After He Returned
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Acordei cedo e fiz tudo como de costume: Fui dar uma olhada em Anita, tomei um banho, acordei Juan para ir trabalhar. Depois de ter arrumado minha filha para a escolinha, levei meu marido e minha filha até a estrada que levava até o vilarejo de Setis onde ficavam a escolinha de Anita e o restaurante aonde Don Juan dançava e cantava.
– Amor, antes de buscar Anita na escolinha, posso passar no restaurante? – Perguntei a ele no caminho até a estrada. Eu segurava a mão direita de Anita e Juan segurava a esquerda.
— Por supuesto, mi vida! Así podemos buscar nuestra pequeña princesa juntos! – Falou ele contente com a ideia. Ele pegou nossa filha no colo e passou o braço livre sobre meu ombro.
– Papá, posso ir te ver cantar com a mamá? – Perguntou Anita depois de alguns minutos.
— Oh, mi amor... Hoje não vai dar. Hoje yo é que vou te buscar com a mamá, cariño... – Ele falou fazendo um pouco de drama para convencer nossa filha.
— Papá, vai me buscar hoje? Obaaa! – E o rostinho de nosso pequeno milagre se iluminou num sorriso tão lindo quanto o do pai. – Pero um dia posso ir lá de novo?
— Claro, querida. Voltaremos lá para você ver papá bailando y cantando novamente. – Disse eu, sorrindo para ambos. Meus milagres pessoais.
Quando chegamos ao meio do caminho, me despedi de Anita dizendo “Tenha um bom dia, meu anjo.” e dei-lhe um abraço e um beijinho na ponta do nariz. Voltei-me para meu marido e encontrei seu olhar. Ele estava vestido com o traje de sua família. A capa, as luvas o chapéu e, até mesmo a máscara.
— Estás muy guapo, mi amor. – Falei enquanto o abraçava.
— Gracias, pero tú eres más. – Disse ele, dando-me um beijo. Além de nossa respiração, eu só ouvia os risinhos de Anita.
Assisti os dois irem na direção da cidade por um tempo e depois, voltei para nossa casa. Eu era grata por minha família ter construído nossa cabana tão longe da cidade de Setis. Gostava muito de nossa privacidade
Voltei para casa e arrumei-a. Morar na praia tem suas belezas e vantagens, mas também tem uns problemas. Mesmo dentro de casa, a areia era demasiada. A casa tinha que ser varrida no mínimo duas vezes. Mas eu já havia me acostumado. Só tomo mais cuidado agora, por causa de Anita e de Don Juan.
Eu quase não pude acreditar quando vi Juan na praia no dia em que ele voltou para mim. Foi perfeito. Eu havia ido dar uma caminhada por perto de casa naquele dia. Esperava somente ver os caranguejos e, talvez, umas tartarugas. Além das belas árvores. E, de repente, quando virei a pequena duna, lá estava ele. Eu nem tinha percebido quando comecei a correr para ele. Eu ainda não tinha tirado a mascara que pus para esconder a minha vergonha, mas quando o vi, foi inevitável.
Só depois que desci das nuvens em que Don Juan tinha me levado quando me beijou, foi que percebi que ele havia trago companhia.
— Doña Ana, estos son mis grandes amigos que me trouxeram para você. – Disse Don Juan, me levando para conhecer eles.
— Olá, Do...ña... Ana. – Falou Doña Lucinda, um pouco confusa e envergonhada. – Eu sou Mary.
— Pode me chamar de Ana, Doña... Mary...? – Disse eu, achando a combinação estranha.
— Pode me chamar de Doña Lucinda, Ana. – E nos abraçamos.
— Este es Don Octávio Del Flores. Meu mejor y mais precioso amigo! – Apresentou-o Juan.
— É um grande prazer e uma honra imensa finalmente conhece-la, Ana. Sou o maior psiquiatra do mundo. – Disse Don Octávio, puxando-me para um abraço apertado enquanto Doña Lucinda ria da apresentação de seu marido.
Quando me juntei a Juan e dei uma boa olhada no casal a minha frente, senti que queria que Don Juan e eu ficássemos exatamente como eles.
– Muito obrigada por terem trago meu Juan de volta. Lhe serei grata por toda a eternidade. – Agradeci a eles. Eles sorriram, se despediram de Juan, Juan os agradeceu e foram para o hotel que haviam se hospedado na cidade de Elipses, mais distante de Setis.
Foi a melhor época de nossa vida. Casamo-nos em nossa praia e foi Don Octávio quem residiu a cerimônia. Sozinhos, na praia, eu e Juan fazíamos amor quase o tempo todo! Era loucura e maravilhoso. Foi um ano tumultuado. Mas depois de tanto amor, fomos agraciados com a notícia de minha gravidez. Nossa vida mudou bastante, mas sempre achamos tempo para nós.
Assim que acabei meus afazeres domésticos e de andar um pouco pela praia pra matar o tempo. Voltei, tomei um banho, me arrumei e fui para a estrada.
Eu caminhava lentamente, pois, em minha ansiedade, sai muito cedo.
O caminho para Setis era um pouco longo. E era adornado da Floresta Di Eros dos dois lados. Era uma linda floresta, por dentro e por fora. Mas poderia ser um pouco assustadora no entardecer. Eu estava andando quando senti uma coisa estranha. Como se fosse observada, mas parecia loucura, pois havia animais na floresta e é claro que estariam me olhando.
De repente, ouvi um barulho estranho na floresta. Pareciam passos...
Don Juan pov:
Eu já iria cantar a última música e minha Doña Ana ainda não tinha chegado. Não me preocupei de inicio, mas quando eu me aprontava para ir embora, achei muito estranho ela estar tão atrasada. Minha Doña Ana não costumava se atrasar para nada! Resolvi ir buscar nossa filha e, pensei eu, encontrar minha esposa lá.
Cheguei a escolinha de Anita, mas Ana não estava lá, como eu esperava que estivesse. Agora sim, comecei a me preocupar. Nunca, jamais ela deixaria de buscar nosso anjinho. Ana era muito responsável, principalmente com nossa princesa. Sem dúvida nenhuma, algo havia acontecido.
– Papá! Papá! Usted veio mismo me buscar! – Disse Anita correndo para meus braços. Quando a peguei, ela percebeu a falta de sua mãe. – Papá, onde mamá está?
Eu não sabia o que responder. Não queria que minha preocupação assustasse Anita. Não queria que ela mesma ficasse assustada com o sumiço repentino de sua mamá.
– Ella está escondida, papá? – Meu anjo perguntou achando que sua mãe estava se escondendo para surpreendê-la.
— Mi amor, que tal se formos visitar o tio Octávio no consultório dele?
— Mismo? – Ela perguntou com animação. – Vamos, papá! Vamos ahora!
Quando cheguei, Don Octávio logo estranhou minha visita repentina. Doña Lucinda, sempre tão amável, pegou Anita e a levou para brincar em seu escritório.
– Don Juan? O que houve? Está tudo bem? – Eu poderia considerar Don Octávio como um pai para mim. Ele me conhecia muito bem para perceber logo minha angústia.
— Don Octávio, minha Doña Ana veio aqui? O senhor a viu? – Perguntei sem conseguir disfarçar minha preocupação. Ele olhou-me com estranheza.
— Não, Juan. Não vimos Ana hoje. Por que a pergunta? Onde ela está?
— Ella me disse que gostaria de me pegar no trabajo para virmos juntos buscar Anita. Meu horário de trabajo acabou e ella não apareceu. Fui buscar Anita e com esperança de encontrar minha Ana lá, pero ella não estava. Conheço minha mujer, Don Octávio. Algo aconteceu para ella não ir buscar Anita na escolinha. – Tagarelei nervoso.
— Acalme-se, Juan. Ela pode estar em casa, já foi ver lá? – Perguntou ele calmamente para me tranqüilizar. – Vamos, te levarei para casa e resolveremos o mistério, ok?
— Sí, Don Octávio. – Disse eu. Não me acalmei, mas também não pode deixar de continuar com uma sensação ruim.
Depois de Doña Lucinda se oferecer para que Anita dormisse em sua casa naquela noite e de me prometer deixar ela na escolinha, eu e Don Octávio fomos em seu carro até minha cabana. Ele havia conseguido um bom carro que servia para os diferentes tipos de terreno que havia na ilha Eros.
Chegando a nossa cabana, minhas suspeitas foram confirmadas para meu desespero.
– Dios mío, Don Octavio! ¿Dónde está mi esposa? – Eu me desesperei.
— Juan, se acalme e vamos pensar um pouco. Ela não evaporou. Se acalme... – Don Octávio disse. E ele estava certo. Agora não era hora para perder a cabeça. Meu amor estava em algum lugar e eu ia encontrá-la.
— Certo. Pensemos. A casa está impecável, então nada aconteceu aqui. Ela não desapareceu na cabana. – Ele disse. Realmente a cabana estava muito limpa e nada estava fora do lugar.
— Si... Ella siempre mantiene la casa muy ordenada. Mi Ana es muy talentosa y responsable... – Eu disse, sem nenhum sentido.
— Então... – Ele continuou de onde havia parado. – Juan, como ela vai até a cidade? Ela pega algum tipo de condução.
— No, no ella vai andando. O caminho é longo, pero não tanto. Y ella gosta de admirar la floresta y los animales... Os sonidos de la naturaleza. – Eu disse tristemente me lembrando de seus gostos e misturando os sotaques. Acontecia quando eu ficava muito nervoso.
— É isso. Como primeira medida, vamos fazer o caminho que ela fez. Seguir os seus passos. – Ele disse com firmeza. Don Octávio pareceu esperançoso quanto este plano. Isso me tranqüilizou um pouco.
Ainda não havia anoitecido, mas aquela parte da estrada era um pouco mais sombria. Eu e Don Octávio andávamos num ritmo continuo e não muito rápido.
Minha Doña Ana. A mulher da minha vida. A mulher que me devolveu à vida e, por ela, certamente eu morreria. A mulher com eu era eu mesmo. Que de tudo de extraordinário que ela me deu, a melhor e mais pura era nosso anjo, Anita. Eu tinha que encontrá-la. Por mim e por nossa filha.
– Don Juan, não se preocupe. – Don Octávio disse, tirando-me de meus pensamentos. – Nós a vamos encontrar, amigo... Nós vamos...
Os sons produzidos pela floresta estavam muito altos. Com os ventos do inicio da noite, o balanço das árvores fazia com que as folhas se mexessem e fizessem um estardalhaço só. Os animais dentro da floresta pareciam incomodados. Ouviam-se pássaros, corujas, grilos, até alguns chipanzés e gritos... GRITOS?!
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