Afraid
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Notas iniciais
Boa leitura!
Afraid
Por ~Delectra
O medo ecoava fervoroso em minhas entranhas, a adrenalina previamente dispersada em minha corrente sanguínea a qual irrigava abundantemente minhas pernas que empenhavam-se na tarefa de me afastar o mais rápido possível daquela coisa.
Respiração ofegante, órgãos internos não tem mais prioridade de sangue no momento, pele descolorada, fria, suada. Olhos apavorados, em constante estado alerta tal como meu cérebro, a cada dez segundos recordo-me de olhar para trás no intuito de saber se minha rota de fuga não foi descoberta.
Ele estava lá, sim, ele. Não sei como descreve-lo tamanha era sua peculiaridade, tudo o que posso lhes dizer é para que não olhem em seus olhos, eu cometi esse erro, vislumbrei por incontáveis segundos que pareceram uma eternidade pavorosa aquelas coisas em sua cara horrenda que supostamente eram olhos. Brancos, vagos, odiosos, eram como dois faróis acesos em meio a escuridão que era seu ser.
No momento, não tenho certezas senão a de que vou morrer. Fui um tolo, descomunalmente, eudiria, e agora, minha tolice e demasiada curiosidade me cobrarão a vida. Bendita fora minha irmã que me dissera para não procura-lo, pois, se o fizesse, na certa encontraria. Infelizmente não sou dos caçulas mais obedientes.
Ele está se aproximando, sei que está, e vagarosamente, apenas para brincar com meu desespero e medo já aflorados, ele quer brincar comigo, pode sentir o cheiro de pavor traçado por mim no ar. Tudo o que ele quer é me ceder mais alguns instantes de vida aterradores até que eu me esgote e ele finalmente me alcance com sua passadas arrastadas e esquisitas.
Já posso sentir as mãos dele me alcançando o pescoço, subindo pela minha pele molhada donde sua baba nojenta e ácida pinga, até que os esmirrados e deformados dedos me alcancem os olhos, ele os tirará de mim, me obrigará a ter como última visão em vida o seu rosto, o qual ninguém deveria ver.
Então, estagnado e embriagado pelos meus gemidos de dor, ele aguardará meus gritos estridentes que me escaparão a garganta, é o que ele mais almeja, mas não o cederei esse luxo, de forma alguma, suportarei toda dor até meu fim sem um único grito para agradar aquela coisa.
Sei que não há chances de ele parar de brincar ou de alguém vir me acudir, seria impossível, além de estar sob a abóboda de numerosas árvores durante a madrugada, numa densa floresta consideravelmente longe de habitações humanas, ninguém poderia detê-lo, ele é mais forte, invencível, poderia precipitadamente dizer.
Então, pouparei que curiosos transeuntes percam suas vidas numa tentativa inútil de me salvar e morrerei em silencio, prestarei esse último favor a todos.
A folha na qual escrevo esta chegando ao fim, é provável que na manhã seguinte quando encontrarem essa singular carta junto ao meu corpo não consigam interpretar minha caligrafia tremula, mas pelo menos eu tentei, tentei lhes avisar tal como minha irmã o tentou faze-lo. Não o procurem, eu imploro.
Não me resta mais nada para me acalmar no momento senão escrever, minhas pernas chegaram ao limite e sei bem que as enormes pedras formando uma marquise estendida sobre minha cabeça abaixo de raízes grossas de arvores não me esconderão por muito tempo, ele sabe onde estou, o que penso, e as minhas intenções, apenas me concedeu o último desejo de poder escrever isso e sentir sua terrível presença se aproximando.
A lanterna focada na folha de papel esta começando a falhar, não me resta muito tempo de luz... nem de vida.
Ele está vindo, posso ouvir os galhos se quebrando sob seus grandes pés, a luz vermelha que emana deles parece torrar e desfalecer o conteúdo orgânico da terra batida, todo o seu corpo emite algum tipo de luz macabra e elusiva que me traz a impressão de ser a aureola bizarra de um anjo, ou mais propriamente um demônio.
Já posso sentir o cheiro pútrido que emana de suas baforadas, a respiração da coisa é ruidosa, o som parece penetrar-me a sanidade, desfazendo-me dos momentos os quais meu cérebro parece agarrar-se as últimas pontas de lucidez que me restam.
Ele parou, esta em pé acima da marquise de pedras saboreando o desespero que me denuncia. É quase zombeteiro a sensação quente de lagrimas que me molham a face, acabou, é o meu fim.
EU IMPLORO, NUNCA O PROCUREM, NUNCA OLHEM EM SEUS OLHOS!
AFRAID LHE ENCONTRARÁ SE O FIZER!
Minhas ultimas palavras, eu am-
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