Notas iniciais
No dia das bodas, eles tiveram que tomar banho de vapor, com folhas aromáticas. Também os massagearam, colocaram uma roupa típica dessa tribo, e sentaram ao lado dos homens que escolheriam esposas. Ao som dos tambores, as virgens apareceram, desfilando, para que os homens olhassem para seus encantos, e depois começaram a dançar para mostrar seus corpos. Algumas ficaram na frente de seus escolhidos, e seus homens as puxaram para si imediatamente. Elas sentaram, indicando com isso que eles seriam marido e mulher. Metade delas continuou rodopiando na espera de alguém que gostasse delas.

Em Lemúria, mais uma turma de profissionais ganhava a medalha dourada num final de ano. Desta vez, eram acadianos, hititas, amoritas, sumerianos, chineses, maias, japoneses, tibetanos, cretenses, e celtas vindos do Mediterrâneo. Areti recebeu seu diploma em Medicina, junto com vários jovens de Atlântida. Por terem uma inteligência maior, os homens de Atlântida estudavam dois anos em um, terminando na metade do tempo dos homens da Terra. Muitos deles ingressavam nas pesquisas nos laboratórios, já outros aprendiam uma nova profissão.

Desta vez, Adão organizou uma despedida aos que partiam, falando um pequeno discurso. Nunca havia ensinado esgrima para homens tão magistrais. Os japoneses e os cretenses o haviam impressionado com sua agilidade, e lhes fez jurar que nunca lutariam ao serviço de um ditador. Sempre na defesa do povo e pela dignidade humana. Depois os abraçou um a um, e finalmente esses rapazes subiram numa nave para regressar a suas cidades, e iniciar uma nova época de prosperidade. Seriam eles os primeiros a levantar um palácio com conhecimento superior em todas as civilizações que estavam despontando pelo mundo afora.

Novamente, aconteceram muitos casamentos antes da partida.

Geralmente, a mulher viajava para a cidade do marido, mas desta vez havia exceções. Muitas cretenses conseguiram raptar seus maridos e levá-los com elas. Elas eram mulheres de caráter forte, lindíssimas e as maiores conquistadoras de homens nessa Escola. Atletas que incendiavam plateias em competições esportivas. E esses maridos foram com elas, para fazer de Creta a mais bela de todas as culturas da antiguidade.

Quando essa escola ficou sozinha, Abel se perdeu pelo mundo em busca de novos alunos para uma nova turma, Adão pediu que trouxesse mais rapazes das Ilhas do Japão, da Ilha de Creta, dos povos do deserto do Oriente Médio e das altas montanhas do Himalaia.

Nesse verão, Inês e Rama vieram passar as férias nas Ilhas do Pacífico, na Nova Papua Guiné, acompanhados do filho. Também Amon-rá e Noemi com o seu irmão Fernando Júnior, que nascera durante esse tempo transcorrido, peregrinaram pelas areias quentes desse verão.

E a conversa da família desta vez era quando é que Areti se apaixonaria por alguém. Eva ria, e dizia que não havia neste mundo um homem suficientemente lindo para ela. Areti corava até as orelhas, e aguentava firme a palhaçada da turma de piadistas. Olhava para os amigos de Atlântida, inteligentíssimos, lindíssimos, loiríssimos, mas, seu coração não batia por ninguém.

E entre conversas e piadas, Adão pediu para Amon-rá que assumisse como treinador de esportes gerais. Adão queria ser professor de espadas primitivas, nesse novo ano que se iniciaria. Os japoneses haviam lhe desenhado armas diferentes, mais pesadas, e Adão queria fabricar todas elas e começar os treinos. Amon-rá falou:

— Esporte? Eles vão se machucar...

— Vão lutar contra robô...

— Sabe o que isso vai dar? Um robô nunca se cansa, pai... Vão ser guerreiros que lutarão até a morte...

— Vamos parar a luta depois de 5 horas...

— Numa guerra a briga demora o dia todo. A adrenalina se encarrega de mantê-los vivos. Sem água, sem comida... Pai, esses guerreiros vão ser imbatíveis...

E riram descontraídos.

Quando o verão terminou, e todos regressaram a Lemúria, a vida continuou seu curso.

Apenas Inês foi para a Índia, deixando a família em meio das lágrimas. Eva e ela sempre davam show de lágrimas. E Areti se juntava ao trio.

Os alunos que chegaram com Abel, e que começariam os estudos pela primeira vez, foram recebidos com honra, e quem terminara o ginasial entrou na Universidade. E Adão começou suas aulas de espada feliz como garoto, enquanto Eva continuava a ensinar artes.

Mas, foi também na metade desse ano, que Adão recebeu uma chamada telepática de seu irmão Nestor, desde o planeta “V de BETA”. Ele voou para Lua, entrou no subsolo em busca do “Espelho falante” e a imagem de seu irmão lhe apareceu nítida. Ele estava enviando para a Terra seus três filhos, e mais uns 4.000 guris, em busca de esposas.

O boato da chegada dos “alienígenas casadouros” caiu nessa escola como uma bomba. Os homens que namoravam “alguém” se uniram em casamento imediatamente, para segurar suas mulheres. Quem estava sozinho, nunca mais conseguiu dar um beijo em ninguém, pois todas as mulheres queriam viajar para esse outro mundo. E em meio das tribos maias, adolescentes virgens eram enviadas às pressas para Lemúria a conhecer os visitantes. Afinal, todas eram instruídas, alfabetizadas, e lindas. As havia brancas de cabelos loiros, olhos verdes, que derrubariam o coração de um visitante com facilidade. Elas montaram acampamento em redor da cidade, pois dentro dela não entrava mais ninguém. Para desocupar dormitórios, metade dos alunos passou a compartilhar a cama com algum amigo.

A recepção a esses alienígenas foi emocionante.

A gigantesca nave estendeu pés metálicos, estacionando essa espaçonave por cima das altas árvores. Uma parte da floresta ficou escura com a sombra. A seguir um raio de luz branca apareceu e os rapazes deslizaram levitando na claridade, como folhas ao vento.

Um a um se apresentaram aos mestres, que estavam na primeira fila esperando-os. Atrás deles se apinhavam esticando o pescoço, todos os alunos dessa Escola. Ao redor desses alunos, e dentre eles, as índias maias faziam o mesmo.

Adão abraçou seus sobrinhos trigêmeos, emocionado, pois a última vez que os viu, eram criancinhas. Agora eram homens altos, fortes, que vestiam na moda de Atalanta, peito nu, calça de bailarino, medalha no peito e cinto com esmeralda na testa. Sílvio era retrato ao vivo de Nestor na sua juventude, ambos loiros de olhos azuis brilhantes, boca pronta para o sorriso. Miguel e Alexandre eram parecidos com Amon-rá. Morenos, olhos claros, e eram mais sérios. Miguel tinha olhos verdes, Alexandre azuis cristalinos, talvez o mais belo dos três irmãos.

Quando os trigêmeos foram apresentados à prima Areti, os três se apaixonaram a primeira vista pela prima. “Telepaticamente discutiram entre eles: — Eu a vi primeiro, ou, — Ela está olhando para mim”.

Areti nem percebeu que eram três irmãos, pois ela só viu um. Um varão cheio de musculatura, olhos azuis, cabelo loiro arrepiado, e um sorriso de anjo. Para cúmulo do incrível, ele nunca havia olhado para outra mulher daquela maneira. Ele estava ofegando só de vê-la.

Como todos os recém-chegados eram imensamente tímidos, o fogo primitivo dos terráqueos os assustou. Havia tanta mulher linda para escolher, que parecia um sonho. Cada visitante tinha umas três meninas entre 15 e 20 anos para se apaixonar, casar, e ser feliz para sempre. Difícil era saber por quem.

Os sobrinhos de Adão caminharam pelas ruas de Lemúria como os Deuses. Rodeados de gente que os olhava com admiração. Adão havia contado que eram ótimos lutadores, e invencíveis na esgrima. E novamente, as apostas começaram a correr, pois havia machos que queriam desafiá-los.

Mas, como eles só queriam namorar, Sílvio encostou-se à sua prima Areti como um grude, e não a soltou mais. Sentaram juntos no refeitório, falaram das famílias, da vida, e foram ficando cada vez mais alheios ao mundo em redor. Uma imperceptível áurea os rodeou, e se olhando nos olhos foram ficando como hipnotizados, encantados, flutuando no ar. Depois dançaram, riram, sem ligar para a bagunça generalizada desse lugar. Areti lhe contou sobre a cidade de Atlântida. E ao pôr do Sol, Areti o levou a conhecer a cidade subterrânea. Pilotou uma nave pequena, voou para o mar e dilatou as pupilas para afastar a passagem através das águas. Dentro da cidade, o levou conhecer o mato ao redor do lago e por último o convidou a nadar até a ilha, no centro dessa lagoa. E caíram nas águas com roupas e tudo.

A timidez do primo acabou logo. Estendidos sobre areia, rodeados de tartarugas, lagartos, e macaquinhos, Sílvio tentou o primeiro beijo. Areti, que nada sabia de sedução, e crescera correndo pelo mato com felinos, o abraçou ao pescoço e ficou por cima dele como uma onça. Uma gata quente, febril, que foi beijada pelo primo com uma língua que a enlouquecia. E foram beijando, e beijando, enquanto seus corpos mexiam e se esfregavam deixando que tudo acontecesse naturalmente.

Quando a luz artificial começou a iluminar o céu, no dia seguinte, estavam nadando, se refrescando, dispostos a continuar namorando sem pensar no regresso para Lemúria. Foi por isso que Sílvio foi invitado por Areti a fazer piquenique na Nova Guiné. Areti pilotou a nave em direção ao Pacífico, e desligaram todas as ondas telepáticas, para que ninguém os rastreasse e viesse separá-los. Poderia se dizer que desapareceram da face da terra.

Em Lemúria, Alexandre e Miguel, depois de quinze dias de convívio familiar, e com novos amigos, eram os únicos homens sozinhos. Todos os recém-chegados estavam namorando alguém, mas, eles apreciavam e olhavam as moças, e não encontravam ninguém sequer parecido com Areti. E foram se aconselhar com o primo Amon-rá, que lhes deu ótimos conselhos. Ele disse-lhes:

— Olha, eu sei que na África está cheio de negras, ainda mais pretas que minha irmã. Mas, o endereço exato dos Khoisans vão perguntar para meu pai. Eles são bem-educados. Estudaram conosco, e são a civilização desse continente. Ah, e não se esqueçam de explicar para o chefe da tribo, que vocês são virgens.

— Mas, para que, cara?

— Eles têm métodos de preparação especiais para homens virgens. Ensinam-lhes como se faz sexo...

— Não acredito... E se necessita fazer curso para isso?

— Eu diria que sim...

Alexandre e Miguel sabiam que o primo não era de se confiar muito, mas, depois que o tio Adão repetiu-lhes a mesma coisa, passo a passo, eles voaram sobre o mar, guiados por um robô piloto, que os deixou cair de paraquedas no centro dessa tribo. No peito, carregavam um tradutor de idiomas, para serem entendidos, e ao mesmo tempo saber o que os negros falavam.

Depois que os Khoisans souberam que eram sobrinhos de Adão, o povo simplesmente enlouqueceu. Foram carregados para o Lago Vitória para pescar, em seguida mostraram-lhes a Escola, os edifícios de pedra e tijolos, os ateliês de cerâmica, as esculturas de madeira entalhadas, sempre rodeados de homens. Assim que Alexandre falou que estava ali à procura de esposa, a coisa ficou mais barulhenta ainda. Havia 50 virgens isoladas fazia 20 dias, se preparando para o casamento. Várias delas já tinham seu homem escolhido, mas a metade estava disponível. Miguel e Alexandre tinham 5 mulheres cada um, para escolher. Mas, teriam que esperar a Lua cheia, quando seria a noite de núpcias de todas elas. Só as iriam conhecer naquela noite.

Miguel e Alexandre tiveram também que enfrentar o interrogatório do chefe da tribo, pois ele queria ter certeza que seriam bons maridos. E inocentemente responderam que eram virgens, e jamais haviam sequer beijado uma mulher.

Na festa ao redor da fogueira, eles comeram peixe assado nas brasas, biju de mandioca, frutas deliciosas, e até bolo de fubá, cuja receita as meninas aprenderam a fazer em Lemúria.

Tiveram que dançar com os homens, sem nenhum remelexo, pois eram péssimos bailarinos, e depois sentaram para ver a entrada das mulheres.

E foi ali que o sangue começou a ferver. Mulheres de nádegas empinadas, vestidas com pouquíssimas roupas e muitos colares, começaram a mexer o corpo na frente deles. Uma delas ficou em frente Miguel, e o convidou a segui-la. Como todos os homens alegavam que ele tinha que ir, ele se deixou levar até uma maloca, onde uma cama de peles macias estava no chão, com algumas velas em redor. Estendeu-se nessa pele, fechou os olhos, levantou os braços, pois era sua preparação para o casamento. Miguel sentiu que sua calça saía, seus sapatos voavam, e uma boca caiu por cima dele.

O apetite sem fim de Miguel e Alexandre nesse encontro amoroso, fez com que na outra noite, eles fossem retirados para as cabanas com 3 mulheres cada um. O que foi uma forma deles namorararem com loucura, com uma a uma, até o amanhecer.

No dia das bodas, eles tiveram que tomar banho de vapor, com folhas aromáticas. Também os massagearam, colocaram uma roupa típica dessa tribo, e sentaram ao lado dos homens que escolheriam esposas.

Ao som dos tambores, as virgens apareceram, desfilando, para que os homens olhassem para seus encantos, e depois começaram a dançar para mostrar seus corpos. Algumas ficaram na frente de seus escolhidos, e seus homens as puxaram para si imediatamente. Elas sentaram, indicando com isso que eles seriam marido e mulher.

Metade delas continuou rodopiando na espera de alguém que gostasse delas.

Miguel, hipnotizado por uma moça de 15 anos, que se mexia como uma cobra puxou os braços e atraiu-a junto dele. Alexandre olhou e olhou e escolheu a sua. Uma a uma foram selecionadas, sendo que alguns homens estavam elegendo a segunda, ou a terceira esposa, pois nenhuma fêmea dessa tribo podia ficar solteira a vida toda.

Os noivos se levantaram, receberam a bênção dos chefes, e todos os nativos fizeram uma roda ao redor deles, pedindo aos espíritos dos ancestrais para que os protegessem. Em seguida, um a um os casais foram se retirando para sua casa, a desfrutar da noite de núpcias.

Miguel não pôde enlouquecer desta vez, pois ela era virgem e ela nada sabia de sexo, sequer de beijos. Hipnotizou sua mulher, para não sofrer, lhe colocou um dedo na testa para não desmaiar, e caiu por cima como um troglodita. Seu irmão fez a mesma coisa. Na manhã seguinte, chamaram com telepatia o tio Adão, para que os viesse buscar.

O casamento dos 4.000 visitantes intergalácticos com as nativas da terra aconteceu durante 10 dias, no Ginásio de Lemúria, com cerimônias para 400 casais a cada dia. Com Abel como casamenteiro. Todas as noivas se vestiram de branco, e os noivos na moda do mundo deles, camisa sem mangas, calça justa, e uma capa nas costas até a cintura. Na cabeça, um cinto na testa com uma pedra verde.

Como a vida dos visitantes durava em média uns 300 anos, e a vida dos alunos de Lemúria também, morreriam de velhos sem enfrentar a viuvez.

Agora, olhando para Miguel e Alexandre, Adão achava que com certeza ficariam viúvos. Adão lhes aconselhou a buscar no “espelho falante” um mundo superior, e levá-las para fazer cirurgia equitativa. Sílvio respondeu-lhe sorrindo:

— Não sei não, tio. Eu acho que mais cedo ou mais tarde “00” lá no alto vai nos chamar para alguma missão.

— Não fala isso, não, pois esse sujeito escuta desde longe...

E começaram a rir.

A partida deles foi com lágrimas, pois estavam em Lemúria os parentes de todas as noivas. Havia pessoas chegadas da Ilha de Creta, dos desertos do Oriente, do Mediterrâneo, das Ilhas do Japão, casais que nunca mais veriam suas filhas.

Eva não parava de chorar, abraçada a Adão. Não havia consolo para ela, pois Areti se fora para outro mundo, bem diferente de Amon-rá que ficara no Egito e Inês na Índia. Adão jurava que iriam vê-la, e pedia inutilmente que parasse com o drama. Como não havia nada que a consolasse, deixou a Escola aos cuidados de Amon-rá, e partiu com ela para a Índia a fim de confortá-la com a companhia de Inês e do neto.

Enquanto isso, no “Mundo V de BETA”, Nestor e Ana não continham a emoção. Os filhos não quiseram mostrar as esposas no espelho, pois diziam que elas eram únicas. Nunca haviam visto uma pessoa como elas, em nenhum lugar do universo conhecido. Ana ria, e dava palpites. Só podiam ter cabelos azuis, ou verdes. E brincava para matar a ansiedade.

Quando a nave abordou no planeta “V de BETA”, três vezes maior que a Terra, uma multidão os esperava, numa cidade moderna, com edifícios bem parecidos com Lemúria, cujas vidraças refletiam o verde das matas, e que estava se expandindo no mato como uma aranha gigante. No centro estava a cidade mais velha, que Nestor levantara quando chegou nesse mundo. Depois se espalhavam em forma de pernas, cidades que enfileiravam uma ao lado da outra, se adentrando em meio da selva.

Nesta ocasião, Nestor levantara uma cidade na beira de um Lago, onde havia 4000 casas para os recém-casados, vários supermercados, uma Escola, um Ginásio de esportes, piscinas em todo lugar, rodeados de flores das mais diversas cores. E foi no centro dela que a nave estendeu suas garras metálicas, deixando a cidade em sombras.

Um a um os recém-chegados desceram. Eram homens que chegavam com esposas morenas, cabelos louros, olhos puxados, e no final, os filhos de Nestor com três “Deusas negras”, vestidas de princesas.

Nestor olhou para suas noras, sem poder acreditar. Mas, isso era pele, ou uma roupa por cima, para enganá-lo? E sorrindo, deu um beliscão em Areti e depois falou:

— Nossa! É pele mesmo!

Depois se abraçou nelas, rindo sem parar, pois eram lindas. Ana chorou uma lágrima, pois seria avô de filhos, que ninguém fazia ideia de que cores seriam. Em seguida, abraçaram japonesas, fenícias, acadianas, hititas, somalis, cretenses, e maias em cujo grupo algumas gurias tinham cabelos iguais ao dela, vermelhos cor do fogo.

Mas as recém-chegadas, por sua vez, haviam perdido completamente a ousadia, e nunca estiveram tão caladas e tão tímidas. Nesse mundo, seus maridos não tinham nenhum parente que esperasse pela sua chegada. Somente os amigos, e o irmão de Adão, que mais parecia o pai de todos eles. Nenhum homem velho em lugar algum. Nestor e Sílvio mais pareciam irmãos gêmeos do que pai e filho. Sua esposa Ana parecia mais jovem do que as noras.

Afinal, que mundo era esse?

E como autômatos se encaminharam para um Ginásio esportivo, cuja construção era igual ao de Lemúria. Redondo, três andares, piscina para competições, salas de luta, salas de esgrima com arquibancadas para assistir competições. Seria como estar em casa. Pelo menos nesse lugar.

Nestor levou seus filhos para morar na cidade mais velha, onde havia uma mansão para cada um, bem pertinho de sua casa.

Ana organizou um festão, ao redor da piscina de casa, com música, danças, em cuja festa suas noras perderam finalmente a timidez. Natália e Zezé, junto com Areti, tocaram os batuques trazidos da África, para mostrar como era a música na Terra. Como ninguém sabia como se dançava, elas também fizeram demonstração. Depois tudo foi bagunça, pois os homens desse mundo entraram no ritmo selvagem. Ana se emocionou. Finalmente, a alegria havia inundado esse mundo. Suas maravilhosas noras haviam realizado o milagre, que ela nunca conseguira. Fazer esses homens sentir a excitação da alegria. Olharam para cara de seus filhos, fascinados pelas esposas, apaixonados até a alma. Nestor estava radiante. Nunca se divertira tanto, e olhando para o futuro, só encontrou felicidade.

Nos anos subsequentes, as terráqueas finalmente entendiam os mistérios dessa eterna juventude. Estudando na Universidade, souberam da história desse mundo. Na verdade, seus homens eram sobreviventes de uma guerra mundial, cuja supervivência foi milagrosa, graças ao resgate deles no meio de bombardeios. Não havia filme sobre o Holocausto, apenas desenhos. Nestor e Ana eram guerreiros de outro mundo que chegaram para salvar seus maridos. Ainda havia um número pequeno de adultos e velhos, que viviam isolados nas Ilhas, e com os quais se visitavam de tempos em tempos.

Apenas Areti, que lia na cabeça de todo mundo como livro aberto, soube da verdade. Seu maravilhoso pai Adão havia matado a maioria desses sobreviventes das Ilhas como formigas. Sentiu um arrepio. Era filha de um assassino.

Para desvendar o mistério dessas mortes, Areti pediu a Sílvio para levá-la ao “Espelho falante”, pois nele se podia ver o passado, ou o futuro, através da telepatia.

Areti ficou abraçada ao marido, pedindo para as almas do outro lado da vida, que lhe desvendassem os mistérios do passado desse planeta. E viu como num filme de horror: “Ela própria e Sílvio, lado a lado, fugindo de soldados armados. Depois, unidos a um grupo de uns 300 pacifistas eram fuzilados com armas de fogo. Eles haviam sido assassinados, por lutar pela liberdade”. Depois, viram coisas piores. A chegada de Nestor com as naves espaciais, as bombas atômicas explodindo e terminando com a vida de 99, 99% da humanidade, e o recolhimento heroico das crianças em meio dos bombardeios. Presenciaram o resgate e a sobrevivência de adultos feridos, que foram evacuados para as Ilhas. A maioria desses sobreviventes havia morrido de câncer. Adão só havia ajudado a natureza. Em lugar de morrer em 30 anos, em meio de dores terríveis, haviam morrido em 30 dias e sem nenhuma dor. Dos que se salvaram dessa mirada mortal, metade eram homem e metade fêmeas. Casais que trabalhavam pouco, pois os robôs cuidavam que nada lhes faltasse.

Depois, eles se abraçaram, chorando. Eram filhos de heróis. E ambos haviam sido, antes de morrer, heróis de uma batalha perdida. Mais calmo, Sílvio falou:

— Será que a gente se amou nessa outra encarnação?

— Não sei! Mas você me abraçou... Isso você fez...

— Jure que nunca mais vai sequer olhar para outro homem...

— Eu jamais olhei! Minha mãe já estava de cabelos em pé. E meu irmão então, ele falava que eu tinha mania de ser virgem...

— Sabia que eu nunca beijei outra mulher?

— Acho ótimo... Meu soco direito mata, sabia?

E começaram a se descontrair. Em seguida, Areti se estendeu no chão e pediu:

— Me engravide, meu amor...

— Com prazer, minha querida...

Depois de nove meses exatos, nasciam os gêmeos de Areti, brancos, loiros, olhos verdes, retratos fiéis de Sílvio e de Nestor, que receberam o nomes do avô Adão e do bisavô Moisés, de Atalanta. Frente ao “Espelho falante”, Areti mostrou seus filhos para Adão e Eva na Terra, que choravam abraçados.

Zezé e Natália não tiveram filhos. Elas viajaram com Miguel e Alexandre para outro mundo, num roteiro de lua de mel de muitos anos, e a fazer uma cirurgia de eternidade. O resto das terráqueas deu a luz filhos de pele branca, com os cabelos mais diversos, loiros, vermelhos, ruivos, castanhos, pretos, alegrando ainda mais a vida desse povo.

Com o passar dos anos, os costumes da Terra mudaram a vida desse outro mundo.

As escultoras levantavam monumentos gigantes junto aos edifícios, ou em meio de praças públicas, as pintoras enfeitavam muros, as musicistas formaram conjuntos musicais e orquestras. Enquanto a música alegrava as festas, as atrizes inventavam o teatro, com peças que faziam chorar a todos, e a culinária fazia também uma revolução. O nutriente alimentar de Lemúria cativara Nestor, pois era diferente. Mais saboroso, pois era a base de mandioca. Além do nutriente, as terráqueas ensinaram fazer o biju, as batatas recheadas, os pastéis de queijo, as lasanhas, o arroz com ervas finas, e o macarrão dos chineses.

Mas o melhor de todo era a mudança dos sentimentos. As mulheres da Terra com seu fulgor contagiaram os pacatos maridos, e os converteram em homens que as raptavam cedo para cama, e só as deixavam dormir ao raiar do Sol do dia seguinte.

No dia em que Caim chegou do mundo “W DE BETA” com mais de 100.000 crianças entre 1 e 7 anos, resgatadas no meio da neve, todas foram adotadas por esses casais, na corrida.

Nestor olhou para o tumulto das adoções, emocionado. Lembrava-se do passado quando ele próprio fez o mesmo com todos eles, resgatando-os da morte.

Afinal, esses homens haviam sido como esses meninos, sobreviventes de uma cultura que não soube cuidar de seu mundo. E agora, se haviam apaixonado por essas crianças, retratos fiéis deles mesmos.

Notas finais
Com o passar dos anos, os costumes da Terra mudaram a vida desse outro mundo. As escultoras levantavam monumentos gigantes junto aos edifícios, ou em meio de praças públicas, as pintoras enfeitavam muros, as musicistas formaram conjuntos musicais e orquestras. Enquanto a música alegrava as festas, as atrizes inventavam o teatro, com peças que faziam chorar a todos, e a culinária fazia também uma revolução.