Adhara

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Olá pessoal! Esse é o primeiro capítulo da minha história, espero que gostem ^ ^
Boa leitura.

-Então você não vai, Adhara? Não vai ao funeral?

-Não. Não quero ver isso...

-Mas... Nem para dizer adeus?

-Eu...

Não pude completar a frase. Seria bom dizer adeus a minha mãe, mas... Não poderia ver ela naquele estado... Minha mãe foi morta por pessoas da terra firme e isto esta se tornando assustadoramente frequente, os homens colocam algo incrivelmente doce em suas redes e quando percebemos a armadilha já é tarde demais.

Eles são monstros, são cruéis. Eles cortam fora nossa metade peixe para vender. Já mataram vários do nosso povo... Creio que descobriram nosso esconderijo, os outros não acreditam em mim, mas o número de mortos aumenta cada mês e eu não posso esperar mais.

Eu vou embora.

A única família que eu tinha se foi por causa deles. Não tenho mais motivos para ficar aqui. Pretendo ir embora assim que escurecer completamente. Pegarei a corrente para o Sul, onde a agua é quente e tem mais cavernas.

-Adhara? Estou falando com você.

-Desculpe Caleb, tenho que ir pra casa. – Digo, dando uma desculpa para sair dali.

-Dhara, espere. – Ele segura meu braço e me olha nos olhos. – Você vai voltar?

Como ele sabe que eu pretendo partir?

-Não sei. – Respondo desviando o olhar.

-Olhe pra mim. – Ele segura meu rosto com as mãos, claramente preocupado. – Se eu te pedisse pra voltar, você voltaria?

“Muito improvável” penso.

Ele continua me olhando... Seu rosto esta perto e isto esta se tornando constrangedor.

-Caleb, eu... – Digo lentamente, me afastando.

-Você não voltaria, não é?

Não respondo. Só olho para ele.

-Dhara, eu sei que você pensa que ir embora é o melhor, mas lá fora você estará por conta própria. Não terá todos nos para lhe proteger... Você acabou de perder a mãe, esta muito triste para pensar direito. Fique.

-Não posso, Caleb...

-Adhara, eu estou te implorando.

-Caleb! Tudo neste maldito lugar me lembra da minha mãe! Os homens v – Não consegui terminar a frase, pois ele tapou minha boca com a mão.

-Não fale sobre os da Terra Firme alto assim! – Ele sussurra.

-Os homens já sabem da nossa localização! Eles vão nos encontrar e o sangue derramado vai ser o nosso! – Sussurro de volta. – Não tenho motivos para ficar.

-E eu?

E então eu me dou conta do que eu acabo de fazer. Eu sabia que Caleb gostava de mim, mas o sentimento nunca foi recíproco. Dizer isso para ele deve ter sido como dar um soco em seu estômago.

Eu olho para ele, para o garoto que acabei de magoar. Cabelos bagunçados por causa da água e calda cinza escura. Ele sempre se importou comigo e eu vou abandona-lo, ele sabe disso, eu sei disso. Quero que ele tenha a vida boa que merece, com a pessoa certa.

Essa pessoa não sou eu.

Ele viu que não vou responder sua pergunta e esta ficando muito escuro. Os outros estão no funeral há essa hora, o recife esta negro e os peixes não circulam sem o sol. Eles sabem que os tubarões caçam a noite.

-Já que você vai embora, acho que não se importa se eu desabafar, não é? – Ele não me dá tempo de responder. – Dhara, eu gosto muito de você! Desde o ano passado, quando nos estávamos na celebração do aniversário do meu irmão e você fez o discurso.

“Quando as luzes ligaram sua pele parecia ainda mais branca do que já é – Ele brinca. – Sua cara estava toda vermelha de vergonha. Você estava tão linda e me apaixonei. Não pode ir embora, por que não posso aguentar ficar aqui sem você. Com quem vou nadar todos os dias? Quem vai se intrometer nos meus pensamentos? Eu sei que é egoísta, mas não pode fazer isso comigo.”

-Desculpe Cal – Ele me interrompe encostando os lábios nos meus.

Eu fico bem parada, esperando ele fazer o que queria fazer a muito tempo. Eu sei que ele quer que eu o beije de volta, ou que finja que estou gostando. Mas não seria justo eu fingir que sinto algo por ele, muito menos agora.

Ele se afasta da minha cara. Ele desistiu. Esse era o ultimo truque que ele tinha na manga para tentar me convencer a ficar. Eu vejo isso em seus olhos.

-Espero que encontre tudo o que deseja.

Ele vai embora e eu o observo partir.

Eu também vou.

Olho para a imensidão negra à minha frente e aguço meus sentidos para detectar a corrente de água morna que leva para o Sul. Não demoro muito para encontra-la.

Avanço em direção do desconhecido sem olhar para trás.

||||||||

Estou nadando há uma hora e Caleb não sai da minha cabeça. Sinto-me mal por ter feito isso com ele... Queria que minha mãe estivesse aqui para me dizer se estou tomando a decisão certa. Já estou cansada de tanto nadar, tenho que encontrar um lugar para dormir.

Paro de nadar para conseguir me concentrar e sentir o que esta em volta. A temperatura da água esta baixando, tenho que encontrar um lugar perto da superfície que tenha uma temperatura estável. Animais de sangue frio não aguentam baixas temperaturas.

Ouço a água bater em algum lugar. Pode ser uma ilha vulcânica a alguns quilômetros de distância... Pela cor da água deve ser perto de uma da manhã, o Sol nasce as seis. Tenho até la para chegar a ilha e dormir um pouco.

Preciso nadar por mais três horas para chegar à ilha. A água começa a ficar mais quente e meu sangue circula melhor, o que faz com que nadar seja menos cansativo.

Chego bem perto da praia, não vejo sinais de humanos. Não tem casas, fumaça e a água esta completamente limpa. Vou até a areia me sentar um pouco, ver as estrelas.

Sempre gostei de olhar para elas, mas infelizmente não posso fazer isso muitas vezes. Ir até a superfície é perigoso.

Minha mãe dizia que as estrelas eram os espíritos dos que já se foram, eles estão la para cuidar de nós. Isso é reconfortante, por que eu sei que minha mãe está olhando para mim agora, onde quer que esteja.

Significa que não estou completamente sozinha.

É estranho respirar pelo nariz. Geralmente uso as guelras. Preciso fazer um esforço extra para usar os pulmões, que estão empoeirados por falta de uso. O vento, agora mais quente, coloca meus cabelos castanhos para trás e seca a minha pele, o que causa um calafrio muito desconfortável, me molho um pouco em uma onda que sobe a areia.

A Lua está tão linda hoje, está mais branca que a minha pele. Noite calma... E triste também.

Deito na areia fina.

-Desculpe por não ir ao seu funeral hoje, mãe. – Digo, uma lágrima escorre.

-Eu só não queria ver em que estado os pescadores deixaram o seu corpo. – Sussurro, em meio às lágrimas.

De repente uma ponta de luz no horizonte chama a minha atenção. O Sol esta nascendo e eu não dormi nada.

Pensar nisso me fez perceber quão cansada fisicamente e emocionalmente eu estava.

-Hora de dormir. – Disse a mim mesma.

Levanto-me e procuro a gruta mais próxima para dormir. Amanhã devo chegar ao continente.

Notas finais
E ai pessoal? Gostaram? Comentem o que acharam, o que gostaram, o que não gostaram, etc...A opinião de vcs é muito importante pra mim :)
Até o próximo capitulo!
bjos
Nick