Advertência

9 Capítulo 9 — Bruna


Notas iniciais
Está aí o capítulo da semana :D Espero que você curta! Comente!

Todo dia, sem falta, saía da escola e seu primeiro impulso era seguir direto ao primeiro andar de Pyr. Sentia isso desde antes de entrar para a escola. Na verdade, tinha essa sensação desde que se entendia por gente.

Nunca contou para ninguém sobre esse estranho sentimento. Era uma atração muito forte, mas, ao mesmo tempo, algo dentro dela não deixava que se aproximasse de lá. Como se fosse um alarme de segurança apitando alto em sua mente.

Bruna estava acostumada com coisas estranhas acontecendo consigo, mas sabia que esse sentimento de empuxo não era comum, então não compartilhava esse segredo nem com sua melhor amiga.

Além dessa sensação, de vez em quando, geralmente quando estava distraída, Bruna tinha vislumbres de homens altos, fortes e com máscaras aterrorizantes. Quando era pequena, chorava toda vez que via um — às vezes apareciam em maior número, mas era muito raro —, e não sabia expressar seu medo a seus pais. Por fim, acabou se acostumando, e não se assustava mais.

Porém, durante os últimos dias, Bruna estava ao menos curiosa.

Dois dias antes, saíra da escola e notou logo que o empuxo não estava mais atraindo sua atenção para o primeiro andar de Pyr e sim para a floresta.

Nunca tinha pensado em ir para a Grande Floresta. Nem sabia se isso era possível. Ninguém saía de Pyr. O que estava acontecendo? Será que tinha algo a ver com o ataque ao hospital e a fuga para a floresta? Não poderia ser tanta coincidência assim.

Primeiramente ficara perdida. Era uma sensação nova e muito forte. Sentara em um dos bancos da pequena praça que havia em frente à escola. No horizonte, com o sol se pondo à esquerda, dava pra ver um pedaço da floresta, mas a maior parte da vista era tomada pelo céu. Logo anoiteceria e tudo viraria um grande mar negro. A única coisa que diferenciava o céu da floresta era que nesta não havia estrelas. Se não fosse isso, a sensação toda noite seria de que flutuavam em espaço aberto.

Depois de pouco mais de meia hora, Bruna conseguira colocar a cabeça em ordem, seguindo para casa. Mas o estranhamento permanecia.

O empuxo prendeu novamente a atenção de Bruna quando esta descobriu sobre uma grande manifestação que estava acontecendo nas ruas do hospital.

Correu para o telefone e ligou para o apartamento de sua melhor amiga.

— Alô.

— Jessyca? Ouviu o noticiário sobre a manifestação que está acontecendo?

— Aham.

Bruna estranhou. Jessyca não costumava ser monossilábica dessa forma. Decidiu continuar mesmo assim.

— Eu não sabia que tinha tanta gente que queria sair de Pyr…

A amiga não respondeu, então Bruna voltou a falar:

— Eu preciso conversar contigo. Me encontra? Por favor.

— Acho melhor não. Estou ocupada agora. Não pode esperar pra conversar comigo na escola?

Bruna quase perguntou se era mesmo Jessyca quem estava do outro lado da linha, mas não queria iniciar uma discussão.

— Eu estou mesmo precisando conversar agora. Posso ir na sua casa? Prometo que vai ser rápido.

Jessyca demorou mais tempo do que Bruna esperava, mas respondeu.

— Tudo bem. Pode vir.

Ainda não entendia bem o porquê, mas Bruna estava decidida a não deixar mais o empuxo perturbar sua mente, e para que isso acontecesse, precisaria seguir o caminho que ele indicava.

Com a pressão popular, provavelmente os arquitetos liberariam os portões da pirâmide, e essa seria sua melhor chance de resolver seu problema. Só precisava saber que não estava ficando louca, por isso se dirigia à casa de Jessyca.

De qualquer maneira, Bruna já havia se decidido a sair de Pyr.

Notas finais
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