Minha mão estava sobre meu abdômen que agora sangrava, quando caí sobre a viatura acabou que um pedaço de vidro cortou meu abdômen estava sangrando muito então tirei a camisa e pressione ela sobre o abdome, o hospital mais próximo seria a um quilômetro dali, eu tinha que chegar pelo menos em meu carro para ter uma chance de chegar ao hospital.

Andei me arrastando ralando o braço direito contra a parede e toda vez que revezava a mão na ferida, que colocava a mão direita contra a parede a manchava de sangue, eu estava perdendo bastante sangue, mas pelo menos estava evitando bastante com a ferida sendo pressionada por um pano, mas ainda sangrava, a camisa agora era vermelha, vermelho sangue, eu tinha perdido uma das camisas que eu mais gostava, o beco era imenso, quando sai, eu avistei outra entrada, antes de atravessar a rua minha visão escureceu e eu caí.

“Tudo acabou aqui? Assim? Desse jeito? Morto por perda de sangue? Por um erro bobo? Vou morrer por ser arrogante? Por querer ser melhor do que eu sou? Será que meu ego me matou? Vou morrer assim tão cedo? Mal fiz dezoito anos direito, mal vivi, e já vou morrer. A morte é Assim? Indolor, eu já não sinto mais nada!” Eu pensava, ainda não tinha apagado, não sentia mais dor, mas não tinha forças para me manter em pé, mal tinha forças mais para enxergar, mas eu não ia morrer ali, eu senti uma última vez meu corpo sendo levantado por alguém, minutos depois eu sentia minha pele ser costurada, sentia a dor de minha pele perfurada pela agulha do soro, e umas horas depois estava com os olhos abertos, com minhas roupas, e meus acessórios em uma mesa ao lado, e meu braço preso a uma bolsa de sangue, dentro de um quarto de hospital, não enxergava direito, mas escutava o som de televisão e de Passos Nervosos repetidamente de um lado para o outro, a mesma quantidade de passos, e depois vozes, e foi aí que consegui enxergar direito.

A algazarra começou sentadas ao lado da cama em diferente cadeiras estavam minha mãe, minha irmã e Sheila. Em pé andando de um lado pro outro agoniado estava Daimon, e de braços cruzados olhando pra mim na porta estava Jackson, não sei em que hospital eu estava mas devia ser uma merda, para permitir tanta gente em um quarto de paciente em descanso.

Sheila e minha mãe iam fazer um fuzuê quando o Jack fez um sinal para as duas não fazerem barulho, e em seguida deu um tapinha nas costas do Daimon que suspirou aliviado após ouvir um “Eu te disse! Ele ia acordar, e ele tá bem, esse desgraçado sempre melhora!”.

Dessa vez eu tinha me ferrado muito, fui informado por minha mãe que a enfermeira falou que cheguei ao hospital acompanhado de uma mulher, e minha mãe sabia quem era essa mulher mas não queria me falar, eu perdi muito sangue, se demorasse mais alguns minutos eu estaria morto, o vidro estava ainda lá quando cheguei ao hospital, e graças a minha movimentação o vidro cortou mais profundamente, me ferindo mais, aumentado a perda de sangue.

Eu quase morri dessa vez, e essa seria a última.

– Pessoal, sei que todo mundo tá feliz e puto com o Tyler, quer saber o que aconteceu, quer falar com ele, mas posso falar com ele a sós por um momento?- Falou o Jack se aproximando de mim com um olhar sério.

Todo mundo entendeu que era importante, então saíram se problemas e sem brigas.

– Não vou fazer rodeios, nem enrolar, você ta fodido, e precisa fugir o mais rápido possível, não apenas do hospital, mas da cidade também.

– A gente fez merda em meu aniversário não foi?

– O problema é, sua ficha é suja, você tem uma Puta ficha na polícia, imensa, vários motivos pra ser preso, mas você era menor, agora adivinha, você chegou a maioridade, já tem dezoito, a polícia bem atrás de nós três, eu você e o Daimon.

– Você e o Daimon vão aonde?

– Eu e o Daimon nos entregamos, meu pai paga a fiança e fazemos uns trabalhos comunitários, mas sua ficha é suja de mais para, favores que devem a meu pai a mim, para fiança, e trabalhos comunitários, você tem que fugir, e não pode esperar sair do hospital, tem que sair antes. Você vai explicar antes a todos e vai embora, seu carro tá atrás do hospital, fiz questão de roubar suas chaves e ir buscar o carro.

– Você é um irmão pra mim Jack!- Tirei o soro de meu braço e comecei a me trocar.

Depois todos chegaram em meu quarto novamente, demorei um pouco para explicar tudo a todos, no início minha irmã e Sheila não aceitaram, até que minha mãe falou algo do tipo “Eu te amo filho, e se isso é necessário adianta, vai logo!” então elas se tocaram que não era uma escolha.

Eu saí do quarto, sem a enfermeira ver, passei pelo corredor em direção contrária da que deveria ir, Assim ninguém reparou muito, eu subi as escadas até o topo do prédio, meu abdômen ainda doía, mas já estava muito melhor.

Chegando lá em cima peguei o elevador e desci para o estacionamento, onde estava uma viatura, provavelmente a polícia estava ali pra me prender, mas eu tinha driblado todo mundo, desci do estacionamento, e pronto estava fora, fui até meu carro, e vi que minhas roupas, coisas estava tudo ali já no porta-malas, o Jack era um amigo foda, minha despedida não foi das melhores, mas agora não tinha mais volta, só seguir, então como sempre dirigi.

*****

Já tinham se passado umas três cidades, eu já estava aliviado, pensando em uma vida nova, quando escutei o som de uma viatura, um policial fazendo sinal com o braço para eu encostar, eu ia acelerar o carro quando percebi o que estava acontecendo eu estava cercado, tinha duas viaturas mais a frente fechando a rua e policiais armados fazendo sinal para eu sair do carro, então eu saí, com as mãos na cabeça me ajoelhei no meio da rua, muita gente me observava, um policial se aproximou por trás com algemas, e outro por minha frente com um fuzil direcionado ao meu rosto.

– Tyler Foster, você está preso por destruição de propriedade pública e direção perigosa, você tem direito, a um advogado, se não poder pagar por um, o estado irá ceder um ao senhor, tudo que falar poderá e será usado contra você no tribunal…- Eles falaram todas as merdas, e sim eu fui preso, eles me queriam preso a um bom tempo, e agora conseguiram.