Respiro fundo tentando entender até agora como ela está aqui na Alemanha, mais especificamente, em meu quarto, disparando acusações encima de acusações, que a meu vê são infundadas.

"Eu não estou te traindo, porque não estamos juntos!", recito pausadamente cada palavra já com certa raiva de toda aquela situação e o fato de ela me cobrar uma fidelidade que ela mesma não teve, já que poucos dias depois da nossa separação estava aos beijos com um cara qualquer. O mesmo filho da puta que meu advogado veio me apresentar no dia do casamento, querendo que eu fizesse sociedade.

"Você tem razão nisso. Mas e o amor que dizia sentir por mim? Por acaso não está traindo-o ao se deitar com uma qualquer ou será que nunca foi amor?"

"Posso cobrar o mesmo quanto ao cara da boate."

"Eu não transei com ele!!", ela grita. "Ao contrário de você com essa aí!"

Seu olhar ao terminar de falar se pousa na figura de Hajna na cama comigo. Vejo as lágrimas de raiva e dor escorrerem por seu rosto àquela altura vermelho, e isso é o bastante para me quebrar e, ao mesmo tempo, me fazer sentir culpa por aquela cena ali no quarto.

Agora, racionalizando, consigo enxergar que, não pensei nela ou no nosso amor. No fim, como sempre, só pensei em mim e satisfazer meus desejos carnais e porque não... Também dar o troco nela pelo cara da boate. O que me leva a concluir que sou um tremendo filho da puta!

"Meu amor por você foi e é real desde que o expus.", Sinto um pouco de mágoa por ela duvidar dos meus sentimentos, mas atribuo ao fato de ela me pegar com outra na cama.

"Pois não parece!"

"Só posso te dizer que sinto muito, Sara!", digo, fazendo menção de sair da cama.

"Não se dê o trabalho de chegar perto de mim!", ela fala já recuando e brecando minhas intenções na hora. "E acha que um "sinto muito", basta?"

"Provavelmente não!"

Ela meneia com a cabeça e uma das mãos vai à face para enxugar o rosto ainda úmido pelas lágrimas que recentemente deixou cair.

"Você só reforça mais e mais para mim que foi um completo erro e uma total decepção na minha vida, Gil Grissom!"

"Sara... Espera!", peço, tentando sair da cama, mas sendo impedido por Hajna. "Me solta!", digo a loira que me encara de modo esquisito. "Hajna, me solta!"

"Não!", ela responde.

Lanço um olha na direção de Sara que já vai se afastando mais e mais de mim.

"Sara!... SARA!"

Em um sobressalto desperto da cama já me sentando soado, coração acelerado e a respiração aos solavancos.

Foi um sonho! Ou pior, um pesadelo mesmo! Muito real, porém apenas um pesadelo!

Respiro um pouco mais aliviado, mas não menos preocupado, já que dizem que sonhos são como prenúncio de realidades que se avizinha.

Escondendo o rosto entre as mãos, tento acalmar a mim e as batidas de meu coração.

Minha vida virou um perfeito caos desde a morte de Joseph. Em parte a culpa é dele e a outra parte fica na minha conta mesmo. Só tenho cometido erros e tomados decisões erradas. E cada qual, só vai me custando um tanto a menos Sara e me afastando mais dela, exatamente como no pesadelo que acabou de ter.

Sei que este "caso" todo que venho iniciando com Hajna pode vir a ser algo que possa pesar de modo bem negativo futuramente quando tentar reestabelecer contato com Sara. E, que o certo seria dar um basta nisso, mas como o prejuízo já não está possível de se reaver no momento, então é aquilo: Tá no inferno abraça o capeta!

Deixarei para me preocupar com minha situação com Sara após o prazo do casamento chegar. Até porque senão irei enlouquecer!

Tiro as mãos do rosto e só então me doou conta da ausência de Hajna na cama, bem como sua mochila com seus pertences sobre a poltrona.

— Hajna! — chamo, deduzindo que ela possa por alguma razão esquisita ter ido ao banheiro tomar banho em plena madrugada fria e levado a mochila com alguma muda de roupa, mas não ouço resposta alguma sua. — Merda! — resmungo, sentindo a cabeça doer diante do som da minha voz. — Acho que exagerei no uísque. — concluo.

"Onde essa prostituta se enfiou?!", penso levemente irritado por ela não estar ali. Só espero que ela não esteja xeretando por aí. Ou pior, pegando coisas para levar como souvenir sem permissão como aconteceu uma outra vez com outra prostituta que trouxe aqui, porque ela pode dar adeus ao emprego dela, assim como a outra deu. Faço sua caveira para Sacha e ela não consegue emprego nem no pior cabaré de toda Berlim ou qualquer outra cidade da Alemanha inteira.

Saio da cama e tudo parece girar. Me situo em meu eixo e da cabeceira apanho meu robe que está pendurado ali. Visto, já que me encontro sem nenhuma peça de roupa no corpo.

Como não tenho a menor noção de por onde começar a procurar a prostituta por aquele triplex. Opto por sair do quarto, ir à cozinha e interfonar ao porteiro para saber se alguém com as características de Hajna saiu do prédio. O que não faz muito sentido, já que eu nem paguei ela. Porém não custa nada averiguar. Contudo ao chegar à sala meus ouvidos captam ao longe notas musicais que posso apostar que vêm do meu piano.

Sigo para o cômodo onde fica meu piano. Cada vez mais que vou me aproximando do lugar mais as notas ficam nítidas.

"Ela toca?! Essa é boa!", penso em descrença e desdenhoso.

Da porta encostada vejo Hajna com o roupão que emprestei à ela, acomodada na banqueta diante do piano de cauda com a postura toda errada, tocando as notas doces, melancólicas e românticas da conhecida Clair de Lune, do compositor francês Debussy. Uma música linda por sinal! E tocada até muito bem por Hajna apesar de sua postura ser a mais errada aos olhos da professora que tive aqui no internato da Alemanha.

Não lembro de Hajna ter mencionado que sabia tocar e, ainda por cima, tão bem assim. Talvez, não recorde, porque estava com álcool além da conta na mente nas duas oportunidades em que conversamos antes de levá-la para a cama.

Espero pacientemente até que ela finalize e quando a última nota é dedilhada por ela, e o silêncio se faz presente é que me faço ser notada

— Você toca bem! — digo e a vejo se virar no banco de modo abrupto.

— Que susto! — ela tem uma das mãos sobre o peito.

— Desculpe! — peço, caminhando até ela com as mãos enterradas nos bolsos do robe de seda. — Não sabia que tocava piano. Onde aprendeu? — paro ao seu lado.

— A filha da patroa da minha mãe sempre me ensinava a tocar quando eu era pequena e ia para o trabalho com mamãe. Aí, quado fiquei maior procurei estudar por minha conta mesmo, vendo vídeos na internet.

— Está me dizendo que nunca frequentou uma escola de música antes? — não escondo minha surpresa, porque ela é muito boa para quem estudou só com base em vídeos na internet.

— Não sei como quê dinheiro, Grissom?! Os preços da mensalidade das escolas e conservatório de música na Hungria ficavam muito acima do que a minha mãe ganhava como doméstica. Além do mais o que ela ganhava mal dava para manter as contas da casa em dia e sustentar a mim, meu falecido irmão e ela.

— Hum... — resmungo.

— E você? Toca também ou é uma daquelas pessoas ricas que não sabe tocar uma nota sequer, mas mantém um piano em casa só por motivo de decoração?

Espicho o canto dos lábios em um esboço de sorriso diante do questionamento dela. Resolvo sacanear a mulher sentada na banqueta.

— Quase nada, só arrisco uma nota aqui e outra acolá. — minto descaradamente sem Hajna sequer desconfiar.

A loira me encara de cima a baixo meio desconfiada, eu acho. Então diz:

— Quero vê! — ela se levanta da banqueta para me dar o lugar.

— Melhor não. Eu não toco para ninguém só pra mim mesmo.

— Qual é, Grissom?! Toca aí! Prometo não rir muito caso seja um desastre perfeito.

Desastre perfeito, eu? Coitada!

— Não!

— Então você nem arriscar uma nota deve saber. Tá só mentindo aí.

Ela me provoca e eu não me agrado nada disso. Resolvo então lhe mostrar o quão longe de um desastre perfeito eu estou.

— Ok! — resmungo.

Me acomodo diante do piano com a postura ereta, ombros relaxados e pulsos flexíveis, exatamente como cansei de ouvir a chata da Frau Helga, a professora de música mais irritante e perfeccionista que eu tive o desprezar de ser aluno, que certamente chamaria a atenção de Hajna ao vê-la tocando com sua postura errada.

Até hoje quando me acomodo em frente a um piano parece que a escuto me corrigindo a postura com aquela maldita baqueta de alumínio a qual batia de leve nas minhas costas enquanto sua voz medonha dizia: No! Postura, signor Grissom! (Não! Postura, senhor Grissom)

— Começo a achar que toca mais do que disse, só pela forma como se acomodou aí. Ou só está blefando e bem. — Hajna resmunga de braços cruzados.

Sorrio ao lhe lançar um rápido olhar. Em seguida com a ponta dos dedos e de modo suave como aprendi, começo a dedilhar as primeiras notas de Hungarian Rhapsody, de Franz Listz. Uma composição forte, intensa e considerada como nível muito avançado para quem já toca, não no meu caso, porque para mim ela é fichinha.

As primeiras notas são tranquilas e mais lights apesar de fortes em seu tom. São poucas canções que já começam com rapidez e força. Na maioria das vezes as composições vão em uma crescente e com esta não é diferente.

Como sei de cor as notas, toco de olhos fechados e apreciando cada nota musical como se elas fossem um gole de vinho que tomo, daqueles com sei lá quantos anos de envelhecimento, que são de um sabor inestimável.

Acelero as notas alguns segundos depois, porque a canção possui um total de sete minutos e não vou ficar tocando esse tempo todo. Portanto, parto para a parte em que as notas são tocadas com mais velocidade.

A agilidade dos dedos e das notas que alcanço é de surpreender Hajna. Percebo ao abrir os olhos e lançar um olhar de soslaio que ela está boquiaberta e os olhos quase esbugalhados com minha rapidez ao tocar. Sorrio apreciando que causei a reação esperada nela. Consigo alcançar a parte ainda mais acelerada e intensa para então finalizar com as mesmas notas fortes do início da música, e terminar assim de tocar.

Encaro Hajna e a encontro com uma expressão que é um misto de abismada, confusa e chocada ao mesmo tempo.

— Seu mentiroso! Você toca muito melhor que eu. Até parece uma profissional. — ela me golpeia no braço.

Eu acabo rindo de sua indignação.

— É que estudei música alguns anos em um conservatório nos EUA. E depois em um internato aqui na Alemanha, quando meu pai me mandou pra cá.

— Ah, sim!

— Esta música que toquei é de um pianista Húngaro. Franz Listz. Já ouviu falar? — comento, mudando o assunto enquanto vou fechando a tampa que cobre as teclas do piano.

— Claro, né?! Assim que você começou a tocar, eu reconheci a música na hora. Listz foi um dos primeiros que eu encontrei quando comecei a pesquisar vídeos na internet. Mas não me atrevo a tocar uma dele, são complicadas.

Apenas balanço a cabeça em concordância. Listz é só para quem sabe mesmo.

— Além do mais essa música toca no filme preferido da minha mãe. Frankie e Johnny, um romance entre uma garçonete desiludida, com um cozinheiro e ex-presidiário.

— Sei bem qual é. — comento ao recordar da película estrelada por Al Pacino e Michelle Pfeiffer.

— Você já assistiu? — ela me encara como se eu fosse um bicho de duas cabeças. Certamente, estranhando porque um filme de romance não combine muito comigo. E realmente não combina!

— Sim, mas não porque gostei. Uma amiga me fazia assistir com ela.

Catherine me fez assistir esse romance sei lá quantas vezes e em todas ela sempre estava na fossa. É o filme preferido dela também.

— Ah, sim!

— Agora mudando de assunto... O que faz acordada a esta hora? — indago.

— Te faço a mesma pergunta. — ela me devolve.

— Perguntei primeiro. — retruco me pondo de pé.

Ela então diz que sentiu fome e como não queria me incomodar, me chamando, resolveu se levantar e se aventurar em preparar algum lanche. Mas ao passar ali na biblioteca e ver o piano, não resistiu em tocar um pouco, já que fazia anos que não tocava em um.

— Hum... — sibilo em resposta. — Então ainda não comeu nada?

— Não!

— Vamos lá na cozinha então. — digo já passando por ela que sem pestanejar segue em meu encalço sem esquecer de apanhar a mochila do chão. — Por que trouxe a mochila com você?

— Pretendia tomar um banho quente no banheiro social. Não ia fazer isso no seu quarto pra não te acordar.

Me viro e a encaro por alguns segundos.

— Quê? Acha que estou mentindo? Por acaso acha que peguei alguma coisa sua e esconde na minha mochila.

— Não falei nada! — me defendo.

— Mas sua cara está dizendo. E aposto que deve ter pensado isso também. Se quiser pode olhar na minha mochila.

— Não quero. — me viro de novo e começo a caminhar para a cozinha.

— Posso ser uma prostituta, mas não ladra. Não tenho esse péssimo "costume", que nem alguma das minhas colegas tem.

A ouço dizer enquanto me segue e paro de andar.

— Eu não te acusei de nada. — repito.

— Não foi preciso.

— Vamos parar por aqui?!

Ela não responde nada e entendo seu silêncio como uma concordância. Volto a caminhar, sentindo-a me acompanhar. Chegamos a cozinha e a indago sobre o quê quer comer.

— Perdi a fome!

Suspiro.

— Olha, eu já entendi que você ficou ofendida. Então me desculpe, mas veja o meu lado. Já passei por isso com outra colega sua de profissão. Nós... — aponto dela para mim. — Mal nos conhecemos direito, então eu posso pensar muita coisa.

— Ok!

É tudo o que ela diz. Mas sei que está tudo para ela menos "ok".

Em um completo silêncio, vou preparar alguma coisa para Hajna. Apesar de ela ter dito que perdeu a fome, eu desconfio que isso não seja verdade.

Como não sou lá essas coisas na cozinha, decido por um sanduíche e um suco, que não tem erro. Enquanto cato as coisas da geladeira posso sentir os olhos da mulher queimando em minhas costas.

— Espero que esteja pegando todas essas coisas para fazer um lanche para você. Porque eu disse que perdi a fome.

Ouço Hajna dizer em tom sério.

Por cima dos ombros lanço um olhar em sua direção. Encontro a outra mulher acomodada na banqueta da ilha, braços cruzados e cara de poucos amigos.

Não me dou o trabalho de respondê-la e volto minha atenção a preparação do lanche dela.

— Você acordou porquê? — a ouço perguntar em certo momento, quebrando o silêncio quase sepulcral que estava ali. — Não diga que foi por causa da música que eu estava tocando?

— Não! A música não chega até lá. Além do mais o quarto tem isolamento acústico.

— Ah, sim. Então por qual motivo acordou?

— Tive um pesadelo! — conto me virando já com o lanche devidamente pronto. — Coma!

— Falei que não estou com fome.

— Sei que não é verdade. Então... Coma! — empurro para ela o prato com o sanduíche.

— Você não manda em mim, seu arrogante!

Respiro fundo, porque ela está começando a me irritar com essa cena toda já. Sei que fui grosseiro e que ela se sentiu ofendida, mas pedi desculpas. O que ela quer mais? Que implore de joelhos?

— Se não quer então vou jogar fora.

— Não se joga comida fora à toa! — ela diz rápido e segurando o prato. — Não seja estúpido!

— Arrogante... Estúpido... Do quê mais vai me insultar?

Ela fica em silêncio por uma fração de segundo apenas, para então sair como uma resposta que eu não esperava:

— De cretino!

Imediatamente tranco o maxilar ao ouvir tal palavra.

Puta que pariu! Ela podia ter dito qualquer outro xingamento, mas não este. Não exatamente este!

— Não me chama disto! — retruco por entre os dentes.

— Que foi, não gostou? Pois combina que é uma beleza com você!

Suas palavras ácidas me soam tão familiar, pois já as ouvi antes saindo de outra boca tão ácida quanto a que acaba de me xingar.

— Sara costumava me chamar assim. Então não me chame por esta palavra. — digo sério e me acomodando na banqueta que fica de frente para Hajna.

— Ahh! Foi mal! — ela resmunga em um tom mais baixo antes de bebericar seu suco de mirtilo, ciente de quem é a mulher mencionada e o quão delicado é o assunto para mim, porque depois de algumas doses e doses de uísque cheguei a lhe contar muito por alto sobre a Sara logo quando nos conhecemos lá no prostíbulo.

Um silêncio toma a cozinha. Aquela parecia não ser minha noite. Pesadelo com Sara e agora Hajna me chamando pelo apelido que a Sar me chamava. Tudo teima em me lembrar dela e de quão errada foi a escolha de deixá-la.

— Sei que disse que teve suas razões para deixá-la e casar com outra, mas...

— Não quero falar disso. — a corto, porque não é um assunto que gostaria de falar.

— Ok, desculpa. — ela pede. — Quer falar sobre o pesadelo então?

Ergo uma das sobrancelhas enquanto a encaro ponderando se conto ou não. Opto por contar, já que ela está ali e se mostrando disposta a ouvir, então porquê não?

Sendo assim relato o pesadelo a Hajna que me ouve com atenção enquanto vai comendo seu lanche. Ela só se manifesta quando menciono que ela me impediu de ir atrás da Sara.

— E por que eu fiz isso? — ela franze a testa formando um vinco.

— Não sei. Você me olhava de um jeito estranho. — confidencio.

— Estranho como?

— Não sei explicar. Era como se implorasse para eu ficar com você e não ir atrás dela.

Hajna espreme os olhos quase que os fechando e segundos depois, sua expressão se suaviza e ela começa a rir.

— Qual a graça?

— Você não está achando que te impedi, porque estaria apaixonada?

— Seria um erro grande o seu se apaixonar por mim.

Ela que não pense em cair nessa tolice. Meu coração já tem dona e não aceita substitua.

— Eu bem sei disso, Grissom. — ela concorda sem titubear. — Olha... — ela larga seu copo já vazio sobre a mesa e junta as duas mãos sob o queixo. -... vamos deixar as coisas bem claras aqui... Eu sou uma prostituta, Grissom, e você meu cliente, e só. Isso aqui... — ela então aponta para nós. — Não vai virar "Uma linda mulher". Não serei sua Julia Robert e nem você, meu Richard Gere. Portanto, pode ficar tranquilo que não há a menor chance de eu me apaixonar por você.

— Nossa! — exclamou após um assobio. — Não sei se fico bem aliviado ou um tantinho ofendido pelo passa fora. — retruco.

— Certamente aliviado. — ela diz ao se levantar da banqueta empunhando o prato e o copo, e seguindo rumo a pia continua a falar. — E sobre a acusação dela no pesadelo, eu acho que não tem muito nexo, não acha?

— Talvez!

— Como talvez, Gil? — ela se vira um pouco e me encara. — Você prometeu celibato à ela por acaso?

— Não! — digo, fazendo uma careta.

Celibatário, eu?? Em outra vida, talvez!

— Então não se sinta culpado por transar com outra. Até porque você acha que ela vai ser celibatária durante esse tempo que estarão separados?

— Seria egoísmo da minha parte pensar que sim?

— Seria ilusão isso sim. — ela decreta se voltando para a pia e começando a lavar a pouca louça que sujou enquanto prossegue. — Sério que acha que ela não vai transar com alguém após a separação?

— Não sei. No sonho, ela disse que não transou com o cara que eu te disse que vi aos beijos com ela na boate. Mas sei lá...

Imaginar a Sara transando com outra pessoa, me dá náuseas. Não só fazendo isso, mas tudo de mais com outro alguém. Pensar que ela pode proporcionar a outro o que me proporcionou, me dá ânsia. Vai ver, eu não amo de um jeito bonito e certinho, eu amo de um jeito egoísta mesmo, porque eu não quero que ela seja feliz com outra pessoa. Se for para ser feliz vai ser comigo e mais ninguém!

— Se ela transou não é traição, porque vocês estão separados, sabe disso, não é? — ela se vira ao terminar de lavar a louça e me encara esperando uma resposta que não dou. Assim sendo, Hajna esboça um pequeno sorriso e volta a falar. — Assim como não é traição da sua parte com ela. A quem está traindo de fato é a sua esposa com quem tem um compromisso.

— Ah, com essa eu estou pouco me fodendo. — resmungo com desdém.

— Eu queria entende isso. — Hajna se aproxima de mim e apoiando os cotovelos sobre a bancada da ilha, me encara. — Você, claramente, não nutre sentimentos por sua esposa. Então, por que demônios casou com ela? Pelo bebê? Porque se foi, pelo amor de Deus, Gil... Estamos em pleno século XXI, isso já não é motivo para ser obrigado a casar. Era na época da minha avó, quiça bisavó.

— Isso é um assunto que não quero falar. — decreto me levantando da banqueta. Não irei falar com ela sobre os meus motivos para casar. Posso ter contado algumas coisas a meu respeito, até mesmo contado sobre Sara, mas não sou tonto o suficiente para abrir a boca sobre algo tão delicado assim. Quem me garante que ela não pode dar com a língua nos dentes para alguém ou pior, que ela pode estar sendo paga pelo calhorda do Conrad para confirmar suas suspeitas. Ou mais ainda, por Maryane para me chantagear. Eu que não vou arriscar abrir meu jogo àquela prostituta, por mais legalzinha que ela venha se mostrando.

— Esse casamento é o seu calcanhar de Aquiles, não é?

— Você está interessada demais nele. Por que?

— Curiosidade apenas.

— Sei! Que tal dar um basta nessa curiosidade e cuidar de fazer seu trabalho pelo qual foi contratada pela noite toda?

— Você é bipolar, né? Porque vai do zero à cem na grosseria em nano segundos.

— Devo ser. — respondo já fazendo Hajna virar de costas para mim e a prensando entre o balcão e meu corpo. — Naquele vidro tem camisinhas. Pega! — em tom autoritário digo bem rente a sua orelha direita.

Hajna estende o braço e pega de onde mandei o pacote de preservativo e por cima do ombro me estende o item.

— Você já deve ter transado um bocado nessa cozinha para ter aqui um pote só para camisinhas.

— Vamos dizer que gosto daqui! — retruco. — Agora, sem papo. Faça seu serviço.

— Você que manda! — ela diz já se virando e logo em seguida está abrindo meu robe.

Suas mãos deslizam por minha barriga até que a direita agarra meu pau e começa a masturba-lo de um modo firme, bem do jeito que poucas mulheres fazem, já que a maioria são delicadas demais com o pênis, o que não era o caso de Hajna que conseguia ser muito mais firme do que muitas já foram.

Ela ia alternando o movimento entre um pouco mais de pressão ou mais lento ou mais rápido. E quando ela deixou sua mão inteira ao redor da base do meu pau e fez um leve movimento de torção ao mover seu eixo para cima e para baixo, para em seguida, mudar para deslizar apenas o polegar e o dedo indicador (como o sinal de "ok" com a mão) para cima e para baixo, mais rápido, eu a interrompi e coloquei rápido o preservativo, para fode-la ali e naquele momento mesmo.

Eu a comi com força e sem dó. Com sua bunda empinada e as mãos apoiadas na banca, ela ia gemendo feito uma cadela no cio. Seus gemidos eram como meu combustível para bombar mais forte e mais rápido nela até gozar.

Por mais três vezes em um curto espaço de tempo, eu a fode naquela madrugada. Descontei minha raiva pelo pesadelo e minhas decisões erradas, fodendo Hajna o bastante para fazer o corpo cansar de tanto sexo.