After Party

4 Na caixa suspensa


Notas iniciais
Cláudio toma algumas precauções após a noite atribulada e antes que siga sua vida...

Mário, afinal, era um tarado. Mas não no sentido negativo. Cláudio logo entendeu que, vivendo tanto tempo reprimindo-se, assim que podia, o cara realmente extravasava: quando voltaram do banheiro, ainda molhados, os dois não se largaram mais. Enquanto Mário descontava a seca de seus desejos repreendidos, Cláudio descobria um lado real e sedento seu que desconhecia, explorando o corpo do outro com volúpia e liberdade. Era como se em uma única noite, em um encontro, em poucas horas, estivesse descontando um oceano de vontades reprimidas e ocultas.

Quando o dia finalmente despontou, e as primeiras luzes da manhã invadiram o quarto, encontraram os dois nus na cama, entrelaçados, pernas sobre pernas, membros exaustos e flácidos, marcas roxas pelo corpo e bocas vermelhas.

— Você já apagou as fotos? — perguntou Mário, passeando os dedos pela parte interna da bunda de Cláudio.

— Claro que sim. Não sou louco – respondeu o garoto.

— Deixa eu ver. Me passa seu celular...

— Não...

— Me dá! – Então eles travaram uma pequena luta para ver quem pegava o telefone, até que Mário sentou na cara de Cláudio e ele venceu, roubando o aparelho da mão do outro e vasculhando a galeria.

Tirando proveito da safadeza de Mário, Cláudio e ele brincaram de fazer uma curta sessão de fotos, que consistia em capturar o outro nas posições mais submissas e sacanas possíveis. “Cheirando bolas” e “Mamando no papai” foram alguns títulos que sugeriram para o ensaio. Mário adorou! Claro que depois o rapaz teve que apagar tudo.

— Bem, acho que você já pode tirar o rabo de cima de mim. Temos que ir. Já amanheceu.

— Ah, tava tão bom...

Mas eles arrumaram as coisas, jogaram camisinhas usadas e pacotes vazios na lixeira, e se prepararam para sair.

— Olha, depois que sairmos daqui, voltamos a ser apenas conhecidos, ok? – disse Mário, olhando bem fundo nos olhos do garoto. – Nada disso aconteceu. Eu preciso muito do meu trabalho...

— Sim, claro. Eu sei disso. O Sr. Alberto Alencar não gostaria de saber também que o melhor amigo dele desvirginou seu filho adorado, não é?

Os dois riram juntos.

— Mas é uma pena. Você é muito gato e gostosinho... hum, quem sabe, se um dia você quiser me atacar no escritório, é claro que não vou resistir, então, bem, podemos tirar outras sextas para noites assim. – ele piscou e deu uma palmadinha na bunda de Cláudio, que riu.

— Safado – respondeu o garoto.

Então, eles deixaram o quarto e saíram do hotel.

O sol já ia alto no céu. Devia ser umas oito horas da manhã quando o homem estacionou na esquina e eles pararam para se despedir.

— Foi muito bom, viu? Até mesmo para alguém vivido como eu – afirmou Mário, passando um braço em torno do garoto. – Eu tô falando sério caso você queira, sei lá, experimentar outras vezes, ok? – ele sorriu.

“Não”, refletiu. “Você é gostoso demais, mas eu já tenho alguém na mira para o próximo encontro”, disse a si mesmo, pensando no número de telefone anotado em um papel dentro do seu bolso. Porém, respondeu:

— Claro, seria maravilhoso.

Mário o puxou para um último, demorado e molhado beijo, então Cláudio abriu a porta e partiu.

Seu cérebro zunia, como se um milhão de vespas africanas voassem do seu crânio. O que eu fiz? Agora, não restavam dúvidas. Mário estava certo. A partir dali, a vida dele nunca mais seria a mesma.

Há pessoas que se descobrem com um beijo, outras com a ajudinha de amigos prestativos, enquanto alguns desde sempre reconhecem sua verdadeira tendência sexual. Com Cláudio, havia sido diferente. Em algumas horas, ele fizera coisas que certos jovens levavam anos para provar.

Mas ele não podia correr o risco de encontrar Mário novamente. Decididamente, não era o tipo de pessoa que se sentiria bem vendo o cara que o “libertara” rondando pelos corredores da empresa do pai, ou sentado no churrasco da família. Não depois da noite avassaladora que tiveram.

E, pelo visto, ele não sabe o que é “salvar automaticamente na nuvem”, riu o rapaz, ligando o celular e contemplando a cara safada de Mário com a boca no seu pênis. Seu aplicativo de armazenamento virtual salvara tudo antes que ele começasse a apagar as fotos. Cuidado com modernidade!

Assim que ele tomasse um banho, comesse alguma coisa no café da manhã, dormisse um pouco e mandasse uma mensagem para o gatinho da balada, Cláudio tinha uma reputação para acabar.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Deem sua opinião e compartilhem /o Um beijão a todos que concederam sua atenção a esta história!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!