Adotado
7 Capítulo 7 - surpresa no fim
Notas iniciais
Adotado – capitulo 7
Acordei numa maca de hospital, e ao redor cheio de gente. Vi a minha família, meus amigos e um médico. Aos poucos eu recuperava as coisas simples, como ouvir.
– ele está bem – o médico falava – pegou uma virose, mas pode ir pra casa. Já passei os medicamentos. O suco de uva que ele tomou estava infectado, Mas como ele já se encontrava no hospital, não houve nenhum risco.
– Thiago? Me escuta? – mamãe me perguntava – está vendo isso? – e fazia sinais com as mãos
– mãe, foi meu estomago, eu não estou cego nem surdo! – eita angustia, queria sair daquele hospital. Tentei me sentar, mas meu cérebro disse “VOLTA A DORMIR, DESGRAÇA” e fiquei tonto de novo. Quase cai, mas meus pais me seguraram – eu quero ir pra casa!
– ok, vou ligar o carro, vem vindo! – o pai disse, recuperei meu corpo e fui andando devagar...
– Thiago, eu... – Dav falava nervoso
– depois eu falo com você, David – eu disse caminhando devagar pra porta e sem olhar o rosto dele – agora não dá, eu não tenho estomago pra isso – trocadilho bacana, não acha?
– mas é que... – ele tentava falar
– David, para! – Stef disse
– quer saber? – falei – mãe, vou já! – pedi pra mamãe me deixar e ir, ela concordou – o resto do pessoal, por favor, vaza! – tentei ser gentil... tentei. E o pessoal foi saindo devagar. Até a Isa sair – fala
– te juro que não foi eu cara, eu não sou um cara fdp, foi ela. Ela que me beijou! – ele disse e por mais da raiva que eu teria dele, ele não é de fazer isso.
– sei – falei sem reação
– é sério – ele dizia – você me conhece, sabe que eu não sou disso.
– sim – eu disse, me lembrando do sonho – sabe... eu sonhei com a Nick
– com a Nick? – ele parecia surpreso – como foi?
– ela corria de mim, acho, e gritava “irmão” – a conversa meio que chegou num ponto sério
– irmão? – ele pensava – a Nick é bem obsoleta
– sabe o que significa obsoleta? – comecei a rir
– não – ele riu – mas eu quero parecer inteligente!
– meio impossível – disse – é seu sonho de carreira parecer inteligente? – ri alto
– talvez! Quem quer saber?
– sua mãe que não é! Mas o inteligente sou eu...
– então o que é obsoleta? – pra mim parecia um desafio
– não sei, não sou uma enciclopédia. Mas não é do verbo obsoletar. – ri – tenho que ir. Descansar mais ainda. Falou. Te mando mensagem depois
– beleza! Ah, concentração na casa da Vih pra comemorar mais um sobrinho – ele disse – as vinte horas, talvez a gente madrugue
– ótima ideia – falei e fui saindo do quarto.
Cheguei no carro já ligado e ninguém perguntou nada, só estavam alegres pela Isa que participa da família agora. Fomos pra casa, só me lembro de deitar e apagar, mas nada.
E o mesmo sonho me atormenta, agora um pouco diferente, era um lugar bonito. Cachoeiras e rios transparentes, quase difíceis de ver. Outra coisa diferente é que a Nick me enfrentava, não deu pra ver o que tinha em suas mãos, me dava medo assim mesmo, gritava novamente “irmão”, dessa vez com raiva. E chegava mais perto... mais perto... até eu perceber que ela tinha uma lamina em suas mãos, ela me atacaria com uma espécie de espada, a levantou a lamina em cima de mim, des....
Acordei, assustado, parecia ser de tarde. Olhei meu celular e realmente. Já era 16:00 horas. Vasculhei pra ver se tinha alguma mensagem não-fútil aqui! Depois de um tempo, percebi que não almocei, lanchei ou comi nada hoje. Me lembro só do suco de uva de ontem. Que estava querendo sair pra fora hoje.
Não me pergunte como foi no banheiro, estou desidratado e sem um pingo de fome. Fui na cozinha pegar agua, eu ainda tonteava algumas vezes, nada do que se preocupar. Nunca tive uma virose, ou seja, é um desafio pros meus glóbulos brancos. Tomei a agua, que não quis ficar dentro também! Correr pro banheiro seria trágico, já que eu não chegaria. Desculpa bolça da mamãe.
Minha mãe me mataria? Seria uma possibilidade imensa. Ligar pra Vih me acalmaria
Vih alô?
Eu: Vih? Sou eu! O Thiago!
Vih: tua voz está bem estranha, Thi!
Eu: eu sei, nada do que eu tomo nem bebo entra! Coitada da bolça da mamãe!
Vih: eu te mataria se fosse ela
Eu: ela se mataria se fosse você
Vih: engraçadinho. Vai ter festa de dormir aqui em casa, traz teu colchão e nada de suco de uva
Eu: suco de uva é minha vida, eu largo suco de uva se larga o Ross
Vih: que o suco de uva te mate por dentro
Eu: que o Ross vire viado, ah, esquece... – ri
Vih: brinca com o cão pra tu ver viu? Hey, e a Hannah? – a voz dela ficou séria der repente
Eu: o que tem ela? – acompanhei
Vih: vocês dois, o Dav’s
Eu: estou de bem com eles
Vih: que bom! Posso convidar a Hannah então?
Eu: ... não sei, você que sabe se quer convida-la
Vih: então eu convido
Eu: Vih?
Vih: eu
Eu: me responde, o que é obsoleta?
Vih: não sei Thi
Eu: tudo bem! vou tentar comer alguma coisa, sem vomitar
Vih: cadê tua família?
Eu: devem ter saído com a Isa pra comprar coisas
Vih: e como você sabe?
Eu: por que deixaram um bilhete dizendo que saíram com Isa pra comprar coisas
Vih: uau! – ela disse, eu ri
Eu: beleza, vou engolir alguma coisa
Vih: que tal pudim de tapioca?
Eu: se você está com fome, coma! Eu vou comer um sanduíche...
Vih: ai, doeu! Quer que eu vá aí? Estou sozinha aqui em casa
Eu: e seus 4 sobrinhos?
Vih: shopping junto com a minha mãe e o resto da família
Eu: ah, então pode vim! Traz queijo!
Vih: beleza! Até mais
Eu: até
Desliguei o celular e voltei pra cozinha. Vi a bolça da mamãe e.... lamentei. Olhei pra tudo aquilo todo vomitado e... fui fazer meu sanduiche. Achei pão, queijo, presunto e alface, achei mais coisa ainda, mas comer muita coisa voltaria mesmo.
Botei o sanduiche, já montado, na sanduicheira e esperei, fiz suco... acho que eu não deveria, mas se tinha suco lá, eu não podia deixar estragar, fiquei esperando tudo: meus pais, o sanduiche, a Vih... qualquer coisa pra me animar. A campainha toca. Eu vou a caminho da porta dizendo
– eita Vih, você nem precisa bater – botei a mão na maçaneta e abri – olha que... – é ela – Nick?
Continua...
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