Notas iniciais
Olá, meninas! Que saudades. Como estão vocês? Eu tô muito bem obrigada. E devo admitir que esse período off me deixou um tanto mal acostumada a vida boa kkkkkkk. Mas sinceramente, eu já estava precisando desse descanso urgentemente. É bom dar uma pausa para a mente senão a sobrecarregamos e acabamos pirando (o que já tava a um fio de ocorrer comigo). Mas, agora, depois dessas maravilhosas e relaxantes três semanas descansando bastante a mente, é chegada a hora de voltar à ativa e dar início a esta fic. Espero suprir as expectativas que vocês tenham quanto a esta história. Vem muita coisa aí. Algumas boas e outras não. Separem as caixas de lenços e como a Jackeline Noara escreveu num post que fiz lá no Facebook sobre a fic, coloquem o colete a prova de bala também kkkkkkk. Então vamos nessa. Sejam bem vindas ao primeiro capítulo de After Separation, a continuação de One Night.

"Nunca deposite sua felicidade em coisas, relacionamentos e pessoas, pois as coisas quebram, os relacionamentos terminam e as pessoas se vão."

(Deyviddias)

***

O silêncio do quarto.

A dor me corroendo o peito.

O outro lado da cama frio e vazio.

Tudo exatamente para me torturar.

Me lembrar que ontem se acabou.

E a masoquista dentro de mim, não satisfeita em só ter aqueles elementos de tortura, ainda foi além. Foi atrás de mais.

Puxando o travesseiro dele, eu o trouxe para junto de meu corpo e o abracei. O cheiro de Gil ainda estava ali, empregado na fronha do objeto.

O maldito cretino disse que eu o enfeiticei, mas no fim quem fez isso com quem aqui, foi ele comigo. Me enfeitiçou e me largou para casar com outra. E não era qualquer outra, era só a minha prima.

"A gente vai se manter juntos. Okay?" [...] "Você é que me importa. Está com você é mais importante pra mim que grana ou todo o patrimônio que eu tenho, e até mesmo mais importante que o meu velho, querida."

Meus olhos se apertaram diante da maldita lembrança daquelas suas palavras. Tudo mentira dele. Ou quem sabe fossem apenas palavras jogadas ao vento por ele com o intuito de me acalmar no momento em que as disse.

Só gostaria que minha mente não a tivesse trazido à tona, porque doía lembrar agora das falsas promessas e discursos ilusórios daquele cretino, bem no dia seguinte ao nosso término.

O alarme do celular tocou naquele momento, fazendo-me abrir os olhos e deduzir o horário: sete e meia da manhã. Era o trabalho chamando uma hora mais tarde aos sábados. Mas quem disse que eu tinha condições emocionais ou estruturais de ir trabalhar? Nada! Nenhuma. Mesmo que hoje seja apenas meio expediente na editora.

O toque escandaloso seguiu reverberando alto. Mas até eu tomar coragem de esticar o braço e apanhar o aparelho barulhento do criado mudo, silenciá-lo e devolvê-lo caladinho de volta ao móvel, levou quase meio minuto dele se esgoelando e castigando meus ouvidos com seu barulho.

Meu chefe que me desculpasse, mas não havia qualquer disposição ou vontade da minha parte em sair daquela cama para ir à editora. Para ser franca, eu não queria ver ninguém e sequer estava com cabeça para nada, quanto mais para o trabalho. Só queria ficar em casa sozinha, curtindo a minha fossa e o belo pé na bunda que levei ontem.

Boa parte da noite e madrugada, eu passei derramando lágrimas atrás de lágrimas ao ficar me lamentando o término com Gil e recordando nossos belos momentos juntos, que agora faziam doer mais de tristeza o coração ao recordá-los.

Ainda não me entrava na cabeça como Grissom pode ser capaz de ceder as vontades do falecido pai dele e terminar nosso noivado.

Eu não conseguia engolir aquilo. Mesmo que Gil tenha me dado suas razões quanto a sua decisão, para mim elas não eram aceitáveis e muito menos, toleráveis. Talvez por estar com raiva, magoada e arrasada, eu não o compreenda agora.

Ou talvez não o compreenda depois, por mais que eu me esforce a isso.

Adoraria poder perder a memória e assim esquecer os últimos três meses que vivi. Esquecer que conheci o cara mais gostoso, apaixonante e bom de cama; alguém que me fez conhecer o céu ao seu lado. E que agora, me jogou no inferno tenebroso sem sua companhia.

Gil Grissom foi a melhor coisa para mim logo que engatamos nosso relacionamento, a princípio secreto. Mas agora, com esse término inesperado, ele se transformou na pior coisa que poderia ter me acontecido.

Arrisco em dizer que numa escala de zero à dez, ele é onze. Tão igual ou até pior que o Elliot! Ambos me trocaram por outra.

— Sara já levantou?

Fui incapaz de responder ao questionamento de Dayse. Abracei o travesseiro mais apertado enquanto me encolhia na cama em posição fetal e tentava não me deixar ser tomada outra vez por novas lágrimas, pois já havia derramado muitas até horas atrás.

— Sara!

Dayse chamou por mais uma vez dando duas babatidinhas de leve na porta. Como eu também não respondi este novo chamado seu, então minha amiga abriu a porta do quarto devagar. Escutei quando ela se aproximou da cama arrastando seus chinelos num costume que eu, particularmente, detestava. Mas não ousei reclamar disso naquele momento como costumo fazer em outros.

Pelo pequeno movimento que senti no colchão, imaginei que Dayse havia se sentado atrás de mim. Ela repousou a mão em meu braço direito. No mesmo segundo, eu tornei a fechar os olhos bem apertados.

— Você não vai levantar para irmos à editora?

Apenas neguei com um balançar de cabeça e me eximi de dar mais explicações, até porque não me parecia necessário fazer isso à Dayse. Ela bem já imaginava o motivo da minha recusa.

Ainda bem que amanhã seria domingo e eu não teria expediente, podendo ficar mais um dia reclusa no aconchego da minha casa e da minha cama, tentando me refazer do baque promovido por Gilbert Grissom em mim.

— Sara, olha pra mim.

Outra vez neguei com a cabeça e mantendo os olhos fechados. Não queria olhar para ela ou qualquer outra pessoa, porque não queria que me vissem arrasada e despedaçada como eu estava por causa de um sujeito, que a meu ver agora não merecia.

— Eu ouvi em algum lugar uma vez que: "Decepções amorosas ou términos de relação são que nem uma pancada na cabeça. Onde primeiro você fica tonta e atordoada, depois acha que vai morrer, mas no fim se recupera".

A analogia daquela frase era até perfeita, porque de fato eu sentia que havia levado uma pancada na cabeça e ainda me encontrava tonta com o golpe levado. Contudo, não tinha certeza de que ia me recuperar tão facilmente assim dele. A pancada tinha sido forte. Mais forte do que o esperado.

— Dayse, eu quero ficar sozinha, por favor. — pedi baixo.

Solidão era o que mais eu prezava no momento. Queria me isolar das pessoas, de todas e isso incluía até a minha melhor amiga.

— Tudo bem. Mas ó... Você já experimentou essa situação antes e deu a volta por cima. Tenho certeza que conseguirá de novo, Sara. E quer saber? Coloca pra fora toda essa raiva, dor e tudo mais que esteja sentindo pelo término, para depois se erguer mais forte.

Aquelas palavras dela me fizeram cair em prantos em questão de segundos. Malditas lágrimas que contra a minha vontade escorriam dos meus olhos e iam morrer direto em meu travesseiro.

Eu era bem ciente das coisas que Dayse tinha acabado de discursar para mim, pois como ela bem mencionou, eu já passei por aquela situação toda antes e dei a volta por cima. Superei o Elliot.

Superaria o Gilbert também?

Algo me dizia que seria bem mais complicado isso. Aquele cretino se instaurou em meu coração e se apossou dele como nenhum dos meus namorados anteriores havia feito.

— Ai, amiga! — Dayse exclamou diante dos soluços do meu choro.

Com a visão embaçada pelas lágrimas, eu vi malmente quando minha amiga veio se deitar a minha frente. Com seu dedo polegar esquerdo, ela tentou secar o meu rosto molhado pelas lágrimas.

— Eu queria... Não tê-lo conhecido, Dayse. — lamentei por entre os soluços do choro.

Como eu daria agora tudo o que tinha e até mesmo, o que não tinha também, para Gilbert Grissom não ter cruzado o meu caminho e nem eu o seu naquela festa. Me pouparia o sofrimento e as lágrimas de agora.

— Eu é que queria não ter te convencido a ir à festa da vaca da Camille. Foi por causa dessa bendita festa que você o conheceu. Me desculpa, amiga.

Ela se aproximou mais de mim até ser capaz de me abraçar de um jeito desajeitado, que a nossa posição de deitadas de lado permitia. E nos seus braços chorei mais ainda. Tanto quanto havia chorado meses atrás por causa de outro ex. A diferença daquela vez para a de agora, é que no caso do Elliot, EU o deixei. Com o Grissom, foi ELE quem me deixou. E isso estava fazendo a dor ser maior.

— Me sinto tão culpada por isso, Sara.

Em sua voz era nítida a frustração e tristeza. Mas Dayse é a menor das culpadas ali. Eu é que não devia ter cedido aos galanteios daquele cretino e me deixado envolver por ele. Mas eu caí na dele.

Tivemos uma noite que era só para ter ficado apenas numa noite, só que não ficou. Jamais imaginaria que William/Grissom ia me marcar de tal forma naquela nossa noite e muito menos, que íamos nos reencontrar e viver um romance tão intenso, conturbado e com tantas pessoas contra.

— Você não tem culpa de nada, Dayse. — respondi alguns segundos depois, me afastando um pouco e desfazendo nosso abraço desajeitado.

Jamais ia pôr a culpa daquela situação nela. Se havia culpados estes eram Grissom, o pai dele e eu.

— Mas eu sinto que tenho muita culpa nisso, sabe?

— Não sinta. — enxuguei meu rosto molhado pelas lágrimas. — Nós duas não tínhamos como saber lá atrás, que as coisas entre eu e o cretino que você apelidou de Sr.Gostoso, iriam chegar ao pé que chegou.

— O pai dele não tinha o direito de fazer isso com vocês.

— Eu não quero falar desse senhor, Dayse.

Me dava tanta raiva só de lembrar de Joseph. Ele era o responsável direto pelo pé na bunda que o filho dele me deu. Não sei se um dia serei capaz de perdoar este senhor.

— É melhor nem falar mesmo. Não vamos mais mencioná-lo. Fica proibido isso entre nós duas.

Assenti em concordância. Eu mesma não fazia qualquer questão em mencionar sobre o principal algoz do meu sofrimento.

— Grissom estava tão arrasado ontem enquanto conversávamos antes de você chegar. Me deu até dó dele, Sara.

Está aí a última das coisas que eu sentia agora por aquele cretino: dó.

— Pois eu sinto é raiva dele. Muita raiva, Dayse. Tanta que você nem tem noção.

Se Gilbert Grissom surgisse na minha frente agora, eu lhe acertaria um belo murro na cara. O mesmo murro que senti vontade de lhe acertar lá na casa dos meus pais, quando nos reencontramos e descobri que ele era noivo de Maryane, mas infelizmente, não lhe dei.

— Compreensivo que sinta isso. Mas quer saber? — subitamente Dayse se sentou na cama e enquanto prendia os cabelos em um coque mal-feito, prosseguiu sua fala: — É como eu te falei lá atrás, quando seu namoro com o cachorro do Elliot acabou... Se acabou... Acabou, meu amor! E é vida que segue!

Falando até parecia fácil, mas tanto minha amiga quanto eu sabíamos que na prática não era bem assim que acontecia.

— Você disse que ia seguir sua vida, não disse? Que não ia esperar por ele.

— Sim. Mas só porque eu falei essas coisas, não quer dizer que vou deixar de amá-lo num estalar de dedos, Dayse. O amor não some magicamente, só porque você diz "vou seguir em frente".

Quem dera isso fosse possível. Porque se fosse, eu faria uso desta mágica tão logo Gilbert tinha saído daquele quarto ontem a noite.

— Eu sei disso, Sara. Esquecer leva tempo, requer paciência e força de vontade. Mas você vai conseguir. Conseguiu antes. Agora não será diferente.

Queria ter essa certeza e esse otimismo todo que Dayse demonstra através de suas palavras. Entretanto, estou bem longe de ter ambos. Vai ver, porque ainda era muito recente aquele término.

— Acho melhor você ir se arrumar ou vai chegar atrasada e levar um sermão daqueles da Sullivan.

Era meu jeito de pôr fim naquela conversa toda. Chega daquele papo. Eu queria ficar sozinha e não ouvir mais discursos ou palavras de incentivo. Não agora. Não nesse momento.

— Você tem razão. Vou indo. — passando por cima de mim, Dayse saiu da cama. Ia ralhar com ela por ter feito isso, já que minha amiga podia muito bem sair pelo outro lado da cama, ao invés, de passar por cima de mim. Porém, não o fiz. Estava sem a mínima vontade de criar briga. — O que eu digo ao Brooke?

— Nada. — lancei um olhar à ela, que se encontrava de pé ao lado da minha cama, prendendo outra vez os cabelos dourados num coque que havia desfeito na hora que Dayse passou por cima de mim. — Eu vou ligar daqui a pouco pra ele inventando que acordei indisposta, com febre ou algo parecido. — expliquei.

— Tá certo. Então vou tomar meu banho para ir a editora.

Assenti. Antes de me dar as costas e seguir rumo a saída do quarto, Dayse se agachou e beijou minha testa.

— Daqui há uns meses nós vamos estar rindo do que aconteceu, exatamente como foi no caso do Elliot. Você vai ver, amiga.

Notas finais
Independente de ter sido um capítulo com ar melancólico e triste, espero que tenha ficado bom. Lembram que eu disse no capítulo anterior postado em dezembro, que a Sara ia viver uma bad? Pois bem, por alguns capítulos isso ainda vai ser assim. Mas prometo que não será algo muito duradouro. Logo nossa protagonista vai virar a chavinha sair dessa fossa, erguer a cabeça e começar a tocar sua vida em frente. OK? Agora aguardo as impressões e opiniões de vocês quanto a esse primeiro capítulo. E antes de me despedir tenho duas observações abaixo: Obs 1: por enquanto os capítulos serão semanais, pois tenho poucos finalizados. Assim que eu conseguir ter uma boa frente de capítulos finalizados eu posto dois por semana. Obs 2: pra quem acompanha Sex Games 2 a fic só será atualizada a partir da segunda quinzena de fevereiro, beleza? Acho que é só isso. Bjs e até semana que vem.