After
6 Chapter 5 - Don't You Cry
Quando morreres, só levarás aquilo que tiveres dado.
Muslah-Al-Din Saadi
John andou um pouco, desnorteado pela conversa. Algo dizia que tudo aquilo era apenas uma alucinação ou um sonho, tentava encontrar uma explicação racional. Mas ele sabia que não era. Não era casual.
Sabe, se eu tivesse alguém assim no meu caminho, me avisando, eu ignoraria também.
“Não, não poderia ser verdade”, pensou ele, “alguém o mandou entrar no caminho dele. Provavelmente saiu correndo antes que eu percebesse. Ou se escondeu, entrou em uma casa.”
Eu nunca me perdoei.
“Eu nunca me perdoarei”.
Ninguém é totalmente independente do mundo quanto você quer ser.
“Ele não sabe o que eu quero. Ele não sabe o que eu posso”
Você precisa das pessoas e as pessoas precisam de você.
“Eu. Não. Preciso. De. Ninguém!”
Antes do fim do mês, você vai mudar sua opinião.
“Ele não me conhece. Não sabe”
Você pode dizer que foi Deus que me mandou. Pode dizer que foi apenas coincidência.
“Coincidências não existem. E Deus não se importaria com uma alma angustiada.”
Antes do fim do mês, você vai mudar sua opinião.
“Ainda me ameaçou.”
Você vai precisar do seu pai.
“Eu não vou precisar dele. Ele nem é meu pai.”
Ele daria a vida dele por você, John.
“Ele só daria a vida dele por ele mesmo.”
Uma aflição inexplicável tomou John. Ele voltou para casa o mais rápido que conseguiu. Entrou pela porta desesperado, os olhos cheios de lágrimas. Alice e Ryan estavam sentados, conversando, e quando o viram se levantaram. Ele se jogou nos braços do amigo. Todos estavam parados, sem entender o que estava acontecendo.
–John, tudo bem? — perguntou a mãe dele.
–Mãe… Me desculpa.
–Pelo o que?
–Eu não protegi o Micheal. Ele precisava de mim. Ele precisava. — o garoto soluçava de tanto chorar.
–Você não tem culpa, John. — Alice tentou acalmá-lo.
–Eu tive. Ele… Ele me disse que não foi o George.
–Quem? — perguntou a garota.
–O Micheal falou comigo hoje. Eu o vi. Como um mendigo. Ele me disse para perdoar o George. Eu o matei… Eu matei o Micheal!
–Johnny. — disse a garota – Não, você não tem culpa. E você viu errado. O Mitch morreu. Ele não volta mais, infelizmente. Você encontrou o corpo dele e isso deve ter te perturbado de alguma forma. Você está confuso.
–Eu não estou confuso! Eu não estou louco.
–Eu não disse isso.
–Você sugeriu. Era o Micheal!
–Não era. Ele morreu, John! — Alice rosnou. A mãe dele chorava silenciosamente no canto. Ryan ainda o segurava. John abraçava o amigo fortemente.
–Você me lembra ele. — sussurrou para o amigo, apertando-o um pouco mais – Ele morreu, mas eu vi. Eu vi na rua. Ele falou comigo. Ele disse meu nome.
–Você está vendo coisas, John! — Alice gritou. Ela perdeu a paciência com ele – Ele morreu!
–Então eu sou louco pra você, Aly? — ele soltou o rapaz e correu para o quarto – Ótimo!
–Eu não disse isso! John, volta aqui.
–Deixa ele, Al.
–Eu vou falar com ele.
–Não, senhora Harvey. Eu vou.
–Não, eu irritei ele. Eu vou me desculpar.
–Melhor ele ter uma conversa de homem para homem. Desculpe, Aly, mas acho que ele não vai querer ver você.
–Diga que eu pedi desculpas.
–Claro, Al. E você, senhora Harvey?
–Anne, já disse para me chamar de Anne, Ryan. Só acalme ele. Por favor.
–Certo. Qualquer coisa eu chamo vocês.
Ryan virou e andou até o quarto de John. Tentou abrir, mas estava trancado por dentro.
–Johnny, sou eu. Por favor, abre. — ele ouviu o som da porta sendo destrancada. Quando o garoto abriu a porta, ele entrou, trancou a porta e se sentou ao lado do garoto na cama.
–Que foi? — os olhos dele estavam vermelhos de chorar.
–A Alice pediu desculpas.
–Tá bom.
–Ela não quis dizer aquilo, John.
–Ela disse, Ryan.
–Johnny… — ele passou o braço por trás dele e o abraçou fraternalmente – Por favor, não deixe isso te irritar. O Micheal não gostaria.
–Você me lembra ele.
–Por que?
–Não sei. Só lembra. — e encostou a cabeça no ombro dele – Você deveria ter sido um bom amigo.
–Acho que não o suficiente. Se eu fosse, ele estaria vivo.
–Você não tem culpa.
–E nem você. John, ele não quereria ver o irmãozinho dele se culpando.
–Ele quer que eu perdoe o George.
–Perdoe, o que custa? Ficar remoendo isso é pior.
–Eu achava que ele foi culpado, mas eu tive minha parte de culpa.
–Me diz quem não teve? Nós não fizemos nada para impedir.
–Você tentou.
–E você não, John? Ele disse que você foi o que mais mostrou algo. Não se culpe.
–Farei o possível.
–Faça, John, Como eu disse, seu irmão não gostaria de ver você se culpando.
–Certo. — e levantou a cabeça, afastando-se do ombro de Ryan. Eles se encararam por alguns segundos, olhando profundamente nos olhos um do outro, então John inclinou a cabeça suavemente, se aproximando do rosto do amigo. Sentiam a respiração lenta e ritmada um do outro. E John se aproximou mais.
***
–Marco, espera! — George correu atrás do amigo.
–O que?
–Me desculpa. Eles não queriam me ajudar.
–Eu sei. Pode voltar pra minha casa. Só queria que você percebesse isso.
–Sério? Bom, então, obrigado.
–Mas tem uma condição.
–Qual?
–Pare de jogar. Se apostar meu dinheiro mais uma vez, eu te coloco pra fora, certo?
–Certo.
–Era isso. — e apertaram as mãos, selando o acordo.
George cumpriu sua promessa, em partes. Ele continuou jogando, mas apostando apenas o próprio dinheiro. Se afundou mais e rapidamente. Em uma semana, já estava sem dinheiro. Para não perder a casa, começou a pegar dinheiro emprestado, e seu prazo era cada vez mais curto. Um dia, ele soube que teria que pagar sua conta no fim do mês. Dia 20. Pensou seriamente em pedir ajuda para Marco, mas ele saberia que ele quebrou sua promessa. Só restou uma coisa. Uma ideia.
–Ralph. Quero fazer uma aposta. Nos dados.
–De quanto?
–Quinhentos.
–O que? — ele estava surpreso.
–Três dados. Eu escolho um número, você escolhe outro. E multiplicamos o quinhentos pela quantidade de vezes que nossos números saírem nos dados.
–Justo. — Ralph tirou cinco dados do bolso, separou três e guardou os outros.
–Não sou idiota. Até eu sei viciar dados. — George puxou um daqueles saquinhos que vem com vários dados, ainda lacrado, e abriu. Tirou três e guardou os outros – Um número.
–Três.
–Cinco. — e jogou. A sequência foi 3-5-4.
–Boa, George. Mas você esqueceu um detalhe.
–Qual?
–Você não perguntou se eu tinha o dinheiro.
–Não, Ralph. Eu preciso desse dinheiro. Por favor.
–Amanhã eu te pago.
–Outra rodada. Por favor.
–Não.
–Por favor, Ralph. É uma emergência.
–Amanhã. — se levantou e saiu.
–Não. Não. Não. Não! Não! Merda! — e deu um soco na mesa.
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