Notas iniciais
Salve, salve, meus amores! Bora de atualização? Então vem comigo, que esse capítulo tá inteirinho do Sr. Gostoso.

Lexington Avenue, Nova York.

Encostado ao guarda corpo, com uma taça de uísque, a quinta se não me engano já, checo as horas no relógio de pulso: 10:25pm. Suspiro. Parece que o ponteiro teima em avançar devagar nas horas. Já estou ali há uma hora e o tédio já é enorme. Minha vontade de dar o fora dali transcende a níveis elevados. Ergo os olhos do pulso e encaro sem a menor vontade o espaço lotado de gente.

Estou em um bar, muito bonito e moderno. O estabelecimento de influências chinesas misturadas com latina, é um lugar no qual estou pela primeira vez. Soube por Nick, um amigo, que é frequentador assíduo daquele bar, que ali dentro há pista de dança recesso, lounge no piso térreo, bem como restaurante mexicano, área vip sob arcos de mármore de estilo chinês e uma segunda área vip no andar de cima, que é a que me encontro neste momento com um grupo de amigos. E ainda há lá fora um terraço moderno e sofisticado que proporciona um espaço para os frequentadores relaxarem, curtirem um ar fresco e admirarem uma excelente vista.

Se fosse alguns meses atrás, eu estaria, agora, provavelmente, lá na pista de dança com alguma bela mulher agarrada a mim dançando e me divertindo bastante. Ou, melhor ainda, estaria com ela fazendo isso, exatamente como foi na vez em que nos conhecemos. E muito provavelmente, estaria me divertindo muito mais com ela e sendo invejado pelos muitos homens daquele ambiente por estar na companhia dela, do que estou me “divertindo” naquele momento, se é que pode se chamar de diversão, você está com cara de poucos amigos e parado em um canto da área vip, bebendo para matar o tédio que sente por estar naquele ambiente que não queria estar.

Vejo um dos meus amigos vindo em minha direção e já suspiro por desconfiar a razão de sua aproximação.

— Quer mudar essa cara de velório, porra?!

Ao parar perto de mim, Nick reclama próximo ao meu ouvido, para se fazer escutar melhor, por conta da música em estilo reggaeton que o DJ toca alto lá da pista de dança no andar térreo.

Contra a minha vontade ele e Sofia, dois amigos meus, me arrastaram para um bar com o intuito de uma comemoração de despedida de solteiro, já que meu casamento será depois de amanhã. Além dos dois e eu, ainda estão ali conosco, Lewis, Edgar, Catherine, Warrick, Hodges e Albert, todos estarão presentes no “grande evento” de domingo, também conhecido como “meu casamento”.

— Falei que... NÃO... queria ter vindo.

Digo pausadamente para ‘refrescar’ a mente dele.

A bem da verdade é que não estou no clima de festa, ainda mais uma festa de despedida de solteiro, tendo em vista que meu casamento será uma farsa.

— Foda-se! Você veio...

— À força! – em tom seco complemento, interrompendo Nick antes de levar a boca o copo de uísque.

— Foda-se!

Rolo os olhos para cima com a repetição daquela sua resposta.

— Não tem outra resposta mais educada pra dar, não? – lanço a questão após engolir a bebida e encarar meu amigo.

— Infelizmente não, porque você NÃO está colaborando para eu te dar uma resposta mais educada, man.

— Sofia está te chamando pra dançar, vai lá, vai! – aponto com o copo de bebida na direção da loira que faz sinal na nossa direção, para ver se assim Nick me deixa em paz.

Meu amigo em resposta apenas acena com a mão para Sofia, pedindo para ela esperar um instante.

— Por que está tão azedo? Cadê o Gil que eu conheço?

A vontade que dá é de esbravejar para ele que esse Gil se trancafiou dentro de mim há quase duas semanas quando abriu mão do amor da sua vida, para cumprir uma promessa ridícula de Joseph, mas não posso fazer isso. Deste modo, me limito em apenas responder:

— Ele não está no clima pra balada hoje, Nick.

— Ah, qual é, Gil? Se anima, man!... Curte essa sua última balada solteiro, já que depois de domingo você será um homem casado e consequentemente, o comandante da Care. Portanto, não terá mais tempo para baladas, senhor de negócios.

— Nick... Vai logo que a Sofia está te chamando de novo. – mudo de assunto.

Só quero que ele me deixe em paz e pare de falar sobre a porra desse casamento. Desde que isso caiu na boca da mídia, que não há outro assunto senão este. E, sinceramente, eu já estou de saco cheio desta “pauta”.

Nick se afasta um pouco para olhar melhor para mim.

— O quê? – indago após alguns segundos de seu silêncio me encarando de modo inquisidor demais.

— Qual o seu problema?

— Nenhum. – minto.

— Sei. – ele me lança um olhar mais desconfiado. – Pois então melhora essa cara, vai man?! – Nick diz agora abrandando a expressão e deixando um sorriso escapar enquanto me dá uns tapinhas no ombro.

Esboço um mero sorriso e pela segunda vez, sinto ímpetos de contar a verdade para ele e, principalmente para Catherine, já que é minha melhor amiga, mas me calo, porque tenho certeza, que eles ou qualquer um dos meus amigos ali me impedirão na hora de ir frente na promessa quando tomassem ciência disso.

— Ok. Agora... Vai logo, vai. Ou a Sofia vai tirar outro pra dançar. – provoco meu amigo com um forçado sorriso nos lábios.

— Ela que ouse!

Sorrio então de modo mais largo e espontâneo.

— Assim, você fica bem melhor, cara! – Nick soca de leve meu ombro. – Animação, man! – ele diz antes de me dar às costas e ir até Sofia, seu rolo de momento.

Foi com surpresa que descobri recentemente que aqueles dois estão de enrosco, sendo que se conhecem há anos e agora que vieram a ter algo.

Deixo que um suspiro escapar enquanto vejo meu amigo chegar em Sofia já dançando, para logo em seguida agarra-la e os dois trocarem um beijo ao mesmo tempo que começam a dançar. Fico observando meus amigos se divertindo e sinto inveja deles. Parecem felizes! Já eu estou o posto disto por culpa exclusivamente minha.

— Ora, ora, se não é Gilbert Grissom!

Ouço uma voz aveludada se pronunciar em um idioma com entonação e pronúncia sedutoras, sussurrar próxima a minha orelha direita, me pegando desprevenido e causando certo arrepio. Viro o rosto em um segundo e dou de cara com alguém a quem não via há tempos.

— Vittoria?! – reconheço de imediato a bela mulher postada diante de mim.

Vittoria Rizzo, ou como é mais conhecida pela mídia internacional: Vick. É uma linda loira, italiana de nascimento, mas francesa de coração. Dona de uma beleza invejável e modelo internacional, eu a qual conheci durante a semana de moda em Paris há dois anos, onde fui prestigiar uma amiga estilista. Inclusive foi esta mesma amiga quem me apresentou a mulher diante de mim, que desfilou para sua grife como destaque.

Vick e eu tivemos algo breve, porém muito intenso no período de uma semana que passei na “cidade luz”. Depois cada qual seguiu seu caminho e não nos vimos ou falamos mais, devido as nossas vidas corridas – a dela principalmente como top model internacional – e ao fato de ambos, serem almas livres que não queriam compromisso com ninguém.

— Olha só, ele ainda se lembra de mim.

Seu sorriso se alarga ao final da fala e eu acabo, sorrindo igualmente por tabela.

— Difícil esquecer a top model internacional, cujo rosto estampa várias marcas famosas. – digo já tomando a iniciativa de abraçá-la.

Apesar de não nos vermos mais ou sequer nos falarmos depois daquela semana quente em Paris, eu vi bastante o rosto de Vick em sites, revistas e campanhas publicitária.

— E eu demorei um pouco pra te reconhecer de longe, por conta da pouca luz do ambiente. – ela se explica me abraçando apertado. Sou agraciado pela fragrância divinamente sedutora e marcante de seu perfume francês, que instantaneamente me traz lembranças quentes daquela semana agitada em Paris. – Foi seu sorriso inconfundível que te derrubou e me fez te reconhecer. – Vick explica após nos abraçarmos.

— Não sabia que meu sorriso era inconfundível.

— Mas é, mon cher!... E a propósito... Vous êtes beau!— com a ponta da unha de seu dedo indicador, ela o desliza por minha mandíbula.

Acabo por sorrir do elogio dito em seu francês perfeito com direito a biquinho e tudo, que Vick me lança após me lançar um rápido olhar de cima a baixo. Os vários anos vivendo em Paris lhe deixaram tão fluente na língua francesa, que Vittoria passa fácil por uma cidadã do país.

— Você também está linda, mon amour!

— Merci!— ela me agradece com um largo sorriso, para em seguida comentar que aprendi bem a fazer o biquinho típico do francês ao chamá-la pelo apelido carinhoso que lhe dei quando ficamos juntos.

— Tive uma ótima professora. – comento e observo por cima de um dos ombros de Vick, que somos alvos dos olhares dos meus amigos, do meu irmão e meu cunhado. Antes que um deles resolva vir até nós com o intuito de saber quem é a pessoa que estou de papo, resolvo sair dali com Vittoria. – Soube que tem um terraço maravilhoso, que tal irmos até lá para conversar melhor? Aqui está muito barulho.

— Oui, mon cher!

Indico que ela vá na frente e assim ela o faz. Enquanto a sigo, lanço um olhar ao grupo que me trouxe até aquele lugar e sinalizo que volto logo. Meu irmão balança a cabeça em claro sinal de desagrado, já os demais principalmente Nick, Hodges e Sofia, fazem sinal de positivo aos risos, ao mesmo tempo que por leitura labial consigo entender que dizem algo como: “vai que é tua” e “esse é o Gil de sempre”.

Do terraço se tem uma vista deslumbrante do Empire State Building. Há um bar que oferece coquetéis especiais. Os assentos por ali distribuídos, possuem uma mescla de bancos acolchoados de bambu, pequenas mesas e uma série de banquetas “olhando” diretamente para Manhattan, mantém uma atmosfera íntima enquanto também é aberto e energizado.

Vick e eu decidimos nos acomodar em duas banquetas no bar. Pedimos dois Chrysler— coquetel de champanhe feito com mel, conhaque Hennessy Black e limões e limas frescos. E enquanto aguardamos as bebidas virem, começamos a conversar. Primeiramente sobre como estávamos e depois fomos emendando um assunto no outro. Consigo me distrair bem e até mesmo me divertir enquanto estou conversando e bebendo com Vittoria. Ela sempre com sua aura alto astral, torna impossível não se deixar contagiar e mandar o tédio para longe.

— Uhm! Eu li algo sobre “o casamento do ano”. – Vick conta aos risos fazendo questão de usar as palavras que a mídia teimava em usar para se referir ao meu casamento com Maryanne.

— Não tem graça! – resmungo antes de tomar uma dose do meu coquetel enquanto já estávamos ali no bar do terraço há sei lá quanto tempo.

— Sério, mon cher, nunca pensei em ver na mesma frase as palavras: “casamento” e “Gilbert Grissom” juntas. – Vick, claramente parece se divertir com aquela situação.

Na época em que nos envolvemos sempre lhe deixei explícito a minha aversão a qualquer tipo de compromisso amoroso. Tanto que, curiosamente, este foi o motivo pelo qual acabamos nos envolvemos mais ainda – além do fato de ela ser uma mulher linda e gostosa para caralho -, pois ambos não queríamos compromisso, só curtição. Deste modo não haveria problemas com uma das partes acabar se apegando mais do que deveria, posto que os dois estavam fugindo de qualquer compromisso e só queriam curtir.

— Quer saber? Nem eu! – digo rindo sem saber ao menos o motivo de ver graça naquilo dito a ponto de rir. Talvez fosse o álcool já fazendo seu efeito em mim. Estou já na minha quarta taça de Chrysler, fora os copos de uísque que já havia ingerido enquanto estava na área vip.

Ao meu lado Vick cai na risada junto e logo em seguida, me dispara:

— Então o que te fez mudar de ideia?

— Vê mais um coquetel, amigo! – peço ao barman do outro lado do balcão. Depois me dirijo a Vick com o intuito de responder sua pergunta. – Meu estimado pai pediu antes de morrer, porque só posso assumir os negócios da família se estiver casado. – sussurro próximo a orelha dela. Depois me afasto carregando um sorriso nos lábios, para descobrir a reação de Vick ao que eu disse.

— Fala sério? – a italiana/francesa ostenta uma expressão incrédula.

— Estou falando. – confirmo sem deixar de rir.

— Je ne crois pas!

Sorrio de sua exclamação de incredulidade.

— Pois pode acreditar, mon amour! – balanço a cabeça de modo positivo.

— Oh là là!— Vick resmunga antes de deixar um assobio lhe escapar pelos lábios pintados em um tom rosado, muito bonito por sinal.

— Mas isso é segredo. – comento baixo.

— D’accord! – a mulher diante de mim assente em concordância. – Uma pergunta.

— À vontade! – digo, pegando a taça do Chrysler que o garçom deposita diante de mim naquele instante sobre o balcão do bar.

— Se foi um pedido de seu papa, então presumo que não é um casamento por amor, é?

— Non, mon amour!

— Très bien!

— Está muito longe de “muito bem”, Vick! – retruco a sua fala.

— Então por que vai casar?

— Eu preciso! – me limito em dizer.

Observo Vittoria balançar a cabeça em negação antes de pegar sua taça e solver um gole da bebida chique.

— Esta não foi uma resposta satisfatória. – ela rebate após devolver a taça ao balcão.

— É a resposta que tenho a dar.

— D’accord!

Ela resmunga seu costumeiro “ok” em francês, o qual eu era encantado em ouvi-la dizer quando estávamos juntos. Tinha esquecido como aquela mulher falando em francês é uma perfeição.

— Eu vi a foto da sua futura digníssima. É bonita!

Ouço Vick comentar depois de um silêncio de cinco segundos que se fez entre nós após sua última fala.

— E também uma loba em pele de cordeiro, mas não quero ficar falando dela se não se importa.

— Se é assim... – ela ergue as mãos em rendição. – Deixemos a digníssima fora da conversa.

— Melhor!

Ainda conversamos por mais uns minutos até que sinto uma mão pousar em meu ombro. É Lewis com cara de poucos amigos, reclamando que já estava preocupado, pois já fazia quase uma hora que “sumi”.

— Nossa! Tudo isso?

— Sim. Será que dá para você voltar e ficar com a gente?

Meu irmão se mostra visivelmente incomodado com algo. Talvez com a presença de Vick.

— Preciso ir, Vick. – me dirijo a minha acompanhante. – Não quer se juntar aos meus amigos e eu? Vai ser um prazer tê-la conosco.

Ouço Lewis não fazer qualquer cerimônia de suspirar alto o suficiente, para sinalizar que meu convite não é bem quisto por ele.

— Ai, mon cher, eu adoraria. Mas preciso ir. – ela diz checando as horas em seu delicado e, com certeza, caríssimo relógio de pulso. – Pego um voo cedo para a Itália.

— Viagem para visitar a família?

Lembro de ela dizer que apesar de seus inúmeros pedidos, seus pais sempre rechaçam a ideia de ir morar com ela em Paris. Eles preferem seguir com a vida em Florença, na Itália, e por conta disso, Vick sempre que tem alguma brecha vai visitá-los.

— Quem dera! Estou indo a trabalho mesmo. Participarei da semana de moda em Milão, que começa depois de amanhã. Desfilo no terceiro e quarto dia do evento, depois já embarco direto para o Brasil. Irei desfilar no São Paulo Fashion Week.

— Vida de modelo não é fácil.

— Não mesmo.

— É uma pena que não possa ficar mais um pouco! – digo com certa melancolia, porque queria mesmo que ela se juntasse a mim e meus amigos. Estava sendo tão agradável estar com ela, que eu queria mais da sua companhia.

— Adorei te reencontrar, mon cher.

— Eu também.

Vittoria me abraça e eu retribuo o gesto com amabilidade. Em outros tempo eu não a deixaria ir sozinha. Provavelmente, nós iríamos embora juntos para o hotel dela ou qualquer outro quarto de hotel que eu alugaria por uma noite para transar com ela. Porém, este não sou mais eu, infelizmente ou felizmente, depende de quem vê isso. Para mim é felizmente.

— Não vamos mais perder contato, pode ser?

— Claro!

— Te mando uma mensagem na sua rede social com meu número de contato.

Após tal fala de Vittoria escutamos o pigarro nada silencioso de Lewis e então, nos afastamos, encerrando com isso nosso abraço.

— Se cuida, mon cher.

— Você também, mon amour.

Ela me beija ao rosto e ao passar por meu irmão o cumprimenta, chamando por seu nome, causando o espanto em Lewis.

— Essa mulher me conhece de onde? – meu irmão indaga após estarmos só os dois.

— Vittoria... – faço questão de dizer o nome da minha companhia de segundos atrás. – Te conhece de foto que eu mostrei a ela. – conto pagando pelas bebidas ao barman.

— E de onde a conhece, Gil?

Passando o braço pelos ombros de Lewis enquanto o puxo para seguirmos de encontro aos outros lá dentro do bar, eu vou lhe explicando quem é Vittoria e como a conheci.

— Eu só espero que nenhum paparazzo tenha tirado fotos suas de conversa com essa modelete, porque se amanhã sair nas mídias isso, a Maryanne vai pirar. Já basta que ela não gostou nada de você estar em uma festa de despedida de solteiro.

— Maryanne que vá para o raio que a parta, Lewis. – resmungo antes de tirar o braço do ombro do meu irmão e ir até o pessoal postado próximo ao guarda corpo onde um tempo atrás eu estava.

— Pode dar todo o relatório de quem é a mulher com quem você saiu daqui, Gilbert Grissom, seu canalha.

A risada foi geral diante do questionamento nada discreto de Catherine.

— Meu Deus! Por que você é assim?

— Assim como?

— A discrição em pessoa!

— Vai à merda, que é!

Ela me soca o braço enquanto todos ali rimos.

— Vai, Gil! Desembucha!... Quem é a moça? – é a vez de Nick indagar.

— Aposto cem pratas que ele já esteve entre as pernas daquele monumento lindo.

— Ai, que horror! Como você é tosco, viu, Hodges?!

Catherine reclama e dou total razão à ela.

— Pegou pesado, hein David?! Isso não é jeito de se falar. – chamo a atenção de Hodges.

— Não mesmo, seu grosseiro. – Sofia bate em David.

— Ai! Foi uma brincadeira.

— Brincadeira bem sem graça. – reclama meu irmão.

— Tá, peguei pesado. Desculpa.

Meu amigo pede, erguendo as mãos em rendição.

— Mas conta aí, quem é a loira bonita? Vocês já... – Hodges não completa a frase, pois faz um gesto com as mãos sinalizando sobre Vick e eu termos nos envolvido.

Ciente de que se eu não contar, aquele povo exceto meu irmão e meu cunhado, não me darão paz, eu então resolvo satisfazer a curiosidade mórbida deles.

— Ela se chama, Vittoria. É modelo. Conheci há dois anos em Paris. E sim, nós tivemos algo breve. Uma semana, para ser mais exato.

— Sabia! O predador Grissom, jamais deixaria escapar alguém daquele porte.

— Credo! Por que vocês, homens, são tão estúpidos?

Acabo sem querer rindo da indignação de Catherine, que se soma a de Sofia.

— Ei, não generalize também, porque há exceções, Cath. – Warrick se pronuncia pela primeira vez.

— Verdade! – concorda Albert.

— Tá, vocês dois são excessões. — Cath diz apontando para Warrick e Albert.

— Isso! — os dois homens falam juntos e eu balanço a cabeça em negação.

— Vem Nick, vamos dançar... Antes que eu acabe com a raça de um tal de David Hodges.

Sofia sai puxando Nick. Logo em seguida é a vez de Catherine seguir com Warrick para dançar também, sobrando Lewis, Edgar, Albert, Hodges e eu.

— Hoje você não está dando uma bola dentro, hein?

— Quem manda, ele ser um mané. – comento.

— Ah, qual é Gil?! Vai ficar me recriminando, logo você que era exatamente assim? Inclusive, falava coisas piores que eu.

— Você disse bem... Ele ERA assim. Meu irmão mudou. E graças a Deus! Porque aquele Gilbert era um estúpido igual a você, David.

— Hodges, meu caro, se eu fosse você, não abria a boca pra dizer mais nada.

— Também acho! – concordo com Edgar, segurando o riso.

— Quer saber? Fui!... Vou à caça que é melhor.

David vai embora atrás de uma presa para aquela noite. Aquele ali não toma jeito mesmo.

— Gil, juro, eu não entendo como pode ser amigo de uma cara tão babaca.

— No fundo, ele é uma boa pessoa, Lewis. – defendo meu amigo, porque de fato, por baixo de todo esse jeito dele, David é um cara bacana. Ele só é mesmo um tanto tosco e grosseirão.

Depois desse meu comentário o assunto ali muda para outro e em certa altura do papo, Albert sai para tirar uma mulher para dançar, depois de Edgar, Lewis e eu muito insistirmos para ele ir, já que notamos a mulher não tirar os olhos dele.

— Ele é meio lerdo, né?

Ouço Lewis comentar enquanto observamos Albert chegar na mulher. Acabo rindo.

— Um pouco. – digo antes de beber de uma só vez o uísque em meu copo. – Que foi? – noto Lewis e Edgar me observando incisivamente após terminar a minha bebida.

— Vai devagar aí na bebida, Gil.

— Qual é, Lewis?! Vai ficar me regulando é? – indago em tom áspero.

— Foi só um aviso.

— Não preciso do seu aviso. Sei até onde ir. – desvio o olhar de meu irmão para a pista de dança no andar inferior.

— Que bom que sabe, porque...

Deixo de escutar qualquer palavra que Lewis diga depois de “porque”, pois meus olhos são atraídos quase que de imediato para a figura de uma mulher que reconheço na hora. Os cabelos escuros, balançando ao movimento de sua cabeça e o corpo esguio, se movendo daquele jeito sexy e sedutor, eu a conheceria mesmo o ambiente sendo iluminado apenas pelas luzes do estroboscópio. É Sara quem meus olhos veem dançando, ou melhor, se esfregando em um cara na pista de dança.

Sinto o sangue em meu corpo ferver e uma raiva enorme inflar dentro de mim em questão de segundos, que nem um carro esportivo como, por exemplo, meu Porsche 911 Turbo S que vai de 0 à 100km/h em apenas 2,7 segundos.

E quando acho que já vi demais, Sara se vira para o cara e o beija. Isso só faz triplicar os sentimentos de raiva e ciúmes dentro de mim. Então, as cores do estroboscópio se resumem a uma única cor: vermelho. Meus olhos só enxergam naquela cor. Vermelho raiva. Vermelho ciúmes. Vermelho. E vermelho!

— Puta merda, Gil! – a voz de Lewis me xingando, juntamente com o golpe que ele acerta em meu braço, me fazem desviar o olhar para o meu irmão.

— O que é porra? – praticamente berro para ele.

— Pega um papel toalha, rápido, Edgar! – Lewis pede ao namorado.

Só então noto que meu irmão segurando minha mão ensanguentada. Sem que eu tivesse me dado conta, havia apertado o copo com tanta força enquanto observava Sara, que o objeto de vidro se quebrou e cortou-me a palma da mão.

— Merda! – xingo.

— O que te deu na cabeça? Ficou doido?!

— Ela quem ficou doida, Lewis! – retruco, voltando meus olhos para Sara ainda se beijando com o cara lá.

— Ela? Ela quem, Gil?

— Aqui, Lewis. – escuto Edgar dizer, mas nem faço questão de olhar para ele e muito menos para meu irmão, já que meu interesse está mais em Sara.

— Ela não tem esse direito.

— Dá pra dizer de quem está falando?

— Sara! – digo alto e encaro Lewis, que imediatamente ergue uma das sobrancelhas.

— Acho que já bebeu demais. Tá alucinando com a Sara aqui é?

— Não estou. Ela está ali na pista de dança. Olha! – aponto e tanto Lewis quanto Edgar olham na direção que indico.

— Gil nem deve ser ela.

— É ela, Lewis.

— Cunhado pode ser alguém parecido com ela.

— Não é, porra! É a Sara beijando aquele cara. – insisto, pois sei que é ela.

— Tá! Se for ela, e daí?

— É. Ela. – digo, trincando o maxilar de raiva. – Você sabe que é ela.

— Ok, é ela. Mas e daí?

— E daí, que eu vou lá, arranca-la dos braços daquele sujeitinho!

— Você não vai a canto algum. – meu irmão diz em tom autoritário, segurando meu braço e impedindo com isso, que eu saía de perto dele.

— Eu vou, sim. Me larga, Lewis!

— Não! Você vai é a um hospital pra verem sua mão. Vai atrás do Albert, Ed. – vejo Lewis se dirigir para Edgar que em segundos já nos deixa a sós.

— Eu não quero ir a hospital algum, Lewis. Eu quero ir lá com a Sara. Ela têm que me explicar o porquê tá com esse cara.

— Ah, se manca, Gil!... Você esqueceu que perdeu qualquer direito de cobrar satisfação dela? Porque se esqueceu, eu te lembro... Ela não tem que te explicar nada, pois ela é solteira agora, graças a você. Ou seja, a Sara pode fazer o que bem entender e estar com quem ela quiser.

— Não pode, não. – digo alto e puxando o meu braço que Lewis segura.

— Pode sim. Você deu brecha para ela fazer isso. Agora aguente as consequências da sua escolha!... O que achou? Que ela ia estar chorando em casa por você? Fico feliz, que ela não esteja fazendo isso.

Quando vou abrir a boca para dizer novos desaforos ao meu irmão, Edgar chega com Albert, e os demais estão junto com eles.

— Que merda aconteceu aqui? – Catherine me encara preocupada e depois olha para Lewis.

— Explicações depois, gente. – meu irmão resmunga. – Albert pode fazer algo?

— Claro. Vamos agora para minha clínica.

— Eu não quero ir para clínica alguma. Eu quero ir lá...

— Cala a boca e vamos, Gil. Anda!

Lanço um olhar para a pista de dança e Sara agora não está mais beijando o sujeito, ela dança toda sorridente e agarrada nele, e ele à ela, tocando-a e esfregando-se nela, muito semelhante a como fiz quando Sara e eu nos conhecemos.

Eles parecem claramente se divertir na companhia um do outro, e isso me deixa mal, porque ela está feliz com outro. Ela está feliz sem mim.

— Agora, Gil! – escuto Lewis dizer e tirando meus olhos de Sara, caminho nada satisfeito rumo a saída.

Já passa de uma e pouco da madrugada quando seguimos para casa Edgar, Lewis e eu depois de sair da clínica. Foi preciso fazer uma bela sutura no corte em minha mão, já que o machucado foi mais profundo do que o esperado.

— Que inferno astral, hein cunhado? Primeiro o pulso de uma mão que você machuca, agora esse corte na outra mão. – do banco do motorista Edgar diz, me encarando pelo espelho retrovisor enquanto tenta soar engraçado. Apenas lhe lanço um olhar sério.

— Bem feito pra ele!

— Obrigado por sua empatia, Lewis. Ela me conforta grandemente.

O restante do percurso é feito em total silêncio, comigo ainda remoendo a cena de Sara aos beijos com aquele cara. Acho que ficarei com tal imagem por um bom tempo na mente. Vai ver este seja meu castigo pela decisão estúpida que tomei.

Assim que entramos em casa, eu sigo reto na direção do barzinho no canto da sala para me servir de mais uísque.

— Você não pode beber. Foi medicado no hospital, esqueceu?

— Caralho! Me deixa em paz, Lewis. – falo em alto e bom som para ela ouvir e entender que não quero seu aviso.

— Lewis, vamos subir? Deixa o Gil. Ele é grandinho o suficiente para saber que álcool e medicação não é uma boa combinação.

— Exatamente. Muito obrigado pela compreensão, Edgar. – resmungo de costas para eles e me servindo de um copo de uísque sem gelo.

— Você sabe que a perdeu, por sua culpa mesmo, não sabe?

— É, eu sei, Lewis. E você não cansa de repetir isso pra mim, não é? – questiono após dar um gole na bebida enquanto me viro para encarar minha irmã.

— Porque parece que você quer ignorar esse fato. A culpa é sua!

— Se te serve de consolo... Doeu vê-la nos braços de outro... E não poder fazer nada, porque, afinal, quem contribuiu para isso foi eu mesmo. A culpa é toda minha, como bem você acabou de frisar! – finalizo antes de dar mais um gole na bebida e seguir cabisbaixo rumo às escadas. Ao passar ao lado de Lewis e Edgar, lhes desejo um “boa noite”, coisa que eu não terei depois do que vi naquele bar.

— Sinto muito, mano! – ouço Lewis dizer quando estou no meio da escada.

— Eu também... E muito! – retruco de costas para ele e sem deixar de seguir subindo as escadas rumo ao meu quarto.

Notas finais
Xero e até o próximo capítulo.