Notas iniciais
Sorry pela demora!

“Ultima chamada para o voo da British Airways para Londres, embarque no portão dez”.

Scorpius dirigiu-se ao local de embarque. Aquele seria o dia de sorte de Darcy. Graças à mudança de alegação de seu cliente, ele voltava para casa muito antes do previsto. Já que não havia a menor possibilidade de compartilhar sua casa com alguém, muito menos com uma garota de dezoito anos, ele pretendia “emprestar” dinheiro a Darcy para que ela pudesse ir encontrar os amigos na França. Em troca, exigiria dela a promessa de estudar dobrado na volta. Em vinte e quatro horas ele estaria livre!

–

– Então, fica com a casa?

Se ficava? Um hora atrás, Rose encontrara-se literalmente na rua. Teria ficado satisfeita com qualquer lugar que tivesse água corrente e um telhado sem goteiras, por isso aquela casa lhe parecia um paraíso. Mais importante, estava disponível naquele momento. Parecia bom demais para ser verdade!

– Posso me mudar imediatamente? – ela perguntou, tentando afastar a hipótese de estar sofrendo alucinações causadas pela falta de sono nas ultimas vinte e nove horas.

– Naturalmente. – Darcy Greengrass Ferry respondeu.

A garota parecia jovem demais para ser dona de tal propriedade, mas Rose não queria se preocupar com mais nada.

– Não posso deixar a casa vazia – Darcy dizia. – Além disso, preciso de alguém de confiança para dar de comer ao meu querido Mao.

O gato, única falha naquele cenário perfeito, piscou lentamente para Dan que, empoleirado no quadril de Rose, parou de morder sua blusa, olhando fascinado para o animal.

– Então, se concorda só preciso receber o aluguel. – Darcy prosseguiu. – O lugar é seu por três meses. Por favor, assine na linha pontilhada.

Passou uma caneta a Rose, que colocou os óculos e olhou o papel com os olhos ardendo de sono. Parecia ser um contrato padrão de aluguel, usado pela imobiliária que contatara.

Pagou em dinheiro a quantia correspondente a três meses de aluguel.

Darcy assinou também, entregando em seguida as chaves a Rose.

– O lugar é todo seu – a mocinha declarou, sorrindo. – Espero que cuide bem de Mao. Ele gosta de fígado e de peixe fresco. Tire as espinhas, por favor. E frango moído. Deixei tudo escrito para você.

Rose fez um esforço para não reagir. Por um teto sobre a cabeça, ela moeria carne também. Além do mais, gostava de gatos. Crescera com Bichento!

– Ah, e o esquema para molhar as plantas está no quadro de avisos.

Rose não protestou contra mais aquela responsabilidade. Afinal, se ela não fosse responsável, Hugo e Lily não teriam deixado o primogênito a sua porta!

Ao menos, era o que dizia a si mesma.

– Deixou o telefone do veterinário? – Rose se lembrou de perguntar. – E o de quem eu devo chamar em caso de emergência? E seu endereço para contato?

– Não terei nenhum, nos próximos três meses – Darcy respondeu, dando de ombros e apanhando sua pesada mochila. – Não se preocupe, nada desastroso vai acontecer! Até daqui a três meses!

Não seria tão mal, Rose pensou. Afinal, Hugo e Lily não deviam demorar. Eram pais devotados, adoravam o filho. Na certa voltariam dentro de alguns dias, horrorizados com o que haviam feito, e tudo voltaria ao normal. Tudo, menos Taplow Towers, ela considerou.

Respirou profundamente e beijou os cachos ruivos do sobrinho.

– Desculpe amorzinho, mas ou pôr você no carrinho, porque quero fazer um chá.

Dan não protestou, tinha os olhos grandes fixos no gato. Mao bocejou e Dan riu sonoramente.

Atônita com o fenômeno, Rose constatou que o sobrinho era a coisa mais linda que já vira.

O gato miou, pedindo para sair. Dan observou-o sair para o jardim e choramingou quando o viu desaparecer atrás dos arbustos.

– Mao! – ela chamou, ansiosa.

O gato desaparecera. E se não voltasse?, Rose se perguntou inquieta. Há duas horas ela não teria se importado, mas percebera que se Dan gostava do bichinho, ela moeria quilos de carne para a preciosa criatura.

–

Darcy apanhou um jornal do dia anterior para proteger os olhos do reflexo do sol no mar.

– Essa não é a causa do seu primo? – Lena perguntou, lendo a manchete: — “Julgamento de fraude no oriente”. Olha, há uma fotografia dele! Nossa Darcy, como ele é sexy!

Darcy revirou os olhos.

– Ora, por favor! – falou entediada – Ele poderia ser seu pai!

– Talvez – Lena suspirou. – Lembro de uma vez em que ele foi até a escola. Parecia tão perdido! Pensei nele durante semanas... Queria consolá-lo, acarinhá-lo, sabe como é, não?

Darcy ergueu os olhos para o céu.

– Sei. Você e todas as mulheres de Londres, segundo minha mãe. Scorpius só vive para o trabalho, por isso é melhor nem pensar nele desse jeito. Você é jovem demais para pensar nele, de qualquer forma.

– Darcy, você às vezes é tão careta. – riu Lena.

Sentindo-se levemente insultada, Darcy decidiu dar uma olhada na noticia do jornal.

– “Cliente muda alegação”? O que significa?

Lena deu de ombros e colocou o os óculos de sol.

– Acho que significa cara amiga, que você está em sérias dificuldades!

Engolindo em seco, Darcy voltou a ler a noticia.

– Deus... Aluguei a casa dele a uma mulher com um bebê chorão! Como pude ser tão estúpida?

– Provavelmente treinando muito. – Lena retrucou simplesmente.