Afável
5 O ultimato
Notas iniciais
Capítulo V
O ultimato
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Respirei um pouco, bebendo um pouco do suco. A minha garganta estava começando a ficar seca e não era do meu anseio ficar sem voz. Enquanto sorvia do líquido, notei que Ino chacoalhava as mãos para o ar com uma cara estranha. Não entendi se era para se refrescar ou estava batendo asas para voar.
— O quê você está fazendo? – questionei, botando o copo sobre a mesa.
— Por quê. Você. Parou? – ela bateu na mesa, assustando-me. — Sério, ficou parecendo até novela!
— Novela?
— É! – revirou os olhos, começando a rir. — Apareceu um momento crucial e de tensão e Bam! – bateu novamente na mesa, chamando a atenção de algumas pessoas. — Há uma longa pausa para os malditos patrocinadores! – ri de seu drama e ela também. — É sério, Testão. Assista mais novelas e repare.
— Certo, certo. – falei, controlando o meu riso. — Não haverá mais interrupções assim, ok? – ela maneou com a cabeça, animada. — A menos que a minha garganta volte a secar. – ela fez uma careta desgostosa. — Enfim, voltemos à história.
. . .
A loira me olhou, e a sua confusão era palpável. Continuei tentando manter-me firme, pois, naquele momento, a minha decisão era inabalável. Olhamo-nos por segundos que pareciam anos, era uma decisão um tanto drástica que havia tomado e não, eu não queria voltar atrás. O Time Sete já não era mais o mesmo – eu não era mais a mesma –, e talvez as coisas não voltassem mais ao normal. Ela fez um sinal para que me sentasse à sua frente, acatei as suas ordens rapidamente, ouvindo o seu longo e exasperado suspiro.
— Certo, você tem todo o direito de pedir o seu desligamento do Time Sete, no entanto, eu tenho o direito de não aprovar ao seu pedido. – cruzou os braços, repousando o torso na cadeira. — Agora, diga-me a razão desse pedido tão... – pensou um pouco, pois, não havia uma palavra certa para definir o meu ato. — Ilógico?
— Shishou, eu... – suspirei um pouco, olhando para as minhas mãos. — Eu não me sinto bem ali... Eu não sei. – olhei-a e ela arqueou as duas sobrancelhas. — Acho que a nossa amizade já não é mais a mesma.
— Isso tem alguma coisa a ver com a briga ontem no restaurante? – perguntou, surpreendendo-me. — Tenho muitos informantes por aí, Sakura. – deu de ombros. — Realmente acha que depois de uma confusão como aquela as notícias não chegariam até aqui? – riu.
— Sinto muito.
— Você pretende largar a sua equipe por causa de um namorado?
— Não.
— E qual é a razão.
— Já disse. – suspirei. — Não há mais amizade entre eu e o restante do time.
— Só isso? – riu debochada, apoiando-se na mesa. — E desde quando a amizade é o essencial para um shinobi? – tentei argumentar, mas ela me calou com um gesto de mão. — Qual é a parte de um shinobi é uma simples ferramenta nas mãos da Vila que você se esqueceu? – olhei para baixo, desviando de seus olhos. — É claro que criar laços é essencial para qualquer ser humano, Sakura.
— Shishou...
— Eu ainda não terminei. – sua voz era severa, e o pensamento de ter cometido um erro por ir até ali bateu em minha porta. — Eu realmente sinto muito que as coisas não sejam como antes, mas não posso desligá-la de uma equipe, depois de quase oito anos, apenas porque você não se sente à vontade com eles. – suspirou. — Mas se houver alguma razão mais específica que você esteja omitindo... – rapidamente a fitei, mas a sua expressão continuava a mesma. — Há algum outro motivo, Sakura?
Sim!
— Não, shishou.
— Então, estamos entendidas. – levantei-me, acenando com a cabeça pronta para sair. — E, Sakura. – chamou-me. — Pegue com a Shizune o pergaminho para a próxima missão de vocês. – sorriu e em seguida se virou para observar a vista da janela.
Talvez eu devesse ter dito toda a verdade para Tsunade-shishou e, talvez, eu levasse apenas uma surra. É claro que as coisas não eram feitas por mim intencionalmente, na verdade, parecia que eles me provocavam de maneira a roubar-me o controle. Dizem que as mulheres tem um incrível autocontrole, mas e se eu não fizesse parte dessa grande maioria? Quem sabe o cromossomo X que meu pai tenha me passado gerou toda essa falta de controle? Não que ele tivesse várias mulheres, bem, isso não era algo no qual se passasse pela minha mente, mas enfim, homens são impulsivos e talvez esta característica também seja minha. É claro que eles perdem o controle das duas cabeças, e eu, só tenho uma, então o descontrole é ainda mais fácil.
Sim, criei toda essa teoria enquanto caminhava em direção da mesa de Shizune. Ela não me perguntou nada sobre o encontro, pois, obviamente, ela já devia saber de todo o ocorrido. Lançando-me um olhar reconfortante, entregou-me o pergaminho. Avisou-se que a o Time Sete já estava me esperando no nosso usual campo de treinamento, apenas me aguardando com as instruções contidas no rolo esverdeado.
Em poucos minutos já me encontrava lá, revivendo uma sensação nostálgica. Os cinco me aguardavam sérios, cada um à sua maneira de ser. Suspirei, apenas seguindo o meu caminho. Entreguei o pergaminho à Kakashi-sensei, sem olhar para ninguém, apenas fitando os meus pés. Ao que constava, devíamos descobrir o paradeiro de um rico comerciante que fora raptado há poucas horas. Não que um comerciante fosse tão prestigioso, se fosse, minha família teria grande status, no entanto, as coisas mudam quando tal comerciante era afilhado do Senhor Feudal de Konohagakure. O time deveria ser divido em duplas e, bem, ninguém queria estar comigo, obviamente.
— Yamato e eu iremos por leste. – Kakashi-sensei começou dando as suas ordens, fazendo o restante se perguntar quem sobraria para ficar comigo. — Sai e Sasuke vão pela...
— Não! – Naruto gritou, chamando a atenção de todos, afinal, ele seria a minha dupla. — Eu e o teme fazemos uma dupla melhor, tô certo.
— Não para esse tipo de missão, Naruto. – o Hatake tentou justificar a escolha, e ele estava certo, para o infortúnio de Naruto. — Como ia dizendo...
— Se é assim – cruzou os braços. —, eu não vou nessa missão idiota.
— Você tem uma razão para tal? – Kakashi ignorou a razão mais do que evidente, tentando soar profissionalmente.
— Pois... Pois eu...
— Talvez seja melhor eu ir para Noroeste e Naruto para Oeste. – falei. — O pergaminho diz que possivelmente haja testemunhas por essa região e alguns feridos.
— Sakura. – Kakashi começou, passando a mão pelos cabelos prateados. — Você é a única médica da equipe, não é aconselhável deixá-la ir sozinha.
— Eu prefiro ir sozinho. – o loiro falou, cruzando os braços. — E não quero ir para Oeste.
Ficamos calados, apenas terminando de ouvir as ordens de Kakashi. Kakashi e Yamato iriam para leste, Sasuke e Sai para sudeste, Naruto para noroeste e eu para oeste. Aparentemente, não havia necessidade de irmos para as regiões Sul e Norte, uma vez que as buscas começaram dali e alguns Anbus já faziam uma procura pela região.
Talvez, Ino, você pense que eu tenha ficado ressentida pela rejeição do Naruto, e sim, é claro que fiquei. Porém, não somente com a dele. Sua sinceridade era sempre uma marca contrastante de sua personalidade e aprecio isso. Os outros também me rejeitaram, silenciosamente. Sabe, algum deles poderia ter se oferecido para trocar de dupla ou algo do tipo, mas não. Talvez eu merecesse aquilo tudo, mas depois da madrugada anterior, era apenas mais uma adaga cravada em minhas costas.
As coisas pareciam monótonas naquela região, e tive vontade de simplesmente voltar para trás e relaxar na minha cama. Alguns civis passavam por mim e nada de atípico me chamava atenção. O comércio parecia normal e algumas crianças brincavam pelas ruas. Continuei andando, até notar alguns homens correrem em direção da mata, próxima dali. Tentei contatar Naruto pelo comunicador, mas aparentemente, ele havia bloqueado o meu sinal. Tentei chamar pelos outros e, é claro, que fizeram a mesma coisa. Suspirei, seguindo o mesmo caminho que o bando havia feito.
Eles pararam no meio da mata, revelando um alçapão abaixo de uma árvore. Alguns deles entravam, enquanto outros vigiavam a entrada. Observei atentamente, notando que aquilo, além de conter certas mercadorias (provavelmente roubadas), parecia ter uma cela e possivelmente um prisioneiro. Eles saíram, deixando apenas um grandalhão com cara de babaca para a vigilância. Aguardei alguns minutos, talvez quase uma hora, para iniciar a minha missão. Antes disso, porém, ainda tentei entrar em contato com o restante do time, mas todos ainda estavam me dando um gelo.
Numa inoportuna hora, pensei.
Silenciosamente, dei a volta, parando a poucos metros atrás do vigia grandalhão. Tomando um pouco de fôlego e concentrando uma razoável quantidade de chakra em meus braços e mãos, corri nas costas do homem. O meu braço direito circundou a frente de seu pescoço, segurando-se no esquerdo que, rapidamente, encaixou-se na parte de trás, empurrando sua nuca para frente. Ele não teve tempo para reagir, prendi-o num forte mata-leão, sentindo-o perder o ar sem ter a chance de reagir. Seu corpo ia amolecendo e ele ia perdendo a consciência. Somente quando havia desmaiado é que foi solto.
Abri o alçapão, notando não haver ninguém à espreita. Desci as pequenas escadas rapidamente, tropeçando em alguns caixotes que havia no meio do caminho, com raiva, chutei outros para a parede. Segui o pequeno corredor que dava direto para a cela. Havia um rapaz com um capuz na cabeça e com as mãos e pés amarrados. Sem nenhum esforço, quebrei o cadeado que trancava a cela, abrindo a porta rapidamente. O garoto se assustou com a minha presença, mas logo o tranquilizei, começando a soltá-lo.
— Quem é você? – perguntou, fitando-me curioso.
— Vim te resgatar, não se preocupe. – falei, terminado de cortar as cordas.
— Você é linda. – fiz uma careta, mas ignorei o comentário. Pegando-o pelas mãos, começamos a correr pelo corredor. — Espere. – falou, parando. — Eu preciso te recompensar.
— Certo, mas não agora. Depois, ok? – tentei continuar, mas ele começou a andar pelo cativeiro. — O que pensa estar fazendo?
— Talvez haja algo aqui que te agrade. – argumentou, revirando algumas caixas.
— Qual foi a parte do depois que você não entendeu? – suspirei, caminhando em sua direção e pegando-o pelo pulso. — Vamos.
— Você é uma garota muito bonita. – falou, enquanto subíamos as escadas. — Seus pais deixam você sair por aí?
— Não interessa. – respondi, notando que o vigia permanecia inconsciente.
— Ninjas podem ser tão jovens?
— Não interessa. – alguns arbustos se moveram e notei um chakra desconhecido se aproximar. — Corra. – falei, empurrando para noroeste.
— O que disse?
— Corra!
Ele correu desajeitado enquanto tentei inutilmente tentar entrar em contato com o restante da equipe. Certo, eu poderia ter corrido também, mas o bando já estava muito próximo e facilmente iriam me localizar. Fechei o alçapão rapidamente e logo em seguida, corri em direção do vigilante adormecido. Quando eles já estavam bem próximos, simulei ter acabado de derrotá-lo. Oito homens pararam, olhando-me raivosamente.
— O que pensa estar fazendo? – um deles me perguntou, andando em minha direção.
— Nada de mais. – dei de ombros, concentrando chakra em meus pontos essenciais.
— Sua vadiazinha!
Correndo em minha direção, o homem, muito parecido com o que jazia no chão, tentou me acertar com um soco, mas facilmente desviei. Dei um soco em seu estômago, fazendo-o recuar. Distraído pela dor, não notou a minha aproximação, muito menos o chute que dei na sua cara. Ele desmaiou e outros seis correram na minha direção. Não foi tão difícil derrotá-los, embora tenham dado mais trabalho do que pensei. Eram civis, afinal de contas, e não deram conta de um simples taijutsu. Só tinham tamanho, constatei.
O último bandido me olhava, indiferente. Ele não se movia, então também não me movi. Havia duas possibilidades ali: Ou ele era muito forte e deixou os seus capangas apanharem para me testar ou ele era tão fraco quanto aqueles molengas e estava com medo de lutar comigo, embora quisesse manter a aparência de forte. Hm. Para não arriscar em nenhuma, dei um passo inesperado por ele.
— Se não fará nada, irei libertar o seu refém. – comentei, fingindo andar em direção do alçapão.
— Não se atreva. – falou começando a se aproximar.
Parada, ele correu na minha direção, desferindo um soco ao ar, na mesma tática do primeiro que tentou me atacar, definitivamente, ele se encaixava na segunda possibilidade. Continuou a lutar com o vento, enquanto me esquivava sem nenhum esforço. Evitei um chute dele, acertando-o logo em seguida com uma cotovelada. Seu corpo foi arremessado ao chão, fazendo uma grande quantidade de poeira se subir. Cambaleante, ele se levantou, limpando o sangue que escorria de seu nariz com a manga da blusa.
— Isso terá volta. – falou, ameaçando-me.
Correndo novamente na minha direção, dei um soco em seu estômago e, em seguida, afastei-o com um chute. Já planejava os meus próximos golpes quando fui parada por uma voz.
— Sakura-chan! – o grito vinha de uma árvore e logo visualizei Naruto em cima dela. O afilhado do comerciante estava junto dele e, pelo visto, o meu plano tinha dado certo. Contive um sorriso, recordando-me ainda estar ressentida com ele. O loiro fez uma careta enquanto me olhava, mas logo em seguida mudou para uma assustada, deixando-me confusa. — Cuidado!
Quando olhei para frente, um punho gordo acertou o meu nariz e logo em seguida tudo ficou escuro.
Droga.
Abri meus olhos preguiçosamente, sentindo algo de estranho com o meu nariz. Uma vertigem me cegou e uma confusão fez a minha mente. Tentando me sentar, algo me impulsionou para trás. Aos poucos a minha vista ia voltando ao normal, fazendo-me notar que estava no hospital. E como num flash, recordei-me da missão e do soco que tomei. Levando as mãos em meu nariz, senti-o enfaixado e bastante dolorido. Olhando ao meu redor, o Time Sete estava concentrado à minha volta, cada um a sua maneira, para variar.
Sorri com o pequeno fio de preocupação que eles possuíam, deixando-me descrente.
— Vão embora. – falei, fechando os olhes e voltando a relaxar no travesseiro. — Já estou bem. – não notei nenhuma movimentação, evidenciando que ainda estavam ali. Espreitei os olhos, confirmando os meus pensamentos. — Já disse para irem. – eles continuaram parados, irritando-me. — Por favor, vão.
— Não. – Sai falou, aproximando-se da cama. — Sinto muito por tê-la deixado, Feiosa. – tentou pegar em minha mão, mas desviei. — Nunca devia ter ouvido as conversas do Pintinho.
— Hey! – Naruto protestou. — Nunca te obriguei a nada! – falou, mas logo em seguida suspirou deixando os ombros caírem. — Todo mundo sabe que eu sou um idiota, então porque me dão ouvidos?
— Porque todos são idiotas. – comentei por alto, enquanto todos me olhavam. — Agora saiam daqui.
— Eu não saio, Sakura-chan. – o loiro se aproximou, enxotando Sai para o outro lado. — Não adianta insistir.
— Nem eu. – Sai falou, aproximando-se novamente.
Os outros três também iam se aproximando, vagarosamente cercando o meu leito. Fitavam-me em suas estranhas maneiras. Tinha certeza de que estava de um jeito horrível, afinal, nariz quebrado, cabelos embaraçados e uma carranca confusa não era a combinação perfeita para se estar bonita, no entanto, eles pareciam não se importar. Suspirei, sentando-me e desta vez ninguém me impediu. Ora, era o meu nariz que estava debilitado, não o corpo inteiro!
— O quê vocês querem? – perguntei, cruzando os braços.
— Pedir desculpas. – Yamato falou, olhando para o chão.
— Estão todos desculpados! – declarei num tom sarcástico, pouco me importando com seus pensamentos. — Agora podem sair.
— Sakura... – Kakashi falou, com sua voz de barítono.
— Por favor. – insisti, apontando para a saída.
Um a um foram se retirando, pois era evidente que não fazia parte dos meus planos ouvir quaisquer desculpas ou outro tipo de conversa. Permaneci no hospital pelo restante do dia e Shizune prontamente curou o meu nariz quebrado. Já era noite quando recebi alta, embora nem fosse necessária a demasia permanência em leito, todavia, não quis contrariar as prescrições médicas (ou seria os exageros de Shizune?). Fui para casa calmamente, alegre por não encontrar nenhum deles no caminho. Na porta de casa, fitei o pergaminho amassado e ao abrir, revirei os olhos ao notar cinco pedidos de desculpas com cinco caligrafias distintas.
Dizem que nada melhor do que a sua própria casa, no entanto, ali também era um inferno tão quão a minha mente. Observei bem o sofá e somente depois de notar que não havia nenhum objeto ali, joguei-me despreocupadamente. Fitei o teto, perguntando-me como as coisas seria dali para frente. Talvez o Time Sete nunca fosse ser o mesmo, ou talvez nunca mais ele fosse existir. Eles não me queriam por perto e eu também não os queria, de certa forma. Suspirei, olhando para o relógio. Sem saber exatamente o que fazer, peguei a minha bolsa e saí.
Meus pés já me guiavam para um lugar que há muito tempo já não ia. Observei as cinco pessoas sentadas próximas ao balcão e fingindo não me importar, sentei-me no único lugar vago, pedindo o de sempre para Teuchi. Agradeci ao receber a minha tigela, continuei a ignorá-los enquanto comia, mas não pude conter o sorriso que me fugia. E lá estávamos, depois de tantos meses, jantando no Ichiraku. Eles terminaram de comer muito antes de mim, mas só se levantaram quando terminei.
Caminhos para casa, silenciosos, como algumas vezes já fizemos. Chegamos ao meu prédio, e sem saber exatamente o que fazer, continuei o meu trajeto até as escadas me virando. Dei um aceno rápido para eles, que me responderem cada um de sua maneira. Já estava seguindo em frente, quando um fato me fez revirar os olhos.
— Você também mora aqui, idiota. – falei para Sai, que sorria algo que não pude saber se era verdadeiro ou falso.
— Assim é mais romântico, Feiosa. – deu de ombros. — Não corta o clima.
Ri, prosseguindo o meu caminho. Joguei-me ao sofá, novamente, suspirando. Curiosamente fui até a janela, notando que eles ainda estavam lá. Sentei-me no parapeito e ficamos a nos observar por incontáveis horas. Talvez essa não seja a maneira convencional de pessoas se amaram, mas o Time Sete sempre foi uma equipe peculiar e talvez a nossa maneira de se amar fosse exclusivamente nossa. Pelo menos era isso o que eu pensava.
. . .
Ino suspirou, deixando os ombros caírem. Bebi o restante do meu suco, notando que já se aproximava das dezesseis horas.
— E então – falou, tirando-me dos meus devaneios. —, vocês seis vivem felizes para sempre.
— Primeiramente, você pode considerar felizes pelos seguintes cinco meses. – sorri, notando a sua careta. — E em segundo, as coisas não são tão simples. – ergui um dos pergaminhos que tinha em mãos.
— Não me diga que é um ultimato? – confirmei com a cabeça. — Mas isso é um absurdo!
— Talvez. – dei de ombros. — Eles deviam saber que não vai dar certo isso.
— Sim, pois Haruno Sakura não é mulher para um único homem! – declarou, fazendo-me rir. — Mas e o Panaca, nunca mais te incomodou?
— É Tanaka! – corrigi-a. — Não, ele não me procurou mais.
Ela balançou a cabeça, ponderativamente, bebendo mais um pouco de seu suco.
— E você já sabe quem vai escolher, Testão?
— Eu não sei. – recolhi as minhas coisas, jogando algumas notas na mesa. — Talvez eu faça um cara-ou-coroa, não sei. – sorri, começando a caminhar. — Deseje-me sorte!
— Boa sorte! – acenou, terminado de beber o restante de seu suco. — E não me poupe os detalhes depois!
Segui em direção do habitual campo de treinamento do Time Sete, sentindo o meu estômago se revirar. Algumas pessoas passavam por mim, despercebidas, enquanto outras me cumprimentavam. O céu estava limpo, embora o vento desse o prelúdio de uma chuva próxima. Aos poucos ia vendo-os à distancia ganharem os seus contornos. Estavam sérios e, apesar disso, sorri para eles.
— Olá. – falei, aproximando-se de Kakashi e lhe entregando um pergaminho. — A shishou mandou entregar, Kakashi-sensei.
— Yare. – resmungou, não dando a devida importância ao rolo. — E então?
— O quê? – perguntei, fazendo-me de desentendida.
— Você sabe. – Yamato falou, olhando para o chão.
— Não, eu...
— Sakura. – Sasuke me interrompeu, mandando-me um olhar gelado. — Decida.
— Decidir? – ri. — E tem que ser agora?
— Sakura-chan, você sabe que te demos um prazo suficiente para te fazer escolher. – Naruto falou, fazendo um bico.
Suspirei, ajeitando uma mecha de cabelo atrás da orelha, suspirando novamente. E de novo.
Suspirei por uma última vez, tomando coragem para falar.
— Certo, eu decidi. – parei um pouco, pensando exatamente o que ia dizer. — Eu sei que concordei com o prazo que vocês me deram, e concordei que faria a minha escolha. E, bem, eu a fiz. – tomei um pouco de fôlego. — Há razões o suficiente para me fazer escolher um ou o outro, mas isso é impossível. – eles me olharam sérios e notei algumas sobrancelhas arqueadas. — Alguns podem me chamar de egoísta por não querer apenas um, mas não é bem assim. Eu necessito de todos e apenas um não me completa. Vocês reclamam de eu ter roubado o coração de cada um, porém, de certa forma, vocês que repartiram o meu coração, tomando, cada um, pedaços para si. Nunca foi a minha intenção permitir que isso acontecesse, mas aconteceu. Não posso voltar atrás, muito menos vocês.
— Sakura-chan...
— Espere. – interrompi Naruto, continuando com a minha fala. — Eu não tenho o direito de exigir que algum de vocês fique comigo, muito menos que tenham sentimentos por mim. – a minha garganta estava começando a ficar presa e a minha voz se tornava vacilante. — Entre escolher um e ficar sem o restante, eu prefiro ficar só.
Eles permaneceram calados, apenas digerindo o que haviam escutado. Talvez não fosse fácil para eles, mas também não era para mim. Aquela era a melhor decisão para todos. Se acaso fosse egoísmo meu não saber escolher, era egoísmo deles exigirem que eu escolhesse. Aquilo era impossível, sem sombra de dúvidas.
— Sabe – Sai começou a falar, chamando a atenção de todos, inclusive a mim. —, uma vez li em um livro que uma mãe nunca pode escolher um filho. É um amor imensurável. E, a cada filho que nasce, o amor é repartido igualmente. – sorriu, num riso indecifrável. — Mães são pessoas afáveis, que amam demais.
— E o que isso tem a ver, transparente? – o Uzumaki perguntou, embora fosse o único que não soubesse onde ele queria chegar.
— Quero dizer que a Feiosa é uma pessoa afável. – respondeu, olhando-me. — Pois o coração da Sakura, assim como o Time Sete, é afável como o coração de uma mãe. E ela simplesmente não pode escolher. – sorri, controlando a vontade de abraçá-lo. — E eu não me importo de ter que dividi-la, pois não me importaria de dividir uma mãe com meus irmãos.
— Definitivamente eu não a vejo como uma mãe, Sai. – Naruto falou, cruzando os braços.
— Mas ela é tão essencial para mim como uma. – o cara pálida falou, roubando-me um sorriso. — Agora me digam vocês, quem irá desistir dela? Eu não me importo em dividir, mas admito que seria muito melhor se ela fosse apenas minha.
Ninguém se pronunciou, muito menos deu um passo à frente. Eles também eram egoístas, ou talvez concordassem com o argumento de Sai. Andei na direção de cada um, abraçando-os demoradamente. Apreciei seus aromas, reconfortei-me em seus afagos em meus cabelos e ri de seus comentário, como: "Você sabe será a senhora Uchiha". Eles eram o Time Sete, e eu os amaria incondicionalmente, talvez não para sempre, pois as chamas podem se apagar, eventualmente, mas sabia que seria tão intenso e verdadeiro enquanto durasse.
Kakashi pigarreou, fazendo-me desgrudar de Sasuke. Ele balançou o pergaminho que a shishou havia me entregado, começando a ler. No entanto, uma careta formou-se em seu rosto encoberto, chamando-nos a atenção.
— O que foi? – perguntei, tomando o papel em mãos.
— O quê diz ai? – Naruto perguntou, tentando roubar o papel.
— A Godaime pretende adicionar mais um membro na equipe, temporariamente. – o Hatake falou, desanimado.
— O quê? – o loiro exclamou. — Mais um? – olhou rapidamente para mim, tomando o pergaminho. — Depois dessa história de coração de mãe, nem a pau que vem outro cara para o time.
Os outros pararam e, mais uma vez, segurei o riso. E, como num flash, os cinco sumiram, deixando-me sozinha. Provavelmente indo em direção da Torre Hokage. Sorri, notando os ciúmes deles por um desconhecido. Tsc. Sai estava certo ao dizer que eu não poderia escolher apenas um, mas estava errado ao afirmar que sempre caberia mais um. Não, não caberia. Não enquanto tivessem em mãos o meu coração. Eles eram únicos, e não importa quantos membros fossem anexados, apenas aquele Time Sete me pertencia.
Pois sou uma pessoa afável que os ama demais e uma egoísta, que não aceita escolher.
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