After Separation - Livro 2
25 Capítulo XXIII
Notas iniciais
"A partir desse instante eu soube que você seria a minha pessoa favorita no mundo. Meu herói nessa confusão chamado mundo.
Eu te amo, te amei e vou te amar. Desde que ouvi o seu coração bater pela primeira vez. Foi aí que eu entendi que nunca mais estaria sozinha."
(Autor desconhecido)
***
A sexta-feira foi reservada para a família me paparicar. Li fez o meu almoço preferido e mamãe a minha sobremesa. Enquanto isso, papai ficou a todo momento por perto, assim como Sean conversando. Nenhum deles foi trabalhar, deste modo fui o centro das atenções.
Quiseram saber tudo sobre a gravidez, já que ontem não houve tempo para isso devido a organização do jantar de Ação de Graças e o evento em si. Porém hoje, tiraram o dia para me mimar além de bombardear com perguntas sobre como o bebê e eu estávamos. Falei que tirando os enjôos, o cansaço, sonolência e as alterações de apetite, eu estava bem. Quanto ao bebê eu só saberia nessa próxima semana, quando teria minha primeira consulta com a obstetra.
Mamãe ficou logo mais tranquila ao saber que eu já tinha um profissional para iniciar meu pré-natal. Inclusive, ela se prontificou a ir em uma das consultas comigo, não nesta primeira porque estava muito encima, mas na segunda ou talvez na terceira, ela bateu o pé que iria comigo. Só antes se programaria para tal, assim como havia feito com Maryane antes de minha prima casar e ir embora. Quando ela disse isso, senti certa tristeza, decerto porque ela irá ganhar dois netos (um legítimo e outro de coração) e não estará por perto para acompanhar a gestação de nenhum deles dia a dia, mês a mês, já que eu moro longe dali e, Maryane em outro contente.
Por falar na minha detestável prima, ela ligou mais cedo para falar com MEUS pais, para se desculpar por não ter ligado ontem para dar graças. Pelo pouco que pude entender das respostas de mamãe, Maryane disse que houve uma pequena social em sua casa. Alguns amigos de Grissom foram jantar lá, além de Lewis e Edgar, e Maryane ficou atarefada com a arrumação da casa e a recepção dos convidados delas. E blá... blá... blá!
Houve um momento que ela perguntou a mamãe se eu estava ali. Sei disso, porque mamãe fez questão de repetir a pergunta de minha prima. Provavelmente, a dona Laura queria saber a minha resposta para repassar a Maryane. Balancei a cabeça em negativa. Mamãe então disse que eu não estava e inventou que apenas liguei ontem, alegando que não consegui passagem a tempo para estar ali. Melhor assim! Maryane não tem nada que saber dos meus passos. E quanto menos ela souber, menos o Grissom também saberá.
Ao entardecer fomos os quatro à praia ver o sol se pôr. Me senti nostálgica, porque lembrei de quando era criança e fazíamos aquilo. Mas também me senti bem como não sentia há semanas. Estar ali com meus pais e meu mamão louco, é se sentir protegida e ver que eu tenho a minha família comigo, me apoiando e me amparando. Meu esteio que achei que iria ruir quando contasse sobre a gravidez, está ali intacto, ou melhor, mais forte que nunca.
No sábado fomos ao Joel's para tomar café da manhã. E como sempre o dono do estabelecimento foi quem nos recebeu. Ele nos conduziu a melhor messa e por alguns instantes ficou de papo conosco.
Durante a estadia no estabelecimento foi impossível não recordar da última vez que estive ali poucos meses atrás. Nesse pacote está incluso — infelizmente — aquele cretino de uma figa.
Àquele dia foi louco, para não chamar de insano!
Poderia agora ser uma boa lembrança, pelo que houve momentos depois lá em casa, em meu quarto mais precisamente, porém Grissom fez o favor de estragar toda ou qualquer boa lembrança nossa daquele dia e dos posteriores.
Domingo fomos curtir uma praia pela manhã e desta vez Sean levou a namorada. Almoçamos em uma barraca de um amigo do meu irmão. No fim da tarde estava no aeroporto me despedindo da família para voltar a minha rotina diária. Posso dizer que retorno para casa com as energias renovadas e, principalmente, com a certeza de que quem eu amo nunca largará a minha mão.
Segunda-feira cá estou de volta ao batente. Em minha sala ajeitando uns papéis escuto Morgan contar toda empolgada como foi seu feriado e o fim de semana de só love com Memo.
— Foi uma lua de mel daquelas que... Jesus! — ela diz se abanando com uns papéis. — Nem sentar direito eu consigo, chefinha.
— Morgan! — exclamo chocada e caindo na risada logo em seguida. — Olha aqui... Informação desnecessária deletada com sucesso da minha mente. — digo balançando as mãos sem jeito e vendo minha assistente safada cair na gargalhada.
— Mas e o seu fim de semana como foi, chefinha? — ela me indaga após cessar sua gargalhada escandalosa.
— Foi ótimo! Colhinho de mamãe e papai. Paparico de irmão. Melhor impossível.
Morgan bate palmas empolgada.
— Ai, não tem coisa melhor que ser mimada pela família. Faz um bem tão grande.
— Se faz, viu?! — balanço a cabeça em concordância.
— E como eles reagiram sobre a gravidez?
— Maravilhosamente bem. Por que acha que fui bastante paparicada? — sorrio de orelha à orelha.
Nosso papo ainda dura mais alguns instantes antes de ser interrompido pelo toque do telefone da mesa de Morgan, que escutamos por conta dela ter deixado a porta aberta. Minha assistente sai apressada para atender. Segundos depois, ela está repassando a chamada para mim. Trata-se de Otessa Auster, escritora que vem fazendo um barulho enorme na internet com suas histórias publicadas em uma editora independente virtual. Segundo minhas pesquisas, a autora vem conquistando uma legião de fãs com suas muito bem construídas narrativas do gênero distopia. Seus views nas histórias com prévia em uma plataforma de publicações online grátis, são de dar inveja. E a aquisição das obras completas pela editora independente são animadoras.
Eu já vinha monitorando essa autora há semanas, quando ainda estava na NP até. Inclusive, estava para levar seu nome ao Brooke como meu mais novo "achado" na internet. Só que houve toda uma sucessão de ocorridos que me fez deixar de lado isso. Só que recentemente achei sua mais nova obra e fiquei fascinada com o alcance que de umas semanas para cá Otessa conquistou. Tanto que em uma conversa informal com Owen comentei sobre ela e seus números excelentes, e ele na hora me incentivou a trazê-la para o casting da BoB, pois seria uma boa alguém novo e com um alcance tão grande entre os jovens como Otessa demonstra ter na rede.
Com o incentivo e aval do chefe entrei em contato com ela por e-mail há uns dias. E agora que ela está me retornando. Vamos ver se consigo trazer Otessa para a editora.
— Bom dia, Otessa!
— Bom dia... Sara Sidle?
Ela indaga incerta, como se estivesse lendo o meu nome em algum papel, quem sabe fosse no e-mail que lhe enviei.
— Eu mesma!
— Desculpe a demora para entrar em contato, mas tive alguns contratempos. Sem contar que, também fiquei meio reticente com seu e-mail vago e sem qualquer justificativa quanto ao motivo para que entrasse em contato.
— Eu sei.
Assinto. Sabia que correria o risco disso. Mas eu quis contar com a curiosidade dela em entrar em contato, para me retornar. Não quis dizer logo por e-mail: "Poderia entrar em contato, porque a editora em que trabalho tem interesse em te contratar para o casting dela!". Não mesmo! Fui vaga, propositalmente! Tanto que no e-mail que passei à ela, só me identifiquei com o nome e deixei meu contato para que entrasse em contato o mais rápido possível para conversamos sobre algo que seria do interesse dela.
E caso, ela não "mordesse a isca", eu faria uma nova tentativa de contato onde dessa vez, deixaria explícito que sou de uma editora e que queria falar sobre suas obras.
— Qual seu interesse comigo?
Ela indaga direto ao assunto.
— Pois bem. — incio então com a revelação de quem sou de fato e onde trabalho. Elogio suas obras para só então explicar que a editora quer contar com Odessa em seu casting.
— Sério?
Consigo detectar certa incredulidade em seu tom de voz ao me indagar.
— Sim! — confirmo. Em seguida lhe faço a proposta de contrato de publicação tradicional, onde a editora assume a responsabilidade de editar, publicar, distribuir e promover o livro dela em troca de uma porcentagem dos royalties de vendas. Explico de modo resumido como seria as porcentagens e alguns tópicos mais importantes do contrato.
Otessa escuta tudo em silêncio e sem fazer qualquer objeção para me interromper. E só quando acabo de falar, ela se pronuncia dizendo que a proposta é atrativa, mas se mostra visivelmente relutante em aceita-la. Alega que gosta de ser uma escritora independente, com total controle sob sua obra e seus ganhos.
Até a entendendo, já que como independente, ela que cria, escreve, revisa, edita, publica e lança seu livro sem enviá-lo a uma editora. Seus ganhos são totais. O que não aconteceria mais caso ela fechasse contrato conosco, já que nós iríamos custear todos os processos de produção do livro e teríamos um percentual nos ganhos dela.
Em contrapartida, repliquei que a editora faz um trabalho importantíssimo ao artista. Ela pode até está conseguindo atuar independente e sozinha até agora, mas conforme está crescendo como vem acontecendo no meio literário, as coisas se tornarão muito complicadas para ela continuar atuando somente sozinha.
— Prometo pensar na sua proposta e o mais breve possível entrar em contato com uma resposta. Pode ser?
Não era bem o que eu queria ouvir, mas paciência! Pelo menos não foi um "não" definitivo.
— Ok. Então ficarei no seu aguardo.
O resto da minha semana foi um saco no âmbito profissional. Otessa me cozinhou todos os dias depois da proposta que lhe fiz. Nenhum sinal dela. Foi como se nem tivéssemos conversado.
Estava para desistir, quando no dia que aguardava na sala de espera do consultório da obstetra a minha vez de ser chamada, Otessa me liga dizendo que aceita. Dei um pulo da cadeira e vibrei de alegria, chamando a atenção de algumas pacientes que estavam ali junto comigo também.
— Desculpa. — peço sem jeito quando a atendente da doutora me lança um olhar de recriminação. Mas o que posso fazer se estou feliz. Meu primeiro artista que consigo trazer para a editora.
— Eu só gostaria de fazer um pedido. Ou melhor, é uma exigência mesmo.
— Diga!
— Não gostaria que fosse feita mudanças na minha obra. Sei que a editora pode fazer isso para adequar a demanda de mercado, mas eu não estou disposta a fazer qualquer alteração em minhas obras. E gostaria de discutir melhor sobre os percentuais dos royalties.
Dou uma coçada de leve na nuca enquanto processo seu "pedido".
— Otessa...
— Sara Sidle.
A atendente de olhar recriminador me chama, interrompendo o que eu diria.
— Sou eu... — respondo já me levantando da cadeira.
— Sua vez. Última porta a direita. — ela me indica o corredor.
Assinto.
— Otessa podemos nos falar melhor depois? É que tenho uma consulta agora. — digo já caminhando até a sala da médica.
— Claro.
— Então mais tarde te ligo e acertamos as coisas.
Ela concorda com um "ok" e me despeço antes de finalizar a chamada já diante do consultório da obstetra.
— Pode entrar!
Ouça a doutora dizer um segundo depois das duas batida de leve que dou na porta.
— Sara Sidle! — ela lê meu nome em uma ficha em sua mesa. — Sou a doutora Percy.
— Olá, doutora. — aperto a mão que ela havia estendido para me cumprimentar.
— Como vai?
— Bem! — respondo já me acomodando na cadeira.
Dali por diante a consulta se resume a primeiro uma conversa onde a doutora me faz uma sucessão de perguntas para me conhecer melhor e levantar o meu histórico de saúde, antecedentes familiares e fatores de risco.
Segundo suas contas, que ela faz após ler meus exames que fiz ainda com a outra médica para confirmar a gestação, estou de sete semanas e quatro dias. E com base em outro cálculo rápido que a doutora Percy faz, ela logo em seguida chega a provável data do parto (entre 4 e 10 de julho). Ou seja, meu bebê pode nascer no exato dia em que reencontrei aquele cretino mentiroso na casa dos meus pais.
Carma ou coincidência? Não sei qual é o menos ruim, para ser franca.
Poxa bebê você não tinha outra data para vir a nascer?!
Vou torcer feito uma louca para ele ou ela não nascer no exato dia 4!
Depois da conversa, a doutora realiza exame físico e obstétrico, avaliação do meu peso e da pressão arterial. A médica ainda faz solicitação dos primeiros exames laboratoriais, orientações alimentares, hábitos e suplementação vitamínica. Segundo ela, estou aparentando um pouco anêmica.
— Vamos lá pra ultrassom para ver seu bebê e escutar o coração dele? — ela me lança a questão após realizar todas as checagem possíveis.
Apenas assinto em um misto de sentimentos. Aceitação e aflição. Alegria e ansiedade. Euforia e inibição. Excitação e inquietação. Tudo junto, misturado e intensificado. Uma verdadeira bomba atômica prestes a explodir dentro de mim.
Acomodada já em uma maca em outra sala anexa a que ocorreu a consulta, com a blusa levantada, deixando a barriga exposta enquanto a doutora desliza o aparelho por minha barriga lambuzada de um gel frio, eu me vejo analisando uma tela escura com uma imagem disforme e alguns dados que não faço idéia de qual sejam.
Ouço a doutora mencionar algo sobre saco gestacional e a vesícula vitelina. Segundo ela a presença desses dois dentro do útero confirma a existência de uma gravidez intra-uterina, descartando a possibilidade de uma gravidez ectópica, que também não faço ideia do quê signifique e nem presto atenção para sua explicação direito, porque meu olhar está mais focado no grãozinho mostrado na tela.
É tão pequeno! Mas lá está o meu bebê. Meu e... Daquele cretino!
Não consigo dimensionar o tamanho do que sinto enquanto olho vidrada para àquela tela. Só sei dizer que é algo incrível. E que se torna mais incrível ainda no momento em que sou brindada com as batidas do coração do meu bebê.
Me vejo encantada por tal som perfeito, mágico e especial! Acredito que seja o mais lindo que já escutei.
Não sei se rio ou se choro. Estou meio abobalhada, impactada, petrificada. Invadida por uma emoção inexplicável. A ficha de que estou gerando uma vida caí de vez neste idílico instante. E meu coração parece querer explodir de felicidade e emoção, acho!
E por um mero vacilo do momento, no calor da emoção, eu me pego desejando que Grissom estivesse ali, segurando minha mão e compartilhando comigo daquela mesma emoção. Como será que ele iria reagir diante das batidas do coração do nosso bebê?
Não interessa!, penso em seguida. A consciência recobra e me dou conta de que Grissom não é merecedor de estar ali, como não está mesmo! Melhor assim!
Melhor para quem, insolente?!
Não é da sua conta! Se manda!
Momentos depois, estou saindo do consultório como um sorriso pateta no rosto, olhos marejados e a sensação de que estou pisando em nuvens enquanto o som maravilhoso das batidas do coração do meu bebê ainda ecoa dentro da minha cabeça, juntamente com um sentimento de encantamento com emoção e... amor! Um amor grande e indescritível por aquele serzinho crescendo dentro de mim.
Gil pode ter sido um cretino escroto comigo, por me trocar por seu patrimônio, mas me deixou algo para além de outrora lembranças doces e lindas. Me deixou algo lindo e para a vida toda!
E ainda que no momento da descoberta da gravidez desse bebê, eu tenha sentido medo e fora invadida por temor. E que de lá para cá, a dúvida ou a inquietação me assombrou; e a briga com enjoos, náuseas, vômitos, tonturas e outros tantos sintomas venham me acompanhar até o final desse "percurso" de nove meses chamado gravidez, eu agora, depois dessa consulta e de ouvir pela primeira vez o coração do MEU bebê, só sei sentir um amor grande e um instinto de proteção.
"Eu não sei explicar direito, mas eu já te amo um bocado, bebezinho.", penso enquanto aliso a barriga após me acomodar dentro do carro de aplicativo. "E me comprometo em cuidar de você e te proteger com a minha vida. Juro que nada acontecerá, que nada faltará para você e que ninguém irá nos separar."
***
— Foi a coisa mais linda, Dayse! Fiquei com os olhos cheios de lágrimas com o som.
— Droga! Queria tanto ter estado com você nesse momento. Maldita, Sullivan!
Dayse xinga do outro lado da linha. Minha amiga iria comigo na consulta, mas de última hora sua chefe mudou de ideia e não a liberou mais, alegando que estavam muito cheias de serviço para ela sair para acompanhar uma amiga em consulta.
— Amiga ainda terão outras consultas e ultras pra você ir comigo. — tento tranquilizar a fera da minha amiga.
— Mas esta era a mais importante, poxa! Foi a primeira e eu queria estar lá com você para ouvir o coração do meu pirocudinho ou da minha pererequinha.
— Ai, Dayse, sério?! Você não vai ficar chamando o meu bebê assim, sua louca! Isso é bullying com seu afilhado ou afilhada.
Escuto sua gargalhada do outro lado da linha e sorrio.
— Olha ela já se mostrando mãe protetora com a cria dela que ainda é do tamanho de um grão de feijão.
Zomba Dayse rindo.
— Feijão! Esse é um bom apelido para o bebê, o que acha, Sa?
— Pela misericórdia divina, Dayse! Por que ainda somos amigas mesmo?
— Porque você não vive sem mim, Sidle!
— Até parece!
— Eu vou pensar em um apelido mais carinhoso para o baby.
Ao fundo ouço a voz de Sullivan quase aos berros chamando por Dayse.
— Amiga vou ter que desligar. A tirana acabou a ligação dela! A noite a gente conversa melhor.
— Tá bom. Te espero lá em casa. E o jantar é por sua conta. Você leva.
— Que abuso, Sidle.
Sorrio e nos despedimos antes de finalizar a chamada.
— Chefinha! — ouço Morgan chamar enquanto já vai abrindo a porta da sala. — O contrato pra Otessa ficou pronto.
Minha assistente ergue o envelope pardo e o traz para mim após fechar a porta.
— Ótimo! — comemoro. Depois de muito barganhar com Otessa em uma ligação anterior a de Dayse, consegui que ela aceitasse os percentuais de royalties propostos pela editora. O contrato seria assinado amanhã mesmo. — Nossa! Ainda não acredito que consegui! Minha primeira artista que trago para cá.
— Parabéns, chefinha linda! — Morgan bate palmas e logo em seguida faz uma dança desengonçada, nos arrancando risadas que são interrompidas pelo toque do meu celular.
O número é desconhecido, mas ainda assim atendo.
— Alô!
— Escuta bem o recado, sua vadia. — uma voz masculina que de imediato reconheço, se pronuncia em tom raivoso do outro lado da linha. — Você e aquele desgraçado do Grissom vão me pagar caro. Eu vou acabar com os dois.
— Eu não tenho medo de você, Bryan. — retruco em tom alterado que chama a atenção e preocupação imediata de minha assistente.
— Pois deveria. Sou um inimigo perigoso, Sara, que procura o ponto fraco dos meus rivais para pegá-los. E, a propósito, te vi saindo de uma clínica hoje. Seria um bebê o seu ponto fraco?
— Você é um louco!... Não me liga mais ou eu irei te denunciar por importunação.
Com as mãos trêmulas, desligo o celular e praticamente, jogo o aparelho na mesa.
— Chefinha você tá tremendo e pálida. Quer um copo de água?
— Por favor, Morg!
Feio um raio minha assistente sai da sala e retorna em segundos empunhando o copo de água.
Sem parar para respirar, eu tomo toda água em questão de segundos.
Meu coração bate tão rápido que parece que vou infartar. Um pânico se instaura em mim diante da possibilidade desse calhorda do Bryan saber sobre o meu bebê e querer fazer alguma coisa para ele como retaliação a mim ou Grissom.
— Obrigada, Morgan! — lhe estendo o copo vazio.
— De nada!
— Isso só pode ser um pesadelo! — digo, apoiando os cotovelos na mesa antes de esconder o rosto entre as mãos.
— Sei que não é da minha conta, mas... Quem é esse Bryan? O que ele te disse que te deixou nesse estado, Sara?
Bryan só pode ter perdido o processo para Grissom e por isso, essa raiva toda e esse tom de ameaça.
— Sara?
— Bryan é um calhorda que tive o desprazer de conhecer. — conto ao erguer o rosto e encarar minha assistente.
— Ele por acaso é o pai...
— Não! Deus me livre! — respondo sem esperar por ela completar aquela pergunta descabida. — Ele é... — por um segundo avalio se devo ou não abrir o jogo com Morgan. É um assunto bem íntimo e particular meu, para expor assim ao meu assistente linguaruda. Todavia, algo me diz que, neste caso, Morgan saberá ser discreta. Pelo menos é o que eu espero.
Deste modo, em um rápido resumo conto quem é Bryan, o que inclui por tabela trazer Grissom à tona e meu breve envolvimento com o noivo da minha prima.
— Espera aí... Você está grávida do novo todo poderoso das indústrias Care?
— Você o conhece? — franzo a testa. Era só o que me faltava, alguém do círculo de contatos do Grissom junto a mim, e lhe passando informações ao meu respeito.
— Bem que eu gostaria, mas infelizmente não o conheço.
— Não?? — ela balança a cabeça em resposta e confesso, fico aliviada. — Mas pelo modo como falou... Eu achei que o conhecia.
— Não pessoalmente. Estou mais para uma fã dele mesmo.
— Fã? — resmungo confusa. Desde quando Grissom é algum artista para ter fã?
— Sim. Uma fã que é doida para dar pra ele, porque ele é um coroa lindo e gostoso.
Morgan fala de um jeito que me deixa levemente incomodada.
— Sinceramente, sou mais o Memo.
— Eu também. Só estava brincando. — ela sorri. — Mas foi impressão minha ou detectei um tom de ciúmes na fala, chefinha?
— Que ciúmes o quê, criatura! — nego na maior cara de pau. Por mais que eu me obrigue a não querer sentir nada, ou melhor, a sentir raiva daquele cretino, inevitavelmente há o ciúmes. Mesmo não devendo eu sinto isso. Mas sei que um dia, o mais breve possível, esse sentimento vai sumir, porque Grissom não merece nada de mim, nem mesmo minha raiva, quanto mais meu ciúmes. — Grissom é passado para mim. Além do mais, ele tá casada com a minha prima. — tento soar mais convincente nesta fala, mas a julgar pela cara de Morgan, não sou bem sucedida.
— Sei. — ela diz em tom desconfiado e tenho mais certeza que não fui bem sucedida. Paciência. — Mas voltando ao tal de Bryan... Deve tomar cuidado, chefinha. Pelo que disse, ele não é flor que se cheire, então...
— Eu tomarei cuidado.
— Talvez devesse, sei lá... Falar com o Grissom e pedir sua...
— Negativo. — digo categórica. — Não irei pedir ajuda a ele. Sei me cuidar sozinha.
— Ok!... Agora... Eu preciso dizer que... ainda não acredito que você e o Gil Grissom foram um casal. Um casalzão, diga-se de passagem.
— Que casalzão, o quê?! Ele e eu foi um erro, isso sim.
— Um erro que rendeu um fruto aí na sua barriga. — ele aponta para minha barriga. — Posso te fazer uma pergunta indiscreta?
— Não!
— Vou fazer assim mesmo.
— Então pra quê o pedido de permissão para fazer a pergunta?
— Por educação apenas. E pra não ficar com peso na consciência também.
Morgan dá de ombros e ri. Essa aí consegue ser tão indiscreta quanto Dayse.
— Sempre ouvi dizer... — Morgan começa a dizer com um sorriso que não me agrada em nada. -... Que o Grissom era... Bem dotada. É verdade?
— Chispa agora da minha frente, Morgan Broddy, que temos trabalho pra fazer. — mando séria.
Que porra de pergunta a queima roupas foi essa dela?
Mas minha enxerida assistente nem parece se intimidar com meu tom de voz.
— Ai, estava tão legal o papo. Podíamos continuar conversando sobre você e o...
— Vou te encher de trabalho por duas semanas se terminar essa frase. E dê graças a Deus de eu não fazer isso só pela pergunta que fez.
— Misericórdia, mulher! Parei. E até já tô indo trabalhar. Fui!
— Já vai tarde! — digo vendo Morgan a caminho da porta.
— Ah, chefinha! — ela para na soleira da porta meio aberta e se virando me diz: — Me apresenta ao Grissom um dia.
— Não!
— Por favor.
— Jamais. E acredite é um bem que estou fazendo a você. Agora... Fora!
***
A noite em casa, eu conto para Dayse sobre a ligação de Bryan durante nosso jantar. Minha amiga fica louca da vida por saber da ameaça que o calhorda me fez. E assim como Morgan, Dayse também sugere de eu entrar em contato com Grissom para contar sobre Bryan.
— Não farei isso.
— Sa escuta... Aquele cretino pode ter errado de modo colossal com você, mas tenho certeza que ele vai cuidar direitinho daquele filho da puta.
— Não quero que ele se meta na minha vida. Sou adulta o suficiente para lidar com Bryan sozinha e sem a ajuda daquele cretino.
— Ele mataria e morreria por você, ainda mais se souber que você carrega seu herdeiro legítimo.
— Chega, Dayse. Não falarei nada pra ele. E você nada de entrar em contato com ele também. Preocupação do Grissom é a esposinha dele e o seu filho postiço.
— Ok! Se quer assim.
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