Adeus Emma

1 Capítulo Único - Adeus Emma


Notas iniciais
Oi gente, olha eu aqui de novo. Queria dizer que escrevi essa One há alguns dias já, mas estava sem coragem de postá-la, porém após o apoio da Mari e da sensibilidade e verdade da Suprema, eu decidi que sim, eu deveria postá-la, porquê apesar de tudo ela é cheia de amor. ♥
Por favor, corram junto de Emma! E espero de coração que gostem! ♥

“Emma,

Perdoe-me por todas ás vezes em que tentei machucar você ou a sua família, por todas ás vezes em que tentei matá-los. Perdoe-me por tê-la separado de seus pais, por tê-los obrigado a mandar-lhe para longe. Só não posso pedir perdão por ter lançado a maldição, porque se não fosse por ela, hoje não estaríamos aqui, como estamos, como somos, como nos conhecemos.

E é por isso que lhe escrevo, sabendo que irá ler, porque te conheço.

Obrigada por Henry, foi o maior presente que recebi e sinto que devo agradecer você, que o gerou e o manteve perto de mim todo esse tempo. Sempre que abraçá-lo, que seja por mim também.

A realidade Emma, é algo que nem eu mesma consegui acreditar quando me dei conta. Saber que já salvamos uma a vida da outra, que só juntas somos capazes de criar uma magia invencível. Saber que você me vê como uma heroína e me aceita e respeita como sou. Saber de tudo isso me fez saber do que eu sinto.

Sinto amor, vontade de que você seja a mãe do meu filho, não por tê-lo gerado, mas por sermos uma família, por você ser minha. Sem posse. Por querer. Por amor.

Descobri que te amo, Emma. Descobri que o vazio de amor e de espera existente dentro de mim poderia facilmente ser preenchido por você. Mas sei que você tem sua vida, não se preocupe comigo.

Mas o real motivo dessa carta, não é porque quero me declarar para você. Eu não sou disso, você sabe. Não choro sobre ela, apenas sobre mim.

O real motivo dessa carta, é que já não suporto mais viver vazia de um futuro, preenchida apenas pelo passado e por esse presente mal vivido.

Estou partindo, Emma, não de Storybrooke, mas desse mundo. Irei procurar, se é que encontrarei e tenho direito a isso, meu ponto de paz.

Sinto muito em entregar a você essa notícia, mas sentia que era a única pessoa em que eu poderia confiar.

Só queria poder-lhe dizer isso pelo menos uma vez, já cometi tantas loucuras no passado, mas essa era a única que me faltava.

Finalmente, deixe-me morrer como Regina.

Adeus, Emma”.

A loira havia acabado de terminar de ler a carta. Só agora se dera conta de que Regina não estivera no Granny’s em momento algum. Lembrava-se apenas do vento que parecia apenas ter sido direcionado a ela, da porta sendo aberta a guiando até as mesas do lado exterior onde havia a carta.

Não pensou, não quis raciocinar a respeito ou tentar assimilar o que acabara de ler, queria apenas correr atrás da morena, salvá-la, impedi-la de cometer aquela loucura.

Que não seja tarde demais.

Deixou todos os amigos e familiares comemorando no Granny’s e saiu correndo sem dizer nada a ninguém. Regina confiara nela, apenas nela. Entrou no Fusca, deixou a carta do banco do passageiro e girou a chave com certa pressa.

Vamos logo, vamos logo.

O carro saiu em alta velocidade em direção a mansão. De longe pode ver que todas as luzes estavam apagadas. Mas ela poderia estar ali, escondida com seu plano secreto. Entrou e bateu na porta gritando pelo nome da morena, mas não obteve resposta. Poderia – e devia – arrombar a porta, mas era muito óbvio que estivesse ali.

Emma sentia que não, que deveria continuar a procurando, continuar correndo, a chamando.

Voltou para o Fusca e pegou o celular, discou o número de Regina e foi atendida ao segundo toque.

— Regina, onde você está?

Você leu?— o sorriso maroto presente nos lábios da morena.

— Regina, você não pode fazer isso.

Emma, eu não suporto mais.

Dirigia com os olhos atentos a todos os cantos de Storybrooke, enquanto conversava com a morena ao telefone.

— Onde você está? Só me diga isso.

Não importa agora.

— É claro que importa. O quê eu direi ao Henry? – respirou fundo trocando o celular de mão. – Eu não quero dizer nada a ele, não quero ter nada a dizer a ele, eu quero que me diga apenas onde está e volte comigo para comemorar com todos no Granny’s.

Sua voz saía alta e desesperada. Nunca imaginara que Regina estaria em uma situação assim. Sentia-se culpada e ao mesmo tempo com raiva, mas ainda assim responsável por salvá-la.

Obrigada por acreditar em mim, Emma, quando ninguém acreditava!

— Regina, me perdoa? – pediu sentindo pela primeira vez que a voz aos poucos ficava embargada. – Me perdoe por não ter percebido como você estava. Sei o quanto você é fechada, mas sou eu.

Emma, irei desligar, eu só queria ouvir sua voz uma última vez...

— Regina, onde você está? – gritou desesperada batendo a mão no volante. – Onde? Me fala!

Eu posso ver a cidade toda e percebo que no fundo eu criei algo bom. Cuide dela, por favor.

“Eu posso ver a cidade toda”, a frase ecoou pela mente da loira enquanto ouvia a respiração de Regina do outro lado da linha uma última vez antes da ligação ser terminada.

Não seria a última vez que ouviria sua respiração. Torre do relógio, só podia ser esse lugar. O carro derrapou e mal foi estacionado quando a loira pulou para fora e correu até as escadas que davam acesso a torre.

Sentia-se angustiada, desesperada. Tremia. Não podia deixar Regina fazer aquilo, em hipótese alguma. Tinha de salvá-la.

O quê você está sentindo, Emma?

Pensava enquanto subia a escadaria correndo, como se sua vida dependesse daquilo.

O quê você sente?

E dependia. Viu a luz da lua sendo refletida no interior do local e ao terminar de pisar no último degrau, avistou a morena parada próxima a uma grande abertura em uma das paredes. Tinha medo de chamá-la.

— Regina. – não caminhou, apenas esperou alguns segundos até que a morena se virasse.

Amor.

Leu o sentimento brotando dentro de si em cada íris castanha da mulher a sua frente. Ali, naquele momento frágil e delicado percebera o quê significa aquele conflito interno instaurado dentro de si desde que lera a carta. Amava Regina, como não fora perceber isso antes?

Regina não se moveu, apenas sorriu antes de deixar seu corpo pender para fora da torre.

— Não! – Emma gritou e tudo a sua volta se tornou uma câmera lenta.

Ela corria em direção à morena, mas parecia sentir algo a puxando para trás, tentando segurá-la, impedi-la. Emma venceu as forças contrárias e foi em direção a Regina. Ajoelhou-se próxima a abertura e viu o corpo da morena lentamente despencando, estendeu o braço e deixou a magia emanar de sua mão.

Sua magia parecia tão fraca sem Regina, mas era forte o suficiente para trazê-la de volta. O fio mágico esticou-se em direção a morena e se abriu como uma pequena mão pronta para segurá-la. O chão estava próximo, a queda iminente de se tornar real, a mão mágica agarrou-se ao sobretudo de Regina ao passo em que seu corpo lentamente parecia tocar o chão.

Emma sentiu o nó na garganta impedi-la de chorar, de gritar. Sua magia sustentara Regina pendurada ou ela chegara ao chão primeiro? Teria dado tempo de evitar a queda? Ou não fora capaz?

Desceu a escadaria correndo, pulando dois, três degraus ao mesmo tempo. Chegou ao lado de fora, e viu o corpo da morena no chão, em seu sobretudo ainda haviam os vestígios de sua magia recém usada.

— Regina... – sussurrou como se tivesse medo de pronunciar aquele nome.

Aproximou-se e se ajoelhou puxando a morena para os seus braços. O nó na garganta desatou e junto dele as lágrimas que lhe percorreram o rosto livremente. Não podia perdê-la.

— Por que você fez isso? – perguntou entre os soluços do seu choro a segurando em seus braços. Tinha medo de ver se ainda respirava, se seu coração ainda pulsava, ainda chamava por seu nome.

Enterrou o rosto no peito da morena para poder chorar em paz, para poder abafar sua dor, e foi quando, quase que imperceptível, sentiu os dedos levemente tocarem a pele de seu rosto.

— Regina? – perguntou sem olhar. Tinha medo de que não fosse ela, tinha medo de que fosse ilusão, alucinação.

— Você me salvou? – a voz pareceu trazer vida novamente ao seu corpo.

Levantou a cabeça e mirou os olhos castanhos brilhando mais do que qualquer astro presente no céu escuro de Storybrooke naquele instante.

— Você realmente imaginou que eu não o faria?

— Por que, Emma?

— Por inúmeros motivos. – em momento algum pensou em soltá-la ou tirá-la de seus braços. Não podia perdê-la.— Por que Henry não aguentaria, por que você não merecia esse fim, por que você mudou e isso significa que seu futuro não será igual ao seu passado, mas o mais importante, porque eu descobri no pior momento e da pior maneira possível, que te amo!

Regina delicadamente se retirou dos braços da loira para sentar-se. Levou as mãos ao rosto o escondendo enquanto começava a chorar, a colocar para fora toda a dor do momento e toda a felicidade da recém descoberta.

Emma aproximou-se se sentando ao seu lado e a envolveu em um abraço apertado. Regina descansou a cabeça nos braços da loira apenas deixando-se sentir o que tanto desejara antes. Era verdadeiro. Era real.

— Eu quase acabei com tudo, eu quase acabei comigo. – olhou profundamente nos olhos verdes da loira. – Parecia insuportável.

— Eu sei que parece, mas sei também que sozinha torna-se pior ainda, e você não está sozinha. Não mais. – sua mão deslizou e segurou na mão da morena. Regina acompanhou o ato com o olhar.

— Não era fácil sentir isso, não era fácil te amar. Eu pensei que você jamais pudesse sentir o mesmo, eu pensei que jamais tudo isso seria possível, seria real. Era algo em que não dava para acreditar, mas também não dava para não sentir. – despejou calmamente as palavras ali no ar gélido da noite. – Sabe quando você se da conta de algo que se você contar, ninguém acreditará? Mas ao mesmo tempo é algo que está ali, é algo real e inegável.

— Inacessível, eu achei que você era inacessível, mas no fundo eu era. Nunca me deixei pensar sobre nada do que eu sentia. Eu apenas sentia. Regina, havia algo que me levava a você, e eu nunca entendi, nunca pensei a respeito, nunca me preocupei. Mas quando cheguei ali, na torre do relógio, sabendo que você me amava e que faltava uma pequena fração de segundos para que eu te perdesse para sempre, tudo simplesmente fluiu. A beira da ruína, tudo foi mágica pra mim.

— Eu sabia que você não ignoraria a carta.

— Eu jamais ignorei nada que vinha de você, e eu só entendi o motivo agora.

Emma levou a mão ao rosto da morena e acariciou sua pele. Regina fechou os olhos sentindo o toque e quando os abriu, as íris castanhas fixaram-se nas verdes e conversaram entre si. Sabiam que era a hora. Os lábios delicadamente tocaram-se como se estivessem fazendo algo proibido, infringindo a lei, como se fizessem algo inacreditável.

Mas foi só quando o toque aconteceu, que sentiram a vida pulsar dentro de cada uma, a magia emanar de ambas, os vazios começarem a se preencher aos poucos. Então era aquilo que faltava, eram elas que faltavam uma a outra, quando sempre estiveram lá.

A caminhonete de David freou bruscamente e de dentro dela pularam junto dele Mary e Henry. No horizonte, por mais escuro que pudesse estar, podiam ver claramente algumas pessoas aproximarem-se.

— Emma, Regina, o quê aconteceu? – Mary tinha o cenho franzido devido à confusão que se instalara em si.

— Estavam todos no Granny’s e de repente ninguém encontrou vocês. – David estava parado próximo a esposa.

— É uma longa e inacreditável história. – Emma levantou-se e estendeu a mão ajudando Regina a levantar-se.

— Vocês estão bem? – Henry tomou a frente preocupado.

— Muita coisa aconteceu essa noite, meu amor. – Regina sorriu para o filho. – Mas tudo vai ficar bem agora.

— Vocês podem me explicar o que está acontecendo? – Mary sentia-se impaciente e confusa.

— Claro, podemos e devemos explicar. – Emma olhou para a morena e sorriram juntas, cúmplices. – Mas amanhã, porque agora nós temos um amor de muito tempo para viver. – a mão escorregou e entrelaçou seus dedos nos da morena.

Sem esperarem comentários ou ações, viraram-se e caminharam juntas. Mary e David avistaram a cena apenas esperando para saberem o que havia acontecido, e Henry, sorridente, não se conteve e correu atrás de suas duas mães que o acolheram entre elas.

Tudo naquele noite de Storybrooke, a partir daquele momento, voltou ao normal. Não era difícil de acreditar, era perceptível que o ar tornara-se mais mágico. O relógio, palco de tudo, apenas movimentou seu ponteiro mostrando que o tempo passava e que, portanto, haviam coisas que não podiam esperar, e a maior delas com certeza era o amor.

O Adeus de Regina, se tornou o Olá de Emma e assim, juntas, escreveram um início em cima do fim. Difícil de acreditar? Talvez para alguns sim, para outros não. Fácil de acontecer? Onde há amor, não tem um porque não.

Notas finais
Foi fácil escrever? Foi não! Foi lindo escrever? Foi sim! *-* A cena em que Emma salva Regina com sua magia foi inspirada na cena da morte da Gwen :'( em "O Espetacular Homem Aranha 2", porquê eu AMO aquele cena, nossa, como amo! ♥
Mas então, me contem o quê acharam, o quê pensaram, se sofreram, se amaram. Dividam esses sentimentos comigo. Obrigada gente! ♥ Deixem reviews! *-*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!