After Midnight
14 Say Goodbye
•POV Amaya•
Eu e Blade seguimos para a festa de carro,em menos de 15 minutos estávamos em frente á uma mansão gigantesca, talvez 3 vezes maior do que de Grace Rouge.
–-Ele é rico mesmo.—Eu pensei alto e Blade deu um sorriso torto.
–-Excêntrico ou megalomaníaco são palavras melhores.—Ele disse e eu soltei um riso fraco. Me escondi atrás de uma maquiagem que mudava completamente meu rosto e das lentes. Blade antes de sairmos me entregou uma peruca ruiva para colocar sobre o meu cabelo. Se ele tivesse avisado antes eu não teria feito todo aquele penteado...
–-Ele não vai te reconhecer?—Eu disse me preparando para descer do carro, antes que eu piscasse Blade estava do lado de fora abrindo a porta para mim.
–-Nunca nos vimos pessoalmente, eu só cuidava da segurança de outros agentes quando tínhamos missões aqui.—Blade disse e me guiou para as portas do lugar, entregou os convites sem olhar para os seguranças e entrou.
Aquilo não era nada que eu poderia imaginar. As mulheres pareciam flutuar em seus vestidos longos e os homens pareciam sair das sombras em seus ternos e smokings pretos. Aquilo parecia a visão do paraíso e do inferno acontecendo ao mesmo tempo. Apertei a mão de Blade antes que ele desse qualquer passo.
–-Fica calma, só precisa seguir o plano. Vamos sair daqui o mais rápido possível.—Ele sussurrou e me puxou pelos degraus da escada.
Eu nunca tinha visto uma foto de Max, nem Blade tinha me dado dicas de como ele parecia, mas foi bem fácil encontrá-lo. As pessoas o cercavam e concordavam com tudo que ele falava, alguém dava uma risada educada aqui ou ali. Max realmente era um homem excêntrico, seu smoking prata se destacava entre todos os outros, seu cabelo loiro em um topete perfeitinho e um sorriso permanente no rosto, como se nada jamais tivesse o feito triste uma vez na vida. Não que eu duvidasse disso.
–-Realmente uma pena...
–-Ela era tão jovem.
–-Mas ela bebia demais, algo uma hora ia dar errado.
–-Ela não merecia isso...
Foram as poucas palavras que eu identifiquei naquele circulo de gente, Blade tinha se afastado de mim e falou com um homem de aparentemente 50 anos, por um momento, o rosto de Blade ficou pálido, seus lábios entreabertos como resultado de uma única emoção: choque.
–-O que aconteceu?—Perguntei, eu não devia falar o nome dele naquele lugar, pessoas poderiam saber quem ele era.
–-Grace Rouge.—Ele agora olhava para todos os lados, tive que segurar seu rosto na minha direção por alguns instantes para que seus olhos finalmente se concentrassem em alguma coisa.
–-O que aconteceu com a Grace?—Eu perguntei tentando soar a mais calma possível.
–-Ela está morta.—Blade sussurrou.—Eles a mataram, disseram que ela se afogou.
–-Se acalme, precisamos das informações.—Tentei fazer com que ele recuperasse o senso.
–-Não, precisamos fugir. Eles vão nos achar, precisamos começar de outro lugar.—Blade disse e me puxou pelas mãos para longe do grupo.
–-Você pode ir. Eu não.—Eu disse e puxei meu braço, correndo em direção ao grupo.—Porque não paramos com assunto tão triste e aproveitamos a festa?
–-Ela tem razão.
–-Que garota linda! E tão cheia de espírito!
–-Eu ainda não dancei...
–-Se precisar de um parceiro de dança, Adam está...
–-Onde estão as bebidas?
As pessoas se espalharam, deixando Max com apenas alguns convidados e eu. Olhei sob meu ombro e Blade não estava em nenhum lugar para ser visto. Duas opções: ele fugiu ou finalmente entendeu que tinha uma chance de procurar algo na mansão do Max.
–-Senhorita, creio que nunca fomos apresentados.—Uma voz masculina surgiu ao meu lado.Max.
–-Meu nome é Sarah, e eu já o conheço,Max.—Eu disse oferecendo o meu melhor sorriso.
–-E como eu não te conheço? Eu não esqueceria um rostinho desses.—Ele me ofereceu seu braço e eu aceitei, Max então passou a me guiar pelo salão, entre mesas e pessoas bêbadas.
–-Na verdade sou filha uma de suas sócias, Carol.—Graças a Deus Blade tinha me dado informações falsas que cobririam tudo.
–-Ah claro, mas Carol te escondeu de mim. Nunca vi seu rosto, Sarah. É ótimo saber que todos os elogios dela são verdade.—Ele riu e me puxou para a pista de dança, sinalizando com a cabeça para um cara que eu suspeitei ser o DJ.
–-O que você está pensando em fazer?—Eu perguntei com um sorriso travesso no rosto. Não demorou muito depois que a musica começou, Max pousou suas mãos na minha cintura e passou a me guiar no ritmo da musica.
–-Sabe, você é realmente uma peça rara. Uma garota bonita com um sorriso tão aberto.—Max deu seu melhor sorriso galanteador.
–-Acredita que ela está comigo?—Uma mão puxou meus ombros e por pouco não caio por cima dele. Blade.
–-Um pouco obsessivo não acha,Ryan?—Eu disse, criando um nome falso de imediato.
–-Estávamos apenas nos divertindo, mas vou ceder a dança. Mas vou voltar pela garota.—Max disse e se afastou, enquanto Blade tomava seu lugar e me conduzia de volta para o ritmo da musica.
–-Conseguiu?—Sussurrei e ele apenas confirmou com a cabeça.—Então o que estamos fazendo aqui?
Blade deu um sorriso e me fez girar, me puxando de volta para ele logo em seguida.
–-Se sairmos assim eles vão suspeitar, precisamos dar um tempo e depois cair fora. Aproveitei o tempo e fiz check out do hotel por telefone. Vamos sair da cidade o mais rápido possível.
–-Tem certeza que não está passando mais um tempo só porque a musica não acabou?—Eu respondi.
–-Também é um bom motivo.—Ele deu um sorriso tímido pra mim. Timido. A ultima coisa que eu esperava dele.
–-Eu não achei que existiam festas assim de verdade, achei que só aconteciam em filmes.—Eu disse enquanto tentava acompanhar os passos dele.
–-Eu nunca cheguei a ver filmes com isso, mas é bem impressionante.—Ele disse olhando em volta. Por um momento seus olhos pararam em uma mulher loira que passou por nós. Vi em seus olhos um reconhecimento e logo depois, angustia. Ele achava que era Grace Rouge.
–-Eu sinto muito por ela.—Eu falei apoiando minha cabeça em seu ombro.
–-Ela era uma ótima pessoa, não como os outros que são da Agência. Ela sempre tentou ver o lado positivo das coisas.—Ele sussurrou.—Quase como você.
Eu levantei meu rosto e sorri para ele, seu rosto não demonstrava nenhuma emoção. Até que seus olhos se viraram pra mim. Seus olhos negros emitiram um brilho que eu jamais vi e eles passaram rapidamente pelo meu rosto. Blade moveu seu rosto como se ponderasse um movimento de aproximação. Mas antes que ele fizesse algo, a musica mudou.
–-Eu disse que voltaria pela garota.—Max apareceu de nosso lado e esperou que Blade se afastasse para tomar seu lugar.Blade deu alguns passos e se virou para uma mesa com bebidas.—Cara difícil.
–-Nem me fale.—Eu ri e passamos a dançar uma musica que era um pouco mais agitada que a anterior. Ele me girava pela pista de dança enquanto ria. Quando ele finalmente colocou nossos corpos untos ele passou a ter movimentos mais rápidos e dançantes do que Blade.
–-Quer saber um segredo?—Ele disse em ar conspiratório em meu ouvido. Sua voz menos divertida.
–-Claro, prometo não contar.—Eu ri e ele me girou novamente, me deixando de costas para ele na volta.
–-Ah, Amaya. Eu sei quem você é.—Ele fez com que sua afirmação tivesse um tom obvio. Me soltei imediatamente dele e me virei para ele.—E a Agência já sabe onde te encontrar.
Ele deu uma risada curta e eu só tive tempo de puxar Blade para fora do lugar,fazendo um grande esforço para me equilibrar no salto alto.
–-Ele contou tudo! Ele sabia!—Eu gritei para Blade e ele entendeu a mensagem, pulando para dentro do carro e acelerando em direção a avenida mais próxima.
Nós dirigimos em direção ao nada por 20 minutos em pura velocidade, deixando a bela cidade para trás. Blade suspirou aliviado assim que percebeu que estávamos bem longe de qualquer luz de Yacanto.
–-Eu consegui algumas informações, a maioria códigos. Acho que encontramos, Amaya.—Ele disse e eu sorri para ele. Me levantei do banco e beijei sua bochecha. Eu estava extasiada de felicidade.
E então ouvi os tiros.
O carro perdeu o controle.
Nós capotamos e tudo se tornou um grande vazio.
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