Aeternum

4 Capítulo IV - Meridiem


Notas iniciais
Olá, meus amores! Bem, esse é o último capítulo de Aeternum (fora o epílogo que vou postar em breve). Sabe... é a primeira fanfic que consigo completar, por mais que seja short. Me dói saber que não precisarei mais escrever Aeternum, haha. Esse capítulo é dedicado à linda da Ive-san. Muitíssimo obrigada por recomendar minha fanfic, querida! Espero de coração que gostem. E, por favor, LEIAM AS NOTAS FINAIS. Meridiem = Meio dia.

Tens medo de mim, mulher?”

Não tenho medo.”

Ulquiorra assentiu, observando-a. Não entendia por que a mulher chorava. Acaso não sabia ela que ainda se veriam novamente? Foi então que ele percebeu que não. Ela não fazia ideia.

“Entendo.”

E ele realmente entendia. Aquela mulher o fizera reaprender, em tão pouco tempo, o que é ter um coração. O fizera sentir, em tão poucos dias, todo o amor que sentiu por ela em outras três encarnações. O fizera precisar, em tão poucas horas, da companhia adoravelmente peculiar da ruiva. O fizera reaprender, com tão poucos gestos, toques e olhares, o que é esse sentimento chamado amor. O fizera, em tão poucos minutos, amar novamente. Amá-la. Ela, e apenas ela. Sua Sunyli, Aika, Katheryn... Sua Orihime.

“Eu vejo agora. Na palma da minha mão...”

Não pôde evitar o instinto de saudade que tomou conta de seu ser, estendendo-lhe a mão. Queria senti-la, queria tocá-la. Abraçá-la, beijá-la, mostrar-lhe que finalmente entendera. Finalmente compreendera o que era o amor. E quando a viu correr em sua direção, esticando a mão para tocá-lo... Quando viu a expressão desesperada nos olhos acinzentados da mulher ele percebeu. Ela havia se lembrado.

Ulquiorra sorriu de lado, sentido o calor da mão da mulher na sua, permitindo-se desprender as últimas correntes que o prendiam naquela vida, não sem antes ouvir o grito de dor de Orihime.

“Está meu coração.”

E então tudo tornou-se escuro.

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Orihime gritava de dor, ajoelhada no lugar onde antes estivera seu precioso Ulquiorra. Sentia todas as memórias ecoando em sua mente, retumbando e desesperando-a. As lágrimas escorriam livremente pelos olhos acinzentados da ruiva, que forçava todas as suas cordas vocais em um grito de desespero. Ichigo, por um momento, imaginou que ela estivesse ferida, mas quando tentou tirá-la do chão, levou tapas e arranhões tão fortes que obrigou-se a se afastar. O que estava acontecendo com ela?

Ajoelhada, segurando o último resquício de pó no qual Ulquiorra tornara-se, Orihime tentava desesperadamente trazê-lo de volta com seus poderes, enquanto as memórias de todas as vidas passadas percorriam-lhe a mente, trazendo mais e mais infindáveis lágrimas para a garota.

Eles se casaram, tiveram um filho, morreram, se reencontraram, namoraram, passaram por tantas coisas, morreram, renasceram, se reencontraram, tiveram tantos momentos, morreram... Era coisa demais para ela, coisa demais para suportar.

“– Eu te amo. – As palavras foram sem som, mas ela sabia que ele entenderia. Sorriu, mesmo sentindo a espada rasgar sua garganta, pois recebera o recado mudo dele.

Eu te encontrarei.”

Orihime arfou. Ele realmente a amara um dia. Os soluços se tornavam constantes, enquanto tentava convencer-se de que aquilo era apenas um sonho. Um péssimo e traumatizante sonho. Tentando convencer-se de que acordaria mais uma vez em seu quarto-prisão, com ele encarando-a friamente. Sim, friamente. Mas vivo.

– Nós também poderíamos... – Suspirou, apertando Aika mais forte em seus braços. – Poderíamos amar a mesma pessoa cinco vezes.

Ela concordou, afundando seu rosto no pescoço dele e deixando-se chorar.”

Doía. As lembranças dos beijos, abraços, brigas, desentendimentos, desavenças, reconciliações... Todas doíam como se enfiassem uma faca recém tirada do fogo em seu coração. Saber que, juntos, ambos conheceram o amor... Ela sentia-se inútil por não ter conseguido salvá-lo. Sentia-se culpada pela morte de seu amado.

– Você chama atenção. – Ele a beijou rapidamente, enquanto destravava a arma. – Te encontro naquela rua atrás da London Eye em duas horas. Não seja pega.”

Ela fora pega. Falhara. O perdera em uma vida, agora o perdera em outra. Queria que realmente pudesse ter mais uma chance, uma quinta vida. Orihime sentia-se profundamente arrependida de ter se declarado para Ichigo usando as palavras que um dia foram compartilhadas com seu único amor verdadeiro. O remorso a consumia, e tudo o que ela fazia era chorar. O queria de volta. Queria dizer-lhe que se lembrava, e que o amava.

Mas não podia. Era tarde. Ele estava morto. E ela, interiormente, também.

Xingou-se mentalmente por ter sido tão estúpida.

Ela sempre soube que conhecia aqueles olhos verdes de algum lugar.

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Sentada no batente da janela de seu quarto, Orihime observava a Lua Cheia, chorando. Ao seu lado, recortes de notícias de décadas atrás, sobre um assassino maníaco por corações e uma piromaníaca ruiva, que fugiu da cadeia botando fogo na mesma e depois foi encontrada abraçada com o corpo do serial killer. Ao lado, uma impressão que falava sobre a casa Ver Aprica, seus domínios e terras. Na mesma folha, pequenas passagens sobre a casa Saeva, sempre muito misteriosa e fechada. Muitas linhas falavam sobre a invasão ao castelo, o assassinato dos reis e o milagre que foi o nascimento do príncipe, criado pelo irmão da rainha Sunyli. Um pouco abaixo, recortes sobre a morte dos herdeiros da família Matsuri, habitantes de Karakura. Chocou-se ao ver como a tia dos garotos – sua tia- parecia-se com Matsumoto Rangiku. Os mesmos cabelos ruivos, os mesmos voluptuosos seios e os mesmos olhos marcantes... Seria Matsumoto sua tia de uma outra vida?

Orihime suspirou, olhando para baixo. O chão, tão longe, parecia chamá-la. Mas ela não pularia, jamais faria isso. Tinha a sensação de que, se o fizesse, Ulquiorra ficaria extremamente bravo e decepcionado com ela. Sabia, porém, que sua hora estava chegando. Pelas experiências das vidas passadas, pôde perceber que não vivia por muito mais que um dia depois que seu companheiro falecesse.

Pegou seu celular e começou a escrever mensagens para cada um de seus amigos, lágrimas rolando conforme as palavras surgiam. Sentiria falta de cada um deles, Tatsuki em especial.

Yo, Tatsuki-chan! Como você está? Perdoe-me se te acordei, só estou mandando esta mensagem para dizer que te amo muito. Você é a amiga mais maravilhosa que eu tenho, e eu não sei o que teria feito sem você ao meu lado durante toda a minha vida. Obrigada por cuidar de mim, secar minhas lágrimas, rir comigo e me fazer companhia em várias refeições deliciosas. Obrigada por me ajudar, me guiar e por tentar me fazer entender as matérias, principalmente matemática. Obrigada por aquele bolo de cenoura com morango e chocolate que você fez no meu aniversário ano passado, e por todas as vezes que me balançou naquele parquinho em frente à sua casa quando éramos menores. Obrigada por todas as memórias, e por se preocupar tanto comigo. As guardarei para sempre em meu coração, eu prometo.

Eu amo você, Tatsuki-chan. Arigato Gozaimasu.

Orihime riu pelo tamanho do texto que fizera, enquanto secava as lágrimas que escorriam por seu rosto. Mandou mensagens para Ishida, Sado e Rukia, mas foi escrevendo a mensagem de Ichigo que seu coração mais se apertou. Tristeza, saudade antecipada e, principalmente, arrependimento.

“ Kurosaki-kun, devo começar pedindo perdão. A essa altura, vocês todos provavelmente já leram minhas mensagens e estão confusos. Pois bem, saiba que todas essas mensagens tem um motivo. Como Ulquiorra se foi, tenho certeza de que em breve também irei. Não, não vou me matar, Kurosaki-kun. São apenas as regras da natureza. Devo pedir perdão por todos os momentos difíceis que te fiz passar. Me perdoe por levá-los até Las Noches para me salvar, sei que vocês se machucaram muito para me proteger. Não era, porém, necessário. Mas obrigada.

Sabe, eu sempre nutri um carinho muito forte por você, Kurosaki-kun. Por muito tempo, achei que fosse amor. Mas agora percebo, entre risos, que, realmente, não passava de admiração. Agora entendo o por que de ter tanta vergonha, nós realmente não nascemos um para o outro. Meu destino foi traçado desde o início, e você não estava incluído nele. Não no sentido amoroso.

Espero de coração que tudo continue bem por aqui. Com a Kuchiki-san, Uryuu-kun, Shado-kun, Karin-chan, Yuzu-chan, Tatsuki-san… Todos vocês. Só agora percebi o quanto os amo, e como sentirei falta de cada um de vocês. Por favor, fiquem bem. Levo vocês em meu coração.”

Apertar o botão de enviar doeu mais do que ela imaginou, e assim que a mensagem foi enviada o celular de Orihime começou a tocar. Tatsuki. Orihime, pela primeira vez, ignorou. Pegou um casaco e, suspirando, saiu de casa.

Orihime foi atropelada quinze minutos depois, em frente ao lugar em que encontrou-se com Ulquiorra pela primeira vez. Antes que pudesse ao menos raciocinar, estava morta.

A ruiva sentou-se ao lado de seu corpo, a corrente pendendo ali. Suspirou quando viu Ichigo e Rukia correndo em sua direção, chocados. E, dando seu melhor sorriso – mesmo que choroso- abraçou-os, sentindo pouco tempo depois o cabo da zampakutou de Ichigo bater em sua testa.

E então tudo ficou escuro.

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Na Rukongai, um casal se encarava de forma curiosa. Verde chocando-se com o cinza, que derrubava lágrimas e lágrimas a cada segundo que se passava. A ruiva arfou ao vê-lo estender a mão até ela e, antes que pudesse mesmo pensar, correu até ele, abraçando-o e surpreendendo-o. O homem passou os braços pela cintura da ruiva, acolhendo-a no tão esperado abraço enquanto afundava o rosto nos cabelos alaranjados da mesma e respirava fundo.

– Você sabe que em breve isso acabará e reencarnaremos, não sabe, mulher?

Ela assentiu, abraçando-o mais forte.

– Por isso quero aproveitar cada segundo, Ulqui-kun.

Ele riu, surpreendendo a garota, enquanto afastava-se para vê-la melhor. Orihime concluiu que ele ficava incrivelmente mais lindo sorrindo.

– Mulher, você é incrivelmente...

– Peculiar. Eu sei, Ulqui-kun.

Ele riu de novo, acompanhando baixinho a gargalhada da mulher ao vê-lo corado. E então, lentamente, enquanto o sol desparecia e a Lua –companheira inseparável e confidente insubstituível do casal- subia aos céus, Schiffer Ulquiorra e Orihime Inoue se beijaram. A garota riu, corando, quando se separaram e Ulquiorra encostou sua testa na dela, um sorriso delicado nos lábios.

Mulher peculiar.

Ele riu, mas aquietou-se ao vê-la abrir os olhos e olhá-la.

– Ulqui-kun... Você descobriu?

Ela não precisava dizer em palavras, ele sabia do que estava falando. O mistério que a cercava desde que vivia ainda com Katheryn. Pegou a mão da mulher e levou-a até a altura do peito, do lado esquerdo. Orihime sorriu.

Ele finalmente encontrou seu coração.

Notas finais
QUERIDAS! Me deram uma ideia por MP que eu achei até que legal. Sabe, se vocês prestarem um pouco de atenção (ou nem tanta, haha) vão perceber que tem alguns personagens de Bleach pelos capítulos. No primeiro, por exemplo, a Rukia-chan. No segundo, Rangiku-san. No terceiro, Toushirou-kun. A leitora que deu a ideia falou que eu poderia fazer one-shot's contando a história desses personagens, antes e depois da morte do nosso casal principal. O que acham? Ah, se quiserem, crio uma página no face pra ir avisando vocês de quando eu postar as ones. Mas só se vocês quiserem! Ainda temos um epílogo pela frente, então deixo as despedidas com ele. Obrigada pela atenção, amo vocês!