Notas iniciais
Olá, essa é a minha primeira One shot baseada na saga dos Herois do Olimpo, espero que tenha ficado boa. Essa fic não foi feita com base na leitura do O filho de Netuno, pois eu não li ainda. Boa leitura!

Ele olhava diretamente para mim, com os olhos queimando em minha pele, o sorriso sarcástico brincando nos lábios. Sorri para ele, dando uma mordida no canto dos lábios, a música era alta, e ecoava pelo ambiente, tremendo todo o salão enegrecido pelo céu frio e escuro da noite. A lua se destacava no alto da janela de vidraça tão límpida quanto o ar, sua imagem refletida no chão de mármore do hotel.

–O que faz aqui, Valdez? –minha voz saiu rouca. Ele se aproximava em passos lentos tão charmosos quanto eu lembrava de a ultima vez que nós nos conhecemos.

–Uma filha de Baco... –comentou o homem, com os longos braços dentro dos bolsos da calça. Sorri mais abertamente, encostando meu quadril contra a enorme pilastra que sustentava o prédio abandonado. -Você mudou...

–Faz muito tempo, querido. –sussurrei quando ele encostou seu corpo contra o meu, o corpo musculoso e forte atritando contra meu rosto. Ele era muito mais alto do que, seu braços me impediram de escapar de toque. Ergui meu queixo, fitando-o com malicia, meus lábios batendo em seu queixo anguloso, ele deu um meio sorriso.

–Tentadoramente sensual...

–Pena que você me trocou... –falei amarga, arrastando meus lábios em sua pele áspera, a barba bem feita exalava poder e libido. Mordi seus lábios, sugando-os de brincadeira. Ele gemeu. –Como sabes que eu sou filha de Baco?

–Eu sou filho de Hefesto, Lisa... –respondeu o menino, pressionando a pelve em minha cintura, meu corpo bateu na pedra devagar, a música espanhola continuava a tocar como plano de fundo das nossas caricias proibidas. Soltei uma gargalhada divertida, mordendo sua pele do pescoço, degustando do aromas de ferro e amêndoa. Gemi, agarrando seu pescoço de modo possessivo, suas mãos fortes desceram pela minha cintura, apertando minhas coxas.

–Não devíamos fazer isso, Valdez... –provoquei com um gemido fino em seu ouvido. –Somos opostos... Eu sou uma romana...

–Os opostos se atraem, não sabes disso? –perguntou ele, seus olhos castanhos brilhando com a luz do luar que penetrava no ambiente, deixando tudo mais complicado para ela. O perfume dele inebriava seus sentidos, causando arrepios pela sua espinha. Ele riu baixinho com a minha falta de reação. Fechei os olhos quando seus lábios caminharam pelo meu colo desprotegido pelo decote do vestido. –Precisamos de ti...

Abri meus olhos, chocada, afastando-o. Ele me fitou assustado quando o empurrei com raiva.

–Você voltou, por quê? –questionei furiosa, indo em direção ao meu material de dança. Ele me agarrou pela cintura, obrigando-o a olhá-lo. O sorriso sacana brincava pelos lábios grossos e sedutores,tive vontade de acertá-lo com um murro –Por que está rindo? Irei enlouquecer você, seu idiota...

–Você já me enlouqueceu uma vez, Lisa... –rebateu ele, misterioso, apertando seus dedos no meu braço. Sua pele era tão quente que eu podia sentir um pouco de queimação com seu toque brusco, dei um passo a frente, grudando meu corpo contra o dele sem desviar de seu olhar lascivo sobre meu corpo. Sorri irônica, agarrando seu maxilar com as unhas cravando em sua carne. Ele não dispôs a sentir a dor, apenas me fitava com intensidade como se aquilo fosse apenas uma cócega.

–Não me teste, filho de Hefesto... –ameacei. Minha raiva por ele ter sumido de minha vida depois de uma noite tomara conta de mim. Era uma manhã linda, quando acordei nua em meu quarto do apartamento com uma mensagem da minha inimiga, dizendo que tinha ganhado o meu prêmio. Meus poderes antes adormecidos no meu subconsciente despertaram de maneira selvagem. Cada parte do meu corpo recebendo pequenos choques de motivação. Eu queria a loucura dele, a morte de seu bom senso...queria vê-lo sofrer pelo que tinha cometido comigo. Senti seus músculos do peito se retesarem com a sua força para não deixar eu penetra sua mente tão sã. –Sente isso, Valdez?

–A única filha de Baco com o dom da loucura...realmente surpreendente! -gargalhei maldosa, mordendo seu queixo, sem tirar os olhos dele. As veias da têmpora pulsavam com nervosismo e dor...a minha pequena vingançinha em sua mente. Seu pomo de adão subia e descia assim como seu peito arfou quando o pressionei ainda mais em sua mente, fazendo pequenas modificações em seus nervos.

–Dói, não é? –murmurei, manhosa. Agarrei sua gravata de modo possessivo, e o puxei para mais perto do meu rosto, seus olhos cravados no meu. Nossos lábios podiam selar em um beijo ardente como o meu coração pedia. –Saia daqui antes que eu lhe enviei para o hospício!

Empurrei o homem agonizando no chão, as mãos na cabeça e o corpo tremendo com o desgaste cerebral. Minha respiração se perdeu ao sentir meus pés saírem do chão. Leo tinha se recomposto rapidamente, pegando-me pelos cotovelos, e me arrastando até a grande mesa de mármore. A música continuava como trilha sonora de nossa pequena tortura, meus olhos o fuzilavam. No entanto, meu ódio se dissipara quando vi atrás de si as paredes pegando fogo, um fogo tão intenso que poderia nos matar a qualquer momento senão saíssemos dali.

–Leo...

–Você não é a única que tem segredos, Lisa... –a voz rouca dele saiu fria e seca, meu corpo se arrepiou completamente. Eu estava indefesa novamente, sentada com os braços para trás das costas, as pernas desnudas completamente aberta para o corpo enorme do filho do deus. Eu estava perdida. Deixei um gemido escapar dos meus lábios ao olhá-lo profundamente, não havia somente o fogo crepitando ao nosso redor, mas os olhos deles fumegavam. –Preciso de ti...

–Não precisa, seu filho de uma... –A nova música tocando era o tango, a mesma música a qual eu e ele tínhamos dançado na primeira vez que conhecemos. Ele abriu um sorriso, suas mãos soltaram meus braços, descendo até minha cintura, puxando meu corpo contra o dele com brutalidade.

–O que disse? –perguntou ele, seu tom era perigoso. –Quer dançar, Lisa?

–Nós vamos morrer carbonizados, Valdez... –falei, apavorada com o progresso da invasão das labaredas que lambiam as paredes e as cortinas de veludo do salão.

–Responda-me... –ordenou ele, por entre os dentes. Encarei-o com nojo, e flexionei meu joelho, levantando minha perna para dar um chute em seu peito. Ele se aproveitou da brecha, e agarrou minha perna no ar, seu flanco deslizando pela mesma até chegar perto da minha feminilidade. Arfei quando ele me tirou do chão, colocando-me na postura de dança, minha perna entrelaçada em suas ancas. –Dance...

–Nunca... –gritei, raivosa e empurrando seu tronco, desvencilhando de seu braços fortes, a blusa de manga chamuscada pelo fogo. Dei-lhe as costas e fui em direção a saída, meu corpo fora arremessado para trás quando uma nova parede de labaredas se materializou em frente a porta. –Deixe-me sair, seu monstro!

–Monstro? –debochou o homem, sua imagem era perturbadora pelos reflexos de luzes negras e vermelhas compondo o teto abobadado do lugar. Ele tirou o paletó do terno, e foi até o som, voltando novamente a mesma música que chegava ao final. –Mostre-me como se dança um tango, Lisa.

Engoli em seco, apertando meus lábios fortemente para não cair no choro. Tinha deixado o acampamento romano havia alguns anos, e não fazia idéia que aquele menino de anos atrás era um semideus igual a mim, só que um grego.

–Maldito grego... –vociferei. –Eu te odeio.

Ele revirou os olhos, e levantou o braço para que eu pegasse sua mão. A música era sensual e cheia de batidas exóticas que possibilitava a mulher liberar sua feminilidade e seu encanto, através dos movimentos suaves e belos. Caminhei até o filho de Hefesto, arrastando devagar meu salto fino pelo piso de madeira corrida, meus quadris rebolando com o som. Podia sentir os olhos de Leo queimando sobre meu corpo, ele me puxou para si quando o alcancei. Nossos rostos a poucos centímetros de distancia, meu corpo suava junto a ele quanto mais aumentávamos nossos movimentos pelo salão quente e escuro. Não falávamos nada, era apenas os sinais de nossos desejos mortais se manifestando naquele momento, nossas mãos atingindo lugares proibidos, apertando e sugando a energia um do outro. Tango era minha especialidade...uma música que transbordava paixão...

A música chegou ao fim, meu corpo colado ao dele, minha perna sob suas costas e seus lábios colados ao meu, pegando fogo, gemi agarrando seus ombros em um aperto desesperador. Suas mãos ásperas me reergueram do chão, nossos lábios conectados, nossas línguas dançando em um ritmo hipnótico, o cheiro de fuligem e suor se misturavam ao erro cometido por dois semideuses tão diferentes entre si. O medo, a loucura, o fogo do amor e a pecaminosa proibição do envolvimento entre dois impérios.

Afrodite.

–Como isso pôde acontecer? –questionou Hefesto, incrédulo. Sorri vitoriosa pela cena que se desenrolava em frente aos nossos olhos. Os deuses pareciam ultrajados, alguns pareciam divertido ao verem a cena. Dionísio não parecia nada bem ao ver sua linda agarrada ao filho de Hefesto. Todos viraram os olhos para mim, como se eu fosse a culpada por tudo aquilo. Na verdade, eu era realmente a culpada por aquilo.

–Afrodite, isso causará mais mortes, você sabe o quanto é frágil essa linha tênue entre o ódio e amor dos gregos contra os romanos. –Zeus me acusou, batendo no trono, fazendo a sala estremecer sobre sua ira.

–Por favor, não me olhem assim... –falei, entediada. –Nós sabíamos que um dia, eles se encontrariam. Duas almas tão poderosas e fortes não conseguiriam ficar a sós nesse mundo. Eles deveriam se encontrar, era o destino. Assim como os Romanos conquistaram o povo grego, subjulgando-os ao seu puro e irremediável poder de supressão e superioridade, assim o amor também faz. Mas de modo mais sutil como aconteceu ali.

Os deuses fitavam — me chocados pela minha explicação, revirei meus olhos e levantei-me do meu trono, ajeitando meu vestido vermelho, ainda olhando para a cena congelada dois dos semideuses se beijando.

–Deixe-os amarem...pelo menos, até que a morte chegue, Zeus. –falei séria. Fitando cada deus presente naquele momento. –A guerra está para chegar, e a única coisa que eu posso proporcionar aos dois é o puro amor para a desgraça não acometa a todos dentro desse psicótico mundo.

Minha voz ecoou amarga pelas paredes da sala, e o silêncio viera como uma onda sobre a reunião. Sustentei meu olhar duro e frio aos deuses, e logo depois sai da sala acompanhada pelos olhares.

–Eles não podem ficar juntos, Afrodite... –Hera me impediu de sair, empertigando seu corpo no trono e recobrando seus sentidos. –Eles são dos pólos distintos.

–Quem decide sobre isso não é você, cara Hera... –rebati, mantendo meu tom o mais calmo e claro possível. Lançando um olhar irritado pela sua petulância. –Eu que sou a deusa do amor, afinal...

Ela piscou desconcertada, batendo a boca sem emitir qualquer som, logo depois se pôs a fechar a boca e olhar para o marido para que ele pudesse ajudá-la com os argumentos, mas Zeus apenas encarava o chão, pensativo.

–Retiro-me da reunião. –anunciei. O amor é ser feliz ao lado daquela pessoa, mesmo que esta seja completamente diferente de ti, pois as diferenças são apenas o complemento da alma de cada ser.


Notas finais
Espero reviews! Obrigada a todos e beijinhos :*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!