Adeus, Viajante
1 Prólogo
Notas iniciais
Não tenho muita coisa para escrever nas notas, então somente falo que lhes deixo com o prólogo de "Adeus, viajante", história participante do desafio de julho/agosto do Nyah!.
Espero que gostem!
New Humphrey, Northern Union, 3002
O grande cientista, George Nicholson, sorriu ao ver sua máquina completa. Ele passou a mão pelos cabelos pretos, um pouco grisalhos, contente.
O projeto ocupava somente uma parte da grande mesa, e consistia em um pequeno relógio de bolso digital, aparentemente igual a todos os outros, mas com uma função diferente.
A máquina possuía três botões em sua lateral direita, que ao serem girados, formavam uma data no visor; dois botões na parte de cima, que eram usadas para a escolha de um local; e um botão que se encontrava na outra lateral, que ativaria a viagem.
— Parabéns, senhor Nicholson. — Disse sua assistente. — Quando mostraremos ao público?
O cientista a olhou, as sobrancelhas franzidas.
— Mostrar ao público? — Ele perguntou. — Não faremos isso. É perigosa demais.
— Mas... o objetivo não era usá-la para voltar no tempo e impedir a última Guerra Mundial? — A assistente, Srta. Kim, disse, confusa. — Quer dizer, o mundo todo foi destruído e teve que se levantar das cinzas, pouco a pouco. Poderíamos evitar várias mortes, poderíamos ir ainda mais a fundo, e impedir as primeiras duas Grandes Guerras! Poderíamos fazer com que Hitler, por exemplo, nunca tivesse existido!
— Eu sei, Srta. Kim, eu sei... — Sr. Nicholson suspirou, cansado, enquanto balançava a cabeça. — Mas isso poderia acarretar em mais problemas. Grande parte da tecnologia surgiu durante a Segunda Guerra.
— Isso não seria um problema. Salvaríamos milhões de vidas!
— Impedir as duas primeiras Grandes Guerras não acarretaria na inexistência dos conflitos. O ser humano é mal, corrupto... me mostre um adulto de coração totalmente puro, e eu me atiro do que restou do Monte Everest!
George olhava fixamente para sua assistente, com um olhar melancólico.
— Poderíamos impedir essas Guerras, mas não poderíamos impedir as que causaríamos fazendo isso. — Ele tornou a falar. — E, acima disso, é possível que impedíssemos o nosso nascimento. O passado é uma coisa delicada, Srta. Kim, não é incerto como o futuro, ou manipulável como o presente. Tudo que aconteceu é a razão de nós estarmos aqui agora; mexa nisso, e causará grandes problemas.
A assistente abriu a boca, franzindo as sobrancelhas, mas logo a fechou, com medo de contrariar seu chefe ainda mais. Ela ainda acreditava que aquilo era a coisa certa a fazer, ainda que causasse algumas mudanças na linha temporal. Eles não acabariam com a evolução da tecnologia, só a tardariam um pouquinho.
— Mas... poderíamos ao menos salvar os recursos naturais, não poderíamos? — Ela insistiu.
— Para isso, tardaríamos a evolução da tecnologia.
— Mas também poderíamos tardar o fim! — Ela pressionou.
— Eu criei uma máquina do tempo, Srta. Kim, não uma maneira de me tornar Deus. — George suspirou.
— Ainda acho que deveríamos tentar impedir esses conflitos desnecessários.
— Não seria uma boa ideia, Kim. — Disse um garoto, entrando no laboratório. Sr. Nicholson e Srta. Kim olharam para ele, surpresos. — Se impedíssemos essas Guerras, abriríamos um buraco no espaço-tempo, e a história seria mudada. Você não nasceria, e não seria um colírio para os meus olhos. A propósito, eu mataria o desgraçado que fizesse isso; quer dizer, se eu ainda existisse. Além disso, a tecnologia não chegaria nem aos pés do que temos hoje, perderíamos a Nutella e a história não seria tão interessante como ela é. Por essa razão, não poderíamos mudar o passado, mas não seria má ideia dar uma passadinha no futuro...
O garoto desceu as escadas, indo em direção aos dois cientistas.
— Mas, voltando ao assunto: Qual é a razão de inventar uma máquina do tempo, se ninguém pode saber da existência dela, pai? — Ele era alto, sua pele branca. Era a cópia exata do Sr. Nicholson, a não ser pelos olhos, que eram azuis, e o cabelo, que era inteiramente preto.
— Jonny. — Disse, calmamente, George. — O que faz aqui, meu filho?
— Eu moro aqui, pai. — Jonny disse, bufando. — E acho que tenho todo o direito de entrar em qualquer cômodo da minha casa.
— Senhorita Kim, poderia nos dar licença? — George disse para a assistente.
— Sim, senhor Nicholson. — Ela abaixou a cabeça e foi embora do quarto rapidamente.
— Como entrou aqui? — George perguntou com a voz um pouco trêmula, enquanto o filho se sentava numa das cadeiras da sala. Jonny não ia àquela casa há mais de um ano, quando “foi sair com alguns amigos”, e não deu mais notícias.
— Não é difícil driblar seu sistema de segurança. — Jonny deu de ombros. — Mas, voltando ao assunto: já testou minha máquina?
— Minha máquina, Jonny. — George censurou.
— De jeito nenhum! — Jonny arquejou, indignado. — O projeto era, e ainda é, meu! Eu fiz os cálculos, eu fiz o design, eu construí! Ela é minha! Eu inventei essa máquina!
— Mas não estava aqui quando ela foi concluída. — George sorriu calmamente, quase indiferente. A verdade, porém, era que seu interior fervilhava com a raiva que sentia do filho; de sua arrogância, de seu egoísmo.
Jonny desviou o olhar do pai, cerrando os dentes, sabendo como ele realmente se sentia. Tentando se acalmar, ele mordeu o lábio e suspirou.
— Já a testou? — Ele perguntou, tornando a olhar para seu pai.
— Não. Nós a testaremos amanhã. — Disse George, sentando-se cansado numa cadeira em frente ao filho.
— Nós? Quem, exatamente?
— Eu, a senhorita Kim. — Ele deu de ombros, fingindo indiferença. Cautelosa e esperançosamente, ele disse: — Espero que se junte à nós.
Jonny comprimiu os lábios, assentindo com a cabeça.
— Certo. — Ele murmurou, abaixando a cabeça.
George sorriu, dessa vez, verdadeiramente, ao ver a trégua do filho. Ele levantou-se da cadeira com um alegre suspiro, e pediu:
— Feche tudo para mim, ok? Estou muito cansado, vou para a cama.
— Dê boa noite à mamãe, se ela ainda estiver acordada. — Jonny assentiu, esfregando os olhos.
Seu pai assentiu e saiu do laboratório. Jonny, ao ter certeza de sua partida, pegou o relógio.
— Você sempre acredita, pai, tenho até pena. — Ele disse ao prender o relógio em seu pulso, digitando uma data e um lugar qualquer do passado. — Bem, na verdade... — Ele sorriu maliciosamente e apertou o último botão. — Eu não tenho, não.
E, naquela noite, Jonny Nicholson desapareceu, e se tornou o primeiro homem a viajar no tempo.
Bem, pelo menos era o que ele, e todos, pensavam.
Notas finais
Um beijo, um queijo, um abraço e até o próximo capítulo!
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