After Separation - Livro 2
20 Capítulo XVIII
Notas iniciais
Hoje se inicia um novo ciclo da minha vida com um futuro promissor rumo a muitas vitórias, pelo menos assim desejo.
Por conta da expectativa pelo novo, a ansiedade e empolgação me consumiram pela madrugada inteira, fazendo-me dormir pouco em comparação a dias normais. Deste modo, acordei antes do celular despertar, porém permaneci na cama, refletindo sobre o grande dia que terei hoje em meu novo emprego. Darei o meu melhor nessa nova etapa da minha carreira profissional. Potencial, eu sei que tenho de sobra para ir bem e além.
— Vai dar tudo certo hoje, Sara. — digo a mim mesma, toda confiante enquanto encaro o teto do quarto.
Ouço o ruído sonoro do celular reverberar a plenos pulmões e sorrio. "Fui mais rápida que você." Penso antes de esticar o braço e apanhar o aparelho. Desligo o alarme e percebo uma notificação do aplicativo de mensagem instantânea, que vem de um número não salvo na minha lista de contato. Por pura curiosidade mesmo, abro o aplicativo e vou direto no número remetente que encabeça a caixa de entrada.
A curiosidade vira em milésimos de segundos profunda decepção diante da foto na qual Grissom aparece dormindo agarrado à Maryane. Uma ânsia me acomete ao olhar para aquilo.
Grissom disse que não tocaria em Maryane, mas minha prima fez questão de esfregar o contrário na minha cara ao enviar para o meu celular, aquela fotografia, provavelmente da noite de núpcias deles.
Se antes meu propósito de esquecer Grissom era grande. Agora, se tornou muito maior ainda. Juro, a mim mesma, que a partir deste momento em que recebi esta fotografia, farei das tripas coração para esquecer que um dia conheci e amei, Gilbert Grissom.
É, bem como dizem por aí: Há momentos em que você precisa escolher entre virar a página ou fechar o livro. E, este exato momento após o recebimento de tal foto, me parece perfeito para fechar de vez o livro da minha história com aquele cretino, que agora está casado com Maryane, para dar início a outro livro da minha vida, um cujo o enredo espero ser muito melhor do que o passado.
Assim sendo, nem me dou o trabalho de responder a mensagem da minha prima, inclusive apago a imagem, bloqueio seu número e me sentando na cama, digo a mim mesma em voz alta:
— Não deixe isso arruinar seu grande dia.
Dito isso, me levanto toda confiante e sigo para o banheiro.
A muito custo me obrigo a não lembrar da foto enquanto tomo um belo banho, mas não tão demorado, porque chegar atrasada logo no primeiro dia não causará uma boa impressão. Mentalizo como um mantra a frase: não os deixe te atingir. E quer saber? Funciona, porque consigo não pensar mais na foto dos dois.
Já no quarto, pesco do roupeiro um vestido lápis cinturado, na cor preto e branco, comprimento no meio das coxas, com gola gravata, mangas compridas e esvoaçante. Escolho um sapato alto preto para compor o restante do look. Escovo os cabelos, faço uma maquiagem mais natural, perfume e estou linda e poderosa para começar no meu novo emprego.
***
Parada na calçada, eu me pego admirando por alguns instantes a fachada com estrutura metálica preta e painel de vidro do prédio onde funciona o escritório da Bag of Book. Será eu passar por uma daquelas duas portas giratórias na entrada do prédio, para iniciar de vez em meu novo trabalho. Farei dali e de hoje, o meu ponto de recomeço e sinto que será cheio de sucesso.
"Que os anjos digam, amém, insolente!"
"Olha, você falando algo que não venha acompanhado de um teor irônico? Tá doente, é?"
"Muito engraçado, insolente. Estou morrendo de rir."
Sorrio, balançando a cabeça e me dirijo a entrada do prédio. Passando por uma das duas portas giratórias que dão acesso ao interior do edifício, me deparo com um hall de entrada clean algo que vai em contraste com a estética exterior do prédio, porém não deixa de combinar e ficar lindo. O piso de porcelanato é um charme à parte, juntamente com o mobiliário em uma mescla perfeita de tons bege com branco.
Passeio o olhar pelo espaçoso local e vejo pessoas indo para um canto onde há umas catracas, outras em direção à elevadores e, mais outras, paradas trocando conversas. Como não faço ideia de onde devo ir, então me dirijo até um balcão enorme onde duas moças muito elegantes estão postadas.
— Bom dia. — cumprimento a moça de traços asiáticos enquanto sua colega de trabalho está ao telefone. — Sou Sara Sidle e...
Nem tenho tempo para completar a fala, pois a atendente diz com um sorriso simpático que Owen Clark já passou ali alguns minutos atrás, avisando sobre minha vinda e que era para as funcionárias liberarem minha subida.
Recebo um cartão de acesso para passar pelas catracas mais ao fundo e sou informada de que devo pegar um corredor a esquerda e, logo depois o elevador até o décimo sexto andar.
— Obrigada. — agradeço e saio seguindo às instruções recebidas pela atendente.
Pelo caminho até o elevador recebo acenos de cumprimentos de algumas pessoas desconhecidas, os quais retribuo por pura educação. Já dentro do elevador, eu observo o painel onde vai passando o número do andar. A cada pausa dele para alguém embarcar em um andar ou saltar dele em outro, sinto certo frio na barriga de nervoso. Quando enfim chego ao meu andar, o nervosismo aumenta.
Saindo do elevador me encaminho para um novo balcão onde há uma moça ao computador.
— Bom dia. Sou Sara Sidle e vim falar com Owen Clark. — informo apertando as mãos em claro sinal de nervoso.
— Bom dia, senhorita Sidle. — ela sorri para mim com educação. — O senhor Clark a aguarda, na última sala a direita no final do corredor.
Assinto para ela e sigo na direção informada pela funcionária.
Em um par de passos, e alguns segundos depois, já estou diante da porta. Basta duas batidas leves nela, para ouvir a voz de Owen me autorizando a entrar. Assim o faço.
— Eu sei disso, Kitty. — Owen diz ao telefone antes de abrir um sorriso para mim e me sinaliza com as mãos para me aproximar. — Mas temos um prazo. Preciso desta tiragem pronta até quinta-feira. O lançamento está aí na porta já.
O semblante sério que Owen adota ao falar esta última parte, me faz concluir que a pobre da Kitty estará em mais lençóis se não cumprir o prazo.
— Ok. Eu espero seu retorno. Passar bem. — ele encerra a ligação e se levanta da cadeira.
— Olá! — o saúdo enquanto o vejo vir até mim já estampando um sorriso.
— Olá!
— Pelo visto problemas logo cedo. — comento assim que ele para diante de mim.
— Nem me fale. Mas deixemos isto pra lá. — ele comenta. — Como vai?
— Nervosa! — digo sincera.
— Não fique. Sei que se sairá muito bem no seu primeiro dia e também nos outros.
Trocamos mais algumas palavras até nos acomodarmos e Owen adotar uma postura mais profissional enquanto me estende um envelope onde, segundo ele, consta o meu contrato. E, explica que, geralmente, quem desempenha este papel de formalização de admissão de funcionário é o pessoal do RH, mas ele pediu como um favor especial, ser ele a fazer isto.
Por alguns poucos pares de minutos que estimo, Owen tirou cópia dos meus documentos para anexar ao contrato, o qual ele explicou algumas cláusulas. Falou que como havia pressa para a minha contratação ser imediata, então eu poderia fazer o exame admissional amanhã só para constar mesmo na minha ficha já que é de praxe isto. E que eu começaria hoje mesmo, porque a assistente do Fox estava sobrecarregada com algumas pendências que antigo editor deixou em andamento, que no caso é a publicação de um novo livro, o qual está em processo de produção na gráfica.
— É só? — indago ao estender de volta para Owen o contrato assino.
— Sim. — ele confirma deixando o papel sobre a mesa.
— Oficialmente estou contratada?
— Exatamente.
Owen se levanta de sua cadeira e dando a volta na mesa vem até mim que também me levanto.
— Seja bem-vinda a BoB, Sara. Estou muito feliz em ter você trabalhando aqui. — com um sorriso gigantesco Owen me abraça com carinho e eu retribuo o gesto.
A expectativa de começar um ciclo novo da minha carreira profissional é a melhor possível. Há um pouco de medo, mas nada que me apavore. Essa fase já passou.
— Obrigada, Owen! Espero corresponder à altura da expectativa que está depositando em mim.
— Tenho certeza que você irá superar em larga escala as minhas expectativas.
— Trabalhei com afinco para isso.
— Agora, vamos lá conhecer sua assistente e a sua sala, senhora editora.
— Vamos lá.
Enquanto saimos de sua sala e ao longo do caminho que passa pelo elevador, para descermos ao décimo andar onde ficam os escritórios dos editores, meu novo chefe vai falando um pouco da BoB e mostrando alguns departamentos, além de me apresentar para alguns funcionários que fomos encontrando pelo trajeto até chegarmos a um escritório corporativo, cujo espaço é amplo o suficiente para comportar um bom número de pessoas.
Com mobiliário em branco e bege como no hall de entrada, e piso em porcelanato, o espaço de janelas altas de vidro que proporciona uma iluminação natural, conta com mesas lineares com divisórias e luminárias pendentes no teto. Um charme só.
— Aqui ficam alguns responsáveis pela produção do livro, que eu te apresento depois e, os assistentes dos editores. — diz Owen. — A sua assistente, inclusive, já está ali. Vamos lá pra eu te apresentar a ela e depois você conhece sua sala.
Balanço a cabeça em resposta e sigo Owen rumo a uma mulher de estatura mais baixa que eu, de cabelos loiros compridos, usando uma blusa social na cor rosa e calça preta, postada diante de um computador.
— Vai, Morgan... Vai cair na gandaia no domingo pra chegar na segunda está só o bagaço, mulher.
Escutamos a loira falar sem sequer perceber que nos aproximamos dela.
— Bem feito, pra você! Dia de cair na perdição é sábado, porque assim no domingo você tem tempo de se recuperar para o trabalho na segunda-feira.
Owen me lança um olhar e sorrir diante do pequeno monólogo da mulher, que segue sem notar que agora estamos parados bem atrás dela.
— Sua nova chefe está pra brotar a qualquer momento e você ainda nem terminou de ajeitar os novos manuscritos pra ela olhar. Que bela...
— Bom dia, Morgan Brody!
A pobre da loira deu um pulo de susto diante do cumprimento com entonação mais alta que Owen fez.
— Misericórdia, chefe. — a tal Morgan se vira para nós com uma das mãos sobre o peito e a cara pálida. — Se eu tivesse grávida, teria abortado o feto nesse momento.
— Olha o exagero, Morg.
— Mas é verdade, chefe master. A propósito, você está lindão como sempre.
A loira diz ajeitando a gravata de Owen enquanto lhe sorri e depois me olha rápido da cabeça aos pés.
— Não vou te chamar a atenção por ouvir que chegou de ressaca, Morg. Fica tranquila. — Owen toca o ombros da tal Morgan que visivelmente parece relaxar. — Quero, na verdade, te apresentar sua nova chefe. Morg esta é Sara Sidle. Sar esta é Morgan Brody sua assistente.
A tal Morgan me encara por alguns segundos antes de abrir um sorrisão e me estender a mão em cumprimento.
— Olá, dona Sara!
— Olá, Morgan! — digo sem jeito enquanto aperto sua mão.
— Ai, pode me chamar de Morg. Eu deixo.
— Então pode me chamar de Sara ou Sar, que eu deixo também. — brinco e ela sorri.
— Posso também chamar de chefinha Sar?
Eu sorrio e lanço um olhar para Owen que abre um sorriso.
— Sua assistente parece meio desajustada e um pouco puxa saco, mas é uma ótima profissional, Sar.
Owen cochicha em um tom propositalmente alto.
— Eu ouvi, hein, chefe master! — Morgan diz com as mãos na cintura e uma cara de ofendida. — Passada, chocada, que você está me desmoralizando para a minha nova chefe, bem no primeiro dia dela e, ainda por cima, na minha frente.
Owen começa a rir do jeito com que minha assistente fala e eu tento disfarçar o riso.
— Você sabe que estou brincando, Morg. — Owen afaga o ombro da loira, que assente. Em seguida, se dirigindo a mim, diz: — Você tem uma das melhores e mais empenhadas assistente, Sara. Tenho certeza que vocês se darão super bem.
No que Owen acaba de falar seu celular toca. Em segundos ele já está atendendo e entre uma e outra resposta monossilábica, e caretas, o editor chefe fica na ligação por quase meio minuto. Assim que encerra a chamada nos avisa que surgiu um problema para ele resolver e que não dará para me levar pra conhecer minha sala.
— Não se preocupe, chefe master. — Morgan se pronuncia. — Eu leva a chefinha até a sala dela.
— Ok. Então vou indo. Sara em uma hora tem reunião com todos os editores e eu. Morgan te explica como chegar na sala de reuniões. Agora, preciso ir.
Owen se despede de nós e sai caminhando às pressas dali.
— O chefe master não tem vida fácil aqui.
— Ser editor chefe implica em muitas responsabilidades.
— Verdade, chefinha. Agora, vamos lá que eu te levo até sua sala e se quiser já vou atualizando você sobre as coisas que o carrasco do antigo editor deixou em andamento.
— Vamos lá então.
***
"Adorei nossa noite de núpcias. Você foi incrível como sempre."
Ânsia é o que sinto por lê essa mensagem que Maryane me mandou segundos atrás. E, agradeço mentalmente pela amnésia alcoólica, porque só assim não lembro de nada da noite com a minha querida esposinha. Mas, o pior de tudo, é que foi só a primeira noite de muitas que terei de me submeter ao lado dessa víbora.
"Pena que saiu tão sorrateiramente e sem me dar uma beijinho de despedida..."
Reviro os olhos com este trecho. Maryane é tão desnecessária. O que ela achou? Que eu ia estar ao seu lado pela manhã com um sorriso nos lábios e uma flor pra ela? Nem em pesadelo. Sai mesmo do quarto de modo sorrateiro, propositalmente, porque não queria papo algum com ela. E, se depender de mim, sempre que tiver oportunidade sairei sem que ela me veja mesmo. Foda-se!
"...mas, ainda assim, te perdoo. Tenha um bom dia de trabalho!"
É o cúmulo mesmo, viu?!... Nem me dou ao trabalho de responder. Apago a mensagem dela e, praticamente, jogo o celular de qualquer jeito sobre a mesa do escritório da Presidência da Care.
— Que inferno de vida! — resmungo apoiando os cotovelos à mesa antes de enterrar o rosto entre as mãos.
Era para eu estar feliz, porque em alguns instantes estarei assumindo o comando total das empresas da família, como era do meu desejo desde que retornei da Europa para os EUA. Só que o sentimento de felicidade é inexistente em mim, já que não está sendo nem de longe como imaginei que seria este momento.
A cabeça lateja de raiva e dor por ontem e pela ressaca. E o coração sangra por não estar com a pessoa que amo. Tudo por culpa de Joseph e sua chantagem.
"Não use o meu amor pela minha mãe como moeda de troca, Joseph.", Esbravejo.
"Por favor, Gil! Eu te imploro. Largue esta tal de Sara e case-se com Maryane."
"Eu não irei abrir mão do amor da minha vida para cumprir esse seu pedido ridículo, Joseph. Sem chance."
Ele só pode ter enlouquecido nesses últimos instantes de vida que parece lhe restar, para vir com uma proposta tão descabida assim.
"Nem se eu disser que mesmo que eu morra deixarei alguém de minha confiança para fazer da vida dessa moça e da família dela, exceto Maryane é claro, um inferno?", Sua expressão de dor, se transmuta para outra endurecida e malévola.
"Quê?", Balbucio sentindo o peito apertar e a respiração acelerar.
"Já que não irá atender meu pedido por amor a mim ou a memória de sua mãe... Então, faça por esta moça que diz amar tanto. Deixe-a e case-se com Maryane ou essa tal de Sara não terá um segundo de paz na terra, se depender das ordens que deixei expressas ao meu contato."
"Você não está falando sério?", Digo de modo pausado e cerrando os punhos bem apertado.
"Estou.", Ele confirma em sua altivez e arrogância de sempre, que nem mesmo a enfermidade tirou dele. "Primeiro, a Sara vai perder o emprego e não conseguirá outro em nenhuma grande editora. Segundo o pai dela pode fazer alguns investimentos errados e perder o patrimônio da família. Terceiro, a mãe poderá ser alvo de investigação por erro médico. E, quarto e último, o irmão poderá ser acusado de alguma coisa. Vai deixar tudo isso acontecer na vida da mulher que diz amar, Gil?"
Com fúria chego perto dele em dois passos apenas e com as duas mãos o seguro pela camisola do hospital.
"Você está blefando.", Murmuro enquanto começo a sacudir Joseph.
"Pague pra vê então!... Ou então case-se com Maryane e te asseguro que nada disso que mencionei há pouco, acontecerá com sua amada. Se caso não atenda ao meu pedido que, na verdade é uma cláusula do testamento, já sabe o que aguarda a sua namoradinha."
"Nunca pensei que fosse um monstro tão desprezível assim.", Digo, praticamente jogando Joseph de volta a cama do hospital. "Eu odeio você. Odeio ser seu filho. Odeio ter seu sangue. Preferia mil vezes que você tivesse ficado doente e morrido no lugar da minha mãe."
Os aparelhos ligados a ele começam a apitar e noto que sua respiração acelera.
"Não está me dizendo nenhuma novidade.", Ele diz com certa dificuldade. "Sei que não me tem um pingo de amor. Mas acredito que por aquela moça sim."
"Não insista!"
"É só um ano, Gil. Ou você prefere vê-la sofrer a vida toda pelos acontecimentos com a família dela?"
Aperto com força os cabelos diante da lembrança daquele último embate que tivemos antes de Joseph vir a morrer, não sem antes eu ceder a sua chantagem. Ninguém, nem mesmo Lewis sabe daquilo. Ninguém sequer imagina o quão baixo Joseph Grissom foi para me obrigar a cumprir seu último desejo. Se fosse mesmo só uma cláusula no testamento e ele usado o nome da minha mãe como chantagem, eu talvez não tivesse cedido. Mas, o fato, dele ameaçar de fazer mal a Sara e sua família, foi um fator mais que determinante na minha decisão de concordar com aquela situação ridícula. Em hipótese alguma ia permitir que aquelas coisas horríveis acontecessem. E até agora me pergunto, quem seria essa tal pessoa que Joseph deixaria a incumbência de fazer da vida da Sara e sua família um inferno. Porque não consigo pensar em um nome para tal "tarefa" sórdida, mas se eu descobrir essa pessoa estará muito ferrada na minha mão.
Sara mal sabe, que foi por amor que me submeti a tudo o que está acontecendo; que foi para não vê-la sofrer por sua família que a abandonei e casei com outra.
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