Adorável Vizinho
5 4• capítulo
Na hora do intervalo, assim que achei Hillary com seu grupinho em uma das mesas do refeitório, fui até lá e recebi olhares assassinos de cada uma das garotas que estavam com ela. Josh me observava de longe, assim como seus amigos.
– Hillary, será que eu podia falar com você um instante?– Eu não quero falar com você novato! Você é completamente doido, não sei por que Josh ainda não quebrou a sua cara. — ela olhou pro namorado e ele ameaçou vir até nós.Porém vi Charlie ir até ele e dizer algo em seu ouvido que o fez sentar novamente no mesmo instante. Hillary bufou. – Fala.– Então, houve meio que um engano, alguém deve ter mandado aquele bilhete em seu nome para justamente fazer com que eu, o novato, arrumasse uma confusão no meu primeiro dia. A minha atitude foi completamente tosca e eu espero que você me perdoe por isto. — falei, torcendo pra que ela realmente me desculpasse.– Ok bonitinho. Você tá perdoado, e relaxa que eu sei quem mandou aquele bilhete. Charlie é maluca, você deveria ficar longe dela. — a garota me deu um beijo na bochecha e saiu rebolando com suas amigas a seguindo para fora do refeitório. Eu olhei para Josh, dei um sorrisinho e fui em direção a Charlie que agora estava sentada sozinha. Ela vai me matar se souber que Hillary sabe que foi ela quem escreveu o bilhete.– Ela sabe que foi eu né? E disse que você deveria ficar longe de mim porque eu sou maluca. — a ruiva disse assim que eu me sentei, revirando os olhos como se já estivesse acostumada com isso. Eu concordei brevemente com a cabeça.– Josh não quer mais me matar? — perguntei e Charlie deu uma risada e fez que não com a cabeça.– Sabe Matthew, talvez você devesse ouvir o conselho da Senhora Popular. As pessoas desse colégio parecem ser malucas. Charlie principalmente, me dizendo para ouvir o conselho de Hillary e depois me deixando sozinho no refeitório sem esperar qualquer resposta ou pergunta minha. Por que eu deveria me afastar dela? E por que ela própria concordaria com isso?Antes que eu tirasse alguma conclusão disso, o sinal tocou e eu voltei para sala de aula.A Senhora Emma, da aula de química, mandou que nos juntássemos em duplas para um trabalho. Eu olhei em volta e todos já haviam decidido com quem iriam, menos Charlie e eu. Eu olhei para ela e dei de ombros, enquanto a ruiva revirava os olhos e batia com a mão na carteira ao lado da sua. Sentei-me ao seu lado e murmurei um "desculpe". Apesar de não ser culpa minha eu ser um novato sem amigos e ela uma veterana anti social. O trabalho pareceu complicado para mim no início, com um monte de fórmulas e experimentos, sem falar na enorme diferença na forma que os professores ensinam aqui e lá no Brasil. Graças a Deus pelo menos entender o inglês não era uma dificuldade minha. As aulas desde pequeno me tornaram fluente mesmo sem nunca ter morado fora antes.Conforme íamos desenvolvendo o trabalho, com a ajuda de Charlie eu fui entendendo tudo e vi o quanto ela era boa naquilo e gostava de todas aquelas fórmulas.– Então, você gosta mesmo disso não é? — falei tentando puxar assunto. Ela deu um sorrisinho e concordou brevemente com a cabeça.Então me veio na cabeça algo que eu queria muito saber.– O que você disse no ouvido de Josh na hora do intervalo? — Charlie parou o que estava fazendo e me olhou.– É um segredinho nosso. — ela respondeu, deu-me uma piscadela e voltou a fazer uns experimentos. Eu bufei. Charlie nunca responde exatamente o que eu quero saber. Voltei a ajudá-la quando a professora chamou minha atenção.Na última aula a professora de literatura começou a explicar umas coisas que eu não estava entendendo muito bem por mais que me esforçasse. Depois de uns vinte minutos tentando acompanhar o raciocínio daquela professora, eu acabei desistindo, peguei meu caderno de desenho e fiquei pensando no que fazer.Charlie estava na segunda fila de carteiras depois da minha, na fila da parede no fundo da sala, assim como eu. Mas ela estava com a cabeça escorada na parede e parecia estar indecisa sobre dormir ou prestar atenção na aula.Sem nem mesmo pensar sobre o que eu estava fazendo, observei a ruiva, com os cabelos soltos e bagunçados, a pele branquinha e uma expressão entediada e assim comecei a desenhá-la.Durante a aula, Charlie quase me pegou a observando algumas vezes e quando o sinal tocou, meu desenho já estava pronto. Eu arranquei a folha pensando que talvez pudesse dar o desenho a ela, coloquei no meio de um dos livros e enfiei tudo na mochila sendo o último a sair da aula. Nem a ruiva estava mais lá.Dei uma procurada pelos corredores do colégio antes de sair e não encontrei ela, então tive que ir embora sozinho mesmo. O que me fez lembrar minha namorada.Anne e eu, já que estudavámos no mesmo colégio, sempre íamos embora juntos. Como eu queria que ela estivesse aqui comigo agora. Assim que cheguei em casa liguei para ela.– Oi amor, eu estava conversando com meus pais, e talvez no começo do ano eu possa passar uns dias aí. Quero aproveitar para conhecer minha melhor amiga também. O que você acha? — ela disse isso tudo antes mesmo que eu falasse um oi. E parecia animada com a ideia.
– Seria ótimo meu amor. — sorri e ela também. — Mas me conta como estão as coisas aí? Está tudo bem?– Sim, tudo normal. E você? Tá conseguindo se enturmar no colégio?– Não muito, posso dizer que fiz mais "inimigos" do que amigos. – Você vai arrumar bons amigos, tenho certeza. Só tem que permitir que eles te conheçam de verdade. — eu assenti. — E a vizinha? Estão muitos amigos?Eu revirei os olhos vendo sua cara de ciúmes e disse que ela não parecia gostar muito de mim. – Mas elogiou você. — Anne fez um careta confusa. — É que ela falou que provavelmente você é linda, já que ela só ouve elogios sobre as mulheres brasileiras.– Ah, diz que eu agradeço o elogio. — minha namorada não parecia mais tão animada como antes. Então resolvi mudar de assunto.– Eu estou com tantas saudades. A parede do meu quarto está cheia de fotos nossas. – Também estou com saudades. Tenho que desligar, vou sair com a minha mãe. Eu te amo. – Ok, eu também te amo. Se cuida.– Você também.Depois que Anne desligou, me deitei e fiquei pensando no que eu havia dito de errado para que ela ficasse estranha daquela forma. Seria Charlie? Que bobagem, vou ter que conversar com ela mais tarde.Eu acabei dormindo enquanto pensava em Anne, só acordei quando Charlie começou a jogar coisas que batiam na minha janela e faziam um barulho irritante. Acho que se eu demorasse mais 5 minutos para acordar ela quebraria os vidros.– Matthew, preciso falar com você. — estava escrito numa folha de caderno que ela segurava.Esfreguei as costas das mãos nos olhos e levantei. Já estava escuro lá fora, acho que dormi demais.– O que você quer? – Pular pra sua janela. Estou de castigo e preciso sair. — ela respondeu já se preparando para pular. Eu a olhei incrédulo e vi a maluca colocar uma escada da sua janela até a minha e engatinhar com cuidado por cima dela até chegar no meu quarto e entrar.Eu ainda estava tentando estender como ela não havia caído e se matado, quando ela deitou na minha cama e murmurou um "obrigada".– Como você fez isso? – Anos de experiência meu bem. Seus pais estão em casa? — ela já saia do meu quarto na ponta dos pés e com o salto alto nas mãos quando eu respondi.– Provavelmente sim. Fui atrás da ruiva maluca que foi com cuidado até a sala de estar que por sorte estava vazia, abriu a porta e saiu da minha casa.Demorei alguns segundos pra raciocinar tudo e ir atrás dela.– Charlie espera aí! — gritei assim que fechei a porta e vi que ela já havia calçado os saltos e estava indo sei lá para onde.A ruiva parou, virou-se paro mim e sorriu.– Cale a boca, se meus pais souberem que estou fugindo eles vão me matar. Mas eu posso claramente dizer que você é meu comparsa. Quer ir a uma festa comigo? Vai ser muito legal!– O que? – Vem! — ela veio em minha direção e me puxou pelo braço.– Espera aí! Deixa eu calçar o tênis. — ela sorriu e assentiu. Eu não queria sair, muito menos sem avisar meus pais. Porém não deixaria ela sair sozinha sei lá para onde. Precisava entender o que ela pretendia fazer.Calcei meu tênis e fui andando com ela esperando que começasse logo a ouvir uma boa explicação. Dez minutos depois, notando que ela não viria, eu parei e segurei o braço de Charlie.– Olha só garota, até ontem você não me suportava. Agora do nada você me chama, da um jeito bizarro de entrar no meu quarto pela janela e sai sem me explicar absolutamente nada? Pode começar a falar.Ela revirou os olhos e se sentou na calçada.– Hillary contou ao diretor sobre meu bilhete, ele ligou para minha mãe e agora estou de castigo. Justo hoje que vai ter uma festa na casa de um dos alunos populares e eu queria muito ir. Eu nunca vou nessas festas, mas como é o nosso último ano, sei lá, eu quero muito ir. Sempre que fico de castigo e preciso dar uma volta pra relaxar, eu faço exatamente o que fiz hoje, de colocar a escada na janela que agora é do seu quarto e tal. A casa estava abandonada a anos. – Mas não seria mais fácil colocar a escada na parede e descer? — perguntei tentando ir pela lógica.– Não, eu já quebrei um braço fazendo isso e meus pais quase quebraram o outro sabendo que eu quase me matei tentando fugir do castigo. — ela contou e riu vendo minha cara de espanto.– Você vem nessa festa comigo e deixa de ser o novato estranho ou volta pra casa e me deixar ir sozinha até lá. Você que sabe. — ela se levantou dando de ombros e voltou a andar. Me levantei assim como ela e a segui. Eu não deixaria essa louca sozinha.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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