Grissom abriu um sorriso gentil, mantendo os olhos azuis ancorados nos meus. Havia algo inegável na profundidade daquele olhar, um sentimento que transbordava sem precisar de palavras.

— Estava me perguntando quando você daria o ar da sua graça, Grissom — Dayse interveio, atraindo a atenção para si e roubando de mim o magnetismo daquele momento.

Grissom desviou o rosto lentamente, mas o sorriso não desapareceu por completo; apenas mudou de natureza, tornando-se uma máscara social polida e bem ajustada. O vácuo que ele deixou ao retirar o olhar de mim foi quase físico, um súbito resfriamento no ar que nos cercava.

— Tive um imprevisto antes de pegar o jatinho para vir, por isso me atrasei — justificou ele, a voz agora carregada de uma elegância diplomática. — Mas atrasar às vezes é bom, porque o melhor fica guardado para o final.

— Isso é verdade — Dayse riu, sendo acompanhada pelo coro ensaiado dos demais.

Eu permaneci ali, muda. Grissom ainda não tinha olhado de volta para mim, mas a intensidade que havíamos compartilhado segundos antes ainda vibrava no espaço, como a corda de um violão que acaba de ser cortada, mas que insiste em ressoar um som fantasma.

— Vou precisar levar a amiga de vocês... — Grissom anunciou.

Seus dedos tocaram meu ombro com uma delicadeza quase calculada, enviando um arrepio que percorreu minha espinha e me fez perder o fôlego por um instante.

— Mas depois eu a devolvo e converso melhor com... alguns de vocês — completou, e notei seu olhar enquadrar Doug de forma afiada antes de voltar-se para mim. — Pode vir comigo, Sara? Tem uma pessoa que quer te rever, e outras que precisam conhecer o Benny.

O ar que eu prendia escapou em um suspiro lento, e senti Dayse me dar um empurrão discreto nas costas, um incentivo mudo para que eu respondesse. Tentei ignorar o calor que subia pelo meu pescoço, provavelmente deixando minhas bochechas rubras.

— É… claro — consegui responder, a voz soando mais fraca do que eu gostaria.

Ergui-me da cadeira com lentidão e extrema cautela, embalando Benny em meus braços para garantir que o sono dele não fosse perturbado.

Grissom se moveu com a naturalidade de quem conhece cada milímetro do seu espaço, mas a mão que segurou meu cotovelo o fez com uma delicadeza inesperada, quase reverente, guiando-me. Ele fez um gesto sutil com a cabeça em direção ao fundo do salão, onde a cacofonia da festa se transformava em um burburinho mais suave.

Enquanto caminhávamos lado a lado, percebi a postura de Grissom: era relaxada, controlada, mas seus olhos azul não estavam focados na multidão ou nos rostos conhecidos dos convidados. De esguelha, ele lançava olhares intermitentes e curiosos para nosso filho, que, milagrosamente, dormia profundamente, alheio à zoada vibrante que dominava o ambiente. A imagem de Benny, tão sereno e vulnerável em meio ao caos da festa, parecia fisgar a atenção dele de uma forma intensa e quase protetora.

O curto trajeto até um canto mais reservado da festa se arrastou em um suspense que parecia durar uma eternidade. Eu estava hiper consciente de cada detalhe da proximidade dele: do calor sutil que irradiava de seu corpo, do cheiro inebriante e familiar de seu perfume. Nossos braços roçaram de leve em um instante fugaz, e a descarga elétrica daquele contato casual foi suficiente para me fazer prender a respiração, um calafrio percorrendo minha pele.

No turbilhão da minha mente, enquanto o seguia, uma confissão silenciosa e desesperada gritava: a saudade que eu sentia dele, o peso da sua ausência durante aquela longa e torturante semana que se passara, era uma verdade insuportável. Cada passo era um esforço para não deixar escapar o desejo avassalador de parar, me virar e simplesmente confessar o quanto eu sentia falta da sua presença na minha vida.

Finalmente, a caminhada chegou ao fim. Grissom me guiou para um canto reservado, longe da pista de dança, onde a iluminação era mais suave e havia uma grande mesa redonda. Chegando ao lugar que Grissom queria, descobri quem estava à nossa espera.

Sentada à mesa, elegantemente vestida e ostentando um sorriso radiante, estava Catherine. Ela estava acompanhada da filha adolescente e de alguns rostos desconhecidos, mas minha atenção travou nela. A surpresa me atingiu em cheio, fazendo-me piscar, tentando processar a cena.

— Sara! — Catherine levantou-se num ímpeto entusiasmado e veio ao meu encontro.

Seu abraço foi caloroso, mas cauteloso para não apertar Benny, que dormia em meus braços. Aquela efusividade foi o refúgio perfeito, rompendo a bolha de tensão que se cristalizara entre Grissom e eu. Retribui o gesto desajeitadamente, sentindo-me desarmada pela mudança brusca de foco.

— Catherine, que surpresa boa! — respondi, e o sorriso que surgiu em meu rosto foi o primeiro lampejo de sinceridade em minutos.

Ela se afastou um pouco, com os olhos brilhando de alegria antes de pousá-los no pequeno vulto em meu colo.

— Ah, então este é o famoso Benny! — sussurrou, tocando a bochecha dele com a ponta do indicador, com uma delicadeza quase reverente. — Ele é ainda mais lindo pessoalmente. O Gil me confessou que precisava te "sequestrar" urgentemente só para me apresentar a ele.

Meus olhos buscaram os de Grissom, que permanecia logo atrás de mim. Ele sustentou o olhar; havia um brilho de diversão ali — ou talvez algo mais denso e indecifrável.

— Eu avisei que havia alguém ansiosa para te ver e conhecer o Benny — reforçou Grissom. Sua voz era baixa, carregada de um significado que Catherine, em sua animação, parecia não notar.

A filha de Catherine, uma jovem de traços suaves e olhar curioso como eu bem me lembrava, aproximou-se com passos leves para não quebrar o encanto do sono de Benny. Ela estendeu a mão e, com as pontas dos dedos, roçou o topo da cabecinha dele, onde os fios de cabelo eram mais finos.

— Ele parece um anjinho, Sara — sussurrou ela, abrindo um sorriso tímido que lembrava muito o de Catherine. — O padrinho não exagerou quando disse que ele era especial.

Aquele gesto simples e carinhoso de uma adolescente, geralmente tão focada em seu próprio mundo, me desarmou. Senti uma onda de gratidão por aquele acolhimento tão genuíno. Catherine observava a cena com um orgulho maternal que transbordava, enquanto Grissom, que assistia a tudo a poucos passos de distância, mantinha uma expressão de uma serenidade profunda, quase como se estivesse guardando aquela imagem em um lugar privilegiado da memória.

Com um movimento fluido, Grissom deu um passo à frente, assumindo seu lugar ao meu lado. Sua postura era impecável, mas havia uma suavidade nova em seus gestos quando ele começou, enfim, a me integrar formalmente ao seu mundo internacional.

— Pessoal, agora que a Cath e a minha afilhada já monopolizaram a atenção — Grissom começou, com um tom de brincadeira que fez o grupo rir — quero apresentar vocês formalmente. Esta é a Sara. E este pequeno tesouro... é o nosso Benny — disse ele, e notei um matiz de orgulho em sua voz que me fez perder o chão por um segundo.

Fui apresentada a Hannah e Henrich, um casal de engenheiros químicos que trabalham com Grissom em Munique, e a outros quatro amigos íntimos que compunham o seu círculo social na Alemanha. Eles falavam com um sotaque suave, misturando o nosso idioma com expressões alemãs de forma natural, mas todos foram unânimes na recepção: olhares acolhedores e comentários gentis sobre a serenidade de Benny.

— Grissom nos contou muito sobre você e o filho de vocês, Sarah — disse Hanna, em meu idioma levemente carregado pelo sotaque alemão, mas muito claro. — Mas ele esqueceu de mencionar que você tem esse brilho nos olhos. É um prazer finalmente conhecê-la.

O comentário de Hanna me pegou de surpresa, e meu olhar, quase que por instinto, buscou o de Grissom. Ele não desviou. Pelo contrário, sustentou o contato visual enquanto um sorriso discreto e enigmático brincava em seus lábios. Ele sabia exatamente o efeito que aquelas palavras — e a presença dele — causavam em mim.

— Sara é a pessoa que traz a cor para a minha vida — Grissom completou, a voz baixinha, quase um segredo compartilhado entre nós dois, mesmo diante de todos.

Catherine voltou a se inserir na conversa, puxando uma cadeira extra com uma hospitalidade vibrante.

— Sente-se conosco, Sara! Só por alguns minutos. Quero saber tudo sobre esse garotinho e como está sendo essa nova fase na sua vida.

Olhei para Benny, que deu um suspiro profundo no sono, e depois para a mesa repleta de desconhecidos que me observavam com curiosidade educada. Eu me sentia exposta, como se a confusão interna que Grissom causara estivesse estampada no meu rosto. Antes que eu pudesse inventar uma desculpa educada para fugir, senti a mão de Grissom pousar levemente na base da minha coluna. O toque era possessivo e familiar, um contraste gritante com o tom impessoal que vínhamos mantendo.

— Acho melhor, primeiro a Sara levar o Benny para o quarto para que ele possa dormir melhor, longe desse ruído, Cath — Grissom interveio, embora não tenha retirado a mão. — Depois ela volta e se acomodar com a gente não é, Sar?

O apelido, dito com tamanha naturalidade naquela voz rouca, me causou um calafrio. Grissom sabia exatamente o que estava fazendo: ele estava marcando território, mesmo sob o pretexto de me proteger do interrogatório de Catherine.

— Tudo bem então! — Catherine fez um biquinho de simpatia. — Mas você volte, hein?

— Pode deixar! — Retruquei.

— Mas antes que vá, preciso comentar... — Catherine fez uma pausa antes de concluir: — Você está radiante, querida. A maternidade te trouxe uma luz... diferente.

— Obrigada, Catherine. É... tem sido uma jornada e tanto — respondi, tentando manter a voz firme. — Grissom tem sido... — hesitei, buscando a palavra certa que não revelasse o caos entre nós — ... muito presente.

Grissom apertou levemente minha cintura antes de soltá-lo. O vácuo onde a mão dela estava pareceu esfriar instantaneamente.

— Eu só faço o que é necessário — Grissom disse, e o canto de sua boca se elevou em um sorriso que não chegava aos olhos. — Mas acho que já abusamos da sorte com o sono do Benny. Melhor levá-lo para o quarto antes que o show comece.

Catherine assentiu, lançando um último olhar carinhoso para o bebê. Despedi-me rapidamente, sentindo o peso do olhar da filha de Catherine e dos outros convidados nos seguindo enquanto nos afastávamos da mesa.

Assim que entramos no corredor silencioso, deixando para trás o tilintar dos talheres e o eco das risadas, a bolha de tensão voltou a nos envolver, ainda mais densa. Caminhamos em silêncio rumo à escadaria daquela casa imponente. Somente quando vencemos o último degrau é que Grissom quebrou o silêncio:

— Não posso deixar de comentar o quão linda você está nesse vestido — a voz rouca dele fez cada pelo do meu corpo arrepiar.

— Obrigada... — agradeci, o tom de voz denunciando meu desconcerto.

A peça era um modelo midi com fenda lateral e decote transpassado; além de valorizar o colo, facilitava a amamentação. Embora fosse um modelo pensado para o conforto pós-parto, não deixava de ter um ar inegável de sensualidade.

— Vermelho cai muito bem em você — acrescentou ele com um meio sorriso, antes de abrir a porta do quarto de William.

Lá dentro, a babá embalava a pequena no colo.

— Senhor Grissom — cumprimentou a mulher. Notei um sorriso largo demais direcionado a Grissom; eu poderia jurar que seus olhos brilharam ao vê-la.

— Já disse que esse "Senhor Grissom" é desnecessário — Grissom retrucou com uma careta de desagrado. — Esse tratamento me remete ao meu pai, e não gosto disso. Definitivamente, não sou ele.

— Me desculpe... Grissom — a babá corrigiu-se prontamente.

Gil assentiu e voltou sua atenção para mim, o olhar suavizando-se:

— Coloque nosso pequeno para dormir com mais conforto no berço. O espaço é grande o suficiente para ele e Will.

Aproximei-me do berço com passos cautelosos, sentindo o peso do olhar de Grissom — e, agora, a vigilância silenciosa da babá — queimando em minhas costas. Inclinei-me sobre o móvel, sentindo o calor residual do corpinho do meu filho se dissipar conforme eu o acomodava sobre o lençol macio. O silêncio do quarto era quase sagrado, quebrado apenas pelo som suave dos tecidos se ajustando.

— E aí, meu carinha? — A voz de Gil surgiu às minhas costas, carregada de um afeto profundo.

Virei-me devagar e o encontrei com William aninhado nos braços. A cena transbordava uma ternura que me desarmou.

— Acho que ele adivinhou que você estava chegando — comentou a babá, interrompendo o momento. Seus olhos permaneciam fixos, quase vidrados em Grissom, em uma admiração que beirava o fascínio. Grissom, contudo, sequer parecia notar a presença de outra pessoa no cômodo; sua atenção estava inteiramente hipnotizada pelo pequeno em seu colo.

— Ele já sente o papai por perto, não é, carinha? — Grissom murmurou, roçando o nariz na testa do bebê.

Um sorriso involuntário brotou em meus lábios. Era fascinante observar a simetria daquela relação. Embora não houvesse laço sanguíneo entre eles, a conexão era absoluta, límpida e visceral. O amor que Grissom dedicava ao filho de Maryanne não precisava de explicações; era um fato concreto, um testamento de sua capacidade de entrega.

Encurtando a distância entre nós, Grissom caminhou com passos firmes até parar diante de mim. O perfume dele, agora misturado ao cheiro suave de bebê, envolveu meus sentidos. Ele inclinou William levemente em minha direção, criando uma proximidade que acelerou meu pulso.

— Olha, filho... diz "oi" para a sua... futura mamãe — Grissom sussurrou a última parte. As palavras foram ditas com uma voz rouca, carregada de uma promessa que vibrou no ar entre nós.

— Gilbert! — o repreendi em um fôlego só, tentando manter uma expressão séria que minhas bochechas coradas insistiam em trair. O cretino apenas soltou uma risada baixa e vitoriosa, aquele som que sempre me desarmava.

— O quê? Eu não disse nenhuma mentira — rebateu ele, sustentando meu olhar com uma intensidade magnética. — Você e eu ainda vamos casar, e então você será oficialmente a mãe desse carinha também.

Sua certeza era uma força da natureza; algo tão sólido e inabalável que, por um instante, o futuro que ele descrevia pareceu a única realidade possível. O peso daquelas palavras flutuava entre nós, preenchendo o espaço vazio do quarto, mas eu não estava pronta para verbalizar o que meu coração já gritava.

— Oi, lindinho — eu disse, desviando o foco e concentrando toda a minha atenção em Wiliam.

Segurei sua mãozinha rechonchuda, sentindo a pele extremamente macia e o aperto instintivo de seus dedos minúsculos em volta do meu indicador. Era um refúgio seguro para ignorar a fala de Grissom, embora eu pudesse sentir o olhar dele queimando sobre mim, paciente e divertido, como se ele soubesse exatamente por que eu estava fugindo do assunto.

No canto do quarto, o silêncio da babá tornou-se pesado. Eu conseguia sentir o desconforto dela aumentando a cada segundo diante da intimidade que compartilhávamos. Ela era uma espectadora indesejada de um plano de vida que Grissom acabara de traçar em voz alta.

— Ele gosta do seu toque — observou Grissom, a voz agora mais suave, quase um acalento. Ele deu um passo à frente, diminuindo o pouco espaço que restava entre nós. — Viu só? Até ele concorda comigo.

William soltou um murmúrio baixinho e sonolento, fechando os olhos enquanto eu acariciava seu pulso com o polegar. Por um momento, o mundo lá fora — a festa, os convidados, a música abafada que subia pelo assoalho — deixou de existir. Éramos apenas nós três e aquela promessa silenciosa de uma família que, mesmo sem o papel assinado, já parecia ter raízes profundas.

Ergui os olhos, buscando o olhar de Grissom. A confiança dele sempre fora uma força inabalável, mas, naquele instante, algo novo cintilava sob a superfície: uma vulnerabilidade rara, um brilho de esperança quase tímido. Foi ali, naquele silêncio compartilhado, que percebi que, por trás de toda a sua postura decidida e autoritária, o meu "sim" era a única peça que realmente importava para completar o seu mundo.

A babá, que ainda permanecia estática em um canto do quarto, pigarreou. O som cortou a atmosfera como um ruído indesejado, uma tentativa clara de recuperar a atenção que Grissom dedicava inteiramente a mim.

— Se precisar de mais alguma coisa, Grissom... estou à disposição — ofereceu a mulher, a voz carregada de uma solicitude excessiva. — Posso pegar alguma coisa para beber para você, como, quem sabe, um copo de uísque?

Grissom sequer se deu ao trabalho de desviar o olhar do meu rosto. Apenas acenou com a mão livre, um gesto curto e dispensável.

— Não, obrigado. Pode se retirar — respondeu ele. O tom era polido, mas carregava a autoridade gélida de quem não admite réplicas. — Quero um momento a sós aqui.

Vi, pelo canto do olho, a babá se retirar em silêncio, fechando a porta com um clique abafado. O isolamento foi imediato. Sem o barulho da festa ou a presença de terceiros, o quarto foi preenchido apenas pelo ritmo das nossas respirações, que pareciam buscar o mesmo compasso.

— Essa babá parece admirar muito você — comentei, mantendo os olhos fixos em William para disfarçar o tremor nas mãos. Minha voz lutava para soar estável, mas meu coração batia contra as costelas como um pássaro enjaulado, desesperado para escapar.

Grissom soltou um riso curto, uma vibração rouca que ecoou pelo meu corpo e fez o arrepio em minha nuca se intensificar.

— Muita gente me admira — ele murmurou, a voz descendo uma oitava, tornando-se perigosamente íntima. — Mas pouquíssimas pessoas possuem o poder de me deixar verdadeiramente sem palavras. E você, neste vestido, está fazendo exatamente isso agora.

Senti quando ele pousou a mão suavemente em minha cintura. O toque era firme e possuía um calor latente que atravessava o tecido fino do vestido vermelho, ignorando qualquer barreira física. Era como se a mão dele reivindicasse não apenas o espaço, mas a minha própria calma, derretendo qualquer resistência que eu ainda tentasse manter.

Voltei meus olhos para Grissom e o encontrei a poucos centímetros de mim. A proximidade era perigosa; o ar no quarto parecia ter ficado subitamente escasso, saturado pelo perfume dele e pela intensidade magnética daquela confissão.

— Você gosta de me deixar sem jeito, não é? — murmurei. Minha voz falhou levemente, traída pelo efeito do toque firme dela em minha cintura.

Grissom não respondeu de imediato. Em vez disso, deslizou a mão de forma lenta, subindo pelas minhas costas em uma carícia torturante até que seus dedos se perdessem na minha nuca. O arrepio foi inevitável, percorrendo minha espinha como uma corrente elétrica. Ele se inclinou, o hálito quente roçando minha orelha enquanto William, em seu colo, lutava contra o sono, alheio à tensão que nos consumia.

— Eu gosto de ver como você fica quando baixa a guarda — sussurrou ele, a voz rouca vibrando contra minha pele. — Gosto de como esse vermelho realça o fogo que você tenta esconder sob essa pose de boa moça.

Meu coração parecia querer saltar do peito. Eu sabia que precisava dizer algo, retomar o controle ou ao menos buscar um pouco de oxigênio, mas o aperto de Grissom na minha nuca me ancorava ali, naquele vácuo onde o tempo não ousava passar.

— Gilbert... as crianças... os convidados lá embaixo... — tentei argumentar, um último esforço racional enquanto meus dedos ainda buscavam apoio na mãozinha de William.

— Eles podem esperar — ele rebateu. Afastou-se apenas o suficiente para me encarar, os olhos agora em um tom de azul escurecido pela luxúria e pela urgência. — O mundo pode esperar cinco minutos. Eu esperei a vida inteira por alguém que me olhasse do jeito que você olha.

Com uma delicadeza extrema, Grissom depositou William no berço, aninhando-o ao lado de Benny. Deu apenas algumas batidinhas suaves nas costas do pequeno, que se rendeu ao sono quase instantaneamente. Ao retomar a postura, ele voltou para mim, anulando qualquer milímetro de distância que nos restava.

​— Seu namoradinho não tirava os olhos da gente enquanto eu te apresentava aos meus amigos, e muito menos quando entramos na casa — comentou ele. A voz rouca agora carregava uma pitada ácida de ciúme e ironia, especialmente ao enfatizar o termo "namoradinho".

​Grissom ainda não sabia que aquele título já não pertencia a Doug há dias. Mas, vendo a centelha de posse no olhar dele, percebi que havia chegado a hora de ele saber a verdade.

A revelação pairava entre nós, prestes a ser lançada como a última peça de um dominó que derrubaria as defesas de Grissom. Mantive o olhar fixo no dele, notando como o azul de suas íris parecia turbulento, uma mistura de desejo contido e a irritação possessiva que ele tentava mascarar com ironia.

​— Ele não é mais meu namorado, Grissom — soltei as palavras com uma calma deliberada, embora meu interior estivesse em brasa. Mantive o olhar fixo no dele, observando atentamente cada microexpressão que cruzava seu rosto esculpido. — Doug e eu terminamos... Há dias.

​O efeito foi imediato e avassalador. O sarcasmo que antes curvava os lábios de Grissom em uma linha defensiva desmoronou, substituído por uma surpresa muda que o deixou estático. Por um breve segundo, ele estava exatamente como confessara que eu o deixava: sem palavras. Os dedos que envolviam minha nuca relaxaram por um milésimo de segundo, apenas para se fecharem novamente com uma firmeza possessiva, como se ele precisasse ancorar-se em mim para acreditar que aquela nova realidade não era um delírio.

​— Você está solteira? — perguntou ele. A voz desceu a um oitavo quase inaudível, despojada de qualquer acidez. Era um sussurro rouco, carregado de uma esperança faminta que me fez estremecer.

​— Totalmente — reafirmei, sentindo o peso invisível de semanas de incerteza desabar dos meus ombros. — Ele está na festa por causa do Benny, agindo como um amigo — ou tentando ser um —, mas não há mais nada entre nós. Nunca houve... o que sinto que existe aqui.

​Gesticulei entre nós dois, um movimento curto que parecia selar o destino. Talvez não houvesse no mundo outra pessoa com quem eu tivesse experimentado uma conexão tão magnética e instantânea quanto a que compartilhávamos desde o primeiro encontro.

​Grissom soltou uma respiração pesada, um som que pareceu carregar toda a tensão acumulada. O ciúme que antes enrijecia seus ombros dissolveu-se, transmutando-se em uma intensidade predatória e, simultaneamente, terna. Ele deu o passo final, eliminando a última barreira de ar. Nossos corpos colidiram de tal forma que eu podia sentir o calor febril de sua pele atravessando o tecido fino do meu vestido vermelho, enquanto a batida desenfreada do seu coração martelava contra o meu peito.

​— Você não tem a menor ideia do que isso muda — ele murmurou. A mão em minha cintura me puxou com uma urgência renovada, fundindo nossas silhuetas sob a luz suave do quarto.

​Seus olhos fixaram-se nos meus e algo primitivo, quase selvagem, brilhou nas profundezas daquelas íris escuras.

​— Então me mostra... o quanto isso muda — sussurrei. Em um gesto de puro convite, deslizei a ponta da língua pelos meus lábios de forma lenta.

​Observei, em um transe compartilhado, os olhos de Grissom seguirem o rastro da minha língua com uma fixação hipnótica. A respiração dele, antes profunda, falhou completamente; a pressão dos seus dedos em minha nuca aumentou, um aperto possessivo que denunciava que o controle que ele tanto prezava estava prestes a se romper como um fio de seda sob tensão.

​Porém, antes que o inevitável acontecesse, o som metálico da maçaneta girando cortou o silêncio como um chicote. A porta se abriu abruptamente, e a voz de Lewis invadiu o cômodo, estilhaçando a bolha de intimidade que nos isolava do mundo.

​— Ah, aí estão vocês! — exclamou Lewis.

​Nossos olhares, antes fundidos em um desejo mudo, desconectaram-se violentamente. Viramos para a entrada, onde Lewis nos observava com uma expressão que oscilava entre a curiosidade e o choque.

​— Interrompi algo? — ele perguntou, seus olhos alternando entre mim e Grissom, notando nossa proximidade perigosa e o "ponto de exclamação" invisível que parecia flutuar sobre nossas cabeças.

​— Não! — Grissom disparou, dando um passo rápido para trás e recompondo a postura com uma agilidade que me deixou tonta.

​— Sim! — respondi no mesmo milésimo de segundo, as sobrancelhas franzidas em uma reação instintiva de frustração.

​Virei o rosto para Grissom, estranhando a negação imediata dele. O ar entre nós, que segundos antes estava em chamas, agora parecia ter sido atingido por uma lufada de gelo.

​— Acho que vocês deviam entrar em um consenso sobre a resposta — brincou Lewis, soltando um riso anasalado enquanto cruzava os braços. — Mas, enfim... se interrompi ou não, agora já foi. Os convidados lá embaixo estão perguntando por vocês, e o clima da festa exige a presença dos pais do anfitrião adormecido. Acho bom descerem e deixarem para depois o que quer que estivesse — ou não — rolando aqui. Vamos?

​Grissom assentiu com um movimento rígido de cabeça. Lewis girou nos calcanhares e saiu, mas a tensão que ele deixou para trás era de uma natureza diferente: agora, era carregada de um silêncio desconfortável. Assim que ficamos a sós novamente, Grissom evitou meu olhar por um instante antes de finalmente se voltar para mim.

​— Vamos descer? — a voz dele soou controlada, quase gelado, o que me irritou profundamente.

​— Quer dizer que ele não interrompeu nada? — desafiei, arqueando a sobrancelha em um gesto de óbvia cobrança. Minha voz carregava o peso do desejo que ainda pulsava em minhas veias, exigindo uma explicação para o balde de água fria que ele havia jogado na frente de Lewis.

​Grissom deu um passo em minha direção, reduzindo a distância que havia criado.

​— Interrompeu, mas não era preciso que ele soubesse disso — murmurou. Grissom piscou um dos olhos e abriu aquele sorriso de canto, carregado de uma malícia charmosa, tipicamente cafajeste, que era sua marca registrada.

​O gesto foi o suficiente para desarmar todas as minhas defesas e transformar minha irritação em um sorriso involuntário. Ele tinha esse poder: o de incendiar e apaziguar o ambiente com um simples olhar.

​— Vamos lá? — convidou, estendendo a mão discretamente em direção à porta, indicando o caminho de volta à realidade da festa.

​Assenti, mas não sem antes me permitir um momento de pausa. Antes de seguir o rastro do perfume de Grissom para fora dali, curvei-me sobre o berço onde o silêncio era absoluto. Toquei com a ponta dos dedos o rosto quente e macio do meu filho, sentindo aquela onda de proteção que só uma mãe conhece.

​Em seguida, movida por um impulso que vinha direto do coração, deslizei a mão com o mesmo carinho pela face de William. No fundo, eu sentia as raízes do afeto por aquele garotinho se aprofundarem em mim. Ele era uma alma inocente, alheia às tempestades dos adultos. Uma pontada de dó apertou meu peito ao pensar em Maryanne; era incompreensível como alguém podia renegar o próprio sangue, sequer buscando notícias do filho.

​No entanto, ao olhar para Grissom, que aguardava à porta, senti um alívio imediato. William tinha a sorte de ter sido escolhido por Gil. Grissom não precisava de laços sanguíneos para ser a fortaleza daquele menino; sua dedicação era o tipo de amor mais puro que existia: o amor que decide ficar.

Descemos as escadas lado a lado, mas a distância física que agora nos separava parecia meramente cenográfica; a eletricidade entre nós ainda era palpável. Assim que meus pés tocaram o mármore do salão principal, o som da música e o burburinho das conversas me atingiram como uma onda, trazendo-me de volta à realidade da recepção.

​Não demorou muito para que o campo de visão de Doug nos alcançasse. Ele estava estrategicamente posicionado perto do aparador de bebidas, os dedos apertando um copo de cristal com uma força que denunciava sua agitação. No instante em que seus olhos encontraram os meus, e logo em seguida deslizaram para Grissom, que caminhava ao meu lado com uma proximidade quase proprietária, vi sua postura se enrijecer como se estivesse se preparando para um impacto físico.

​Ele se desprendeu do móvel e interceptou nosso caminho com passos decididos, bloqueando a passagem antes que pudéssemos alcançar a segurança da mesa de Catherine.

​— Não precisou de muito tempo para me substituir por ele, não é, Sara? — As palavras saíram carregadas de uma ironia ácida, destilando um ressentimento que ele já não fazia questão de esconder. Foi um erro estratégico óbvio; ele havia escolhido o tom de voz e o momento errados para desafiar quem estava ao meu lado.

​Grissom parou no mesmo instante. Vi a transformação acontecer em segundos: o sorriso cafajeste e relaxado que ele exibia no quarto desapareceu completamente, dando lugar a uma máscara de autoridade gélida. Ele cruzou os braços sobre o peito, uma postura de comando que parecia diminuir o espaço ao redor de Doug, tornando-o subitamente pequeno diante de sua presença imponente.

​— Doug, o que você me prometeu? — perguntei, minha voz estava soando baixa e controlada, embora por dentro eu fosse um turbilhão.

​Tentei manter a neutralidade, mas era uma tarefa quase impossível; o toque anterior de Grissom em minha cintura ainda parecia queimar sob o vestido vermelho, uma marca invisível que me ligava a ele e me afastava definitivamente de qualquer passado com o homem à minha frente. O olhar de Doug oscilava entre a mágoa e a fúria, buscando em mim uma culpa que eu já não estava disposta a carregar.

​O ar entre nós três tornou-se denso, saturado pelo perfume caro de Grissom e pelo odor de álcool que emanava de Doug. Ao nosso redor, o som da festa começou a desbotar, transformando-se em um ruído de fundo distante enquanto o confronto no centro do salão ganhava contornos perigosos.

Grissom descascou os braços lentamente, um movimento calculado que parecia indicar o fim de sua paciência. Ele deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal de Doug com uma confiança que beirava a intimidade perigosa. O silêncio que emanava de Grissom era muito mais ensurdecedor do que qualquer grito.

— Substituir? — Grissom repetiu a palavra dele, deixando-a rolar pela língua como se fosse algo amargo e descartável. Ele soltou um riso seco, desprovido de qualquer humor. — Para alguém ser substituído, Doug, ele precisa primeiro ocupar um lugar de importância. E, pelo que vejo aqui, você nunca passou de um figurante que se recusou a sair de cena quando as luzes se apagaram.

Doug abriu a boca para retrucar, mas Grissom não lhe deu a menor brecha. Ele inclinou o rosto levemente, os olhos azuis agora frios como duas pedras de gelo sob o sol de inverno.

— Você prometeu discrição e respeito, e está falhando miseravelmente em ambos. Sara não "substituiu" você. Ela simplesmente escolheu o que é real, o que é intenso e o que, claramente, você nunca teve capacidade de oferecer. Se você tiver um pingo de dignidade restante, vai se afastar agora e entender que o seu tempo acabou.

Grissom fez uma pausa dramática, deixando que o peso de sua presença esmagasse qualquer vestígio de audácia que Doug ainda possuísse.

— E um aviso: não confunda a minha hospitalidade com fraqueza. Nesta casa, e na vida de quem eu protejo, você é apenas um ruído de fundo que eu posso desligar a qualquer momento.

A humilhação foi tão nítida que vi a cor fugir do rosto de Doug. Ele ficou estático, o copo tremendo levemente na mão, enquanto os convidados ao redor desviavam o olhar, desconfortáveis com a derrota esmagadora que acabaram de presenciar. Grissom nem esperou por uma resposta; ele simplesmente voltou-se para mim, mudando instantaneamente a expressão para algo protetor e suave.

— Vamos, honey? — perguntou ele, estendendo o braço para mim, como se nada tivesse acontecido. — Deixemos o passado onde ele deve estar: no escuro.

Entrelacei meu braço no de Grissom. Era uma declaração silenciosa, mas ensurdecedora. Ignoramos a figura de Doug, que permanecia estática e desmoronada para trás, e começamos a atravessar o salão.

Caminhamos com uma sincronia impecável, nossos passos ecoando no mármore com uma autoridade que parecia silenciar as conversas paralelas à medida que passávamos. Grissom mantinha o queixo erguido e um leve sorriso de triunfo nos lábios, enquanto eu sustentava o olhar de quem quer que ousasse questionar nossa união. Não éramos mais apenas um casal atravessando uma festa; éramos um bloco inabalável de elegância e poder que atraía todos os olhares como um ímã.

Ao chegarmos à mesa, o silêncio de expectativa foi quebrado pela expressão de choque e admiração de Catherine.

— Voltamos — anunciou Grissom, sua voz projetando-se com clareza para que não houvesse dúvidas.

Ele não apenas me conduziu até a cadeira, mas, antes de me sentar, pousou a mão com possessividade e ternura sobre o meu ombro, inclinando-se levemente. O gesto era público, deliberado e selava o que havia acontecido lá em cima.

— Espero que não tenham sentido muito a nossa falta — Grissom continuou, percorrendo os olhos pelos convidados da mesa, desafiando qualquer um a comentar o episódio com Doug. — Estávamos apenas alinhando nossos planos para o futuro.

Catherine sorriu, captando a mensagem instantaneamente, e ergueu sua taça em nossa direção.

— O futuro parece muito promissor para vocês duas — comentou a amiga, os olhos brilhando.

Sentei-me, sentindo o calor do corpo de Grissom ao meu lado enquanto ele ocupava o lugar adjacente, sem nunca romper o contato visual comigo. A mensagem para o salão inteiro estava dada: o passado tinha sido enterrado de vez, e quem quer que estivesse assistindo agora sabia que, para chegar a mim — ou a Benny —, teria que passar por Gilbert Grissom primeiro.

Por algum tempo, permaneci ali, mergulhada na dinâmica da mesa. Fui sendo apresentada a uma rede de amizades que orbitava Grissom: Nick, Jim, Warrick e Albert, estabelecendo conexões com essas pessoas que pareciam partilhar de sua mesma aura de sucesso e sofisticação. O grupo era vibrante, uma mistura de risadas altas e diálogos rápidos que preenchiam o ar com uma energia contagiante.

​Era fascinante observar a desconstrução daquele Grissom "imponente" diante de seus iguais. Eles se zoavam sem misericórdia, lançando piadas internas e implicâncias afiadas que voavam de um lado para o outro da mesa. O alvo principal, para meu divertimento, era quase sempre Grissom. Eles o cutucavam sobre manias e histórias antigas, testando os limites de sua paciência com um carinho bruto que só amizades de longa data permitem.

Assisti a tudo com um sorriso leve nos lábios, genuinamente encantada ao ver Grissom relaxar a postura e baixar a guarda. Era fascinante observar como o homem imponente de minutos atrás se transformava, devolvendo as provocações à altura com um brilho divertido no olhar e rindo de si mesmo. Naquele momento, cercada por aquela alegria barulhenta e sem filtros, senti que estava sendo admitida em um santuário: não apenas na opulência de sua casa, mas na parte mais real, desarmada e humana da sua vida.

No entanto, a consciência do meu papel como anfitriã e a responsabilidade com meus próprios convidados falaram mais alto. Eu não podia me deixar levar inteiramente pela órbita de Grissom, por mais tentador que fosse. Pousei a mão suavemente em seu antebraço e inclinei-me para sussurrar rente ao seu ouvido, sentindo o calor que emanava de sua pele.

​— Preciso dar atenção aos meus convidados — murmurei, o hálito roçando seu cabelo. — Já faz tempo que os deixei por conta própria, e não quero parecer uma anfitriã ausente.

​Grissom interrompeu a risada por um segundo, silenciando a provocação que estava prestes a lançar para um de seus amigos. No mesmo instante, ele se voltou inteiramente para mim. A agitação da conversa grupal desapareceu de seus olhos, substituída por uma nota de compreensão atenciosa e uma suavidade que ele parecia reservar apenas para os nossos momentos.

​— Claro — ele respondeu, a voz baixando para um registro rouco, uma frequência feita apenas para os meus ouvidos. — Você tem razão. Vá lá e fique um pouco com eles.

​Ele cobriu minha mão com a sua por um breve segundo, um gesto de apoio antes de eu me levantar.

​— Daqui a pouco eu apareço por lá para um papo — acrescentou ele, e o brilho de promessa em seu olhar indicava que ele não estava apenas sendo cortês. — Quero garantir que seus amigos saibam que estão sendo tão bem recebidos quanto você.

​Assenti, sentindo um frio na barriga com a ideia de Grissom interagindo com o meu mundo de forma tão deliberada. Levantei-me da mesa sob os olhares curiosos e simpáticos do seu círculo social e iniciei a travessia pelo salão. Sentia o drapeado do vestido vermelho acompanhar o ritmo dos meus passos, uma mancha de cor vibrante sob as luzes de cristal, enquanto buscava os rostos familiares de Catherine e dos outros. Embora estivesse me afastando fisicamente, uma parte de mim permanecia ancorada ali, presa à gravidade de Grissom.

​No instante em que alcancei a mesa dos meus amigos, fui imediatamente bombardeada por comentários que pairavam como nuvens prontas para descarregar.

​— Pensei que o "todo-poderoso" ia te monopolizar pelo resto da noite — disparou Finn, com um sorriso de canto que misturava malícia e divertimento.

​— Ah, mas ele pode! E vamos ser sinceros: a chefinha aqui não ia reclamar nem um pouco dessa exclusividade — Morgan rebateu prontamente, antes de soltar sua risada espalhafatosa, aquele som contagiante que parecia preencher todos os cantos da mesa.

​Dayse, no entanto, tinha um olhar mais analítico. Ela inclinou-se para frente, baixando levemente o tom de voz.

​— Deu para sentir a tensão entre vocês dois daqui, Sara. A eletricidade estava quase visível. E aquele confronto com o editor gato? Foi cinematográfico.

​Soltei um longo suspiro enquanto me acomodava ao lado dela, sentindo o peso do cansaço emocional e da adrenalina finalmente baixando.

​— Por falar nele... onde dele se meteu? — perguntei, notando que o lugar de Doug à mesa estava vazio, a taça abandonada e o guardanapo de linho amarrotado.

​— Depois de ser literalmente esmagado pelo Grissom, ele evaporou — Dayse revelou, fazendo um gesto vago com a mão para indicar o salão vazio às nossas costas.

​— Eu tenho uma teoria — Morgan interveio, ajeitando a postura com um ar dramático. — Acho que o pobre Doug foi direto para o banheiro lavar a cara de vergonha. Depois daquela lição de moral pública, o ego dele deve estar em pedaços no chão da recepção.

​O comentário arrancou risadas do grupo, mas eu permaneci olhando para a entrada do corredor, dividida entre o alívio de sua ausência e a estranha sensação de que a noite ainda reservava mais surpresas do que eu poderia prever.

Notas finais
Ficamos por aqui. Quero avisar que a próxima atualização só virá no dia 16 de janeiro. Tirarei os quinze primeiros dias do mês para descansar, algo que sempre faço todo início de ano. Desde já desejo a vocês que este novo ano que chegará, seja uma jornada de reflexão e crescimento, onde possamos aprender com as experiências passadas e construir um futuro cheio de esperança e oportunidades; que a prosperidade e a abundância acompanhem cada passo que cada uma de vocês derem em 2026 e que este ano seja repleto de realizações e sucesso em todos os aspectos da vida de vocês, meus amores; Cuidem de si mesmas e daqueles que amam. Feliz Ano Novo, meus amores! 😘 Nos "vemos" dia 16 de Janeiro. Um xero ❤️