After Separation - Livro 2
2 Introdução
Notas iniciais
"Dizem que o tempo cura todas as feridas, mais quanto maior é a perda mais profundo é o corte. E mais difícil é o processo para ficar inteiro novamente."
(Klaus Mikaelson — Diário de um Vampiro)
***
Uma lágrima veio, seguida de outra e mais outras que vieram juntas. E quando me dê conta já chorava bastante encolhida em minha cama. Meus ombros sacolejavam e os soluços que me escapavam, eram os únicos sons que se ouviam no quarto.
"Me desculpa!"
Na hora julguei seu pedido como referente ao sumiço, jamais imaginei que ele estivesse se desculpando antecipadamente pelo nosso término. Porque se eu imaginasse que era a isto que ele se referia, eu lhe diria na hora e sem pestanejar um sonoro: NÃO DESCULPO!
Certemente, Grissom não tinha noção do quanto sua decisão de terminar, arrasou comigo.
O fim de qualquer relacionamento amoroso é uma das experiências mais dolorosas e que gera um enorme sofrimento, e um turbilhão de emoções. Eu já passei por isso antes. Esta não estava sendo a minha primeira vez, mas em compensação estava sendo a mais doída de todas até aqui.
Com Elliot, eu sofri, um pouco. Um pouco não, muito! E com outros dois namorados também sofri. Mas com Grissom, a dor do término estava maior que tudo. Insuportável!
Só fazia algumas horas do término da nossa relação, mas o "vazio" deixado por Grissom já ocupava uma imensidão, que no momento parecia sufocante.
Admito que não esperava por ele terminar nosso compromisso. Aliás, quem é que espera e está preparado para um momento deste, quando se está vivendo aparentemente uma boa fase no relacionamento?
Mas será que estávamos mesmo vivendo uma boa fase?
Apesar dos percalços, eu achava que sim! Pois estávamos felizes de estar juntos, mesmo com meu pai, o dele e Maryane sendo contra nós dois.
Tudo ia bem até acontecer o que aconteceu com Joseph e culminar no nosso fim.
Quando Grissom disse que precisava terminar, eu senti o chão se abrir. EU quis sumir!
Quis chorar...
Gritar...
Espernear...
Lhe bater...
Enfim, eu quis tudo e ao mesmo tempo... nada!
Me vi naquela ocasião um misto de sentimentos, que incluíram indignação, raiva, confusão, revolta, tristeza, sensação de abandono e até mesmo, culpa, medo do futuro e solidão.
Agora, poucas horas depois que Grissom foi embora dali e Dayse à meu pedido, me deixou sozinha em meu quarto para eu chorar sozinha a minha tristeza por levar um pé na bunda, todos os sentimentos parecem ter adquirido mais intensidade ainda. Eu estava mais confusa, indignada, revoltada, com raiva triplicada, triste, me sentindo abandonada e mais culpada, com mais medo do futuro e sentindo-me completamente só, sem aquele cretino do meu lado.
Talvez, eu esteja até fazendo um dramalhão mexicano, mas é que a dor e o sofrimento naquele momento estava sendo inevitavelmente grande. E olha que só estava no começo.
Se houvesse uma fórmula mágica para acabar com o que eu sentia naquele instante, sem dúvida alguma, eu faria uso dela.
Quando sofri minha primeira desilusão amorosa ainda na adolescência, uma amiga minha do colégio, me disse algo do qual não esqueci jamais. Terminar com alguém é como perder uma pessoa e uma rotina também. Talvez, essa associação dela tenha um cunho até meio exagerado. Mas parando para pensar, é bem isso mesmo que involuntariamente, acaba acontecendo no fim das contas.
Você não somente perder um namorado ou companheiro como também a rotina adquirida com ele. Sem contar que rompemos com parte da nossa vida, a vida que aquela pessoa passou a significar; rompemos com parte de uma história criada; rompemos com nossos planos de um futuro. E Grissom e eu tínhamos alguns planos.
Não se trata só de um término, e sim da perda do vivido e do que nós ainda queríamos viver com a outra pessoa, no meu caso seria com aquele cretino. Talvez por isso é que seja tão dolorido e nos deixa a sensação de lacunas e vazio. Uma lacuna e um vazio que eu terei que aprender a lidar outra vez, como aconteceu nos términos dos meus relacionamentos anteriores.
"Para cada fim, um novo começo!", eu li isso em algum lugar, pouco tempo depois de terminar com Elliot. É uma frase sabia, incentivadora e estimulante, mas que eu temia não funcionar para este término de agora, com o passar dos dias.
Provavelmente ainda era bem prematuro afirmar isso ou qualquer outra coisa parecida, se apenas fazia algumas hora que tudo acabou. Mas de verdade, eu temia não ser capaz de recomeçar depois dessa rasteira que Gil me deu, ou melhor, seu pai deu em nós dois.
Aquele senhor que agora eu odiava mais que tudo no mundo, não tinha o direito de fazer o que fez. E nem Grissom de ceder aos caprichos do pai, porque aquilo foi um capricho e uma baita chantagem o que Joseph fez com Gil.
Mas agora não adiantava mais ficar reclamando ou maldizente este senhor, que já partiu. O mal que ele fez ao filho e a mim ao nos separar, já está feito mesmo. Sua preterida para noiva foi escolhida e devia estar feliz e solando fogos de artifícios por isso.
Quanto a mim teria que juntar os meus cacos e me refazer desse vendaval que me derrubou feito uma onda que joga o surfista de sua prancha.
"O tempo cura todas as feridas!", pensei ao deslizar a mão pelos olhos.
Ah, eu esperava que realmente o tempo desempenhasse esse seu papel como já havia feito comigo em términos de relacionamentos anteriores. Só que algo me dizia que não seria fácil desta vez. Mas eu ia superar isso.
"A dor faz parte o sofrimento é opcional". — Carlos Drummond de Andrade
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