Notas iniciais
Eu sei, já faz tempo que a fic recebeu atualização. Desculpe, por isso! Espero que curtam o capítulo. Boa leitura! :)

Scorpius, na ânsia de fazê-la calar, puxou-a com força pelo pé. O grito parou abruptamente.

Rose caiu sobre ele, que gemeu, perdendo o fôlego momentaneamente. Os olhos dela arregalaram-se de pânico.

– Por favor, não faça isso – ele suplicou. – Não sei quem você é nem o que faz aqui, mas você venceu. Desisto.

– Venci? Venci o quê?

Rose sabia que estava começando a parecer histérica. E com todo o direito! Achava-se estatelada sobre o peito de um criminoso desalmado, um homem que invadira sua casa! E, para piorar a situação, vestia apenas uma camiseta, misericordiosamente longa e folgada.

Fazendo força para não puxar a camiseta para baixo, chamando assim mais atenção, ela concentrou-se em encarar o bandido.

Ele tinha um rosto interessante: fino, mas de ossatura forte. Demonstrava personalidade e, ela imaginou, certa arrogância e vaidade. Entretanto, a boca prometia paixão. Oh Deus! Ela estava mesmo fora de si. Perturbada, isso sim!

– Eu me rendo – Scorpius falou, cansado. – Não grite mais, por favor.

Rose notou que os olhos dele eram extraordinários: cinzentos, pontilhados de verde.

– O que disse? – perguntou incrédula.

– Esqueça. Dê-me uma faca e eu corto minha própria garganta. – ele sugeriu dramático. – Será muito mais rápido do que esse sofrimento intolerável de ouvi-la gritar.

– Eu?! Sofrimento?- ela protestou com voz esganiçada. – Não pedi para você invadir minha casa e estatelar-se no chão!

– O quê? Vai alegar que cai? E essa casa não é sua! – ele disse em tom furioso. Agarrou o taco de críquete, sacudindo-o no ar. – Esqueceu esta prova, foi? A senhora tentou me matar!

Rose estava nervosa e com medo. Não entendia como aquele homem poderia saber que a casa não era realmente dela.

– Fique parado aí! – ela falou. – Não se mova. Vou chamar uma ambulância.

Levantou-se rapidamente, ignorando o leite que escorria por suas pernas.

Scorpius deixou cair o taco.

– Vai ter que me arrastar para a rua, se quiser que a ambulância me atropele. – gemeu.

Rose convenceu-se de que ele estava mesmo delirando. Pegou a bolsa, tirou o celular e ligou para o serviço de emergência, pedindo uma ambulância.

O atendente queria detalhes.

– Sinto muito, mas não sei quem ele é. – explicou. – Invadiu minha casa e caiu na cozinha...

– Esta não é sua casa! – Scorpius gritou. – É minha!

– Ferimento na cabeça? – ela repetiu distraidamente a pergunta do homem no telefone. – Ah sim. Ele bateu a cabeça na mesa da cozinha e... Sim, está consciente, mas um tanto esquisito. Não fala coisa com coisa, sabe como é? Talvez tenha bebido. Então, vão mandar a ambulância? E informarão a polícia? Muito obrigada.

Rose desligou e deu uns passos na direção do estranho, tomando a precaução de não se aproximar demais.

– Eles logo estarão aqui. – disse para acalmá-lo.

– Diga-me uma coisa – Scorpius preludiou, depois que conseguiu erguer-se o suficiente para apoiar as costas num armário. – Você é louca, ou o louco sou eu?

Realmente, parecia bastante sério, Rose pensou aflita.

– Fique calmo. Eles chegarão num minuto.

– Espero que esteja certa – ele retrucou. – Diga-me, de onde saiu isso?

Mao saíra da poça de leite, saciado, e brincava feliz com uma casaca de ovo.

Rose observou-o por um instante. Havia algo de quase hipnótico nos movimentos delicados do animal.

– Não sei. Ele pertence à dona da casa. – ela explicou. – Essa é uma das razões pelas quais ela estava desesperada para encontrar um inquilino. Alguém precisava cuidar do gato.

– Não diga! – retrucou ele, irônico. – Muito interessante, principalmente porque a casa é minha.

Pobre, ele estava pior do que ela julgara, Rose concluiu.

– Está casa é sua? – perguntou, tentando brincar.

– Sim, senhora. – Scorpius respondeu em tom sarcástico. – E pode acreditar, quando digo que odeio gatos. E meu cão compartilha meus sentimentos. Portanto, será que pode explicar o que faz aqui?

Cão? Ela pensou desesperada. Ele tinha um cão? Não lhe bastava um ladrão maluco, havia um cão na casa!

No andar de cima, Dan começou a chorar.

– Gostaria muito de conversar, mas tenho de ir ver o bebê.

– Bebê? – ele murmurou, estupefato. – Tem um bebê aqui?

– Os dentinhos estão nascendo, coitadinho. – Rose falou, saindo apressada.

No hall, tropeçou numa mala e notou que era muito pesada. Provavelmente roubada, pensou.

– Fique quieto aí e espere a ambulância. – ela gritou da escada.

No quarto, Dan chorava e mordia a mãozinha.

Rose vestiu as primeiras roupas que encontrou e pegou o bebê. Precisava trocá-lo. E, cacetada, as fraldas estavam no andar de baixo! Na cozinha!

***

Bebê?

Scorpius apoiou-se na beirada da pia e pôs-se de pé, tentando ignorar o latejar insistente na têmpora, e as náuseas que o invadiam. Cheiro de leite quente, talco, pomada para assaduras e líquido usado para estilizar mamadeiras. Cheiro de bebê!

E por onde andaria Darcy?

De olhos fechados, ele encostou-se a pia, determinado a não passar mal. Ao abrir os olhos, deparou-se com um policial que o encarava, desconfiado.

– Graças a Deus. – murmurou. – Senhor, há uma mulher louca nesta casa. Ela me atingiu com um taco de críquete.

– Não acha melhor sentar-se, senhor? – o policial sugeriu calmamente. – A ambulância não demora.

Scorpius não precisou de outro convite para acomodar-se na cadeira mais próxima.

– Talvez, enquanto esperamos, possa me dar alguns detalhes – o policial comentou. – Pode me dizer seu nome, por favor?

– Scorpius Malfoy.

O policial anotou.

– E seu endereço?

– Rua Cotswold, vinte e sete.

– Mas essa é o endereço daqui, senhor.

– Isso mesmo – Scorpius confirmou. – Meu nome é Scorpius Malfoy e moro aqui. Esta é a minha casa.

O policial anotou e voltou-se na direção da porta, quando passos soaram na parte da frente da casa.

– Os paramédicos chegaram – avisou. – Vamos esclarecer essa história, senhor, no hospital.

Scorpius reconheceu o tom de voz de um policial dirigindo-se a alguém a quem julgava louco.

Pensou em dizer ao homem que era advogado, um conselheiro da Rainha, mas sua cabeça doía terrivelmente, e ele resolveu deixar para depois. Primeiro o hospital.

Depois, ele teria imenso prazer em dizer àquela mulher para sair de sua casa, levando o bebê e o maldito gato! Mas não antes que ela dissesse onde ele poderia encontrar Darcy.

Notas finais
Comentem, por favor! Ando sem inspiração alguma. Adoraria saber que vocês ainda estão ai! :) Beijos
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.