Adopted Children

1 Capítulo 1 - Sala de espera.


Notas iniciais
Olá! minha mais nova fic esta pronta! Mwahahahaha! Chega... Bem, esta é mais uma ideia sem sentido, ou com sentido, vai ver o que se passa na minha cabeça... Bem, boa sorte ao ler! Apenas não joguem pedras, se tiver reviews talvez eu faça mais outro, não prometo nada, mas alguma coisa melhor do que essa.


TIC-TAC


O barulho irritante do relógio soou na sala de espera. Os orbes azuis fitavam, encantados, a luz alaranjada que emanava uma sensação quente e ao mesmo tempo fria, uma adorável fonte de calor acolhedora que esvaia da luz do entardecer. Os lábios rachados e meio murchos se abriram para que ele pudesse soltar um suspiro longo e cansativo. Apesar da calmaria, o motivo de estar ali não o agradava nem um pouco. A assessora ruiva o havia chamado posteriormente para uma conversa bastante séria, mas o loiro teria de esperar pacientemente para ser atendido, o que o irritava profundamente, já que não conseguiria ficar quieto por segundos. E como poderia? Ao auge de seus cinco anos e na véspera dos seis ele era bastante hiperativo, em raros momentos conseguia se calar ou ficar sem falar pelos cotovelos, pelo menos por alguns minutos. Mas aquela visita era essencial de mais para que ele a estragasse tentando fazer o lugar se tornar mais agitado.

De qualquer forma, ele ficaria ali, sentado igual a uma estátua, esperando que a mulher ruiva ou a sua secretária tratasse de chamá-lo. Enquanto a espera tornava um tormento, o garoto tentou imaginar de quais maneiras possíveis a dona teria para exigir a sua presença, talvez aquele caso da cobra ou a brincadeira de chamar os policiais, era tão travesso que riu consigo mesmo ao lembrar das traquinagens. Até poderia imaginar que a tia Bethie havia o mandado pra lá, odiava aquela mulher, mas era apenas um ódio simples de quando você briga com sua mãe e ela te põe de castigo... Aquele pensamento o fez vagar pelas lembranças dolorosas que marcaram o inicio da sua vida com a tia. Os pais haviam morrido recentemente, quando tinha quatro ou três anos, o fato era que não se lembrava mais de seus rostos, ele deveria se lembrar?


Logo o pensamento polido se desfez com o fato de que alguém havia gritado, tampou os ouvidos como se aquele tom fosse absurdamente maior do que parecia, mais parecia um rugido feroz do que um grito de pavor, infelicidade. Ele arfou quando tudo aquilo parou, subiu o olhar para prestar atenção ao garoto estranho que tinha a face cheia de lágrimas e o rosto enfiado no casaco de um homem mais velho, talvez um senhor de 50 ou 60 anos de idade. Aquilo aturdiu a curiosidade do pequeno, por que aquele garoto de mais ou menos sua idade estaria chorando com tanta dor e amargura? Aquele choro era tão familiar... Parecia... Conhecido... Foi quando um estalo invadiu sua mente, lembrava daquele choro porque ELE havia chorado assim quando sua tia tinha lhe dado a noticia de que moraria com ela apartir daquele instante porque seu pai e sua mãe haviam morrido. O pobre garoto estaria passando pela mesma coisa? O mesmo problema amargo?
Parou de viajar e tornou a observar os dois, imediatamente o homem abaixou-se da altura do garotinho e murmurou algo que o loiro curioso não pode ouvir, depois de uma pequena discussão o pequeno ascentiu e tomou rumo ao banco enquanto o homem sumia mais pra dentro do departamento. A coragem e a curiosidade do loirinho tomaram conta de seu corpo e logo ele já havia soltado um pequeno "Oi" sem querer, o garoto de cabelos róseos enxugou as lágrimas com os punhos e virou para o sentado algumas cadeiras na frente.


— Oi... — murmurou meio incerto, parecia ter reunido toda a coragem que tinha para murmurar, ainda que baixo, aquela pequena palavra.


— Por que esta aqui? — retomou a conversa que parecia ter acabado e o garoto pareceu ficar irritado.


— Isso realmente não lhe diz respeito. — respondeu fazendo birra e cruzando os braços, típico de uma criança.


— Ok, eu apenas puxei assunto. — resmungou abaixando a cabeça e a colocando na quina da cadeira.


— Meu pai desapareceu. — disse depois de pensar bem e parecer arrependido de ter sido rude.


— Minhas desculpas... — sussurrou depois de desatar sua face surpresa.


— E enquanto a você, loirinho? — pausou para ver se havia chamado atenção do outro. — O que faz por aqui?


— Ainda que mal, estou esperando a ruiva me atender. — fez pouco caso apontando para o balcão da secretária.


— Ah... — soltou meio abobado enquanto tentava descobrir o por que, mas não tinha coragem de perguntar.


— E com esse "ah" você quer me perguntar porque? — pausou vendo a reação do garoto e pareceu analisar se ele era digno de saber ou não. — Ninguém me disse.


A conversa pausou por aí, nenhum dos dois garotos tinha mais algum assunto. O loiro, na tentativa de passar o tempo, tentou notar e analisar quem era o garoto, os cabelos róseos arrumados naturalmente para cima, iguais aos dele, os olhos pretos feito carvão ou um pouco mais claros que isso, usava um casaco estufado vermelho e um shorts verde musgo, o fato de usar casaco era um tanto estranho, mas ele notou a tremedeira dada pelo garoto e em uma das mãos um cachecol branco que ele agarrava com tanta força quanto podia, entendeu meio tocado e sorriu ternamente.


— Não vão tirar seu cachecol de você. — murmurou ainda virado para a mesa da secretária.


— N-Não é isso... — gaguejou tomando o objeto nas duas mãos. — Meu pai me deu, disse que minha mãe havia preparado pra mim no momento em que nasci.


— Por isso o toca com tanto... — parou tentando pensar em alguma palavra que preenchesse. — Amor.


— Obrigado. — sorriu colocando o cachecol por entre o pescoço. — A propósito, meu nome é...


— Senhor, a doutora o esta chamando.


Finalmente — pensou ajustando-se e levantando da cadeira, acenou de leve para o novo amigo e tomou rumo com a secretária. Parou quando avistou a ultima porta de madeira, a mulher murmurou de leve que ele poderia entrar e, ainda incerto, adentrou a sala ventilada e a mulher ruiva sentada na cadeira. Pasmou fechando a porta e indo em sua direção como uma presa que é hipnotizada pela caça, ela fez um sinal e ele se sentou.


— Como vai? — sorriu e ele continuou quieto. — Bem, hoje você esta calado, lhe deram algum tipo de doce?


Ele riu com a pergunta dela, como o fato de alguém o dar um doce o deixaria feliz? Claro que ele adorava doces e qualquer outro tipo de porcaria, como todas as crianças de sua idade, mas a sua tia era vegetariana e seguia uma dieta á risca o que significava que ele também teria que seguir.


— Vejo que abriu um sorriso... Pode ser ou ta difícil? — apelou para uma linguagem cotidiana e ele ascentiu.


— Gomem. — pediu com um sorriso. — Estava com medo.


— Hun? O poderoso Naruto com medo? Essa é nova. — riu e ele ficou meio sem graça.


— Sabe, Mizu-san, a minha oba-san tem motivos de sobra para me mandar aqui, eu meio que pensei que fossem alguns e eu nem vi ela hoje. — explicou abrindo a boca que já não estava mais rachada e sim bastante macia.


— Entendo... — concordou abrindo um sorriso. — Mas o motivo é realmente sério.


— O que é tão sério Mizu-san? — encarou, ainda que de um modo fofo, a acessora, parando e olhando sério para ela.


— Sinto muito, Naruto, acredito que sua tia tenha morrido nesse momento.


Toda a atmosfera pareceu cair sobre o pequeno, ele esperava praticamente tudo, menos isso. Era surreal, era como se alguém lá em cima o odiasse por algum motivo sem sentido, primeiro os pais e agora a tia, agora não sobrou ninguém, nenhum ser do lado da família do pai e nenhum do lado da mãe, ele estava sozinho, tão sozinho quanto no dia que recebeu a noticia sobre os pais.


Ainda não passava das sete da noite quando o pequeno garoto se espichava na janela para esperar seus pais, com quatro anos ele não ligava para ninguém mais do que a sua mãe, os olhos azuis se decepcionaram quando viu um carro, que achava ser o que ele queria, passar sem parar. Onde estariam os pais? Tinham saído para uma festa mais longe da cidade, em um lugar que ele sequer sabia que existia, com quatro anos não se pode esperar muito da memória. Num piscar de olhos ele viu um carro que não conhecia parar na porta, o olhar curioso seguiu ate que dois homens de terno entraram na casa, pulou da cama e desceu as escadas esperando ouvir alguma parte da conversa e assim foi.


— ... Entendeu? — perguntou segurando uma pasta e mostrando para a mulher ruiva.


— Que horror. — ouviu a tia comentar. — Como nenhum sobreviveu?


— Achamos que foi uma tentativa de assassinato, todos que estavam naquela casa morreram.


— Ah... — murmurou coçando a cabeça e os homens trocaram olhares confusos.


— Algum problema? — perguntou um pelos dois.


— Como irei explicar ao Naruto? — perguntou-se e os dois suspiraram.


— Filho, hã? — comentou retórico. — Vai ser difícil explicar que os pais morreram.


As batidas do coração dele eram tão altas que ele podia ouvir por todo canto, era pequeno, mas quando alguém dizia "morrer" então esta pessoa que, por alguma razão, ficava em uma caixa do tamanho dela era enterrada e nunca mais iria voltar, aconteceu com seu avô. Ele queria impedir que seus pais fossem jogados na terra, achava que assim eles não poderiam voltar. Desceu como uma bala e abriu a porta abalado, mesmo que sua tia tivesse tentado impedir que ele fosse com alguns gritos, a única voz que escutava dizia: "Vá em frente! Os impeça de enterrar seus pais! Se for preciso, mate todos eles...".

Parou perdido, vagou por milhares de vezes no mesmo lugar ate aceitar definitivamente que estava perdido. Sentou no pequeno degrau detrás de si e murmurou enquanto chorava, as lágrimas inundavam seu rosto e caíam sobre o chão de terra como um pequeno lamento, porque eles haviam de morrer? Quem tinha os matado? Por que ele não tinha... Impedido? Nada que não se baseasse nessas perguntas chegavam a sua mente, estava ali, parado e lamentando. Por um tempo só pode ouvir seus lamentos e alguns barulhos normais, depois que foi perceber onde estava, sentado em um degrau da ferrovia fechada, tinham inaugurado uma nova no centro e aquela ficou abandonada. Mas aquilo não importava, estava tão abalado e tão chocado que começou a delirar e pensar em voz alta, aquilo era algo que só loucos faziam, e ele não era um? Riu de desagrado e deitou-se na madeira fria.


"Por que você os poupa?"


Pulou assustado, nunca tinha ouvido aquela voz.


"Eles o deixaram sozinho..."


Estava tão tenso decidiu ignorar tudo a sua volta.


"Acha que se eles não tivessem morrido, não seriam mortos agora?"


Parou, aquilo não fazia total sentido.


"Você parece frio... Porque não os mata e se encobre com o fervor?"


Ele havia surtado! Era a única solução plausível para aquilo.


"Tão jovem... Ainda tem uma escolha, porque não segue comigo?"


Agora ele se encolhia e girava como se houvesse enlouquecido.


"Tão... Tolo... "


— Minha tia... Ela não quer me matar. — sussurrou como se começasse a acreditar que aquilo fosse verdade.


"Como sabe?... Você esta aqui, sozinho e no escuro."


Estava certo, ele se encontrava no escuro e totalmente sozinho, nada nem ninguém passava por lá, era um caminho isolado e sem fim... Mas afinal, quem dizia aquilo?


— Naruto! — o silêncio foi cortado pelo grito ao longe.


— Oba-san... — sorriu abraçando-a e entendo que não havia mal em ficar sozinho porque haveria sempre alguém por ali.


— Tudo bem? — perguntou pegando-o nos ombros e sacudindo-o.


— Sim. — pontuou levantando e parando na porta. — Pra onde eu vou?


— Pra casa. — estranhou enquanto o via agir de um modo estranho.


— Pra onde eu vou? — repetiu.


— Pra sua casa. — repetiu cruzando os braços.


— EU NÃO ESTOU PARA BRINCADEIRAS! — gritou abaixando a cabeça e encubertando os olhos com o cabelo loiro. — Pra onde eu vou?


— Ah... Ainda não decidiram. — suspirou vendo-o bater a porta.


Sentia as lágrimas lhe correndo a face e caindo no chão enquanto andava, estava sozinho... Não havia uma luz no fim do túnel e agora aquela voz parecia ter sentido. As mãos não lhe corriam a face, caiu no chão do corredor e abriu um sorriso fraco. Levantou e seguiu seu rumo, era esperar que o carro fosse lhe buscar e que desse um ultimo adeus aos conhecidos. Foi quando viu aquele garotinho de antes que agora sorria como um gato com um pirulito, uma parte de si estava feliz e a outra queria estragar, era como se ele virasse bipolar.


— Oi! — exclamou mais feliz e com mais coragem.


— Como esta indo? — fingiu um sorriso e sentou outra vez na cadeira.


— Bem! Me deram um pirulito de morango. — exibiu o doce como se devesse isso ao loiro.


— E seu pai? — comentou tentando não ser chato.


— Encontraram ele morto, não tem mais ninguém que cuide de mim... — murmurou dando outra lambida no pirulito.


— Minha tia também foi, estamos no mesmo barco. — comentou pulando e vez ou outra mudando de cadeira.


— Ah! Meu nome é Natsu. — lembrou oferecendo a mão ao pequeno travesso que esitou.


— O meu é Naruto. — abriu um dos seus sorrisos cálidos que pareciam tão serenos.


— A gente se vê! — acenou quando o carro que vinha buscar o loiro chegou.


— Estou esperando. — sorriu entrando e fechando a porta.

Notas finais
E enton? Eu merecer reviews? Merecer terminar história? Ou vocês achar ela uma ideia chata? Reviews! Então eu faço outro capítulo!