After Class

1 Depois da aula


Notas iniciais
- Fanfic pra linda da Ray ♥
- É oneshot, então provavelmente não terá continuação ;)
- Espero que gostem!

Eu estava completamente ferrado.

Esse sempre era o meu primeiro pensamento do dia. Assim que eu acordava, isso era a primeira coisa que me vinha à mente. Soltei um longo suspiro, olhando para os trabalhos que esperavam ser corrigidos em minha mesa. Estava difícil de me concentrar, estava difícil de trabalhar... estava difícil de fazer tudo.

Por quê? Bem, os meus pensamentos estavam sempre focados na mesma coisa. Ou melhor, na mesma mulher. De uns tempos para cá, eu só consigo ter olhos para uma única mulher. De uns tempos para cá, ela não saí mais dos meus pensamentos e assombra os meus sonhos.

Taylor Simmons.

Tudo seria infinitamente mais fácil se eu pudesse simplesmente ir até ela e me declarar. Dizer o que estou sentindo. Dizer o que ela anda fazendo comigo, o jeito com que mexe com os meus sentimentos. Afastei os trabalhos e fechei os olhos, tombando a cabeça na mesa fria.

Seria imensamente simples dizer tudo o que eu sinto à Taylor.

Oh, claro, isso seria absolutamente fácil, se essa mulher não fosse mais nova e se ela não fosse minha aluna. Ah sim, porque de todas as mulheres nessa maldita faculdade, a única que chamou a minha atenção e conseguiu despertar algum sentimento em mim foi justamente a minha aluna. Eu não podia me apaixonar por alguém da minha idade, ou alguma professora daqui. Não, não. Eu, Matthew McGuire era o cara mais ferrado do universo e graças a isso, eu tinha que me apaixonar pela minha aluna.

Quero dizer, ainda tinha a mínima chance de ela se apaixonar de volta por mim e coisas desse tipo, mas mesmo assim, era completamente impossível. Era impossível, imoral, antiético e errado. Eu podia perder meu emprego por conta daquilo. Taylor iria ficar tachada em toda a faculdade como a vadia que saía como o professor. Eu podia ser acusado de assédio e sabe-se lá o que mais. A minha reputação ficaria manchada.

Como eu disse, eu estava ferrado.

Ou talvez não estivesse tão ferrado assim. Tudo bem, eu estou apaixonado por Taylor e ela é minha aluna, e se algo acontecesse seria totalmente errado, mas as chances de algo acontecer eram nulas, graças ao fato de Taylor ter um namorado.

Sim, além de eu ter me apaixonado pela minha aluna, ela ainda tem um namorado! Maravilhoso, McGuire. Porque você não se mata mesmo? Eu não conseguia me lembrar de como aquilo tinha acontecido. Eu não sabia como tinha acontecido. Só... aconteceu. Taylor sempre foi mais próxima de mim do que os outros estudantes. Nós éramos amigos, tínhamos muitas coisas em comum, nunca nos faltava assuntos... Com Taylor, eu realmente podia ser... Eu mesmo. Sem reservas. Sem ter que ficar ponderando o que iria dizer. Eu simplesmente podia falar o que me viesse à cabeça, fazer brincadeiras e não iria ficar um silêncio constrangedor entre nós.

Isso era o que eu mais gostava dela. O modo como ela achava divertido qualquer besteira que eu dissesse, o modo como sempre estava sorrindo e contagiando a todos com seu humor. O jeito que seus olhos brilhavam quando ela falava sobre algo que gostava. Como sempre era ávida por conhecimento... Eu gostava de tudo nela. Mais que isso, eu a admirava. E dia após dia ela foi me conquistando mais e mais, sem nem eu perceber isso.

E então, de repente, eu estava completamente apaixonado por ela. Eu pensava nela vinte e quatro horas por dia e pensaria vinte e cinco, se houvesse uma hora extra. Quando ela entrava na sala de aula... Era como se, de repente, meu dia melhorasse. Eu estava sempre de bom humor, sempre com vontade de rir.

Entretanto, por outro lado, era difícil me controlar e não agarrá-la ali mesmo. Era difícil guardar para mim tudo o que eu sentia, ainda mais quando eu escutava as queixas dela sobre o namorado. Sobre como ele era um babaca com ela. Eu não seria um babaca com ela. Eu a trataria como uma rainha.

— Taylor... — suspirei o nome dela, ainda com os olhos fechados. Um nome bonito para uma garota bonita. Taylor, Taylor, Taylor. Era tudo o que se passava em minha mente.

Endireitei-me na cadeira e abri os olhos. Levantei a cabeça e coloquei os trabalhos que restavam em uma pasta. Nem adiantava tentar corrigir alguma coisa, eu estava incapaz de avaliar qualquer coisa naquele momento. Meus pensamentos estavam longe e eu não daria uma nota justa. Não tinha paciência para ler os dez trabalhos restantes.

Levantei da cadeira, coloquei a pasta debaixo do braço e arrumei minha camisa. Andei até a porta da sala, apaguei a luz e então saí. Eu precisava de um pouco de ar fresco. Precisava espairecer minhas ideias. Terminaria aquilo em casa, onde eu me obrigaria a ficar concentrado. Taylor não podia atrapalhar tanto assim os meus afazeres, mesmo que sem querer.

Reprimi outro suspiro enquanto andava pelos corredores, observando as salas de aulas escuras e vazias. Quem diria que a paixão podia atrapalhar e tanto a vida de um homem. Ainda mais quando não se pode ter a mulher amada.

Continuei andando e logo franzi a testa. Havia uma luz acesa quase no fim do corredor, o que significava que havia alguém dentro da sala de aula. O que era estranho, considerando que o horário de aula tinha acabado há duas horas e eu deveria ser o único a continuar na escola.

Andei até a sala onde a luz estava acesa, e me aproximei para ver quem estava lá dentro. Só esperava que não fosse algum casalzinho adolescente procurando algum lugar bom para dar uns amassos. Aquilo seria sacanagem demais comigo. Universo, eu já entendi que você não vai com a minha cara, agora vê se não exagera! Parei, surpreso ao ver quem era. Não eram adolescentes se agarrando. Antes fosse.

Era Taylor.

E ela estava curvada sobre a mesa, com a cabeça levemente abaixada e seu corpo tremia de leve com alguns baixos soluços.

Eu devia ter ido embora. Eu devia ter me afastado, respeitado a privacidade dela, dado meia volta e ido embora. Mas adivinhe, eu não consegui fazer isso! Porque eu tinha que fazer alguma coisa para fazê-la parar de chorar. Qualquer coisa, mas eu tinha que fazer. Então, ignorando aos meus próprios protestos e conselhos, eu simplesmente abri a porta e entrei na sala.

Taylor levantou a cabeça quase que no mesmo instante. Seus cabelos ruivos caiam pelas suas costas. Quando me viu, ela corou de leve e apressou-se em limpar as lágrimas que manchavam seu lindo rosto. Passou a mão pelos olhos, secando uma lágrima antes mesmo que ela caísse. Seus olhos verdes me fitavam.

— Eu... — ela abriu a boca. Sua voz estava rouca. Devia ser graças ao choro. — Eu não sabia que o s... que você ainda estava aqui, professor McGuire. — disse, abaixando o olhar. — Achei que só eu tinha ficado na escola.

Fui até a carteira de frente para a dela e me sentei ali. Olhei-a por um bom tempo, até que ela levantou o rosto e me olhou de volta.

— Eu sempre tenho o costume de ficar até tarde, corrigindo provas ou trabalhos. — dei de ombros. Eu não era o ponto da nossa conversa. — Me surpreendo em ver você por aqui, Taylor. Ainda mais chorando — estendi a mão em direção a ela, com a intenção de tocá-la, mas recuei. McGuire, McGuire, controle-se. — O que houve?

Os olhos dela, que antes estavam em minhas mãos, voltaram-se para o meu rosto. Ela os fechou por alguns segundos e logo depois soltou um longo e cansado suspiro.

— Erick e eu. Nós... nós terminamos. — ela respondeu, a voz sem ânimo algum. Apoiou o cotovelo na mesa e descansou a cabeça na mão, ainda me olhando.

Então ela o namorado tinham terminado? Interessante. CÉUS, MCGUIRE, a garota terminou com o namorado e está triste. Dá um tempo! Às vezes, só às vezes, eu odeio esse lado racional e certinho da minha mente. Revirei os olhos para mim mesmo e voltei a prestar atenção em Taylor.

— É mesmo? — perguntei, tomando o cuidado de não deixar transparecer emoção nenhuma em minha voz. — E... por quê? — tombei a cabeça para o lado. Eu realmente não estava muito interessado na razão do término. Eu estava feliz por aquilo ter acontecido. Significava que agora Taylor estava livre, desimpedida e... E que ela ainda é sua aluna, seu pervertido. Meu lado racional tem razão. Mas aquilo não acabou com a minha alegria. Nem chegou perto.

Ela esfregou os olhos e deu de ombros.

— Eu não sei ao certo. Nós... não estávamos nos dando bem há algum tempo. Não nos víamos direito, ele estava sempre ocupado com o trabalho e eu com a faculdade. E então, nos finais de semana, quando nos víamos, era acusações de um lado e acusações do outro... — Taylor encolheu os ombros e baixou o tom de voz. — Não dava mais certo. Então terminamos. Era isso ou, provavelmente, iríamos nos odiar para sempre. Foi melhor assim. — ela mordeu o lábio inferior.

Franzi a testa.

— Se acha que foi melhor assim, porque parecia estar tão... chateada, com o término? — será que ela ainda gostava do babaca do Erick? Ou será que aquele imbecil a tinha traído? Se ele tivesse feito aquilo, eu juro que quebrava a cara do filho da puta. Eu não entendia. Como ele conseguia ser tão burro a ponto de deixar Taylor escapar?!

Ela hesitou. Baixou o olhar novamente, brincou com as mãos, demonstrando estar nervosa. Limpou a garganta e ainda sim, não me olhou.

— Eu não estou chateada exatamente pelo término. Estou chateada por outra razão. Uma bem pior. — ela passou a mão pelos cabelos. — Estou chateada porque gosto de uma pessoa, mas as chances de isso ser recíproco são nulas. — ela me lançou um olhar tímido.

Até parece. Essa garota tem quem ela bem entender, na hora em que ela quiser. Fiquei alguns segundos sem entender, até que uma idéia me ocorreu. Será que...?

— Você nunca vai saber, se não deixar essa pessoa ter conhecimento disso. — respondi, suavemente.

Ela corou.

— Eu não posso, Matt. — suspirou baixo. — Eu quero. E quero há um bom tempo. Mas eu nunca tenho a oportunidade e quando tenho... — ela encolheu os ombros. — Quando eu tenho, eu perco a coragem. Eu simplesmente não consigo falar. As palavras travam na minha boca. E, além do mais — ela riu, sem humor. — Eu não iria atormentá-lo, sabendo que nada pode acontecer.

Franzi as sobrancelhas. Não podia ser o que eu estava pensando. Era impossível. Impossível, certo?

— O que te faz ter tanta certeza, Taylor? — perguntei, e sem que eu tivesse percebido, eu tinha me aproximado mais dela.

Os olhos verdes dela estavam presos nos meus, cinzas. Ela piscou e desviou o olhar, corando.

— Você é a última pessoa com quem eu devia estar falando sobre isso. — ela desconversou, cruzando os braços.

Arqueei a sobrancelha e sorri de canto.

— É mesmo? E por quê? — perguntei.

— Você é meu professor. Eu não devia tomar o seu tempo com essas coisas. — ela resmungou, baixinho.

Sorri para ela. Como se ela tomasse o meu tempo. Se ela ao menos tivesse um pouco de noção do quanto eu gostava de ficar com ela, mesmo que fosse só conversando...

— E o que isso tem a ver? Nós sempre fomos mais amigos do que aluna e professor. — respondi, a olhando atentamente.

Novamente, Taylor corou.

— Eu sei, mas... — ela suspirou. — Desta vez é diferente. — ela engoliu em seco e pareceu tomar coragem para falar. — Porque eu... eu não quero mais continuar sendo só sua amiga, Matthew. — ela me olhou nos olhos quando terminou de falar.

Okay, okay, não pira... Inspira, respira, não pira. Ela realmente disse o que eu acho que ela disse? Que ela não quer ser só minha amiga? Parece que finalmente o universo parou de me sacanear, aliás... UNIVERSO, EU TE AMO!

Tomei todo o cuidado de parecer sério e de não ficar sorrindo igual a um idiota, embora essa fosse a minha vontade. Ela não tinha dito exatamente que gostava de mim. Eu não devia comemorar antecipadamente, mesmo que eu estivesse morrendo de vontade de dançar agora.

— É mesmo? — perguntei, me aproximando ainda mais dela.

— Sim. De uns tempos para cá... — ela suspirou. — Eu não sei o que houve. Só sei que, de repente, passei a gostar muito de você. Mais do que o normal. Eu acho que eu... — ela respirou fundo. — Acho que eu estou apaixonada por você. Se você acha que nós não podemos lidar com isso, eu peço transferência da sua aula, não quero te prejudicar e...-

Ela não terminou de falar. A culpa não foi dela, se quer saber. Eu tinha a puxado para mim e a beijado, então seus lábios estavam um tanto ocupados e ela não pôde terminar a frase. Eu esperava que aquele beijo pudesse por fim a qualquer receio que ela tivesse, mesmo que por pouco tempo.

Segurei no pescoço dela, enquanto nossos lábios se encarregavam de fazer o resto. Os lábios de Taylor eram macios e doces, exatamente como eu sempre imaginei que seriam. Eu não conseguia entender como consegui ficar tanto tempo sem beijá-la assim. Agora que eu o fazia, era como se eu precisasse dela vinte e quatro horas por dia. Agora que eu já tinha descoberto como era o beijo dela, eu sabia que nenhum outro me satisfaria.

Eu sabia que nenhuma outra mulher serviria.

Quando o ar faltou, eu fui obrigado a me separar dela. Ela abriu os olhos lentamente, a respiração estava ruidosa e acelerada. O rosto dela estava corado. Ela arregalou os olhos quando eles encontraram os meus. Deu um pulo da cadeira e se levantou, levando as mãos a boca.

— Matthew... — ela disse o meu nome, parecendo começar a entrar em pânico. — Matthew, professor McGuire... Isso não podia ter acontecido! Céus, o que foi que eu fiz? — ela recuou um passo quando eu me levantei. — Matthew, isso não podia ter acontecido! Você tem noção do que fizemos? Meu Deus, eu beijei meu professor, isso é totalmente errado... — eu fui para perto dela e coloquei a mão em seu ombro. Ela me olhou, assustada. — Nós... eu... Isso não podia ter acontecido.

— Não foi só culpa sua. — respondi, segurando no rosto dela. — Acalme-se, Taylor. Primeiro, ninguém viu. Segundo, foi só um beijo, não foi nada demais. — acariciei o rosto dela. — E terceiro, você nem ao menos deu-me tempo de responder a sua declaração...

Os olhos de Taylor se arregalaram ainda mais e ela se soltou de mim, recuando mais alguns passos. Céus, alguém precisava acalmar aquela garota.

— Minha declaração! Meu Deus, eu te contei que sou apaixonada por você. Eu admiti que sou apaixonada pelo meu professor! E o beijei ainda por cima, céus, céus... — ela soltou um bufo exasperado.

Aproximei-me dela.

— Acalme-se, Taylor...

— Não, não! Eu... — ela olhou em volta. Foi até onde estava sentada e pegou a bolsa. — O beijo... ele foi bom, mas... Não vai acontecer de novo. Desculpe-me, professor McGuire. — então ela se virou, abriu a porta e saiu correndo pelo corredor.

Eu, sinceramente, não sabia se eu ria ou se eu ficava espantado pela cena que tinha acabado de ocorrer. Vamos por tudo em ordem. Taylor terminou com o namorado. Ela admitiu estar apaixonada por mim. Eu a beijei e ela retribuiu. Quando o beijo acabou, ela surtou e saiu correndo.

Encostei-me na parede e não pude segurar a risada que saiu. Era quase cômico. Eu tinha beijado minha aluna e ela fez o que? Fugiu. Ri de novo. Taylor tinha dito que aquilo não iria acontecer de novo, que era errado e bla bla bla. Mas pelo jeito como ela se entregou e retribuiu ao beijo, eu sabia que ela iria acabar voltando. Mais cedo ou mais tarde.

E eu teria o maior prazer em esperar.

Sorri.

Eu estava completamente ferrado. Tinha me apaixonado pela minha aluna e a beijado. E pior, estava querendo beijá-la de novo e ainda queria mais do que um mero beijo. Eu estava viciado em Taylor, completamente louco por ela.

Eu estava completamente ferrado.

E, pela primeira vez, esse pensamento não me incomodou. Muito pelo contrário. Me deu ânimo e um ótimo motivo para dar aula amanhã.

Notas finais
Olá! Obrigada por ter lido! ♥ Ficou digno de um comentário? Por favor, não deixe de me dizer o que achou, sua opinião é muito importante para mim!
Leitores fantasmas, sejam lindos, me façam feliz e manifestem-se! Anyway, espero que tenham gostado. Até a próxima ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!