Afraid
1 A ilha que não existe.
Notas iniciais
A casa fedia a chaminé. O dia passava soturno e arrastadamente monótono, como se quisesse zombar da paciência de quem ali estava. O frio já era assunto desgastado, igual às roupas abarrotadas que eram usadas ali. O simpático cheiro de café sendo passado amenizava essa composição melancólica e nem o som da TV atrapalhava os pensamentos distantes que fluíam naquele lugar.
Nem parecia que o estopim de uma enorme reviravolta estaria prestes a se manifestar.
- Pra dentro, Petrus, você não vai querer se molhar quando a tempestade atingir nossa casa vai? Bom garoto!-
AFRAID
— MAS NÃO FUI EU, EU JURO!-
Luffy tentava se explicar, mas não adiantava muita coisa. Nami lhe deu um soco violento no capitão, que lacrimejou sua injustiça.
- Se você quiser bancar o engraçadinho e roubar nossa comida que faça isso em alguma ilha e não quando todos estão desesperados para comer alguma coisa.- Repreendeu a navegadora.
- Mas estamos no meio do mar! Não é possível não haver nenhum mísero peixe aqui!- Choramingou Luffy.
- Estamos no Novo Mundo, Mugiwara-Ya, é possível qualquer tipo de anormalidade. — Ponderou Law, sentado de pernas cruzadas atrás do balanço onde Chopper e Usopp brincavam.
- Nami-San está coberta de razão, seu capitão folgado e inútil. Se você roubar a geladeira mais uma vez eu mato a nossa fome fazendo churrasco de você, entendeu!?- Ameaçou Sanji, o cozinheiro.
- O Luffy não muda mesmo!- Riu Franky, servindo se de Cola, enquanto jogava pôquer com Bartholomeu.
Brook e Chopper mantinham uma conversa animada sobre criaturas estranhas. Robin estava dentro do seu quarto enquanto Zoro debatia-se mentalmente entre voltar aos treinos ou continuar dormindo.
Esses eram os Mugiwaras, futuro bando do rei dos piratas, na sua mais pura rotina. O mar fresco e límpido reluzia entre finas cascatas de raios de sol, compondo um imaginário artístico estupendo. O navio partia tranquilamente, mas não se via sinal de nenhuma ilha ou de qualquer superfície terrestre. A comida era cada vez mais escassa e, por incrível que pareça, não havia um rei dos mares ou um simples peixe por ali. E esse não era o único problema.
- Gente, o Log Pose tá dizendo que tem uma ilha por aqui!- Se surpreendeu a ruiva de proporções exorbitantes. –
- Mas, Nami, você não disse que essa coisa não tava nem perto de indicar uma ilha? Como aparece algo assim, do nada?- Estranhou Franky, interrompendo sua partida.
- Eu não faço ideia, mas ele indica claramente que tem algo aqui!-
Ouviu-se um barulho vindo do mar e num instante a água começou a ficar agitada. Nami olhou atentamente, sem entender nada, enquanto Jimbei procurava enxergar alguma anormalidade dentro da água.
- O navio não consegue avançar! – Gritou Franky, preocupado. – Vou tentar usar o Courp de Boust!-
- Mas o que diabos é isso!- Desesperou-se Usopp, segurando-se no mastro do Sunny.
- A água está cada vez mais violenta!- Alertou Chopper, preocupado.
Um jato fortíssimo de água arrancou um pedaço considerável do Sunny. Outro veio em direção a Zoro, que saltou para longe e desferiu um golpe contra o “oponente”
- Itoryu: IAI!-
A água salpicada caiu como chuva no rosto dos Mugiwaras.
- Valeu, Zoro!- Berrou Luffy, que havia acabado de usar o Fousen para proteger Nami de um golpe parecido.
- Mugiwara-Ya, o navio está submergindo!- Avisou Law, reparando que o casco já estava no nível do mar. – Se o navio afundar perderemos seis pessoas aqui, o Courp de Bost não está pronto?-
- Franky, manda a ver!- Gritou Luffy, evitando que a água, que mais parecia uma arma de fogo de tanto estrago que fazia, atingisse o navio.
- Pode deixar, maninho! COURP DE BOUSSST!-
O que aconteceu não fora exatamente o esperado. Uma sonora explosão foi ouvida e os estragos só não foram piores porque Bartolomeu se moveu rapidamente para impedir que ela se espalhasse pelo navio.
- Mas que merda está acontecendo aqui?- Berrou Zoro, bastante ocupado para virar o rosto.
- FRANKY!- Gritou Usopp – Graças a Deus!- Aliviou-se ele, ao ver que Franky estava apenas com uns arranhões.
O navio agora estava quase todo dentro da água. O olhar de pânico e de curiosidade desfilava pelos rostos dos mugiwaras, que nunca tinham visto nada parecido.
- A Robin está lá dentro! Alguém vai chamar ela!- Gritou Chopper, preocupado.
Nami saiu do seu posto e foi atrás da amiga.
Dentro do navio, Robin estava igualmente ocupada.
- Isso, agora...foi você? – Perguntou ela, desconfiada.
Um rapaz loiro, de olhos penetrantes e cabelos emaranhados encarava a arqueóloga, que usava seu poder para prendê-lo na parede do quarto.
- Foi pior do que eu tinha planejado. Desculpe. – Respondeu sincero.
O navio tremeu de novo. Passos foram ouvidos.
- ROBIN! ROBIN! Estamos com problemas, Robin!- Nami berrava da porta do navio, a plenos pulmões.
A arqueóloga projetou um olho para vigiar a porta e continuou encarando o rapaz.
- É melhor aquilo que você me falou realmente acontecer, não te escondi nesse navio à toa, estás entendendo?- Perguntou Robin, ameaçadora. – E você come mais que o Luffy!-
- Sim, claro, muito obrigado, Nico!- Sorriu o rapaz.
Robin ouviu barulho do corredor e escondeu o rapaz onde ele estava anteriormente.
- Nami, o que está havendo?- Perguntou a arqueóloga, saindo do quarto.
- Robin, que bom que você está bem! Eu não sei explicar!- Respondeu a ruiva, desesperada.
O navio estava praticamente dentro da água agora. Luffy e os outros akumados sentiam a pressão do mar e começavam a desmaiar, um por um.
- Vamos morrer...aqui...- Sentenciou Usopp, pessimista.
A água dominava o navio....um inimigo que ninguém sabia como enfrentar.
Minutos depois...
- Estamos...estamos vivos! Como? –
- Mais importante do que isso, Usopp, que lugar é esse?-
De fato, não se fazia ideia de como, mas eles haviam parado em um lugar completamente diferente do que havia antes. No lugar de um grande mar agitado estavam agora em uma ilha enorme, com grandiosas árvores e um vasto matagal colorido na frente deles. As casinhas charmosas na ponta de um enorme penhasco assustaram brevemente Nami e Law observava a tudo, desconfiado.
Uma chacoalhada no Sunny empurrou Nami para frente, a fazendo bater a barriga na madeira áspera do navio.
- Ai!- Reclamou – O que...-
Um novo tranco, só que ainda mais forte. Não demorou muito e Luffy virou-se instintivamente para o lado, onde um colossal navio acabara de aparecer. Não era como um navio da marinha nem tinha bandeira pirata, mas era umas dez vezes maior que o Sunny. Sem um aviso prévio uma bala enorme veio em direção ao navio, dando trabalho ao Law, que usou seu “Room” para alterar o destino da bala.
- Que lugar é esse, afinal?- Perguntou o cirurgião para si mesmo.
Um par de olhos espiava tudo cautelosamente de dentro do navio.
Outro navio apareceu de repente. Era um pouco menor, branco, diferente do outro que era todo preto. Não havia símbolos em nenhum deles e, assim como o primeiro, fez um ataque, interceptado por Zoro.
- Isso tá ficando chato demais!- Bufou ele.
Mas mal teve tempo de reclamar. Antes que fechasse a boca, ele e todos os Mugiwaras estavam desacordados, enquanto um terceiro navio aparecia diante do Sunny.
- Invasores em Abnob, Nass? Eu não falei pra você parar de beber?- Evanna recostou sua cabeleira vermelho-escura numa confortável poltrona reclinável, observando Nass sagazmente.
- Huhuhu, eu recebi um aviso de que havia sido constatada alguma coisa na costa da ilha. Parece que eles não entenderam nossa brincadeira e não souberam jogar. Ah, dane-se, aquele sujeito está indo para lá e não temos mais nada com isso! — Respondeu Nass, com um sorriso amarelado.
- É?- Perguntou Evanna, com um sorriso. – Pois ele que se f...., eu tô indo pra lá agora!-
Dentro do Sunny, um homem muito alto, quase do tamanho de um almirante, postava-se na frente dos tripulantes do chapéu de palha, completamente desmaiados.
- Bando dos Chapéus de Palha, alvo de procura do governo número 4, 12 tripulantes a bordo...Bem vindos a Abnob e...vocês estão presos!-
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