"Não precisamos de riquezas para sermos felizes, e sim de pessoas especiais que possam fazer parte das nossas vidas."

(Edna Dinnhah)

***


- É, definitivamente, ele está apaixonado por você, amiga.

- Ele falou que gosta de mim. Não falou que está apaixonado. — corrijo Dayse. — São coisas diferentes.

- Certo! E eu sou a Jennifer Aniston! Ah, qual é amiga?!... Vai ver que ele não falou com todas as letras que está apaixonado, pra não dar na cara, mas que ele tá apaixonado, tá. — minha amiga decreta antes de beber em um gole só sua cerveja.

- Pára com isso, Dayse. — a recrimino, batendo com meu cotovelo em seu braço enquanto beliscamos uns salgados perto da mesa de seu apartamento onde está rolando a minha festa de aniversário.

Os convidados já tinham todos chego, todos são pessoas próximas a mim o bastante para estarem a li, fazendo parte daquela comemoração íntima.

Distribuídos pela sala em pequenas rodinhas, os grupos iam trocando conversas enquanto bebiam e uma música não tão alta rola no ambiente.

Morgan e Dayse tinham se saído bem demais na organização daquela pequena comemoração, a começar pela decoração. Elas tinham feito algo discreto, intimista e... Lindo! Tanto que me arrancou lágrimas por ver o quão cuidadosos e carinhosos, elas haviam sido, pois tinham espalhado pela sala fotos minhas tiradas em outras ocasiões ou eventos com minha família e com cada um dos demais convidados ali presentes. Também colocaram algumas velas decorativas em LED no ambiente, bem como flores e algumas bexigas em tom perolado, tudo para na justificativa delas "criar um ambiente pessoal e de atmosfera única e especial". E a julgar pelo resultado, elas cumpriram muito bem ao que propuseram.

Para os comes e bebes, elas tinham contratado um pequeno buffet (que incluía no cardápio coisas para veganos e não veganos), por ser muito mais prático. Quando as questionei momentos atrás quem pagou por isso, ambas só fizeram lançar um discreto olhar na direção dos meus pais, ou seja, eles foram os "patrocinadores" disso.

- E talvez o fato de você ter ficado ainda mais gostosa com todas essas curvas exuberantes, nesse vestido que escolheu para a festa... Seja um bônus a mais para ele não tirar os olhos de você.

- O vestido! — solto um muxoxo. — Não achei que ele fosse ficar tão justo assim. É um dos pouquíssimos de noite que coube em mim.

Isso me faz lembrar que preciso desesperadamente comprar roupas de grávida. As poucas peças que tenho, estão virando uma espécie de "bate revira e veste".

- Mas você ficou ótima nele, amiga. Gostosa em um nível hard.

A peça justa de veludo na cor de vinho, com manga 3/4 e um decote generoso na frente, me fazia chamar a atenção mais do que imaginei.

- Por isso o Doug te olha tanto também.

- Para com isso. — a recrimino de novo, temendo que Doug consiga fazer leitura labial de onde está e descubra que ele é a pauta do assunto ali.

- Amiga, até um cego perceberia isso. Ele olha todo apaixonadinho.

- Quem olha quem todo apaixonadinho? — Lewis indaga, parando perto de nós duas e pegando apenas o final de nossa conversa.

- Ah! O... Edgar! Ele te olha todo apaixonadinho. — invento de imediato e lanço um olhar para Dayse, que aperta os lábios um contra o outro, provavelmente para reprimir uma gargalhada.

Só espero que minha amiga não invente de me desmentir, porque juro que a faço engolir todos os salgadinhos daquela mesa. E olha que tem bastante ali.

Não quero Lewis sabendo das suspeitas de Dayse sobre o editor de artes, porque sei que no fundo ele tem esperanças de que seu irmão cretino e eu voltemos, algo totalmente fora de cogitação por mim. Grissom e eu tivemos nossa chance, mas aquele cretino estragou tudo.

- Verdade! — minha amiga concorda após dissimular o riso e respiro aliviada.

- Mais quem diz isso. — Lewis sorri e lança um olhar cheio de amor e carinho para Edgar de papo com meu pai, Sean, Memo e Doug. — Ah! A propósito, não contei a boa nova a vocês.

- Qual? — Dayse e eu dizemos juntas.

- Ele me pediu em casamento ontem.

Com um sorriso de orelha à orelha, Lewis nos mostra o anel de compromisso enfeitando seu dedo anelar da mão esquerda. Eu até tinha reparado na joia mais cedo, porém pensei que fosse uma peça "normal" de sua coleção.

- Ah, parabéns, Lewis. — abraço-o, felicitando e logo na sequência é a vez de Dayse fazer o mesmo.

- Obrigado, meninas. Na verdade, já me sinto casado com ele, porque Edgar passou a morar lá em casa depois da morte do papai e a mudança do Gil para a Alemanha. O que faremos é oficializar as coisas no civil e religioso, como manda o "figurino".

Ele conta todo radiante. Em seus olhos dá para ver o brilho da felicidade. E quer saber? Fico muito feliz por Lewis. Ele merece toda a felicidade ao lado de alguém que claramente o ama de forma verdadeira e apaixonada como Edgar demonstra.

- E pra quando é esse casório?

- Provavelmente para o fim deste ano, Dayse. Ainda vamos decidir a data com calma. Mas já aviso de antemão, que quero as duas e esse camaradinha lá... — Lewis toca minha barriga com carinho. -... Principalmente você, Sara. Inclusive, quero que seja a minha madrinha.

- Oi?!

Fico tremendamente surpresa com o convite, porque ser convidada para ser madrinha de casamento é um gesto de grande carinho por parte dos noivos. Significa que você é uma pessoa especial, querida e a ponto de eles desejarem ter ao lado durante um momento tão importante de suas vidas. E mais honrada fico com isso, porque apesar de fazer poucos meses que nos conhecemos, Lewis já me considera alguém muito importante para tal papel.

- Isso mesmo que ouviu. Quero que esteja lá como minha madrinha.

- Uau! Obrigada pelo convite, Lewis! — agradeço, lhe dando outro abraço ainda estupefata com o convite. — Será uma honra ser parte de um momento tão especial para vocês.

- E o padrinho? — Dayse perguntou.

- Ah! — ele faz um barulho com a língua semelhante a um estalo. — Será o Gil. — finaliza com um sorriso sem jeito ao me encarar.

Que ótimo! Eu e Grissom de padrinhos. Mas por Lewis sou capaz de tolerar isso.

- Espero que isso não seja problema pra você, Sara. E nem motivo para declinar do meu convite.

- Jamais faria isso com você, Lewis. Se me convidou para tal posto... Pode acreditar que estarei lá, mesmo que isso implique em ter que compartilhar o mesmo espaço com o seu irmão e a esposinha dele.

Só precisarei me preparar psicologicamente para tal ocasião. Sorte a minha que ainda faltam uns bons meses pela frente para tal evento.


***


- O lado ruim da festa em casa é que a bagunça sobra tudo pra gente depois. — Dayse comenta rindo ao entrar na cozinha com um saco de lixo preto.

- Isso é uma baita verdade. — concorda Doug lavando a louça enquanto eu me encarrego de enxugar e guardá-las.

- Mas pela minha amiga querida, valeu muito a pena a festa e tá valendo até arrumar a bagunça. — Dayse pisca um olho para mim e retribuo lhe jogando um beijo em agradecimento.

Depois de todos os convidados terem ido, restou apenas meus pais, Sean, Doug e eu ali no apê de Dayse. Como havia muita bagunça, sugeri darmos uma ajuda a minha amiga na arrumação do apartamento.

Dayse, de início, rechaçou a minha proposta, mas depois acabou aceitando quando viu que seria muita coisa para somente ela. Sendo assim, minha amiga nos dividiu em duplas para facilitar e agilizar o processo de arrumação.

Meus pais ficaram encarregados de desfazer a decoração do aniversário. Dayse propositalmente puxou Sean para auxiliá-la na limpeza da sala recolhendo o lixo e realocando os móveis de volta. Com isso acabei formando dupla com Doug e me sobrou a tarefa de guardar as louças que seriam lavadas por ele, isso depois de muito insistir para fazer algo, já que todos foram unânimes em querer me deixar sentada em um canto, sem fazer nada só porque estou grávida. Veja só?!

- Já acabaram lá na sala?

- Quase! — Dayse me responde alto da lavanderia, onde tinha ido deixar o lixo. — E vocês por aqui?

- Quase também! — digo quando a vejo surgir de volta à cozinha.

Minha amiga vai dizer algo, mas o chamado de Sean vindo da sala, a faz voltar para lá no mesmo pé.

- Foi uma boa comemoração! — ouço Doug comentar do nada e sorrio sem que ele veja, já que está de costas para mim.

- Sim. Me diverti como não fazia há um tempinho.

Foi uma noite incrivelmente agradável, divertida e feliz, que passei na companhia da minha família e de amigos especiais, comemorando mais um ano de vida. De verdade, fazia um tempo que não vivia algo prazeroso e feliz como nas últimas horas de festa ali.

Ter pessoas que amamos ao nosso lado em datas especiais é como um bálsamo para a alma. Me sinto afortunada pelos amigos maravilhosos e a família extraordinária que tenho. Eles são tudo para mim.

- Seus amigos são tudo gente boa. Aquele Bolton então, é uma figura.

- Sim. — confirmo com um sorriso. — E vocês dois parecem ter se dado super bem. Vi que ficaram bastante tempo de papo.

- Ah, sim! Acabamos descobrindo que temos uma amiga e uma ex em comum.

- Sério? — fico surpresa.

- Sim. — confirma Doug desligando a torneira e se virando para me encarar, já que tinha terminado de lavar todas as louças.

Minha língua coça para perguntar quem seria essa amiga e a tal ex, mas contenho minha curiosidade. Ele poderia ter dito os nomes, porém não o fez. Portanto não serei eu com minha pergunta indiscreta, que o fará dizer.

- Que mundo pequeno! — retruco ao lhe estender o pano de prato para enxugar as mãos.

- Um ovo!... E eu devia ter usado o avental como me recomendou. Minha camisa está toda respingada. — ele tenta inutilmente secar com o guardanapo que enxugou as mãos, porém não surte qualquer melhora em sua camisa azul Royal, que segue com respingos na altura do abdômen.

Sorrimos e logo em seguida um silêncio que beira ao constrangimento toma conta da cozinha enquanto observo Doug me encarar como se quisesse me dizer algo, mas hesitasse nisso por algum motivo.

Durante a festa também foi assim. Quando o flagrava me olhando, conseguia ler em seus olhos um conflito latente de querer vim até mim e falar algo. Porém, ele se continha e ficava lá onde estava. Dayse acha que ele quer se declarar, mas não está sabendo como chegar em mim e fazer isso.

Eu espero, sinceramente, que ela esteja errada, porque não sei como farei para lidar com o fato de Doug se declarar a mim. Ele é um cara incrível, que não merece alguém que carrega feridas ainda não cicatrizadas. E o pior de tudo, não saberei lhe dar um fora que não deixe tal mau, quanto eu ficarei por dispensar um cara bacana.

- Sara...

- Doug...

Nós dizemos juntos e logo na sequência rimos disso.

- O que você ia me dizer? Porque ia dizer, né?

- Sim, mas... Damas primeiro — ele aponta gentilmente para mim.

Sorrio de sua gentileza. Ele é sempre um gentlemen como poucos. Isso tem ficado tão escasso nos homens ultimamente.

- Bom... Só queria agradecer pela presença. Muito bom ter você aqui.

- Que isso! Na verdade, eu agradeço por mais uma vez me permitir estar compartilhando de uma comemoração sua.

- Está quase virando da família. Natal, Ano Novo, meu aniversário agora. — brinco.

- Pois é. — ele dá um sorriso fraco.

E lá está de novo seu olhar cheio de palavras querendo vir à tona, porém seguradas como quem teme falar e estragar as coisas ali.

- Mas e você o que ia me dizer? — indago para quebrar o silêncio e o vejo desviar o olhar de mim por segundos para encarar o chão.

- Em outra ocasião te falo. Melhor! — seu olhar torna a encontrar os meus. Noto neles certa frustração enquanto as suas mão amassam o pobre guardanapo como se ele fosse uma massa precisando ser sovada.

Antes que eu formulasse alguma réplica, meu irmão apareceu na cozinha indagando sobre termos terminado, pois na sala já estava tudo certo.

- Terminamos sim. — Doug se adianta em responder. — Vou nessa. Já está tarde. Boa noite, gente. — ele passa por nós e deixa o guardanapo sobre a mesa.

- Boa noite, cara. — Sean é quem responde. — E nós, vamos também, maninha? Papai e mamãe já querem ir.

- Claro. Vamos então.

Na manhã do dia seguinte, reunida com meus pais e meu irmão na mesa do café, a resenha sobre a festa de ontem rolou solta. Todos foram unânimes em afirmar que a noite foi divertida e animada. Papai chegou a brincar que se sentiu até mais jovem perto de tanta gente mais nova que ele.

- Pois eu me senti mais velha. Ainda mais com alguns dos amigos da Sar, me chamando de tia. — mamãe comentou em uma falsa indignação e causando risadas à mesa.

- Amigos?? Era só o chato do Bolton e a Dayse. — sorrio.

- Isso quando ele não chama a mamãe de "sogrinha" só para implicar. Agora não sei se é para implicar com a Sar ou com a senhora. — Sean comenta.

- Comigo mesmo. — retruco antes de levar a boca uma generosa colherada de salada de frutas com granola.

- Eu acho que o sonho do Bolton era ser seu namorado, filha.

- Ainda bem que era sonho, pai, porque na realidade nunca daríamos certo. Bolton é um excelente amigo, mas um péssimo cara para se ter algum tipo de relacionamento amoroso, que o diga a pobre Lisa com quem ele tinha algo na época que eu trabalhava na NP.

Ainda lembro da pobre querer "domesticar" Bolton. Coitada! Acabou sem ele, que pulou fora quando viu que não estava mais dando conta de Lisa e seu grude e o fato de quer regra-lo ou controlá-lo.

- Comparo o Bolton com Greg. Ambos fogem do compromisso que nem diabo da cruz.

No fundo, Sean não está tão errado assim em sua comparação. Tanto meu amigo quanto nosso primo são bem parecidos nesse sentido mesmo. Mas ainda acredito que esses dois serão pegos pelo amor e vou zoar muito eles, principalmente o Bolton que enche a boca para falar que "se apaixonar é perda de tempo".

Ainda conversamos sobre meu ex-chefe e meu novo chefe, que meus pais gostaram de conhecer pessoalmente e disseram ser pessoas bem agradáveis, assim como se agradaram de Finley e seu filho.

Então o assunto parou em Doug e o fato de ele nos últimos meses sempre ser figura constante nas nossas comemorações familiares.

- Por acaso tá rolando algo entre vocês, maninha? — Sean é direto e reto como de seu habitual.

- Não! Ele é somente um amigo. — afirmo com sinceridade.

- Pois faço muito gosto se ele deixar de ser um amigo para ser outra coisa como, por exemplo... um namorado.

- Papai! — o encaro chocada pela fala e a forma tão natural e espontânea com a qual ele disse a frase completa.

- Quê? Estou sendo sincero. — suas mão se erguem em rendição e há um sorriso discreto escapando do canto de seus lábios. — Ele em todas as oportunidades que tive de conversar se mostrou um bom sujeito e muito agradável. Além, é claro, de torcer para o mesmo time que eu.

- Quem não vai agradar-se nada dessa sua opinião é o Greg, pai. — Sean diz e sinto vontade de socar a cara daquele bocudo infinitas vezes naquela mesa. — Ele acha que o Doug não é essa boa pessoa que aparenta. E ainda alertou a Sar pra ter cuidado com o sujeito.

- Sean! — recrimino meu irmão por tagarelar aquelas coisas sem qualquer filtro.

- Greg sempre implicou com os caras que se interessaram por sua irmã, isso não é novidade.

- Vamos fingir aqui que todos não sabemos que isso é ciúmes de primo que era apaixonado pela prima na infância.

- Mãe??

Novas risadas na mesa e eu constrangida com eles especulando sobre a paixonite de Greg por mim.

- Agora, falando sério, querida... — mamãe é quem diz após cessar o riso. -... Você me garante que não têm nada mesmo com ele?

- Não tenho, mãe, mas... — resolvo abrir o jogo com relação às suspeitas da minha amiga, que no fundo são as minhas também. — Dayse acha que ele está apaixonado por mim e eu tô achando isso também. — comento.

- Levando em conta que, eu notei uns olhares cheios de brilho cada vez que ele te observava com discrição.

- Sem contar nos sorrisos bobos que pescamos, Laura. — acrescenta papai para a minha surpresa.

- Bem lembrado, querido!... Eu discordo da Dayse e de você sobre "achar" que ele está apaixonado. Para mim, esse rapaz está claramente apaixonado por você, querida.

- Isso até eu que sou meio lerdo, já tinha percebido bem antes de você.

- Ah, cala a boca, Sean. — lhe acerto com o guardanapo e meu irmão abre um sorriso triunfante, bem ao estilo de quando fazia na adolescência ao me irritar.

- Concordo com sua mãe, filha. Mas o que nos interessa é... Você, Sara... Você tem algum sentimento por ele?

Se papai se refere a sentimentos amorosos, a resposta é não. Mas, admito que Doug conseguiu me cativar e me fazer gostar dele como pessoa... Como homem ainda é prematuro afirmar.

- Ele é uma boa pessoa... um cara legal, educado...

- Não, não... — papai me interrompe no ato, chacoalhando a mão em negativa. — Não perguntei sobre as qualidades dele, quero saber se tem interesse nele como homem, querida.

Suspiro. Sei que aquele interrogatório é só por estarem preocupados comigo, mas é que eu não estava tão confortável com ele. Ainda assim, resolvi responder com toda a sinceridade com a qual esperavam ouvir de mim.

- Gosto dele como pessoa... Doug é alguém incrível. Certamente, deve ser um companheiro formidável. Porém... Eu ainda não me sinto pronta para um novo relacionamento... Aqui dentro... — aponto para o lado esquerdo do peito, onde fica meu coração. -... Ainda carrego feridas do meu relacionamento anterior, que não cicatrizaram por completo.

Já faz meses, é verdade, mas as feridas deixadas ainda doem. Bem menos, porém seguem doendo. E, eu sei que o fato de ainda não ter me recuperado por completo do furacão chamado "Gil Grissom", que passou e devastou minha vida de um modo indescritível, pode afetar um novo relacionamento amoroso que eu venha a ter. Então, preciso primeiro curar as minhas feridas, antes de pensar em ter algo com Doug ou qualquer outra pessoa que surgir. Senão qualquer relacionamento estará fadado ao fim em tempo recorde e com pessoas machucadas e tão feridas quanto eu.

- Se é assim... filha... — mamãe toma minha mão direita entre as suas e completa, dizendo: — Então diga pra ele isso. Não o deixe criar expectativas se não pretende correspondê-las... por hora.

Assinto em concordância, pois ela está coberta de razão. Preciso ser honesta com Doug, como gostaria que ele fosse comigo, caso os papéis estivessem invertidos.

- Agora que tal a gente terminar esse café. E depois dar uma volta? Tá um domingo bonito demais pra ficar em casa.

Agradeço o fato da mamãe encerrar o assunto por ali, ao invés de estendê-lo ainda mais.

- Eu topo um dia inteiro na rua. — meu irmão diz todo empolgado e causando risada em todos.

- O dia inteiro não. Sua irmã está grávida e não pode ficar batendo perna horas e horas, seu sem noção. — papai acerta um leve tapa na cabeça de Sean, que faz a mim e mamãe rir.


***


Embora menos agitado que o sábado, o domingo em Nova York ainda continua com bastante energia. As ruas se enchem de uma mistura de moradores locais e turistas, criando um ambiente único e acolhedor.

No domingo a Big Apple revela seu lado mais relaxado, mas nem por isso menos encantador. Atrações, passeios e eventos oferecem uma variedade impressionante de experiências.

A movimentação pode ser menor, mas o encanto permanece. É possível aproveitar o melhor que a cidade tem a oferecer neste dia levemente mais tranquilo.

Como alguém que conhece cada canto desta metrópole, posso falar que o domingo é perfeito para explorar Nova York de uma maneira mais descontraída.

E quando saímos de casa, meus pais, meu irmão e eu, por volta das dez e pouco da manhã, já temos um bom roteiro montado nas três porradas, que deixaria um guia turístico até satisfeito pelos pontos de visitação escolhidos.

E lá fomos nós em um dia de tour por Nova York.

Começamos pelo Museu de História Natural, uma escolha de mamãe que adora museus. O AMNH tem cinco pavilhões e é necessário um planejamento prévio para aproveitar a visitação e não perder nenhuma atração. E como não era o nosso caso, então passamos a próxima uma hora e meia somente explorando o primeiro pavilhão e o segundo. Neles vimos a famosa Baleia Azul pendurada no teto do museu museu (primeiro pavilhão), bem como exemplares de minerais, pedras preciosas, rochas e meteoritos, e uma breve história que conta a origem do sistema solar e dos planetas; no segundo pavilhão vimos a vida dos povos na América do Sul, com destaques para os índios, inclusive do Brasil, antes do descobrimento. Os bonecos dos índios são muito realistas, com as roupas, armas e todos apetrechos utilizados na época. Nesse mesmo pavilhão tem as salas dos povos da Ásia e da África, com um realismo impressionante.

Uma pena que não deu para explorar os demais pavilhões, porque senão nossos outros pontos de visita ficariam de fora.

Depois do museu, exploramos o Central Park, um refúgio tranquilo no meio da cidade. O clima ameno e agradável da primavera deixava o parque mais lindo. Passamos um tempinho por ali até que precisamos fazer uma parada para almoço em um restaurante bem charmosinho ali perto. Tivemos uma refeição maravilhosa, comida com aquele gosto de casa de vó, muito bem temperada e deliciosa. E as sobremesas então? Um perfeito deleite. Saí do lugar com a promessa de retornar o mais breve possível, somente pelo bom atendimento e, principalmente, pela excelente comida.

Demos mais uma circulada pelo parque. Depois fomos caminhar pela Quinta Avenida e apreciar as vitrines das lojas de luxo, incluindo Saks Fifth Avenue, Bergdorf Goodman, Bloomingdale's, Tiffany & Co., Louis Vuitton, Gucci, Armani e Cartier. Esse foi meu momento e de mamãe. Apesar de não sermos nada consumistas, somos mulheres e adoramos a maioria daquelas marcas com suas peças belas e caras. Atrás de nós, papai e Sean iam chiando, mas quando chegou em uma parte que tinha lojas esportivas como: Adidas, Nike, e Puma, eles foram os empolgados da vez e nós as que chiaram.

Seguimos dali para visitar também o Rockefeller Center, com sua arquitetura. A Grand Central Terminal foi uma parada obrigatória, com sua decoração grandiosa. Aproveitamos para conhecer o Summit One Vanderbilt, um observatório com vistas incríveis da cidade.

Terminamos o dia na Times Square. As luzes e a energia desse lugar são únicas. Chegamos em casa por volta das seis, contrariando a fala de papai de não passar o dia inteiro fora.

A andança fez com que meus pés ficassem inchados, porém estava contente pelo dia em família e a julgar pela reviravolta que vez ou outra o meu bebê dava dentro da barriga, ele também adorou.

Para fechar a noite em grande estilo, pedimos pizzas doces e salgadas. O dia não podia ter sido mais perfeito e especial.