Adotado
29 Capítulo 29 - Armadilha
Notas iniciais
Antigamente em Adotado:
Eu estou apaixonado. Isso é mal. Mas eu gosto. Eu a amo. Não tem pior morte do que gostar do veneno que te mata.
Adotado – Capítulo 29
P.O.V. Daniel
Acordar e saber que você sonhou com a pessoa que ama é muito bom, mas saber que essa pessoa também sonhou com você é melhor ainda.
Me arrumo para a escola, já perdi o café da manhã. Os meus mais novos amigos estariam lá. O Bartolomeu e o Thiago. Mas não me apresso, não vou chegar a tempo do café, mas pelo menos eu vou falar com eles antes de entrar na sala. Falar da Stef.
Depois de tomar banho, fazer a higiene e me arrumar. Vou para a cozinha e pego duas fatias de pão de forma e vou indo para a porta.
— Pode parar, aí. Mocinho. Sente e tome seu café. É a principal refeição do dia e você não vai perdê-la – minha mãe fala, ela tem a síndrome da mãe coruja, socorro.
— Mãe, já peguei pão.
— Não só de pão viverá o homem – ela diz. Eu fico meio confuso.
— Você está lendo a bíblia? – Pergunto
— Não, ouvi isso em algum lugar – ela fica confusa também e eu tento andar para trás, rumo a porta – pode volta, se senta e tome seu café da manhã direito.
Bufo e me aproximo da mesa, sento e faço meu pão ter uma fatia de queijo no meio.
— Vou pegar o café – minha mãe fala, levanta e se encaminha para a cozinha. Pego uma fruta e saio correndo, fecho a porta rápido demais e ela bate muito forte. – PELO MENOS LEVOU UMA MAÇÃ?
— SIIIM – grito e saio andando para o ponto de ônibus.
Os ônibus saem em dois horários diferentes. As 07:40, o horário que eu estou agora, e mais cedo para o pessoal que toma café na escola. Só fui uma ou duas vezes tomar café na escola. Mas não gostei, por isso, tomo café em casa. Ou não tomo café de jeito nenhum.
Como meu pão e a fruta, esperando o ônibus, sentado no banco do canto, o mesmo banco de sempre. Termino e jogo o resto da maçã em alguma grama. Ali perto. Abro minha bolsa e pego um maço de cigarro que ganhei de um amigo, tem uns 4 cigarros dentro. Pego e procuro meu isqueiro que eu deixo na minha bolsa... Droga, eu devo ter deixado na casa da Stef quando fumei lá.
— Isqueiro? – Uma garota diz e eu me viro, ela acende o isqueiro e eu acendo meu cigarro.
— Obrigado – falo e trago, solto a fumaça e a olho – eu te conheço, você é a...
— Hannah – ela fala, pega um cigarro do maço que está na minha mão e acende. Traga e solta a fumaça. – Você estava na festa da Stef também, não é? Me lembro de você, você pegou a Stef. Não tem bom gosto
— O que você está falando? Stef é linda – eu digo, guardo o maço e me viro para ela de novo – e você estava pegando o Thiago, ele é problemático. Ouvi falar. Você não sabe escolher.
— Eu só estava me aproveitando, não é nada. – Ela traga e eu também – mas no seu caso, você poderia escolher entre várias garotas naquele inferno que as pessoas chamam de escola. Tem umas que ficam de olho em você, tipo eu – ela morde o lábio ao falar. Sorrio.
— Aposto que você olha para qualquer garoto – digo
— Só para quem vale a pena olhar – ela ri. Eu trago e olho ao redor. Não tenho nada com a Stef, ainda, porque não? Penso. Me viro para ela e me aproximo mais. Ela olha para mim e nos beijamos. Percebo a mão dela no meu corpo descendo e apertando no meu membro, excito, me afasto e a olho. Ela não tira a mão de lá e morde o lábio.
— Você é louca, menina – digo e o ônibus chega, ela tira a mão. Levantamos e entramos. Tinha um pessoal dentro já. Quantas pessoas devem ter visto a cena? Não sei e não ligo.
Não pode entrar com cigarro no ônibus, então trago mais uma vez e jogo a guimba fora. Hannah faz a mesma coisa e entramos no ônibus. Sentamos lado a lado, eu do lado da janela e fico olhando para fora.
— Então – Hannah começa – o que você tem com a Stef? Não deve ser nada sério, você me beijou.
— Não é nada sério ainda – falo
— Ah... ainda... conheço você mais que ela, mesmo você explicando para ela esse seu “ainda”, ela não vai aceitar você ter me beijado, ou ter deixado eu te apertar – a olho – o que? É verdade
— Você está exagerando, eu não trai ninguém – digo, me defendendo
— Aposto como você vai perder a Stef e a amizade com o Thiago. Ele tem uma queda por mim, uma queda que vai fazer todos se virarem contra você. – Vaca, penso outros xingamentos que não merecem ser falados. – Então, desiste logo, você fez uma burrada que ninguém vai te perdoar, que triste, não?
— Você é uma prostituta barata, eu te dei um cigarro – suspiro — Quanto quer para ficar de boca calada?
— Só preciso que me ajude com uma coisa, não vai gastar nada. Quero que leve a Nicole para sua casa. Entendeu?
— O que? Porque eu vou levar a Nick para casa? Ela tem namorado, cara – eu falo. Droga, me meti em uma boa agora, penso.
— Não quero que a estrupe, seu idiota. Quero que a leve para sua casa, quero falar com ela. Tem que arranjar um jeito, depois. Eu esqueço tudo que aconteceu mais cedo – suspiro novamente. Chegamos a escola e eu a olho – vai fazer?
— Eu tenho escolha? – Pergunto
— Não – ela ri e sai do ônibus. Eu vou atrás, desço do ônibus e a vejo caminhar rebolando para dentro da escola, ela consegue tudo o que quer, pensei. Mas eu também consigo.
Continua...
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