After Sunset

1 Capítulo único


Notas iniciais
Presente de aniversário para Hannah ♥

O sol havia acabado de se pôr e ele corria pela cidade como se sua vida dependesse disso. Normalmente ele andaria pelas ruas como qualquer outra pessoa, mas não naquela noite. Naquela noite ele não tinha tempo para isso, então ele escolheu os telhados.

Aquela era noite de lua cheia.

Sirius Black aproveitava cada gota de sangue ancestral que havia em seu corpo para correr com velocidade máxima através de Londres até aquela casa, até onde ele sabia que o outro estava se escondendo, antes que fosse tarde demais. Velocidade e força nunca haviam sido um problema para ele, principalmente quando se vem de um clã de vampiros tão nobre quanto os Black, mas cada milésimo de segundo contava agora.

Parou em cima de um telhado quando finalmente avistou a casa. O sangue pulsava forte em suas têmporas, e ele olhou imediatamente para o céu.

A noite estava limpa, ainda clara do dia que passou – não para olhos humanos, é claro – e algumas estrelas começavam a aparecer, mas nenhum sinal de lua.

Suspirou, aliviado. Havia chegado a tempo.

Ele pousou suavemente na rua. Quem o visse, provavelmente o confundiria com um jovem rebelde sem causa. Calça jeans rasgada, camiseta de banda de rock, jaqueta de couro, cabelos compridos. Para o seu clã, um inconsequente. Principalmente por estar onde estava agora.

Logo reconheceu a casa. Precisava de uma pintura e havia várias rachaduras na fachada. Ele quase riu, se não estivesse tão nervoso. Isso era tão a cara dele.

A rua estava deserta. Na parte de baixo da fachada, podia ser vista uma janela pequena que dava para o porão, fechada com grades de ferro. Uma luz tímida vinha de lá. Ele caminhou até a casa e se abaixou para poder olhar para dentro do porão.

E lá estava ele, acorrentado na parede. Como sempre, não havia percebido a sua presença.

“É isso que você ganha por querer levar uma vida normal.”

Ele se assustou e olhou na direção da janela.

“Sirius! O que diabos está fazendo aqui?”

“Boa noite pra você também, Remus.”

“Você não sabe que dia é hoje?”

“Deixa eu ver, você acorrentado na parede, não me deu boa noite, é, acho que você está naqueles dias.”

“Não foi engraçado. Você não deveria estar aqui.”

“Desculpe, é que eu não estava aguentando ficar longe de você.”

“Sirius, eu estou falando sério!”

“Eu também.”

Remus olhou para o vampiro, e percebeu pelo seu olhar que ele não estava brincando dessa vez. Maldita hora em que foram se encontrar, começar esse romance ridiculamente arriscado.

Mas a verdade era que ele também não estava aguentando ficar longe dele.

“Anda, vai me deixar aqui fora esperando? Diga que eu posso entrar.”

“E como você pretende fazer isso através da grade?”

“Você sabe que isso não é nada pra mim.”

Remus suspirou, contrariado. Ele sabia que não deveria nem estar falando com ele. Não deveria estar alimentando essa relação doentia. Não, estava tudo errado, e ele deveria fazer o certo para variar. A qualquer momento a lua apareceria e ele perderia o controle de si, pondo inclusive a vida de Sirius em risco.

“Sirius, me prometa uma coisa. Você vai levantar agora e ir embora, e daqui uma semana nós vamos conversar. Você não vai me procurar até a lua mudar. Prometa pra mim. Você tem que jurar!”

“Eu... juro.”

“Você... jura? – Remus piscou. Aquela resposta era rápida demais.”

“Juro solenemente não fazer nada de bom!” – ele sorriu, mostrando os caninos, e agarrou as grades que os separavam. – “AndaRemus, me deixe entrar!”

Remus mordeu o lábio inferior com tanta força que chegou a sangrar. Maldito, como ele conseguia ser tão irresistível?

“Você pode entrar. Eu te odeio, Sirius Black.”

“Não, você não me odeia – ele riu, forçando as grades de ferro e entortando até que elas formaram uma passagem por onde ele pudesse entrar.”

Em menos de um segundo ele estava na frente de Remus, as mãos segurando seus pulsos acorrentados, o corpo pressionando-o contra a parede.

“Diga que me odeia, agora" – sussurrou, com os lábios colados aos dele.

“Eu...” – Remus gemeu baixinho, enquanto sentia seu corpo inteiro esquentar rapidamente, apesar do toque gelado dos lábios do outro. Não sabia se era pela falta que estava sentindo dele, ou se pela proximidade da lua cheia, ou pelos dois. Era muito difícil resistir a qualquer impulso perto de Sirius, ainda mais com o seu eu mais selvagem ansiando por ser libertado. Beijou-o desesperadamente, sem se importar com os pequenos cortes que os caninos afiados faziam em sua língua.

Sirius gemeu e revirou os olhos ao sentir o gosto de sangue enchendo sua boca, quente, delicioso. Separou os lábios dos dele e olhou-o nos olhos, lambendo o sangue que ficara nos próprios lábios. Podia ver, no fundo dos olhos castanhos, que a mudança estava próxima. E isso só conseguiu deixá-lo com mais vontade ainda de fazer aquilo.

“Sirius, eu estou começando a...”

“Shh, eu sei. E estou achando isso muito sexy.”

Seus olhos desceram para o pescoço de Remus e a veia que pulsava ali, e apesar do gemido em protesto, desceu os lábios para aquele ponto tão delicioso e cravou os dentes ali.

No instante em que fez isso, a luz do luar iluminou o porão.

Sirius sentiu todos os músculos de Remus se retesarem sob si e o sangue que invadiu sua boca fervia, era forte, inebriante, e ele quase ficou inconsciente por um instante.

Quando Sirius abriu os olhos, ele estava no chão, Remus sobre ele, suas mãos livres das algemas de ferro.

Os olhos do lobisomem, totalmente transformado, o encaravam a centímetros do seu rosto.

“Ah, merda!!”

Conseguiu escapar por pouco da mandíbula do lobo, mas não foi rápido o suficiente para evitar um arranhão no ombro.

“Que droga Remus, era minha melhor jaqueta!”

O lobisomem rosnou e avançou novamente para ele, e ele pulou para a janela.

“Vai ter que ficar pra próxima. Até mais, lobinho!”

E saiu para a noite, se esquecendo completamente que a janela ficara aberta.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Façam uma autora feliz, não se esqueçam de comentar antes de sair. ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!