No dia seguinte, uma das mesas gloriosas do palácio de Cinderela está posta e uma governanta está ao lado. A campainha toca de repente.

– Eu atendo, Dora! – Cinderela fala animada.

Ela desce as escadas, um pouco desengonçada e abre a porta para James e Rose.

– Olá! – Rose a cumprimenta.

– Não terminei minha maquiagem ainda. Volto rapidinho, ok? Podem sentar-se à mesa. – e sai andando.

– Até agora, nada de estranho com ela, parece bem. – Rose comenta.

– Vamos ver o príncipe, no caso. Precisamos ver como ele se comporta-

– James! Pode ver agora. Boa-noite. – Encantado fala descendo as escadas com Cinderela.

– É só que não nos vemos em tanto tempo. – James responde.

– Somos homens ocupados – o príncipe responde comum sorriso airoso.

– Somos príncipes, Encantado. Nossos pais fazem tudo por nós. – James fala com desdém.

– Talvez você esteja certo.

– Então, está tudo bem entre vocês? – Cinderela pergunta, interrompendo os rapazes.

– Bem, sim... É só a rotina. As coisas estão começando a ficar entediantes, só isso. – Rose rebate.

– Ah, rotina. Isso nunca foi um problema para nós. Certo, Cindi? Todos esses anos e ainda nos damos super bem. – Encantado ilustra.

– Então por que vocês estão indo ao Espelho Mágico? – Rose fica confusa.

– Eu ia te dizer no consultório. Todos estão pensando em visitá-lo. – Cinderela explica — Ele faz maravilhas com outros casais, então decidimos tentar. E vocês, como ficaram sabendo dele?

– James ficou sabendo por Aladim... É verdade, todos estão visitando-o! Que engraçado. – esta foi Rose.

– Ele é ótimo. Quando irão vê-lo novamente?

– Amanhã, eu acho.

Inesperadamente, uma fumaça azul chama atenção no centro da mesa.

– Gênio! – James fala surpreso.

– Que maneiras! – Encantado o repreende.

– Gênio, desce logo da mesa – Cinderela incita-o.

– Tô indo, tô indo. Não precisa se estressar! – e desce – Tudo bem? Cindi, sua diabinha, por onde esteve?

– Aqui, Gênio – ela responde com ironia.

– Hmm, Encantado! Você parece...

– Por favor, não diga “encantado” – James pede baixinho, enquanto corta um pedaço de frango.

– O mesmo! – o Gênio troca rapidamente as palavra em sua mente antes de falar – James, velho amigo, você também não mudou nada.

– Nem você! Espera, você sempre foi gordo assim? – James repara na protuberância azulada que está a barriga do gênio.

– Ah, não, é a vida de casado...

– E você está casado agora? – Rose pergunta com salada na boca.

– Não, mas eu moro com um casal. Bem, é preciso apreciar toda a comida que um palácio pode oferecer. Hmm... Estava... ótimo... na verdade.

– Oh, não chora. – Rose se compadece ao ver o amigo naquele estado.

– Não na minha comida. – Encantado exaspera-se.

– Está tudo bem? – James pergunta, sua atenção agora voltada para o ser mágico.

– Que pergunta! Claro que não! Gênio, o que aconteceu?

– Ah, vocês... tanta consideração! Estou aqui por um motivo. E não é pela comida, se faz diferença. Preciso de ajuda para um dos amigos, Aladim. Princesa Jasmine está desesperada.

– Oh, não! Não o Aladim! – James espanta-se.

– Ele se foi, James. E não temos nenhuma ideia de onde ele possa estar. Tentamos até o Google Earth, mas nada! – Gênio seca algumas lágrimas.

– Como podemos ajudar? – Rose pergunta, tentando consolá-lo.

– Primeiro, vocês devem vir amanhã para a reunião.

– Que reunião?

– À noite, no palácio da Fera. Estão lá, não é? – ele pede confirmação.

– Bem... – Rose olha para James em dúvida.

– Aqui está. – o ser mágico entrega um cartão com as indicações.

– Obrigado! – e desaparece sem deixar rastros.

Ao terminarem o jantar, que não demorou muito, já que um clima de tensão e pesar pairou sobre o local após o gênio ter ido embora, os casais despediram-se e voltaram para suas realidades.

A casa, Rose e James conversavam.

– Você não precisava mostrar para todos o péssimo casal que somos! – James falava sem pensar.

– Se você não fosse tão rude...

Ele vai se trocar enquanto Rose se senta na cama, observando-o.

– Além do mais, vai sair hoje à noite? – ele pergunta.

– Sim.

– Para onde?

– Com os rapazes, não me espere acordada.

– Eu não vou.

Ele sai, arrumado, deixando-a aborrecida e sozinha.

Depois de certo tempo, já pronta para dormir, pensando em como sua vida havia mudado, avaliando os prós e contras da vida de casada, Rose nota uma perturbação em seu quarto. As janelas estavam fechadas, portanto não havia hipótese de ser coisa da cabeça dela. Algo ou alguém estava tentando invadir o castelo com bruxaria.

Ficou logo com as pernas formigando, suando frio, pronta para se defender do jeito que pudesse, e em uma fração de segundo, quando ela olha para o espelho, aquela coisa azul e fofa aparece-lhe sem mais nem menos ao seu lado.

– Aaaah! – os dois gritam em uníssono. Era o Gênio.

– O que faz aqui? – ela pergunta, cobrindo-se com o lençol.

– Estava passando por perto e precisava falar com James. Ele bem próximo de Aladim, mas parece que se afastaram há um tempo...

– Gênio, sinto muito por Aladim, tenho certeza que vocês o encontrarão.

– Eu sou um gênio, Rose, não posso descansar. Você não sabe que tenho sempre que estar a postos? — ele se levanta, com os ombros curvados de tanta frustração – Algum desejo? Tenho que obedecê-lo. Seu pedido? Uma ordem. Tudo tem que estar cem por cento perfeito. Eu jurei proteger o menino e agora ele se foi. Eu deixei o Tapete triste, deixei a Jasmine triste, deixei o pai dela triste... diabos, até você!

– Oh, não estou triste por sua culpa. – ela tentou aliviá-lo daquela dor com esse simples gesto.

Ele senta-se novamente, deixando de lado a tristeza e atentando-se em escutá-la no momento:

– Não? Então o que te incomoda?

– Não sei. Só estou para baixo, eu acho. Você já sentiu assim?

– Para baixo? Algumas vezes. Mas a vida tem seus altos e baixos, não dá para evitar. – ele se deita na cama, cruzando as pernas e os braços.

– Não? – ele indaga com o cenho franzido.

– Não. A vida não é apenas felicidade, Rose. Você tem que se deixar levar e ver o quão longe consegue ir. Entenda, é como uma catapulta. – ele magicamente faz aparece um estilingue com uma pedrinha e quando atira, os dois desaparecem no ar.

Ela se acomoda melhor na cama e olha para o nada.

– Você acha que a felicidade existe para todos nós?

– Talvez. Quer dizer, todo mundo vai ser feliz na vida. É uma mistura entre merecer e lutar por isso. Pergunte a si mesma: Você merece ser feliz? Então por que não está lutando por isso?

– Caramba, eu não sabia que você era sábio assim.

Ele se levanta mais animado:

– Não sou, só digo um bocado de coisas. Que horas são? – ele olha para o pulso, com ar de surpreso – Uau, “hora de jantar”! Te vejo na reunião?

– Estarei lá. – ela sorri.

– Então eu vou indo, queridinha. Cuide-se.

Quando ele estava quase desaparecendo, Rose o interrompe.

– Gênio, espere.

– O que foi?

– Tudo vai ficar bem, certo?

– Altos e baixos, Rose. Altos e baixos.

E puft! Sumiu.