After Midnight

10 No way back


Amaya acordou com o som de teclas batendo e um cantarolar de uma musica que ela não conhecia. Amaya se levantou vagarosamente e viu Blade ainda na cama dele, com um computador no colo e fones de ouvido.

—-Bom dia.—Ela disse enquanto se espreguiçava, mas ele não respondeu.—Ah claro,fones.

Amaya se levantou e se arrastou para a mesa do quarto, onde um suco de caixa e frutas a esperavam. Ela comeu em silêncio e aproveitou o tempo para observar o agente que estava tão concentrado. Ele franzia o cenho quando descobria uma nova informação e seus lábios pareciam acompanhar as palavras que ele lia. Amaya achava estranho o estilo dele, mesmo com roupas tão normais ele parecia alguém que se devia evitar. Mas o que ela sabia sobre isso? Passou a vida evitando contato com outras pessoas.

Mas Amaya não poderia deixar de pensar em como ele era musculoso e mantinha um rosto tão jovem. Era um contraste que ela não estava acostumada, nem mesmo em filmes havia visto homens assim.

—-Blade?—Ela o chamou e os olhos negros dele encontraram os dela.

—-Sim?—Ele respondeu, afastando o notebook.

—-Você já pensou em cortar o cabelo?—Ela disse enquanto mordia uma maçã, ele riu e cruzou os braços.

—-Porque eu cortaria?—Ele disse enquanto passou uma mão distraidamente por seu cabelo negro.

—-Pra agradar as enfermeiras...?—Amaya disse, seu rosto entregando que ela não fazia ideia do que estava falando.

—-Não tenho fetiche por esse tipo, garota. E eu gosto do meu cabelo assim. Parece ameaçador.—Ele respondeu e se voltou para o notebook novamente.

—-Fetiche?—Ela falou para si mesma.

—-Esquece isso. Vem aqui, tenho uma coisa que pode ser importante.—Blade disse e Amaya pulou de um lado do quarto para o outro, pulando graciosamente ao lado de Blade, o que fez ele encará-la por alguns segundos.

—-Que foi?—Ela disse e enfiou a maçã na cara dele enquanto ria.

—-Nada.—Ele disse e mordeu a maçã.—Então, essa é Grace Rouge.

Na tela uma mulher de aproximadamente 40 anos aparecia, seu corpo era cheio de curvas e seu cabelo loiro longo flutuava na foto. Seus olhos eram obviamente claros, e seus lábios tinham um tom rosa chiclete. Ela tinha por volta de 40 anos, mas seu espírito com certeza era de 20.

—-Ela é bonita.—Amaya disse, enquanto Blade lhe mostrava outras fotos.

—-Tem que ser. Grace tem grande influência no mundo das celebridades.—Blade disse.

—-E porque a Agencia precisa de celebridades?—Amaya disse enquanto lia alguns dados sobre a mulher.

—-Não somos nós que precisamos, as celebridades que precisam da Agência. Sabe quantas pessoas querem matá-las? E quanto elas pagam para se manterem vivas?—Blade respondeu enquanto observava a garota se jogar mais em cima do notebook.

—-Vocês são uma agência de proteção?—Amaya perguntou, lendo a localização da mulher e vendo as várias fotos com famosos.

—-ADHL. Agência de Desenvolvimento de Humanos Letais, parece protetor?

—-Hm... Não. Então vocês oferecem seus agentes “letais” para que eles matem qualquer perigo ?

—-Basicamente.—Blade disse.—Grace vive dizendo o quanto não suporta a interferência dos agentes, em como eles fingem servir segurança enquanto trocam favores e dinheiro com os famosos. Ela é um bom lugar para começar.

—-Ela sabe onde está a base?—Amaya se virou para ele, só agora percebendo que estava quase no colo do agente. Ela se recompôs imediatamente e se sentou ao lado dele.

—-Nossos aliados geralmente recebem esse tipo de informação. Aposto nela porque ela precisa buscar os agentes e oferecê-los como segurança, ela precisa saber onde está a base.

Amaya apenas concordou e foi absorvendo todas as informações. Grace Rouge constava como uma mulher esnobe e de ego inflado, não era um risco para a Agência, mas definitivamente sabia agir por si própria quando fosse necessário. E aquilo parecia ser um problema para a ADHL.

—-E eu preciso da sua ajuda.—Blade finalmente falou.—Todos os agentes ganham um rastreador epidérmico para ser rastreado, eu preciso removê-lo se não quisermos ser encontrados.

Amaya concordou silenciosamente de novo. Ele entregou na mão dela um estilete e virou de costas, removendo sua camisa cuidadosamente. Amaya tomou seu tempo para reparar em como o corpo dele era definido e musculoso, mas em suas costas se encontravam algumas tatuagens.

—-Tatuagens machucam.—Amaya falou sem pensar muito.

—-E você arrancando o dispositivo vai doer mais. É essa mancha azul bem óbvia.—Ele disse, indicando uma área próxima ao seu ombro esquerdo.

O dispositivo era realmente de um azul óbvio, e Amaya não fazia ideia de como removê-lo. Primeiro ela passou levemente a ponta do estilete, tentando machucar o agente o mínimo possível, mas aquilo demoraria demais. Ela cortou em cima do dispositivo e em resposta ouviu um gemido de dor do agente.

—-Me desculpe.—Ela sussurrou e colocou a mão sobre o dispositivo que agora estava coberto de sangue. Ela usou o estilete para removê-lo e entregou na mão de Blade antes de correr para o banheiro.

—-O que foi?—Blade gritou e quebrou o dispositivo nas mãos. Amaya voltou correndo com uma malinha de primeiro socorros.

—-Eu a vi no banheiro e acho que vai ser bem útil agora. —Amaya respondeu acelerada e começou a trabalhar na limpeza do ferimento.

—-Não precisa disso, já levei tiros piores.

—-Você é irritante, Blade! Eu vou cuidar do seu ferimento,então Cala a Boca!—Ela falou pausadamente.

Amaya continuou a fazer o curativo em silêncio, enquanto Blade colocava uma musica um pouco mais alta para ouvir.

—-Eu gosto dela, qual o nome?—Amaya disse dando um pequeno sorriso,enquanto massageava o ponto machucado do homem sem pensar muito.

—-Smells Like Teen Spirit. Você tem um bom gosto musical, garota.—Ele sorriu sobre o ombro para ela. Por um momento eles ficaram daquele jeito, sorrindo um para o outro. Até Blade ouvir um som vindo do notebook.

—-O que é isso?—Amaya disse.

—-Grace nos respondeu. Ela disse que está a favor de um encontro na casa dela, mas que se for uma armadilha da agência ela faz questão de me matar especificamente.—Blade fez uma careta para o computador.

—-Então o que estamos fazendo aqui?Vamos para a cidade de—Amaya parou para ler o nome—RedCrest. Isso parece legal.

Amaya pulou da cama e começou a guardar todas as suas coisas em sua mochila, Blade repetiu as ações da garota. Os dois guardaram um pouco de comida em uma sacola, já que a viagem parecia longa demais e eles não teriam tempo para paradas.

—-Vamos...Amaya.—Blade deu uma piscadinha para a garota e ela sorriu, pulando para fora do quarto de hotel e para frente do carro que estava estacionado logo na frente.

—-FINALMENTE APRENDEU MEU NOME!—Ela gritou antes de entrar no carro.

Blade não conseguia conter o sorriso que aparecia em seus lábios, já havia tempos que ele não via alguém com tanta vida como aquela garota. Era cativante.

POV Dorian

Eu não tinha muitas opções, era isso ou morrer. Eles prometeram não drenar meu sangue, mas eu sei que não foi piedade. Eles precisam de Amaya viva.

Nós somos a confirmação um do outro, se um morrer, saberá que o outro não vai durar muito tempo. Precisam das duas cobaias para saber as alterações em diferentes corpos, se enfraquece com o tempo, se pode ser utilizado melhor em corpos maiores ou menores. Eles precisam de nós dois vivos e em seu terrível laboratório.

—-Filho, é bom saber que você tomou a decisão correta.—Meu pai me recebeu de braços abertos.

—-Não fode.—Eu disse e esbarrei em seus ombros enquanto passava, empurrando um de seus braços para fora do caminho.

—-Dorian, você está vivo.—Allegra correu em minha direção e me abraçou antes que eu pudesse reagir, afastei ela e abaixei minha cabeça para a altura dos olhos dela.

—-Nunca estive tão morto.—Respondi com um tom gélido demais até pra mim. Mas o que eu poderia fazer? Eu estava me rendendo.

—-Não fale assim, meu querido. As coisas poderiam ser...

—-Piores? Ah não, mamãe. Mas elas definitivamente vão ficar piores.

Saí dos braços de minha mãe e continuei meu caminho por aquele corredor cinza. A Agência tinha algo novo para eu trabalhar. E eu já não tinha opções a não ser aceitar.