After Separation - Livro 2
13 Capítulo XI
Notas iniciais
"O tempo vai passando e soprando coragem para enfrentar os novos caminhos que a vida traça."
(Autor desconhecido)
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Quando a gente quer que o tempo vá rápido, ele passa lento feito uma lesma. Agora, quando a gente quer que ele passe devagar, ele é do contra e passa veloz como um cometa, mas trazendo uma coragem para enfrentar o que vem pela frente, exatamente como aconteceu nessa semana precedente ao meu último dia da NP, que no caso é hoje.
A cada dia que passava e se aproximava de hoje, eu ia adquirindo uma coragem para enfrentar a nova fase da minha vida que se iniciará na segunda-feira, em um novo emprego. Novos colegas. Novo lugar. Novo endereço. Tudo novo!
E enquanto esse período se passou, eu fiz várias coisas que acho que por isso que o tempo passou tão velozmente, que nem o senti. Por exemplo, eu treinei a minha substituta, que por sinal, é uma garota muito boa e esperta, pois pega rápido as coisas; também finalizei serviços pendentes meus que nem eram tantos assim, e ainda deixei a Joanne a par dos projetos em andamento; fechei o contrato de compra da minha casa, que no caso foi meus pais que pagaram sob fortes protestos meus de que podia me dar esse lixo de pagar pela casa, mas a alegação de que se tratava de um presente aquilo, me fez ceder — nada satisfeita diga-se de passagem — aos apelos deles. Então, eles fizeram o depósito na minha conta e eu comprei a casa. Inclusive, amanhã mesmo, também conhecido como sábado, eu me mudo para o meu novo lar.
Posso dizer que vivi cada dia que passou dessa semana corrida na NP e na companhia dos meus amigos da melhor e mais divertida forma possível. Foi tudo tão intenso e em tom de despedida. E hoje, que enfim está sendo meu último dia de trabalho aqui, já que sábado Brooke me liberou do serviço para fazer a minha mudança para a casa nova, a nostalgia já bate forte antes mesmo de eu sequer ter ainda deixado aquele lugar.
— Sara onde é mesmo que você guarda esses documentos?
— Terceira gaveta. — informo à Joanne.
Sentirei falta não só daquele lugar no qual passei mais de cinco anos trabalhando, mas também do meu chefe e, principalmente, dos meus amigos; das nossas reuniões nos horários do almoço, as conversas fiadas na porta da editora no fim dos turnos e os happy hours às sextas ou sábados. Criei amizades sinceras e... Malucas! Mas as melhores amizades que levarei comigo sempre!
— E aí, animada para mais tarde?
Apenas assinto.
Meus amigos marcaram de pelas nove da noite irmos à um bar latino lá para às bandas de Nova York, em uma espécie de comemoração de despedida minha.
De início, relutei em que fosse para lá a comemoração por conta de acabar topando com Grissom nessas ironias do destino. Mas depois pensei: "Foda-se!" Não deixarei de me divertir com os meus amigos em um bar "muito foda", segundo o Bolton, por conta de Gil Grissom. Não mesmo! Portanto, topei a diversão em Nova York.
— Uma pena que nem você e o Brooke poderão estar presente. — comento.
— Pois é. — Joanne suspira com ar de tristeza. Ela teria que ir para o hospital depois do trabalho ficar com a mãe que recentemente passou por um procedimento cirúrgico.
Já meu chefe não irá ao bar por motivos de trabalho. Brooke viajará mais tarde para Los Angeles afim de participar da BookExpo America (BEA) uma feira do livro que é a principal vitrine da indústria editorial dos Estados Unidos.
— Mas para o open house no domingo, você vai, né?
Assim que fechei o contrato de compra, Dayse no mesmo instante me lembrou de organizar esse pequeno evento para reunir o pessoal lá em casa para celebrar meu novo "lar doce lar" e, obviamente, concordei com isso, até porque já havia concordado semana passada quando Bolton deu a ideia. Tratei de convidar os amigos mais próximos mesmo e cada um se comprometeu a levar algo para o "evento". Bolton, como não podia deixar de ser, reiterou sua sugestão de levar as bebidas. Segundo ele levará SÓ uns cinco pack de cerveja.
Eita, povinho para gostar de beber!
— Ah, sim. Já combinei até com a minha irmã de ela ficar com nossa mãe para eu poder ir. — explica Joanne após guardar os documentos na gaveta que lhe indiquei.
— Ótimo.
Joanne e eu ainda trocamos mais algumas conversas. Nesses dias de convivência com ela, pegamos amizade rápido. Ela é uma moça bem bacana. Filha caçula de três irmãos. Seus pais são publicitários, por isso que ela tem tanta facilidade na área de marketing, mesmo está não sendo a área a qual está se graduando. Dos irmãos, ela foi a única que não escolheu seguir a carreira dos pais, apesar de ter o "dom", como certa vez me disse que seu pai havia dito à ela.
Sua paixão pela literatura e principalmente, por todo o processo que leva até a criação de um livro, foram os grandes responsáveis por sua escolha na hora de optar pelo curso de Produção Editorial.
Em determinado momento do nosso papo, Brooke surgiu nos convocando a segui-lo até sua sala para uma última reunião minha com ele e a sua nova assistente, para as últimas atualizações e coisas que ainda possam existir de pendentes naquele quase fim de tarde, antes do meu chefe ir em casa pegar suas coisas para em seguida, rumar ao aeroporto.
***
— Então, é aqui que me despeço de você e te desejo o melhor nessa nova fase da sua vida?
Brooke me encara com uma expressão com Q de tristeza. Estávamos só os dois em sua sala após Joanne sair e nos deixar a pedido de nosso chefe, ou melhor, seu chefe, já que a partir do final deste turno decretado por Brooke minutos atrás, eu deixei de ser sua funcionária.
— Pode fazer isso no domingo, se achar melhor. — falo, tentando soar engraçada apenas para descontrair, porque já me encontro com os olhos cheios d'água pela iminência de uma despedida. E sei que é questão de segundos, e poucas palavras de Brooke para as lágrimas acumuladas em meus olhos, começarem a cair feito cascatas deles.
— Prefiro fazer agora que estamos só você e eu. — ele diz saindo detrás de sua mesa e vindo até mim, que me encontro de pé entre as duas cadeiras postadas diante de sua mesa bagunçada. — Na sua casa terá gente demais. — justifica.
Assinto, apertando os lábios.
— Quero dizer primeiro de tudo, que estou muito, mais muito feliz mesmo por você, Sara. — meu chefe começa a falar estendendo as mãos para que eu as segure, e assim o faço. — Sei do seu potencial e quão longe pode chegar nesse meio, por sua demasiada competência, dedicação, perspicácia e por ser uma profissional com um feeling aguçado para esse nosso trabalho.
Àquela altura de seu discurso, eu já estava feito uma boba chorona, deixando as primeiras lágrimas caírem.
— Da assistente toda nervosa e atrapalhada que chegou anos atrás para seu primeiro dia de trabalho comigo... — eu e ele acabamos por rir desse seu comentário. De fato eu no início era atrapalhada e fiquei bem nervosa no primeiro de trabalho, mas Brooke acabou me deixando tranquila. -... eu tenho hoje diante de mim uma excelente colega de profissão e concorrente no meio literário, que tenho certeza... me trará dores de cabeça por ser boa demais no que faz.
— Até parece que eu sou páreo para você. Ainda iniciarei nesse meio. — resmungo, sorrindo e tendo o rosto ainda molhado pela lágrimas que deixei escapar segundos atrás.
— Mas, você tem tudo para se dar muito bem. Vai por mim, você é muito boa, Sara. E eu tenho muito orgulho de você. — suas mãos apertam as minhas como se reforçando com aquele gesto suas palavras.
— Obrigada!
— Uma vez, não sei quem me disse assim: "Algumas pessoas marcam nossa vida profissional de uma maneira tão forte que é impossível as esquecermos." E, você se encaixa nisso, Sara. De todas as assistentes que tive, você é a que eu levarei no meu coração para sempre. Não só por ter sido uma profissional excelente, mas também por ter se tornado mais que isso: uma amiga pra mim. E acho que também virei um amigo pra você, né?
— Claro que sim, Brooke!
O homem diante de mim, não só virou um amigo, como um exemplo de profissional e chefe a ser seguido por mim.
— Quero te agradecer por esses anos todos de assistência e dedicação. E, principalmente, por ter me aturado, Sara. — ele diz com um meio sorriso enquanto bravamente segura as lágrimas, ao contrário de mim. — Sei que não deve ter sido fácil essa última tarefa, portanto também agradeço muito e de coração pela sua paciência. — sorrio e ele mais ainda.
— Até parece! Quem te ouve falar isso, pensa que você tem um temperamento horrível. Brooke, você é a pessoa mais boa de se aturar. — sorrio ao usar o termo usado por ele. — É o melhor chefe que eu poderia ter tido. Sempre terei uma enorme dívida de gratidão por tudo que fez por mim. Você me ensinou muita coisa, Brooke. Se eu saio uma pessoa apta para ocupar essa vaga que me foi oferecida, é muito graças aos ensinamentos que você me passou.
— Fico feliz em saber que contribuí no seu crescimento profissional.
— E como contribuiu. Nunca terei palavras ou gestos suficientes para lhe agradecer a incrível oportunidade e ensinamentos que você me deu.
Partiu de mim a iniciativa do abraço. Um abraço de gratidão e carinho.
— Te desejo felicidades e muito sucesso nessa nova etapa da sua vida, Sara. Saiba que estarei sempre torcendo por você.
— Obrigada, Brooke, de coração.
***
Levei um susto danado quando entrei na copa e fui recebida com um sonoro: surpresa. Meus amigos e outros colegas de trabalho estavam reunidos ali para se despedirem de mim naquele fim de turno. Eu sequer podia imaginar que aquela reunião de despedida havia sido armada. E algo me diz que meu chefe estava ciente disto, pois após Brooke e eu terminarmos o nosso abraço e termos trocados mais algumas palavras de despedida, meu chefe me pediu para ir a copa lhe buscar um copo de água.
— Pelo visto deu tempo de todos estarem aqui. — a voz de Brooke reverberando atrás de mim aquela frase só confirma a minha desconfiança. Ele sabia bem daquela reunião.
— Você conseguiu segura-la pelo tempo suficiente para todos estarmos aqui. — Bolton foi quem disse. — Pra você, Sara! — ele me estende um lindo boque de flores.
Então, pelos minutos seguintes fui abraçada por cada um que ali estava, enquanto ouvia emocionada os desejos de sucesso na nova jornada que iniciarei na minha vida ao sair da NP. Pela segunda vez, deixei as lágrimas rolarem ao me despedir dos meus colegas, com quem convivi ao longo desses mais de cinco anos. Fiz questão de agradecer a cada um, porque, de algum modo, eles também contribuíram para meu crescimento pessoal e profissional durante o tempo que passei naquela empresa. Ali conheci pessoas inspiradoras que fizeram de mim alguém melhor e amigos que levarei no meu coração. Digo a adeus para eles com a certeza de que valeu a pena esta minha aventura.
Alguém puxou um discurso de despedida e quando vi, todos já pediam em coro pelo mesmo. Então, me vi no dever de fazer um discurso, muito breve, mas sincero e verdadeiro.
— Hoje é o meu último dia aqui. E, vocês não fazem ideia do quanto está custando dizer adeus a vocês que fizeram parte do meu dia-a-dia nos últimos anos. Saibam que foi um prazer trabalhar com todos vocês. Saio daqui sentindo alguma tristeza e saudade, mas com o coração quente pelas mensagens de apoio que recebi. Obrigada!
Momentos depois já estou deixando o prédio na companhia de Dayse. Meu ciclo na NP havia se encerrado e outro na BoB começará na segunda-feira. Mas antes disto há uma comemoração para eu ir mais tarde.
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