Adrianne
3 Capítulo 3
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A festa no ginásio não parece muito especial, apenas colocaram várias luzes coloridas que se mexem e piscam uma bancada com bebida e outra que fica um rapaz de olhos meio puxados, administrando a música. Há bastante alunos, me pergunto se houve autorização de diretor, mas sacudo a cabeça, esquecendo a pergunta, tenho que me divertir não ficar pensando se tem ou não autorização, se não tiver. Alem do mais, eu não tenho nada a ver com isso, fui convidada, concordo com minha conclusão e olho para Beatrice.
− Por aqui, acho que eu vi uns caras que conheci hoje. – assinto e sigo-a, desviando das pessoas, que dançavam pulavam. Deduzo que já estudam aqui há um bom tempo, calouros geralmente ficam mais fechados nos primeiros dias, pelo o que percebi. Vejo um rapaz da minha sala, penso em ir cumprimentar, porem não falei com ele, não ainda. Ele tem cabelos lisos escuros e bem rentes a sua cabeça, seus olhos são bem escuros também, seu físico parece ser bem definido. Ele me olha, sorri e levanta o copo. Desvio o olhar e procuro Beatrice. Não foi difícil de acha-la, ela esta apenas uns metros na minha frente. Lembro-me de Johanna, queria muito encontra-la. Espero que ela tenha sido convidada.
− Onde estão esses caras que você conheceu? – pergunto ao chegar perto dela.
− Estão logo ali. – ela aponta para um canto, e vejo Matt e mais um amigo dele que não conheço, ele tem cabelos um pouco compridos e extremamente lisos, ele é alto e magro, não muito. Admito que ele é bonito – Quero que você os conheça, só para constatar você pode escolher.
− Verdade, você namora. – lembro-me – Por que você anda conhecendo outros caras? Seu namorado vai ficar com ciúmes. – brinco. Ela ri. Beatrice puxa minha mão para chegar mais perto deles.
− Essa é Anne rapazes, Anne: Percy e...
− Matt. – interrompo – Nos conhecemos mais cedo.
− Você ta ótima Anne. – fala Matt. Em resposta solto um sorriso.
− Vocês querem alguma coisa para beber? – pergunta Percy.
− Seria ótimo. – diz Beatrice, empolgada. – Vai com ele Anne, já que você já conheceu Matt.
Dou um olhar de advertência para ela e me viro para acompanhar Percy.
− Matt me disse que você esta fazendo medicina.
− Sim, estou. Você faz direito com ele? – pergunto.
− Não. – ele ri – Faço culinária, sou colega de quarto de Matt.
− O que chegou cedo no dormitório e sumiu?
− Esse mesmo. – diz ele – Beatrice é sua colega de quarto?
Concordo com a cabeça, e fazemos nosso trajeto ate a mesa das bebidas em silencio, passando entre as pessoas. Percy dava uns empurrões para abrir espaço, ele parece ser um daqueles caras que fingem ser durões para conseguir a garota.
− De onde você veio? – pergunta Percy ao pegar um copo.
− Lincoln. – respondo pegando outro copo.
− Não é muito perto. – comenta – Também não é muito longe. Sou de Chicago mesmo.
− Conhece muita gente aqui? – pergunto, fazendo sinal para a galera da festa. Ele balança a cabeça positivamente.
Ao encher os dois copos ele anda para o lado ao contrário onde Matt e Beatrice estão não entendo, porém o sigo. Andar pela multidão enlouquecida é um pouco difícil, percebendo isso, Percy oferece sua mão, aceito sem hesitar. Percy me leva até um dos cantos do ginásio. Não consigo formular se confio nele ou não, ou se gosto dele ou quero manter a distancia.
− Beatrice e Matt devem estar nos esperando. – lembro-o.
− Beatrice estava eufórica para apresentar você a mim e a Matt.
− Isso eu sei. – digo.
− Qual quer momento que passamos sozinhos ela vai ficar feliz. Garanto-te. – Percy levanta seu copo como um brinde e bebe, eu faço o mesmo. Eu não acabo toda a bebida, que tem álcool, sem duvida tem. Percy vira, parece não ter sobrado nada. – Não esta acostumada com bebida?
− Minha mãe nunca gostou muito, mas vi-a bebendo quando acontecia algo ruim. Então a acompanhava. – falo, dando os ombros, de fato isso acontecia.
Eu pego o copo e viro, não queria ver sua reação. Assim que volto, ele pega meu copo, amassa-o e larga-o no chão. Ele se inclina para me beijar. Eu não o impeço. Seus lábios eram gentis, dava vontade de beijar sempre mais, Percy aperta minha cintura para ficar mais colada nele, ele levantava-a, para tocar minha pele. De repente lembro-me do que Liv me disse sobre os garotos. Então eu empurro-o.
− Desculpa... Eu... – falo procurando palavras certas.
− Não devia ter te beijado. – admite Percy – Eu que peço desculpas.
Entre nos fica um silêncio constrangedor. Tento me concentrar nos outros alunos se divertindo.
− Anne, tenho que admitir, você beija muito bem. – eu dou uma alta risada. Ele faz o mesmo.
− Obrigada, eu acho. – penso em elogiar seu beijo, porém me impeço de fazer isso. – Acho que é melhor eu indo.
− Não, que isso. Você mal chegou. Fica mais um pouco, por favor.
− Se me beijar, juro que vou.
− Me beijar é tão ruim assim? – faço cara feia para ele – Tudo bem. Não vou te beijar, a não ser que você me peça.
− Vai sonhando. – falo entrando no meio da multidão. – Você vem?
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Andando pelo meio dos alunos, Percy me pegava tentava tirar uns passos de dança comigo, e conseguia, com sucesso. Até que chegamos onde Beatrice e Matt estavam. E como já era de imaginar, eles não estavam mais lá. Agora estava aquele garoto da minha sala, encostado na parede conversando com uma garota loura.
− Eu disse que não precisava se preocupar com os dois. – sussurra Percy ao meu ouvido, eu dou uma risada e volto para o meio da multidão.
− Ei! – o garoto da minha turma me puxa pelo braço, de forma que eu não fugisse dele caso não tivesse escutado – Adrianne certo?
− Sim, pois não?
− Agente tem aula juntos. – isso é claro, lembro-me perfeitamente dos treze rostos que estudam comigo. – Sou Adam Schultz.
− Ah! Oi. – digo sem jeito – Agente se vê amanha na aula.
− Claro. – diz ele rindo.
Me viro, sem acreditar no que aconteceu, mas continuo andando, tentando fingir que nada aconteceu.
− Adrianne? – pergunta Percy, tinha até esquecido dele – Achei que seu nome fosse Anne.
− Anne é apelido. Adrianne é um nome meio difícil, Anne é bem mais fácil. – explico.
− Isso você tem razão.
Olho para Percy e dou um sorriso duro. Tento olhar Adam entre algumas pessoas, ele esta olhando para mim e Percy. Fico um pouco nervosa. Começo a mover meus pés depressa empurrando as pessoas para ir ao meu dormitório, único lugar que quero estar agora. Escuto Percy me chamando enquanto me afasto, o que já espero é que ele me segue. Me sinto horrível por ter beijado Percy, por mais que o clima entre agente tenha ficado normal depois. Penso em Adam levantando o copo quando cheguei, lembro dele agora me chamando de Adrianne, e depois dele me olhando. Quando me afasto do ginásio Percy me puxa e põe as duas mãos no meu rosto, ele estava preocupado.
− Anne olhe para mim. – diz ele com a voz urgente – Você esta bem?
− Estou. – digo sem expressão. – Só preciso de ar puro.
− Você quer voltar? – pergunta.
Balanço a cabeça negativamente.
− Tudo bem. Vai ter muitas festas ao longo do ano, então tenta não sair correndo das próximas correndo. – eu coroo. – Eu te acompanho até seu quarto.
− Não, tudo bem. – falo, realmente quero ficar sozinha.
− Então te acompanho uma parte do trajeto. – fala ele decidido. – Vou para o meu quarto também.
− Vai se divertir. – peço – Não precisa ir para seu quarto ficar sozinho.
− Então eu vou ao seu contigo. Ai eu faço companhia para você, e você a mim. – sugere.
− Percy eu... – realmente quero ficar sozinha. Por alguma razão essas palavras não saem de minha boca.
− Tudo bem. Você para seu quarto, eu para o meu. Entendido.
Caminhamos nos corredores devagar e sem trocar palavras, muitas vezes deixo Percy me guiar, não estou acostumada com os corredores de Whotepier. Amanhã depois da aula descido que vou andar no prédio, vai ser bom saber ir para vários lugares daqui sem precisar de um guia. Vou convidar Johanna explorar o prédio comigo. Johanna. Não a vi na festa. Será que ela não foi convidada? Ou será que ela não quis ir? Acho que ela talvez não tenha sido convidada mesmo, ela estava muito confiante de si com o cabelo acertado e penteado. Acredito que até o final do semestre ela já vai estar normal, sem roupas estranhas, cuidando do cabelo de devido modo.
Balanço a cabeça, tentando me concentrar nos corredores, e nos passos ecoando pelo prédio. Acho que estamos quase perto dos dormitórios. Acho que conheço essa parte.
− Bem, o meu quarto é para esse lado. – fala ele apontando para sua direita. – Se quiser ir comigo eu deixo ainda.
− Percy...
− Anne... – olho para ele fazendo biquinho. – Acho que o seu deve ser para lá.
Ele aponta para a direção oposta.
− Espero que seja. – admito – Eu me viro. Agente se vê.
− Boa noite Anne.
− Boa noite Percy.
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Acho meu dormitório com certa dificuldade, talvez eu esteja apenas confusa por causa da noite, pois hoje mais cedo eu o encontrei tranquilamente. Pego algumas roupas mais confortáveis, não queria amassar o vestido. Depois de me trocar deito na minha cama, agradecida de ter me livrado do salto e dos brincos, não sou muito acostumada com esse tipo de acessório. Ponho meus óculos sob o balcão e tento relaxar na cama. Tentar ser uma nova Anne é totalmente um fracasso, sempre fico com essa minha mania de fugir de garotos que demonstram algum interesse em mim. Prometo a mim mesma que na próxima vez não fugirei, irei agir como Beatrice ou como qual quer garota.
Eu tento ajudar Johanna a ser uma garota como qual quer outra, mas percebo que eu mesma não consigo ser assim, como eu iria ajudar alguém desse jeito? Me sinto um pouco culpada por estar tentando ajudar Johanna.
O que não sai da minha cabeça é Adam e nossos poucos momentos, não sei o que eu tenho para pensar tanto nele, eu beijei Percy, devia estar pensando nisso e não conseguindo parar de pensar nisso. Amanhã terei que ver Adam, não sei como eu reagirei na frente dele, nem se ele vai fazer algum comentário sobre o jeito que sai do ginásio, torço que não. E Percy, talvez veja amanhã ou não, mas eu e ele estamos acho que amigos, mesmo nos temos nos beijado.
Afasto todos esses pensamentos, não pensar no meu primeiro dia aqui, não pensar em como foi o dia de Liv, apenas relaxar e tentar dormi e se preocupar com o dia seguinte. Tenho que acordar cedo, pois a minha primeira aula já são às oito horas.
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