”
“Não, eca! Deixa de ser lesado. Eu estava falando que se você não puder comer a sua carne, eu como”
“Ah” Sam não viu, mas em Seattle Freddie sorriu ao ler a mensagem dela. “Nesse caso, acho que posso ir pra ir amanhã. Até logo, baixinha”
“Você também não é lá muito alto, Freddanão. Até logo” Sam sorriu amplamente ao desligar a tela do telefone.
— Quem era? — perguntou Cat inocentemente. Sam fechou a cara.
— Ninguém importante.
— Sério? Então, por que você tá coradinha igual o meu cabelo?
— Porque eu quero, Cat. Porque eu quero. — disse rudemente. Cat deu de ombros alegre e saiu da sala. Quando Sam viu que ela saiu, deixou um enorme sorriso escapar.
•••
No dia seguinte, Freddie foi a Los Angeles e tocou no apartamento de Sam (e Cat). Sam atendeu a porta e sorriu ao ver que era o "patetão". Esteve nervosa o dia inteiro esperando por ele. Se sentia patética, mas se lembrou que ele era mais patético, então se acalmou. Ao atender a porta suas pernas fraquejaram. Lá estava ele. Com camiseta xadrez azul, calça jeans escura e tênis qualquer. O cabelo milimetricamente no lugar, as bochechas gordinhas e os pequenos olhos tom de chocolate. Parecia que a cada dia que passava ele estava mais lindo — e ela menos tudo, desde bonita e feminina, algo que sempre apontaram que ela nunca foi.
Pra ele era o contrário. Sam parecia ficar mais bela a cada dia e ele cada vez mais... nerd. E esquisito. Ela usava uma calça preta, coturno marrom, regata branca larga e jaqueta vermelha. Os cabelos loiros antes cacheados, agora estavam ondulados parecendo mais arrumados, porém não mais penteados. Os olhos que variavam entre o verde e o azul, a boca rosada e o corpo dela (caramba o corpo dela!) faziam-no pensar “que diabos eu estou pensando? Como que eu conseguiria ficar de novo com alguém tão bonita quanto ela?”. Mas, não custava tentar.
— Oi, Sam. E aí? — disse ele acanhado e com as mãos no bolso, como sempre.
— E aí, Frednub? Vamos? — ela perguntou tentando reprimir sem sucesso um sorriso. Naquele dia ele estava ali por ela, não por Cat.
— Vamos. — ele deu um sorriso torto, não de desprezo, mas sim o seu sorriso mais bonito. Sam fechou a porta atrás dela. — Que restaurante você está pensando em me levar?
— Bem, isso depende.
— De quê?
— De quem vai pagar a conta. — ela falou franca e ele riu. Adorava o senso de humor dela.
— Acho que eu, né. — Freddie disse e deu de ombros.
— Oba! Nesse caso, tem uma churrascaria que serve ótima carne de qualidade aqui pertinho, nem precisa ir de moto.
— Eu não iria ir de moto de qualquer jeito.
— Por quê é um medroso? — ela perguntou em tom zombeiro enquanto atravessavam a rua.
— Não! — ele exclamou. — Minha mãe não me deixa andar de moto, oras. É perigoso. — disse acanhado. Sam revirou os olhos, mas continuou sorrindo.
•••
Eles tiveram de esperar alguns minutos para entrar na “Churrascaria do Chico” porque estava cheia, então Freddie deduziu que deveria ser realmente bom. Eles conseguiram uma mesa pra dois encostada na parede e logo pediram um rodízio, é claro.
O silêncio se instalou enquanto esperavam pela carne. Deveriam ambos tentar mesmo falar o quê se passava em suas cabeças? Quando a carne chegou ambos logo tiveram um assunto “melhor” pra discutir.
— Nossa! Essa carne parece... — Freddie falou olhando para a carne suculenta em seu prato.
— ...Uma maravilha! — completou Sam já comendo ela e falando ao mesmo tempo. Freddie revirou os olhos quanto aos maus modos dela, mas depois abriu um sorrisinho. — Não vai comer, não? — perguntou ela ainda mastigando. Ele ainda a estava olhando, talvez meio hipnotizado. Ele balançou a cabeça saindo do transe.
— Ah, não... Essa carne parece ser muito dura pra mim ainda. Vou esperar uma mais macia. — ele disse, mas na verdade estava deixando ela comer sua carne como disse na mensagem. Ela o encarou confusa. Não estava tão dura assim e a mandíbula dele nem tinha mais aquele troço do hospital.
— Tenta. — ela disse dando de ombros. Ele mastigou um pedaço e fingiu que estava dura até demais. Sam sorriu porque finalmente se tocou das intenções do garoto já que ele era um péssimo ator.
— É, está dura demais. Pode comer. — ela deu de ombros e colocou no prato dela.
— Melhor pra mim. — Alguns minutos depois, outro garçom ofereceu uma carne mais macia para ambos e Freddie comeu. Enquanto isso ambos falavam de banalidades de Seattle como o finalmente divórcio do sr. Howard, o fato de que T-bo saiu do apartamento e a nova namorada de Spencer, Lucy, que pareceu vir para ficar. Falaram de como sentiam saudades de Carly e que estava difícil se comunicar com ela por causa do fuso horário diferente. Falaram de como Cat e Robbie agora estavam juntos e como que Cat foi descoberta por uma gravadora durante um grande projeto da Hollywood Arts. Basicamente falaram de tudo que não era o motivo principal da conversa: eles.
Quase duas horas depois, Freddie estava cheio e Sam, o saco sem fundo, não. — Perdeu a fome, mané?
— Acho que sim.
— Quer pagar a conta e ir embora? — ela perguntou dando um gole em seu refrigerante.
— Não, não. Pode comer mais, eu espero. — Ela sorriu.
— E então, como vai a baleia gorda do Gibby?
— Bem, eu acho. Ele e Tasha voltaram. — Sam arqueou as sobrancelhas.
— Hum, que droga pra você. — Freddie franziu o cenho.
— Porque uma droga pra mim?
— Porque vocês dois ficavam “pegando geral” com o Gibby solteiro. Agora com ele comprometido você vai ter que se virar nos trinta como um bom nerd solitário. — Freddie revirou os olhos.
— Eu não me incomodo em não estar pegando ninguém. E você não pode falar nada também, diaba. Você está no deserto do Atacama de tão na seca.
— Eu estou na seca porque quero, falou? Além disso tem que pagar pra ficar com a mamãe aqui. — Freddie revirou os olhos.
— E quanto seria o preço?
— Sei lá, mas eu aceito em comida. — deu de ombros e terminou de comer o último pedaço de carne. Freddie sorriu malicioso.
— Nesse caso, acho que você me deve algo. Acabei de te pagar um rodízio, Puckett. — Sam corou.
— Não inventa moda, Benson. Paga logo a conta. — ele deu de ombros e chamou o garçom.
•••
Andando sozinhos nas ruas de Los Angeles, eles estavam de novo sem papo.
— O quê você vai fazer depois de se formar no ensino médio? — perguntou Freddie tentando puxar assunto. Sam ficou pensativa. Que não seja assalto a bancos, pensou Freddie esperançoso.
— Não sei. Talvez continuar a ser babá com Cat aqui em Los Angeles. — deu de ombros. Em geral, Sam não pensava no futuro.
— Não pensa em tentar uma faculdade ou voltar pra Seattle? — perguntou esperançoso quanto a última parte.
— Com a minha ficha escolar e criminal eu iria conseguir algo numa faculdade? Tsc. Volta pra Seattle? Acho que não. Quero dizer, minha mãe é a minha mãe e entre ela e Cat definitivamente prefiro Cat. Carly era a única coisa que me mantinha em Seattle. — Freddie mordeu o lábio inferior.
— Vou tentar não levar isso pro lado pessoal. — Só então Sam se dera conta de como aquilo soou pra ele.
— Ah, não! Eu quis dizer... É que a Carly...
— Eu estava brincando, Sam. Eu entendo como se sentiu com o fato de que a Carly foi embora. Eu também me senti assim, só que... Eu também fiquei muito triste quando descobri que você foi embora sem se despedir. — Sam nunca tinha parado pra pensar nisso. Que de certa forma ela tinha abandonado ele ao sair de Seattle sem dar explicações. Afinal, além de serem ex-namorados, eram melhores amigos também.
— Posso te confessar uma coisa? — ela perguntou e ele assentiu. — Às vezes eu penso que... Que se você estivesse falando sério naquela ligação eu teria ficado em Seattle.
— Você teria? — ela assentiu. — Por quê?
— Porque eu teria dito sim. — ela disse séria. Ele parou de andar e a encarou. O coração de Sam bateu forte.
— Eu... Eu não sabia o quê disser depois de você ter dito que não tinha me ligado pra gente voltar a ficar junto. Fiquei medo de dizer algo errado e...
— E apanhar?
— ...levar um fora. E, é claro, obviamente sendo você eu apanharia depois do fora, mas não acho que doeria mais que o coração partido. — eles ficaram em silêncio. — Somos dois orgulhosos, não somos?
— Somos. — ela concordou. Eles caminharam um pouco mais. Sam estava obviamente o fazendo pegar o caminho mais longo pro apartamento dela, mas ele não ligava.
— Você quer voltar? — perguntou Freddie não deixando o medo transparecer, mas podia sentir o hormônio da adrenalina correr nas veias.
— Você acha que daria certo a distância? — Freddie parou pra pensar e respondeu com sinceridade:
— Não.
— Nem eu. Mas, respondendo a sua pergunta, sim eu quero. — Freddie sorriu. — A gente pode dar um jeito.
— Pode dar certo.
— Ou pode dar errado. Mas, quem liga? — deram de ombros e depois deram as mãos. Dois minutos depois chegaram na casa de Sam. — Obrigada por me deixar em casa... Namorado. — ela sorriu.
— Não foi nada... Namorada. — os dois riram. Sam abriu a porta, mas antes de entrar se virou para Freddie.
— Ah, só uma coisa. — ela puxou a nuca dele para um beijo e ele agarrou a cintura dela. Terminaram o beijo, pois ambos precisaram respirar. — Mamãe cumpre a palavra dela. — ela entrou e deixou um Freddie parado atordoado com as mãos nos bolsos, porém sorrindo, do lado de fora.
Notas finais
O intuito da one-short é dar um fechamento, ao menos pra mim. Seria legal saber o quê você, pessoinha, que está lendo achou. Deixe um review e me faça feliz :D sério, o propósito da vida é me deixar feliz. Egocêntrica, eu? Que nada.
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