Adão e Eva e os filhos de Agarta. Terceira parte
5 A missão de Jesus
Notas iniciais
Quando Jesus chegou ao Egito, acompanhado de seus irmãos André e Simão Pedro, filhos de Maria e José, o Egito era mais uma colônia romana, com exércitos caminhando pelas ruas. Os romanos ocupavam todos os palácios fantásticos dessa cultura milenar e usufruíam com avidez das riquezas do reino. Os romanos arrancavam do Egito tanto o ouro quanto os grãos. O povo egípcio trabalhava para entregar sua comida ao invasor, e as pessoas morriam por causa da desnutrição.
A única coisa que restava do esplendor do Antigo Império eram as pirâmides e a esfinge, com seus tesouros ocultos. Durante o dia, elas eram olhadas de longe, com alguns caçadores de fortuna tentando encontrar entradas para essas pirâmides, com intuito de saque. De noite, elas cobravam vida. Outra vida. Pessoas vestidas de preto cruzavam o deserto ao escurecer e se comunicavam com luzes. Pouco a pouco, se juntavam entre as pernas da esfinge, e de repente, as portas se abriam. Um templo gigante recebia os homens como uma mãe recebe seus filhos. Homens e mulheres que tiravam o capuz e apresentavam o símbolo da cruz ansata. Quem não mostrasse o emblema, era retirado, e colocado num corredor para iniciar “as provas”.
Simon Pedro e André mostraram o símbolo e foram levados para o templo. Como Jesus não possuía nenhuma marca e nem sabia do emblema, entrou num corredor, onde tudo era tenebroso. Ele era escuro, com uma luz no final, cuja entrada possuía a tumba de um Farão. Junto do túmulo, havia estatuetas, esculturas e múmias ao descoberto. Ele começou a se arrepiar todo. De repente, uma voz invisível começou a interrogá-lo. Perguntou nome, lugar de origem, se sabia ou não da existência de Agarta, e principalmente se tinha medo da morte. Como Jesus falou que não temia falecer, ele foi entrando numa outra abertura, onde outra tumba estava esperando-o. Múmias olhavam para ele assustadoramente. Ruídos saíam das paredes como se elas fossem ganhar vida. Mais uma vez, vozes invisíveis perguntaram se ele estava com medo. Jesus falou que não. E entrou no terceiro portal, onde um Deus egípcio, cabeça de garça e corpo de homem, o recebeu. O Deus lhe perguntou se temia a morte, pois quem cruzava o umbral, teria que enfrentá-la todos os dias, pelo resto de sua vida. Jesus falou mais uma vez que não, e cruzou o umbral, onde uma mulher vestida de branco o recebeu. Pegou sua mão, e o fez caminhar até uma sala de luz azul tênue, em cujo interior 500 pessoas estavam em transe profundo. Quietas, uma ao lado da outra, sentadas no chão, com os olhos fechados.
Depois que Jesus foi acomodado, um mestre começou a falar sobre a origem do Universo, a origem do homem, enquanto a mulher vestida de branco acendia três velas, no centro do templo. Em seguida, foi pedido aos que estavam ali pela primeira vez, que se levantassem, para que os membros os conhecessem. Quando Jesus deu seu nome, várias pessoas abaixaram a cabeça, e sorriram. Mais um profeta que iria iniciar uma “nova era”. Pediram para que falasse, pois não havia nesse lugar um homem mais sábio do que ele, e além do que, ele era esperado fazia muito tempo.
Jesus nem sabia o que expor. Tossiu, pois era a primeira vez que ia discursar para a humanidade. Depois disse:
— Eu não estou aqui para filosofar, eu vim fazer a revolução. Não com armas, pois meu irmão tem essa missão do combate pela espada. Minha luta será com palavras contra os fariseus, sauduceus, e suas doutrinas estúpidas. Também vou cuidar da saúde do povo, alimentar, pois um povoado doente e faminto não escuta. Não pretendo escrever nada. Não quero levantar templos. Eu só vou deixar bem claro, e para a eternidade, que os sacerdotes, em todos os tempos, mentiram para o povo e contaram historinhas infantis, para subjugá-los. Quero que as pessoas mudem. Sejam bons pais, amantes com suas esposas e gostaria de terminar de vez com a estupidez do “pecado original”. E se vocês, com sua experiência mundana, puderem me mostrar como fazer tudo isso, eu vou agradecer muito.
Como essas pessoas não riram, Jesus agradeceu, e voltou a sentar. Continuaram a entoar cânticos, e finalmente essa sessão acabou.
Fora do templo, Jesus e seus irmãos foram levados para outro lugar. Um salão gigante, iluminado com lampiões, onde cientistas estavam tentando ressuscitar um morto. Jesus examinou o cadáver, ativara suas células nervosas, o coração, e a um piscar de dedos o defunto abriu os olhos.
Foi ali que ele finalmente foi aplaudido, abraçado, festejado, e viu com surpresa que também havia um banquete gastronômico, um pouco mais além, num outro canto. Mesas com vinho, pães deliciosos, frutas secas, empadas de queijo e batatas, que comeu faminto. Depois, foram conversas informais com sábios da Índia, da China, da Grécia, num encontro encantador onde se conversou até o amanhecer.
Simon Pedro e André voltaram para casa, enquanto Jesus iniciava uma inspeção ao mundo civilizado, a pé. Quando saiu do Egito ele atravessou o Istmo de Suez, cruzou o deserto da Síria, visitou a Mesopotâmia, serpenteou o Mar da Arábia, até chegar ao que hoje é Bombaim na Índia. Esteve em casa de 50 sábios, pois a Índia era o lugar onde a espiritualidade flutuava no ar. Em geral, os indianos eram pessoas sem ambição, sem cobiça, e aceitavam o destino com resignação. O costume estabelecido era meditar para apagar a dor da fome, e não sofrer por causa da falta de comida, ou, a falta de tudo, pois a Índia era extremamente pobre. A riqueza dos Sultões era exuberante, e os palácios grandiosos. Mas como ninguém reclamava por justiça, ou igualdade social, cada casta se misturava só entre ela. Rico casava com rico, pobre nem casava e tinha filhos em encontros casuais, que morriam na infância.
Os sábios indianos o treinaram sobre a temporalidade da vida.
Falavam: “O que era UMA vida, frente à eternidade? O que era o sofrimento, senão o amor a coisas banais? Por que o homem devia sofrer pela falta de ouro, ou pela falta de um teto, se ele possuía o amor? Olhar para o pôr do Sol era motivo de profunda alegria. Se um homem conseguia viver com essa felicidade, então a luta pelas riquezas estava descartada”.
Como Jesus só estava na Índia para escutar, nunca rebateu as filosofias dos sábios e fez o caminho de regresso, fazendo paradas em todos os vilarejos onde havia um “homem santo”. Antes da partida, esse Santo lhe dava o endereço do próximo sábio a ser visitado.
Os guias espirituais da Pérsia o treinaram na justiça terrena. Eles falavam que não havia que sentir aflição do homem mau. O castigo era um direito que cada homem justo tinha ao seu lado. Pecado era permitir que um assassino continuasse a matar. Se omitir, era crueldade. Fechar os olhos e ver o ladrão roubar, e não denunciá-lo era maldade.
E por último, ele leu tudo sobre a filosofia deixada por Zoroastro, guardada pelos sábios persas em lugares secretos.
Mas o último mestre Jesus encontrou-o em Jerusalém.
Um eremita, seminu, que mais parecia mendigo de rua, se atravessou no seu caminho, deu-lhe a mão, e lhe fez um sinal “secreto”. Um aperto de mãos diferente. Depois lhe falou ao ouvido:
—Este sinal vem diretamente do primeiro homem iluminado sobre a Terra, o grande faraó Akenaton, ou, Amenofis IV. Antes de expirar, ele deu o sinal para sua esposa Nefertite, que mais tarde ela deu a um escravo semita, antes de morrer. Desde então, este sinal é passado de um “profeta iluminado”, para um “escolhido”. Você é o selecionado para este tempo. A partir de hoje, você é o “Rei do mundo”. E deve passar o sinal para outro, e escolher seu sucessor quando estiver de partida, ou, frente a frente com a morte.
— E como é que os outros mestres vão saber que tenho o sinal?
— Telepatia, mestre. Use a telepatia. Vai ser escutado, mais ou menos por 300 gurus da Índia, 50 da Pérsia, 100 sábios da China, e todos os índios ligados com a espiritualidade.
Jesus teve vontade de chorar.
Abraçou o homem, que não era um mendigo, senão que era sua majestade em pessoa, o “rei dos reis”, até esse instante. E depois ficou olhando-o ir para o caminho empedrado. Ele tinha mais ou menos 150 anos e nunca estivera em Agarta. Como seu pai falava, a verdade estava sendo mais fantástica do que a mentira. Subiu em seu jumento e continuou a caminho da casa de Maria e José, em Nazaré.
E foi no meio do caminho que soube da morte falsa de João Batista e da prisão de Barrabás. Também fora informado que o movimento dos selotes continuava aterrorizando os romanos, pois João Batista era agora um “mártir”. E o mártir tem mais poder morto do que vivo. Os selotes matavam em nome de João, lutavam em nome de João, e em algumas outras cidades se estava levantando um ar de rebeldia. O Imperador Tibério estava deslocando tropas romanas para as fronteiras do norte, fortalecendo soldados no Egito, pois o medo de seus súditos, em redor, começava a roer.
Jesus e seus irmãos se juntaram em casa de Maria um pouco assustados. O inimigo possuía espiões em todo lugar. Seriam perseguidos em toda ocasião. Jesus seria provocado o tempo todo. Mas, de qualquer maneira, a hora de começar a falar era agora. Jantaram, beberam, e tomaram uma decisão, sairiam cedo em busca de mais gente para enfrentar os romanos. José então lhes deu uma lista, com nomes e cidades.
Jesus encontrou Tiago e seu irmão João o pequeno, pois era muito jovem, apenas 17 anos, em primeiro lugar. Depois foram até a casa de Filipe e Bartolomeu, de Tomé e Mateus e de mais um Tiago, mas com apelido de Tadeu. E, por último, se juntaram ao grupo Simão Cananita e Judas Iscariotes.
Quando Maria Madalena cruzou-se no caminho, pararam incrédulos. Na listagem não havia nome de damas. Muito menos belíssimas. João, o pequeno, gamou em Maria Madalena imediatamente. Junto dela, umas 20 mulheres, livres e desimpedidas, cismavam que necessitariam de ajuda feminina. Jesus abraçou-as, emocionado, e lhes pediu que se juntassem a ele no primeiro banquete ao ar livre. Realmente, iam necessitar de ajuda para repartir comida com os famintos.
Infelizmente, enquanto Jesus percorria as cidades se organizando com seus discípulos, José foi denunciado, preso e condenado à morte. Eva fez um buraco na prisão, e Adão o içou com a força do pensamento, para não acender o raio de luz de sua nave. Levou-o para sua casa, em Jerusalém, onde Maria e João Batista o estavam esperando. Em seguida, Eva lhe desintegrou todos os pelos da barba, e deixou-lhe os cabelos da cabeça curtíssimos. Adão o fez vestir roupa elegante de romano, e mostrou o novo homem para sua esposa. Sem barba, ele parecia um guri. Maria nem acreditava que tinha um marido tão lindo assim. Como José não entendia de que maneira Adão o retirara voando dessa cadeia falou:
— Mas necessito de uma explicação... Como é que saí dessa cela?
— Lembras-se de nossa fuga para o Egito quando Jesus ia nascer? Eu sou o guardião oficial dele e de João... Eu cuido deles e de vocês... Minha missão é essa...
— Mas tu nem pertences à Irmandade... E são pouquíssimos os grandes mestres que conseguem levitar no ar...
— Existe outra irmandade... Mas vou te apresentar a ela, depois da morte de Jesus... Morte de mentira... Igual à morte de João...
E começaram a rir e descontrair.
José ficou na casa de Adão, em Jerusalém, vestido com elegância, vivendo como homem rico, pois estava oficialmente desaparecido. Mudou também de nome, e soube dali em diante o que era viver como um romano.
Adão ficou ali mesmo, cuidando deles, pois Eva construiu um círculo de energia em redor dessa casa, para que nenhum soldado ultrapassasse. Eva e Adão tomavam banhos saunas, entravam na piscina, sempre sozinhos, pois Maria e José eram tímidos. Eles preferiam passear nos jardins, e nunca se deram um beijo em frente dos filhos e muito menos dos amigos. Assim que Eva sentava no colo de Adão, eles se retiravam encabulados. Sabiam que depois se beijariam e Adão a roçaria no pescoço. Eles mais pareciam romanos desavergonhados.
Enquanto isso, longe dessa residência de luxo, João Batista entrava no grupo de Jesus, disfarçado de mendigo, para socorrer o irmão. Ficava perto, fazia calar a multidão quando Jesus ia falar, e sempre caminhava atrás dele, vigiando quem chegava junto deles. Como um guarda-costas.
Jesus começou a chamar a atenção maciça do povo, quando chegaram à cidade marítima de Capernaum, nos confins de Zabulom e Naftali. Ele entrou numa barcaça com Simão Pedro, para pescar peixes e fazer uma festa. Encheram a barca, saíram para um lugar ermo, e começaram a fazer a fogueira e a descamar os peixes. Assim que Maria Madalena apareceu carregando panelas, respiraram com alívio. As mulheres fizeram sopas, peixe assado, e pão nas brasas quentes do chão. Quem chegava junto, era convidado a sentar na roda de amigos, para comer, e filosofar sobre a vida.
Em dias subsequentes, chegaram alguns doentes, que apareceram do nada. Um paralítico carregado pela família. Também chegaram alguns cegos, leprosos, que Jesus começou a curar junto com João Batista, irreconhecível com sua nova barba, seus farrapos e seus cabelos curtos.
E de repente havia uma multidão tão grande, atrás deles, que os soldados de Herodes apareceram para dispersar o tumulto, e levar Jesus para investigação pela primeira vez.
Foi interrogado, pois ninguém acreditava que ele era apenas um “homem santo” cuidando da saúde do povo. No palácio de Herodes Antipas, Salomé falava para o rei que o tal Messias só podia ser Jesus, irmão secreto de João Batista. Ela jurava que ambos eram iguais, idênticos. Embora o cabelo e a barba fossem distintos, tinham o mesmo porte atlético, a mesma força, e o povo os adorava. Enquanto isso, uma aglomeração enfurecida gritava nas ruas, pois o medo estava ficando fora de moda. Herodes Antipas não sabia do que é que podiam condená-lo, pois Jesus nunca fora visto matando ninguém, e não possuía nenhuma ligação com Barrabás nem com os selotes. Deixou-o ir para rua, onde o povo aplaudia em bando.
Em seguida, Herodes Antipas reuniu os fariseus, os sauduceus, e decidiram, em conjunto, espionar seus passos todos os dias. Ao menor insulto ao poder de Roma, ou agressão a um soldado, podiam matá-lo, sem julgamento. Teriam um motivo para calar sua boca.
Por esse motivo, durante três anos, Jesus e seus discípulos jamais saíram da linha. Apenas faziam caminhadas repartindo comidas, curando doentes, e falando coisas simples como era o bom comportamento, e o amor aos semelhantes. Jesus fez de tudo para seguir os passos de Gautama. Fazia as pessoas ficar em silêncio, e ensinou-as a rezar, para que o mundo espiritual os protegesse. Curou leprosos, cegos, ressuscitaram mortos, e nunca permitiu um castigo a uma pessoa por causas banais. Salvou mulheres adúlteras de serem apedrejadas, salvou crucificadas, prostitutas, e ignorava os fariseus e sauduceus que o espionavam todos os dias.
Nunca mais Jesus necessitou sair para pescar, e dessa maneira dar de comer a multidão. Homens ricos chegavam com frutas, pães, doçuras, oferecendo para Jesus e seus discípulos. Imediatamente, Maria Madalena pegava as doações, acendia o fogo e preparavam mais uma comilança, com as esposas de Simon Pedro, Tiago, André e voluntárias que chegavam aos encontros.
Desta maneira, Jesus e seus discípulos percorreram Galileia, Decápolis, Jerusalém, e sua fama se espalhou por toda a Síria. Escutar as palavras do mestre, os seus conselhos, já era suficiente para ser feliz. Os doentes o adoravam depois de serem curados. Filas e mais fileiras se formavam com paralíticos, cegos, que Jesus atendia um a um. E tudo teria sido perfeito se os espiões do inimigo não tivessem feito de sua vida um inferno.
Um dia, a paciência dele terminou.
Enquanto Jesus falava para a multidão espiões dos fariseus o interromperam, perguntando por que é que eles não respeitavam o sábado, como mandava a lei de Moisés. Jesus retrucou que jamais, nunca, Moisés escrevera, ou falara sobre tamanha burrice. Jejuar, fazer sacrifícios, se maltratar a si mesmo, não tomar banho, não trabalhar nos sábados, era invenção de fariseus ignorantes.
E as brigas de palavras nunca mais pararam.
Jesus levantava a voz, deixava os fariseus em ridículo público, a multidão aplaudia e vaiava os sacerdotes, e os espiões se retiravam com medo da agressão popular.
Mas no lá fundo o que mais incomodara os sacerdotes era o fato de Jesus não aceitar dinheiro de ninguém, e levar uma vida simples. Dormia ao relento, ou em casa de pessoas humildes do povo. Homens ricos lhe ofereciam ouro, agradecido por salvar uma pessoa da família, e Jesus recusava com ardor. E era mais, as sinagogas começaram a falir, pois a multidão não entregava mais o dinheiro para eles, e os comerciantes das sinagogas começaram a seguir Jesus. Averiguavam onde seriam os passeios do mestre e formavam filas nas ruas, onde o povo sempre comprava uma fruta, um pão, e carregava para o sermão, onde quer que Jesus fosse. Mas, sempre longe da vista do mestre. Certa vez, Jesus destruiu todas as mesas desses comerciantes, e os enviou de volta para as sinagogas, onde estava o lugar dos aproveitadores.
Quando os fariseus o provocaram perguntando por que não proibia o povo de dar dinheiro para Roma, Jesus explicou que não pagar impostos ia provocar uma grande matança. E dar ao César um pouco de ouro não fazia mal a ninguém. Havia que respeitar o poder de quem governava. Se algum dia a tirania romana sumisse, teriam que continuar pagando impostos da mesma forma, pois era assim que os governos sobreviviam. Mas dar dinheiro aos sacerdotes do templo era burrice, pois eles não passavam de um bando de golpistas. Terminou falando que vigário e trapaceiro faziam parte do mesmo pacote.
Pouco a pouco, um complô entre fariseus, Herodes Antipas e o governador romano Pôncio Pilatos, começou a se desenvolver em surdina.
Quando Jesus entrou em Jerusalém, durante os dias da páscoa, toda a cidade estava a sua espera. Uma fileira de gente se acotovelando, sem distinção de etnias, estava gritando seu nome, jogando-lhe flores ao ar com um fervor popular que jamais se vira, em nenhum canto do império romano. Sequer quando os generais voltavam de suas batalhas. Nunca tanta gente louvara assim uma só pessoa.
Mas no meio da aglomeração, espiões romanos vestidos humildemente, junto aos fariseus e sauduceus, estavam aos centos. Eles acompanharam a multidão, seguindo cada passo de Jesus e seus discípulos. Viram-no predicar para as pessoas, e no cair da noite entrar na casa de um amigo que os recebeu com uma festa. Um rico da cidade, um romano que devia a Jesus a saúde de sua esposa. Eles beberam, comeram, conversaram, pois havia um ar de trunfo no ar. Mas Jesus sentiu que alguma coisa estava errada. Aguçou os sentidos, colocou seu ouvido no chão e sentiu batalhões de soldados percorrendo as ruas em direção dessa casa. Saltou para cima de uma mesa e gritou para todos:
— Os soldados estão vindos nos prender. E vamos ser presos todos nós. Portanto saiam imediatamente, se escondam, e se perguntarem se me conhecem a resposta daqui para frente é não... A vida de vocês esta nessa sílaba. NÃO! Gravem-na bem. Nunca me viram e se for possível saiam de Jerusalém.
Simão Pedro perguntou:
— E nós, o que fazemos?
— A barba! Raspem os pelos e se disfarcem de romanos... Mas depressa... Por favor, quem puder trocar de roupas com meus irmãos, eu agradeceria muito...
Simão Pedro foi o primeiro a sair dessa casa, vestido de romano elegante. Atrás dele, André, Tomás, Tadeu, abraçados às suas esposas, que assim que alcançaram as ruas viajaram em direções diferentes. Jesus saiu abraçado com Maria Madalena, e depois se dispersaram. A seguir, Jesus pulou alguns muros, correu até um monte cheio de oliveiras, onde se escondeu entre as folhagens. Mas os espiões eram eficientes. Seguiram-no, e assim que a patrulha com 200 soldados armados os achou e interrogou, apontaram para o lugar das oliveiras.
Adão recebeu Simão Pedro na sua casa, suando e falando atropeladamente de tudo. Depois, chegou correndo João Batista, alguns essênios, para discutir o que deveria ser feito. Com certeza, Jesus ia ser condenado à crucificação. E ficaram todos em silêncio, cada um tentando achar uma saída.
João Batista foi o primeiro a falar:
— Deixem-no morrer... Depois, vai se tornar um mártir e a revolução continua...
José retrucou:
— Mas como o vamos salvá-lo da cruz?
Adão falou:
— Isso não é problema para mim. Eu o ressuscito desta vez, mas quero que os essênios consigam autorização para tirá-lo da cruz... Peçam por um enterro justo... Vocês têm poder junto a Herodes Antipas...
E assim foi feito.
Antes do julgamento de Jesus por Pôncio Pilatos, a autorização do enterro já estava nas mãos de Maria e José. Depois, junto com Adão, acompanharam a “via crucis” de Jesus, que teve que mostrar para os essênios, e para o mundo, que ele realmente não tinha medo da morte.
Enquanto caminhava carregando a cruz, Maria Madalena entrou no meio dos soldados e lhe estendeu a mão, quando ele caiu ao chão pela primeira vez. Jesus lhe fez o aperto “secreto”, e a partir desse instante deu o reinado da Terra para ela.
Disfarçado entre a peregrinação, João Batista conseguiu entrar a ajudar o irmão a carregar essa cruz. Cruzaram as ruas, sem conseguir caminhar direito, pois de vez em quando eram chicoteados nas costas. O povo ao lado chorava em coro. Os gritos das mulheres eram arrepiantes. O nome “Jesus” era gritado por todos os que estavam de perto. E teve mulheres que entraram no meio a cuidar do suor, refrescar com panos úmidos, desafiando os soldados que não paravam de dar chicoteadas.
Chegando ao alto do monte do calvário, Adão, vestido de general romano, seguiu de perto o trabalho dos soldados. Pediu que os ladrões, que estavam sendo crucificados junto, só fossem amarrados. Nada de pregos. E a seguir, leu as ordens da cerimônia destinada para seu filho. No momento em que os pregos começaram a ser cravado nas mãos de Jesus, Adão o hipnotizou e o fez dormir. No tempo da lança para destruir seu coração, Eva a desviou 8 centímetros. Adão então deu-lhe uma parada cardíaca, para que não sofresse mais.
Depois o desceram da cruz, lentamente, e deram o corpo para os essênios levar até as catacumbas.
Eva elevou suas ondas mentais e provocou a maior tormenta havida nesse lugar. Caía água que dava dor na cabeça e o vento fazia as pessoas cair ao chão dando cambalhotas. Tanto os soldados romanos quanto os curiosos saíram correndo que nem bando de ratos. Aos outros condenados, Eva os atendeu às pressas, pois estavam bem vivos. Desintegrou-lhes a cruz, as ataduras, e pediu para se esconderem bem longe.
Jesus voltou à vida na Base lunar, onde Eva lacrimejava, Adão choramingava, José e Maria soluçavam e João Batista estava pálido como folha de papel. Jesus abriu os olhos, e rindo, lhes falou:
— Estão no meu funeral? Ou como é que é?
E começaram a abraçá-lo, beijá-lo, e depois o carregaram, estendido numa cama, para Agarta.
Maria e José ficaram em Agarta “para sempre”. Eles receberam uma casa para viver, foram tratados com medicamentos para rejuvenescer, e ganharam mais 100 anos de vida. De vez em quando, Maria visitava sua antiga casa em Nazaré, pois ela estava oficialmente viva. João, o pequeno, chegava para cuidar dela. Também aparecia Maria Madalena, que era o contacto entre todos os profetas, a informá-la de tudo.
Quando recuperou totalmente sua saúde, Jesus adotou outra personalidade. Cortou e tingiu o cabelo, colocou lentes escuras nos olhos, e junto com Simão Pedro continuou a fazer a mesma coisa. O chefe agora era Pedro, mas trabalhavam juntos. Curavam doentes, repartiam comida com pobres, e Pedro repetia para a multidão as mesmas coisas. Os outros discípulos se dividiram para levar os ensinamentos mais longe. Como todos sabiam curar doenças simples, onde quer que eles viajassem, a multidão se juntava em redor, pedindo ajuda para alguém.
Quando Pedro e os amigos chegavam a Jerusalém, Maria Madalena sempre os estava esperando com as panelas prontas para o banquete, o vinho na mesa, o pão nas brasas, com ajuda das esposas e noivas dos apóstolos, que agora não eram mais os discípulos de Jesus, senão que os novos profetas da humanidade.
João Batista também adotou outra personalidade e junto com Barrabás, que saiu da prisão graças à condenação de Jesus, continuaram a infernizar a vida dos soldados romanos.
E pouco a pouco, a decadência desse grande império romano e do reinado de Herodes Antipas aconteceu. O rei Herodes Antipas morreu e foi sucedido no trono por Herodes Agripa, neto de Herodes, o Grande, filho de Aristóbulo, o irmão de Herodíade.
No lado romano o grande imperador Tibério foi assassinado por Calígula, que governou Roma apenas por um período de 4 anos. Ele era tão insano, que foi assassinado pelos próprios familiares e amigos. Depois, quem governou o Império foi Cláudio, tio de Calígula, que teve a péssima ideia de se apaixonar por Agripina, mãe de Nero.
E foi com Nero e com o reinado de Herodes Agripa que a revolução, entre os seguidores de Pedro, e o poder estabelecido, finalmente aconteceu.
Depois do incêndio de Roma, milhares de homens e mulheres foram arrastados no meio da noite, para ser levados ao circo romano. Bestas famintas começaram a ser trazidas para serem soltas na areia e comer os homens vivos. Nas ruas, Jesus, João Batista, Barrabás e os selotes tentavam proteger o povo, lutando com a espada, cara a cara com os soldados.
Em Agarta, Adão reuniu os melhores lutadores pedindo ajuda para entrar nas areias e defender os condenados aos leões. Centenas de estudantes se ofereceram, e disfarçados de gladiadores se infiltraram no circo romano. As mulheres davam de comer aos leões durante a noite, para que saíssem para a areia de barriga cheia. Os homens se introduziam nas celas, pediam calma aos condenados, e saíam junto para areia, para dar patadas contra soldados e gladiadores, pois os leões não matavam ninguém. Adão e seus filhos abriam as portas do circo romano, tiravam-nos em meio de combates sangrentos, e faziam verdadeiras guerras, onde soldados, gladiadores, e homens comuns se matavam sem pena.
Foi durante esses dias terríveis que todos os apóstolos de Jesus foram condenados à morte. Tiago foi surpreendido e decapitado, de surpresa, deixando todos aos prantos.
Maria Madalena foi advertida para fugir, através da telepatia. Ela imediatamente escapou para a França com João, o pequeno, que já não era mais o pequeno, se não o grande “Profeta João”, seu marido, e futuro companheiro de aventuras. No fim das contas, seria João que ficaria famoso através da história e seu legado cruzaria os milênios. Seria ele que deixaria para a eternidade o “Apocalipse segundo João”, onde se anunciava a reencarnação da própria Maria Madalena, de Jesus e de todos os apóstolos, no início da “Era de Aquário”.
Simão Pedro foi resgatado da cruz, por Eva e Adão, e levado para a Base lunar para ressurreição. Depois foram salvando um a um, todos os discípulos que conseguiram encontrar em condições de ressurreição.
E foi durante esses anos de revolução que Adão e Eva, junto a Gautama e sua mulher Yasodhara, foram chamados ao templo, na Base lunar.
Uma imagem já conhecida apareceu no grande “Espelho falante” e lhes sorriu. “00” lhes falou que estava na hora de descansar. Teriam que morrer, ter uma lua de mel de dois mil anos na Lua, ou no Sol, ou Marte, como espíritos, e deixar os destinos da Terra em mãos dos gêmeos Jesus e Paulo. Gautama podia escolher sua próxima reencarnação. Nascer como Gandhi, na Terra, ou encarnar numa outra dimensão universal. E ele pediu para nascer como Gandhi.
Adão e Eva esperaram o regresso de Malaqui para partir.
Jesus estava radiante. Parecia um noivo. Viu sua amada chegar à Base lunar, congelada que nem picolé, e ajudou Adão na volta à normalidade. Depois ficou com ela a sós, acompanhados por um robô que os alimentou durante 30 dias, sem interromper o reencontro do casal.
No dia que Adão e Eva partiram, Jesus ficou abraçado a José e Maria enquanto Felício e Ivani estavam enlaçados com João Batista ao meio. Também estavam ali Simão Pedro, e mais uns 5 apóstolos, abraçados nas esposas. Todos choravam, pois a dor da separação é algo com o qual nenhuma pessoa consegue lutar. O que mais doía era o fato de ter passado tão pouco tempo juntos. Adão falava para Eva que Felício cuidaria de mantê-los vivos e Maria e José os consolariam com carinho. Afinal, Maria e José nunca souberam que Jesus não era seu verdadeiro filho.
Quando a nave explodiu no meio do espaço, os gêmeos viram a luz brilhar no telescópio da base lunar. Além deles, havia mais gente morrendo. Depois, viram os espíritos vir dar-lhes o último adeus, através do “Espelho falante”. Adão e Eva, Nestor e Ana, Amon-rá e Noemi, que viveram o mesmo tempo e fizeram as mesmas coisas. Os seis abraçados riam do outro lado e Nestor estava mais do que feliz, pois os gêmeos tinham olhos azuis como ele.
Acenaram pela última vez e voaram para longe, onde outra vida estava pronta para começar.
Adão perguntou para o grupo de almas:
— Para onde vamos?
Nestor respondeu:
— Para “O mundo das cobras”... Estou louco por saber como estão meus condenados...
E a história dos homens-cobras já é outra história...
Fim
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