Depois de ter finalmente ido embora de casa e começado uma vida nova voltei ao meu velho casebre.

Estava tudo no lugar, como eu havia deixado. Como era simples minha moradia! E eu nem tinha percebido quando morava lá.

Como perdeu as cores e razões. Parece que a minha casa já não me pertence. Vejo um monte de coisas velhas, parece que precisa de uma faxina. Eu realmente não poderia ficar aqui por muito mais tempo. Não suportaria. Nem sei mais o que fazer aqui. Fico procurando algo e não encontro, perdida entre os poucos cômodos. Essa não é mais a minha velha e aconchegante casinha.

Tudo se modificou, eu me modifiquei, não sou mais uma essência original. Perdi fragmentos.

Talvez, o que eu tenha deixado não seja a casa ou os velhos manuscritos. Talvez eu tenha deixado as ruas, os lugares, as pessoas e principalmente os momentos, esse especificamente, eu não vou deixar para traz, vou leva-los comigo na mala.

Agora sim, estou pronta para dizer adeus para você minha pequena pátria. Dessa vez vou me embora com um sorriso no rosto, sem lágrimas e ressentimentos. Vou me embora porque não faço mais parte de ti. Porém tu, sempre faras parte de mim, Carneirinho amado. Vou me embora, mas levo teus encantos, sua simplicidade e o jeito pacato carneirinhense de ser.

Pode ser que nos momentos de crise, o meu refugio seja você. E em nenhum outro lugar eu encontre a minha paz. Se isso acontecer eu volto para ti. Se não, eu sigo meu caminho. Até algum dia, ou nunca mais.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!