Adeus, Viajante

4 Capítulo Três


Notas iniciais
Oi, como estão? Aqui estou de novo! Não tenho muito a dizer, então, fiquem com o terceiro capítulo três de "Adeus, Viajante". Espero que gostem.

Denver, Colorado, 2015 – Lottie

As aulas passaram rapidamente só porque eu desejava que elas demorassem anos para acabar. Ruby prometera ir comigo para casa, para me proteger se eu encontrasse aquele cara novamente.

Eu esperava não o ver em menos de vinte e quatro horas, mas minha sorte não é das melhores.

Ele estava parado, aparentemente me esperando, do lado de fora da escola. Cutuquei Ruby com o cotovelo, sinalizando para ela.

— Não é que ele realmente quer falar com você? — Sua voz parecia tensa, e ela parecia não querer dar mais nem um passo.

Num surto de coragem (ou loucura, o que é mais provável), eu agarrei o braço dela, e a puxei, andando em direção ao homem, que parecia não ter notado nossa presença ainda.

Estávamos há uns dois metros de distância quando ele nos viu. Ele soltou um suspiro.

Parece... aliviado, eu observei.

— Lottie. Que bom que está aqui. — Ele disse, como se me conhecesse há anos.

— Ahn... Oi. — Eu disse, tensa. Toda a coragem (ou loucura) que eu possuía já tinha ido embora. Minhas pernas estavam tremendo, assim como minhas mãos. Eu suava frio, apesar do calor. — Desculpe, nos conhecemos?

— Bem, não. — Ele respondeu. Virando-se para Ruby, ele perguntou: — E quem é você?

— Sou seu pior pesadelo. — Ela disse, numa tentativa falha de intimidá-lo. — Eu que te pergunto: quem é você?

— Sou Jonny. Jonny Nicholson. — Ele disse, estendendo a mão para Ruby, que permaneceu imóvel. Ele estendeu a mão para mim, e pediu: — Não me deixe no vácuo, Lottie, por favor.

Eu, hesitante, peguei sua mão e a sacudi, me lembrando o por que fazíamos aquilo.

Não se esqueça, Lottie, eu pensei, que nós apertamos a mão de desconhecidos para nos certificarmos de que ele não carrega nenhuma arma. Pelo menos, era esse o significado há uns séculos atrás.

— Você já sabe o meu nome. — Eu disse. — Essa é minha amiga, Ruby.

Jonny assentiu com a cabeça.

— Então, vamos direto ao assunto. Acho que não vão querer se separar uma da outra.

— Achou certo. — Disse Ruby.

— Ouça tudo o que eu vou dizer. — Jonny disse. — Pode parecer meio maluco, mas eu falo sério. Preciso de sua ajuda.

— Ok. Pode começar sua história. — Disse, me preparando para o pior. Ele nos disse que conversar em outro lugar seria melhor, e Ruby sugeriu nossa cafeteria. Ele disse que não tinha dinheiro, e ela disse que não teria problema. Eu estava tensa demais para dizer qualquer coisa.

Ele é um mafioso, pensei. Talvez um ladrão, um mercenário, um assassino de aluguel. Talvez ele seja um golpista. Ele pode até ser um stalker. Ele quer me matar. Deus, me ajude!

Chegamos à nossa cafeteria e sentamo-nos numa das mesas. Ele suspirou.

— Eu venho do futuro. — Ele disse.

Ahá! Eu sabia! Ele é um... espera. Ele disse que vem do futuro?

Eu e Ruby nos entreolhamos. Comprimi os lábios, e ela prendeu a respiração. Nós duas tentávamos não rir. Aquela história era totalmente absurda, mas ambas queríamos saber até onde ele estava disposto a mentir.

— Um... — Ruby disse, tentando se conter. — Continue.

↔

Haviam se passado cerca dez minutos, e Jonny ainda contava sua história. Tenho que admitir que ele é um ótimo mentiroso: não gagueja, não desvia o olhar, não fala rápido demais, não mexe muito as mãos, mas também não fica muito parado. Até acreditaria no que ele diz, se a história não fosse um completo absurdo. Ele não dava muitos detalhes, outro sinal de que era ótimo em enganar as pessoas.

Eu e Ruby já tínhamos tomado dois milk-shakes de chocolate, e ele ainda estava na primeira latinha de Coca. Ruby parecia estar cansada de sua mentira; ela parecia não escutar, observava os outros clientes, estava afundada no banco. Ele falava, falava e falava, respondendo minhas perguntas frequentes.

— Chega. — Ruby disse interrompendo Jonny, que a olhou confuso. — Já cansei de suas mentiras. Deve ter passado muito tempo bolando ela, mas não acreditamos em nem ao menos uma palavra que diz.

— Mas eu não estou mentindo. — Ele disse. Suspirando, ele completou: — Sei que parece loucura...

— Que bom que sabe. — Ruby disse.

— Mas é a verdade! Eu venho do ano de 3002! Século XXXI! — Ele insiste. — Olhe minha carteira!

Ele estendeu uma carteira de couro para nós. Eu a peguei e olhei sua carteira de identidade.

— Interessante. — Eu disse. — Quer dizer que nasceu em 2984?

— Sim, tenho dezoito anos. — Ele assentiu.

— Você nasceu em... New Humphrey, Northern Union? — Li os nomes com dificuldade. Apesar de não ser muito boa em geografia, tive certeza de que aqueles lugares não existiam.

— Sim.

— E onde, exatamente, isso fica? — Perguntou Ruby, impaciente.

— Hemisfério Norte. Tenho certeza de que seria todo o continente europeu, para vocês. — Ele disse. — É um país novo, foi criado depois da Terceira Guerra Mundial.

— Ah, e quando foi isso? — Eu disse. Ele criou uma história inteira? Vamos ver até onde isso vai dar.

— Século XXVI. No ano de 2508. — Ele disse, como se tivesse decorado as datas.

É claro que decorou, pensei.

— E por que essa guerra aconteceu? — Perguntei, com uma ponta de interesse. Esse cara podia ser escritor, porque meu Deus! É uma história muito bem elaborada para ser improviso.

Jonny me olhou, impaciente.

— O que é isso, um questionário de história? — Ele perguntou, irritado. — Eu preciso que vocês me ajudem, não que testem meus conhecimentos!

— A verdade, Jonny, se é que esse é mesmo seu nome. — Eu disse. — Não acreditamos em você. Essa história é absurda.

Ele afundou no banco, parecendo cansado.

— Ok, não precisa acreditar em mim. Só resolva a charada. — Ele disse, tirando seu celular do bolso.

Olhei o celular com interesse. Não parecia um celular. Estava mais como um pequeno pedaço de vidro, em forma de celular. Era transparente; eu podia ver através dele.

Ruby franziu as sobrancelhas. Ela com certeza teria perdido a paciência e ido embora, não fosse pelo fato de que uma luz iluminou o rosto de Jonny quando ele pegou o pequeno objeto, exatamente como um celular faria.

Deve ser algum tipo de truque de espelhos, pensei.

Jonny, que tamborilava os dedos na mesa, parou repentinamente. Olhando preocupado para nós, ele perguntou:

— Hoje é mesmo 18 de setembro de 2015?

— Sim, por que? — Perguntei, rindo nervosa.

— Onde fica a Casa Branca? — Ele perguntou novamente.

— Washington. — Ruby respondeu, revirando os olhos.

Jonny franziu as sobrancelhas.

— Sei como fazer vocês acreditarem em mim. — Ele disse, sorrindo.

Não tinha razão para isso, mas seu sorriso me assustou. Era como o sorriso de um psicopata.

Um psicopata bem bonito, pensei. Mas sem deixar de ser um psicopata.

— Ah, e como, Mart Mcfly? — Ruby perguntou.

Jonny pareceu não entender a referência, mas ignorou o comentário. Se virando para mim, ele disse:

— Hoje, pouco antes de anoitecer, vai acontecer um atentado à Casa Branca.

Arqueei as sobrancelhas, não acreditando.

— Duvido muito. — Disse.

— Tudo bem, duvide. — Ele deu de ombros. — Daqui a algumas horas, todos os programas serão interrompidos, noticiando o ataque. Quando isso acontecer, vocês vão ter que acreditar em mim.

— E como podemos ter a certeza de que não foi você que ordenou esse ataque? — Ruby disse. — Isso é, se ele realmente acontecer.

— Olhe para mim, Ruby. — Ele disse, impaciente. — Vocês acreditam que eu seja um adolescente pirado. Se eu realmente estiver mentindo, não teria como ir tão longe assim! Aliás, o culpado vai ser pego ainda hoje.

Cruzei os braços, agora indecisa. Realmente, ele não parecia estar mentindo, e a ideia de ele ser o responsável por um ataque à Casa Branca era ainda mais absurda que a ideia de viajar no tempo. Olhei para Ruby, que o encarava, irritada.

— Tchau, Lottie. — Ela disse. — Já aguentei demais. Ele não vai te fazer mal. É completamente inofensivo.

Ruby, visivelmente irritada, levantou-se do banco e foi para a porta, me deixando sozinha com Jonny. Ela bateu a porta com força, chamando a atenção de todos, que, alguns segundos depois, voltaram ao que estavam fazendo.

Não acho que isso seja uma boa ideia..., pensei.

Notas finais
Não se esqueçam de deixar sua opinião nos comentários! Então é isso, um beijo, um queijo, um abraço e até!