After Ever After-Interativa
11 Chapter X-Canais no MagicTube e Irmãos Mais Velhos
Notas iniciais
Acordei naquela segunda-feira com meu celular tremendo na mesa-de-cabeceira. Estendi minha mão para ele, vendo que era uma mensagem de texto:
"Bom dia, Captain! O que vamos fazer hoje? -Moranguinho"
Sorri, sonolento. Alanna realmente não conhecia o conceito de sossego.
"Dormir até as dez, ao menos? Quieta o faxo, Morango. -Steve", digito de volta, e esfrego os olhos, bocejando.
"Se liga, Steven. São onze da manhã", a resposta chega em dez segundos, e eu me espanto ao constatar que ela está certa. Me ponho de pé e coloco uma roupa. O clima está fresco, então uma blusa lisa, um jeans e um tênis me satisfazem. Escovo os dentes para descer, e o meu telefone toca — pela música, sei que é Lanna de novo. Atendo.
– Bom dia, Bela Adormecida — ela brinca — Ou eu deveria dizer boa tarde?
– Bom dia, Moranguete — devolvo — Por que ligou?
– Porque eu acabei de notar que estamos devendo três semanas para o Keep Magic, Steve — minha melhor amiga diz num tom acusador, ao que eu faço uma careta. Sabia que as férias tinham acabado com nosso cronograma, mas parece que está ainda pior do que eu pensava.
– Precisamos postar hoje — concluo — Tem alguma música?
– Tava revirando minhas pastas antes de tu acordar, e acabei achando um dueto.
– Que seria?
– Lucky, Colbie Caillat e Jason Mraz — Alanna revela, e a melodia vem à minha cabeça.
– Que seja. Tem a cifra?
– Está nas minhas mãos. Chego aí em quinze minutos, pode ser?
– Pode. Até mais tarde.
Ela desliga, e eu faço o mesmo. Abro a porta de meu quarto, me deparando com uma Rapunzel pronta para abrir a maçaneta.
– Uriah! — Ela se assusta — Eu já estava indo te acordar. E, ai meu Deus, você por algum acaso penteou seu cabelo?
– Mãe! — Eu reclamo, enquanto ela mete a mão na minha cabeça para ajeitar os fios. Tento sair andando, mas ela me persegue — Eu gosto dele assim!
– Já te falei que você tem que começar a deixar ele mais ajeitado, ou vai acabar acordando com ele todo espetado e duro — ela insiste, e meu irmão ri, encostado na porta de seu quarto — James, isso serve pra você também!
– Palerma — rio da cara de indignação dele.
– Você não me escapa, pirralho — ele diz. Quando finalmente consigo me livrar de mamãe e das suas habilidades penteadeiras, James me pega e me coloca em um de seus ombros, a barriga sendo amassada por seus ossos e o tronco em suas costas — Como estão as coisas aí atrás?
– Me solta! — Grito, e tento bater em suas costas, mas ele é bem maior e mais forte do que eu — James! Meu pai surge no corredor preocupado com a gritaria, e observa a cena com divertimento. Minha mãe para ao lado dele, que ainda ri, e lhe dá um tapa no ombro.
– Para quê eu fui viver numa casa com três meninos? Devia ter insistido para que Cherish fizesse faculdade aqui mesmo — ela se lamenta, apoiando a testa nas mãos — James Flynn Bezerra, põe seu irmão no chão agora! Ele se vira bruscamente para nossos pais, fazendo com que eu bata a cabeça no guarda-corpo com certa força.
– Cuidado seu idiota!
– Mas, mãe — ele se justifica, ignorando o meu resmungo por completo — O Uri tava fazendo troça de mim.
– Vocês fazem graça um do outro o tempo todo — consigo ouvir ela dizer, em meio ao barulho latejante que meu cérebro faz — Coloca ele no chão.
James hesita por uns segundos, mas acaba por me largar no meio do chão. Literalmente. Como se eu fosse um saco do batatas. Esfrego a parte de trás da cabeça continuamente, enquanto minha família se dispersa. Desço as escadas logo atrás de minha mãe, e me sento no balcão em frente à pia enquanto ela lava louça. Pego uma torrada e espalho manteiga de amendoim e geléia, dando uma mordida.
– A Lanna vai vir aqui daqui a pouco, ok? — Digo, ainda mastigando.
– Fecha a boca, filho. É questão de educação — ela diz, e joga um pouco de água em meu rosto — E já sabe que Alanna já não é nenhum tipo de visita por aqui.
Limpo as gotículas de meu rosto, e acabo de comer o resto do meu pão.
– Desnecessário, mãe.
– Alanna ou a água?
– A água, claro — devolvo, me pondo de pé. – Se bem que a Alanna também. Ela ri.
– Como se isso fosse possível. Quase que gostas dela do que dos teus irmãos.
– O James é a única coisa que é mais desnecessária do que a Lanna — eu continuo, ignorando, enquanto meu irmão desce as escadas.
– Palhaço — ele bagunça meu cabelo ao passar por mim, e eu dou um tapa em sua mão. – Alanna vai vir aqui?
– Na verdade, ela já deve estar chegando. Ela disse quinze minutos, mas vocês sabem como a noção de tempo dela acaba meio embaraçada por sua ansiedade.
– E se sabemos — James diz. – É verdade que Alanna tem uma irmã mais velha?
Eu assinto, sem prestar atenção nele enquanto afino o violão — que tinha deixado de novo perto do sofa, péssimo hábito.
– Tem sim. Azaleh. Mega-badass, tão esquentada quanto qualquer DunBroch que se preze.- Eu falo sobre a morena. – Achei que já a conhecesse. Eu e Lanna já falamos sobre ela antes. – digo olhando confuso para o meu irmão mais velho.
– Uh. Falaram? — ele pergunta, parecendo desajeitado. Mas, bom, é o James. Ele sempre é desajeitado.
– Não há muito sobre o que Alanna ainda não tenha falado, acho — eu brinco, me referindo à tagarelice dela. – E você costuma estar aqui quando ela vem.
– Ela vem sempre. Não tem um ser vivo nessa casa que não conheça Alanna.
– Falando de mim? — Ouço a voz da ruiva, vinda da janela. Posso ver que ela segura as rédeas de Light.
– Eu diria bem na hora, mas você se adiantou uns oito minutos — largo o violão e me ponho de pé, para ajudá-la a prender a égua.
– James.- Ela cumprimenta meu irmão, que acena com a cabeça antes de se voltar para a cozinha (ele prometera que faria o almoço) e minha mãe. – Sabe como ansiedade funciona, Cap. Para de miar e me ajuda com a Light, vai. – Pede, enquanto desce da égua.
Balançando a cabeça e rindo, saio da casa e tomo as rédeas da mão fina de Alanna. Ela me abraça, os braços magros por cima de meus ombros, e eu a abraço com um braço só. Não sei se isso começou a acontecer depois que eu comecei a chamar ela de Moranguinho, mas a ruiva sempre cheira como a fruta. Sempre.
Depois que ela me larga, saímos andando para o quintal. Solto as rédeas da égua branca enquanto minha amiga fecha o portão, e ela relincha para Max, Hélio e o cavalo dourado de James, Verão. Tiro uma maçã do cesto que fica perto da porta e jogo para Hélio, que levanta a cabeça e a pega no ar; relinchando feliz para mim. Eu e Lanna entramos, pegamos o violão em cima do sofá e subimos para meu quarto — ainda era vergonhoso gravar na frente de James. Ela abriu a porta e entrou antes de mim, sentando na cama completamente desarrumada e jogando sua pasta de cifras na minha cama.
– Você ainda lembra a letra da música? — ela pergunta, enquanto eu fecho a porta.
– Sim, acho que sim — eu digo, me sentando com ela e abrindo a pasta. –Do you hear me? Im talking to you. Across the water, across the Slim…?
– Ah, claro. Slim, Steve — ela ironiza, abrindo a pasta. – Olha, tá aqui a cifra e a letra.
– Ah. A cifra é molinha — eu digo, pegando o violão e limpando a garganta. – Do you hear me? Im talking to you. Across the water, across the deep blue ocean; under the open sky. Oh my, baby Im trying.
– Boy I hear you in my dreams.– ela pega a parte feminina do dueto sem avisar, me assustando um pouco. — I feel your whisper across the sea. I keep you with me in my heart, you make it easier when life gets hard.
Paro de tocar e miro Lanna, que parece estranhar a falta do violão.
– Parece que estamos okay com a música. Mas ainda não temos pauta — eu digo, e ela faz uma careta.
– Cap, acabamos de voltar de viagem de férias. Quer pauta melhor?
– Ponto pra você, Morango — admito. – Liga a webcam enquanto eu arrumo minha cama, anda.
Ela faz outra careta, mas sai da cama em direção ao laptop quando a expulso. Pego o meu cobertor amarelado, com estampa de quadradinhos coloridos, e dobro-o tentando encolhê-lo. Logo depois o estendo, fazendo que ele caia sonoramente em algumas partes sobre a cama. Passo em volta da cama, na falha tentativa de tirar alguns amassados, e me sento com Lanna em uma das cadeiras de minha escrivaninha (havíamos comprado uma nova faz um tempo, para que pudéssemos sentar juntos em frente à câmara). Ela já havia ligado o programa de filmagem, e eu posicionei o violão perto de minha cadeira logo antes de ela começar.
– Oi, oi, gente! — Ela disse, animada. — Como vão? Lady Sif falando daqui, junto com nosso excelentíssimo Captain.
– Ei, pessoal! — digo, quando ela me anuncia. — A gente queria se desculpar pela demora. Eu passei o verão inteiro fora, na casa dos meus avós,o que significa não sentar perto de um computador por mais de cinco minutos.
– E eu passei o verão em Berk, com a minha avó.
– Sempre quis ir pra Berk — resmungo, brincando. — Incrível que minha melhor amiga me arraste para todo lugar menos a casa de sua avó. Que deve ser o lugar mais divertido do mundo.
– Ô, pé no saco. É só avisar. Ano que vem você vai — ela me dá uma cotovelada. — Que tal só passarmos para música de uma vez?
– Você é quem manda — devolvo, e pego o violão.
– Com vocês, senhoras e senhores de todo o Mundo Mágico, Uriah Steven Bezerra! — Ela me apresenta, e eu sei que vamos ter de incluir algumas palminhas ali. Agradeço, tirando um chapéu imaginário, e logo começo a tocar. O show tem que continuar e, como Lanna gosta de dizer, we've got to Keep Magic.
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